ORTAYA ÇIKIġI VE HAZ DUYGUSU
4. ANTĠKĠTEDEN GÜNÜMÜZE YEMEĞĠN HAZLA BAĞLANTISINA AVRUPA SANATINDAN ÖRNEKLEMELER
4.2 Avrupa Edebiyatında Yemeğin Ele AlınıĢı
Além de analisar a participação dos beneficiários em organização sociais, procurou-se saber como é o seu grau de envolvimento ou sociabilidade com as pessoas do conjunto habitacional, o relacionamento com vizinho e no conjunto em que reside.
Inicialmente perguntou-se aos moradores se havia uma associação de moradores organizada. A maioria, 77,6%, disse que não existe, 17,1% disse não saber e 5,3% disse que existe. A maioria, portanto, desconhece a existência e ou intervenção de alguma associação de moradores no conjunto em que residem. Embora 5,3% dos entrevistados afirmaram existir uma associação, quando questionados de que forma essa organização atuava, os mesmos não souberam responder.
Através dos dados levantados junto à equipe do TTS e do Departamento de Habitação e Urbanismo detectou-se que até o momento da realização das entrevistas, em nenhum dos três conjuntos havia uma associação de moradores, tendo em vista a dificuldade de organização dos mesmos107. Foi perguntado também aos beneficiários se havia algum grupo de pessoas que se reunia no conjunto e que tipo de reunião era essa: 53,2% disseram que não havia grupos que se reuniam; 38,7% dos entrevistados disseram que sim, e 8,1% disseram que não sabiam da existência de nenhum grupo. Dos que declararam que havia grupo de pessoas que se reuniam, 84% disseram tratar-se de grupos religiosos, tanto católicos, quanto protestantes, 12% disseram tratar-se de reuniões relacionadas ao PMCMV, organizadas pela equipe do Trabalho Técnico Social, e 4% alegaram que as reuniões são relacionadas às reuniões de condomínio, o que ocorre exclusivamente no conjunto Floresta. Os 8,1% que disseram não saber, alegaram que ficam fora do conjunto todo o dia, só vão para casa para dormir e, consequentemente, não sabem informar o que acontece no conjunto.
“Eu num fico em casa, então não sei te informar.” (Moradora 11 - BJC)
“Eu fico mais na casa da minha mãe que aqui, só venho dormir. Então não sei se tem reunião.” (Moradora 39 - Floresta)
“De vez em quando vem uns pessoal aí fazer um culto né? Igual aquela mulher da
casa laranja, ela reúne porque ela é crente, né? Tem um pessoal de Nova Viçosa que
faz uns culto na casa dela. Pessoal que é da rua do cantinho do céu vem.” (Moradora
3 - BJC)
Para completar, foi perguntado aos entrevistados se eles participavam desses grupos, dessas reuniões. Levando em consideração a integralidade da amostra, 33% dos entrevistados
107
Seis meses após a realização do trabalho de campo, através de reunião do Conselho Municipal de Habitação, obteve-se a informação que os moradores do conjunto BJC se organizaram com o conjunto CSF e fizeram uma associação de moradores do bairro São Francisco de Assis.
disseram que sim e 77% disseram que não, havendo uma pequena diferença na participação dos moradores de cada conjunto, conforme se pode verificar na tabela 9.
TABELA 9 - Moradores que participam de grupos no conjunto.
BJC Floresta CSF
Sim 26,7% 16,7% 10,7%
Não 73,3% 83,3% 89,3%
Total 100% 100% 100%
Fonte: dados da pesquisa 2013
Pelas respostas apresentadas, observa-se que no conjunto BJC houve um percentual maior de participação dos moradores nos grupos, o que pode ser justificado pelo fato de ter sido o primeiro conjunto a ser entregue e pelo fato dos moradores vivenciarem há mais tempo (entre 13 e 15 meses) a realidade local. Ainda assim, pode-se concluir que o nível de participação em alguma organização, quer seja ela, política, religiosa ou com outros fins, no próprio grupo local é muito pequeno. Através das respostas das entrevistas, infere-se que até aquele momento não havia por parte dos entrevistados uma atuação mais pró-ativa, ou seja, nas suas falas revelam que querem que o conjunto melhore, mas não existe uma ação efetiva deles voltada para isso. Por outro lado, algumas falas revelam a luta pela sobrevivência, que faz parte desse segmento, o que muitas vezes, impede uma atuação em reuniões, pelo fato de coincidir os horários das reuniões com os horários de compromissos e trabalhos das famílias.
“Eu num participo não, tem muita fofoca aí. Prefiro ficar na minha casa.” (Moradora
3 - BJC)
“Eu trabalho o dia inteiro não tenho tempo para isso.” (Moradora 11 - BJC)
Analisando ainda, a participação do morador no conjunto, perguntou-se aos mesmos como é a organização entre eles, tanto para se reunirem como para reivindicar melhorias para o conjunto, conforme se pode visualizar na tabela 10.
TABELA 10 - Avaliação da organização dos moradores no conjunto pelo beneficiário.
BJC Floresta CSF Ótimo 3,3% Bom 50% 22,2% 3,6% Ruim 40% 66,7% 71,4% Não sabe 6,7% 11,1% 25% Total 100% 100% 100%
À exceção do conjunto BJC em que 53,3% dos entrevistados alegaram que a organização entre eles varia do ótimo ao bom, os demais declararam que a organização nos conjuntos é ruim: 66,7% em relação aos moradores do conjunto Floresta e 71,4% ao conjunto CSF.
A diferença na visão dos moradores em relação à organização coletiva nos conjuntos pode estar relacionada ao tempo em que os mesmos estão residindo nos conjuntos, uma vez que o maior índice de organização se deu no conjunto BJC, conjunto que foi entregue há mais de um ano, e que o TTS já estava sendo realizado há mais tempo, o que possibilitou uma maior integração dos moradores em torno das organizações coletivas.
No conjunto Floresta, existe o fato de que cada bloco possui o seu subsíndico, e este é responsável por participar das reuniões coletivas, motivo pelo qual os moradores não se organizam como um todo, já que acabam delegando essa função para o subsíndico. Mas foi possível perceber que em alguns blocos, mesmo com a presença do subsíndico, havia um envolvimento maior do morador com o local.
“A gente participa, a gente vai fazer reunião amanhã sobre o portão que o a gente
quer colocar aí. O portão eles passam e deixa aberto, nos passamos e fechamos, outros deixam aberto.” (Moradora 34 – Floresta)
“Eu participo só da reunião de condomínio, essas outras aí não.” (Moradora 46 –
Floresta)
“Algumas pessoas se interessam em ajudar, outras a gente nem vê. A maioria das
pessoas nesse bloco são envolvidas. A gente quer colocar portão eletrônico, pintar, por piso na escada. Pra todo mundo fazer. Aqui no bloco tem um subsíndico. Amanhã mesmo a gente vai ter uma reunião pra gente decidir comprar uma tinta pra melhorar a escada.” ( Moradora 38 – Floresta)
Em relação ao conjunto CSF, o baixo nível de organização entre os moradores pode estar relacionado ao curto prazo de residência no conjunto (3 a 5 meses) e em função também da inexistência, ou pouca atuação do Trabalho Técnico Social.
“Cada um por si, igual você veio aqui e fez suas perguntas cada um vai falar suas coisas.” (Morador 51- CSF)
“Eu na minha casa, quietinha no meu quadrado, vizinho só na hora do aperto.”
(Moradora 60 – CSF)
“Isso eu num sei nada, fico na minha, não participo.” (Moradora 59 –CSF)
À época das entrevistas neste conjunto, o TTS ainda não havia começado, consequentemente, os moradores ainda não participavam de nenhum curso, reunião, etc., o que de certa forma dificultava a interação entre os mesmos, pois, é à medida que eles vão interagindo entre si e com o local, que descobrem o interesse e a necessidade de se organizarem.
A classificação da ação dos beneficiários enquanto moradores, em relação aos três conjuntos, sofre uma divisão, pois se por um lado existe uma maioria que está no degrau da manipulação, pois não se interessam por nada, que preferem ficar trancafiados em suas casas, às vezes reclamando das condições que possuem, por outro lado há aqueles que se preocupam com o local em que residem e procuram alguma solução para os problemas coletivos, tais como as mulheres do conjunto BJC que se organizaram e foram na Câmara Municipal reivindicar melhorias. Ações como estas e outras descritas podem ser classificadas como participação, encontrando-se no degrau da parceria, uma vez que as pessoas se organizam entre elas para buscarem soluções coletivas.