A escola 03 fica localizada em um município do interior paulista. A população estimada em 2013 era de 393.920 habitantes, e a população, em 2010, era de 370.126 habitantes. A cidade tem uma unidade territorial de 431,173 km² e densidade demográfica de 858,42hab/km².
Tabela 16 – IDH-M do município onde se localiza a escola 03.
IDHM, 1991 0,602 IDHM, 2000 IDHM, 2010 0,744 0,822 Renda, 1991 0,740 Renda, 2000 Renda, 2010 0,790 0,834 Longevidade, 1991 0,756 Longevidade, 2000 Longevidade, 2010 0,822 0,866 Educação, 1991 0,390 Educação, 2000 Educação, 2010 0,633 0,768
Fonte: http://www.pnud.org.br/atlas/tabelas. Organizado pela autora.
Os índices dessa cidade estão, em sua maioria, entre médios e altos. Todos os índices foram elevados de 1991 a 2000, ocorrendo o mesmo de 2000 a 2010. O índice de pobreza apurado, em 2003, foi de 8,78%, significativamente inferior aos dos municípios das escolas 01 e 02, de 53,46% e 39,74%, respectivamente. Nessa cidade, o cenário de opções de lazer se apresenta diferente das outras caracterizadas: há dois shoppings com cinemas nesses espaços, diversos parques e um teatro.
Em um dos bairros deste município, próximo ao centro da cidade e de fácil acesso por transporte público, encontra-se o um Centro Municipal de Educação de Jovens e Adultos, chamado na pesquisa de escola 03. Recebe alunos, em sua grande maioria, vindos de escolas regulares estaduais majoritariamente do próprio município – mas, são aceitas matrículas de quem reside em outros locais.
Segundo informações do site da prefeitura, estavam matriculados, na escola 03, mais de 7 mil alunos nos Ensinos Fundamental e Médio, quando a escola funcionava em regime “apostilado”. Com a implantação de aulas, e não mais “plantão de dúvidas”, verificou-se que
97% destes alunos matriculados eram evadidos ou desistentes. Hoje a escola possui 1800 alunos que frequentam as aulas, quer em regime regular ou semipresencial (com 2 ou 3 aulas por semana, conforme o ano em que estuda). Devido às condições em que são ministradas as aulas, muitas vezes, esse é fator facilitador para que os que a frequentam, de modo a conciliar com seus trabalhos.
Da 1ª a 4ª séries, as aulas são regulares. O Ensino Fundamental II e o Ensino Médio são semipresenciais: havia dois professores para cada disciplina de cada segmento, e os alunos faziam o percurso pelas disciplinas, tendo liberdade para escolher a ordem em que a frequentavam. A cada ano de estudo da disciplina, o aluno recebia uma apostila para estudos, que eram feitos em casa. Após terem lido a apostila, faziam um conjunto de exercícios e levavam para os professores corrigirem. Se houvesse dúvidas no decorrer da leitura, os professores estavam de plantão para tirá-las. Eles trabalhavam das 15h às 21h, de segunda a sexta-feira, sendo dois dias na semana reservados somente para aplicação de avaliação. Feitos os exercícios e corrigidos, os alunos recebiam uma atividade para ser realizada em casa e levavam novamente para correção. Findada esta etapa, eles deveriam fazer uma avaliação presencial e, se obtivessem êxito, passavam para o ano seguinte da disciplina. O tempo de duração do curso, assim, dependia da disponibilidade do aluno.
Embora fosse muito antigo o serviço, tal forma de organização da Educação de Jovens e Adultos (EJA) fora contestada, posto que, por questões legais, esta modalidade não poderia ser oferecida de nenhuma forma que não presencial. Segundo informações de uma profissional do local, a nova administração, assim, optou por aos poucos ir transformando o perfil da escola, passando a ser profissionalizante. Entretanto, os diplomas já emitidos não serão contestados.
De acordo com uma das professoras de Língua Portuguesa do Ensino Fundamental II do local, é grande a quantidade de alunos que chegam sem o domínio da leitura e da escrita. Embora haja a intervenção e auxílio do professor, a aprendizagem precisa da leitura e interpretação de textos, ficando comprometido o desenvolvimento do aluno não alfabetizado. Anteriormente, os alunos nessas condições diagnosticados frequentavam o reforço três vezes por semana, com uma pedagoga, até serem considerados aptos a iniciarem as disciplinas.
Atualmente, alunos com dificuldades em leitura, escrita e numeramento frequentam aulas de apoio pedagógico, por tempo indeterminado previamente, sem deixar de cursar as demais disciplinas. Todavia, ainda não há apoio pedagógico no período noturno, quando a procura é
maior, uma vez que os pedagogos da rede municipal, em sua maioria, trabalham no período diurno. Anteriormente, alunos não alfabetizados frequentavam as séries iniciais, ainda que com certificado de anos posteriores. Atualmente, esta prática foi abolida, visto ser contrária à lei vigente e pedagogicamente incorreta. Porém, muitos alunos pedem para cursar os anos iniciais e alguns desistem de estudar por acreditarem que serão incapazes de “acompanhar” outro ano/série. A escola e os núcleos descentralizados – salas de EJA em diferentes bairros da cidade – têm um diretor, uma supervisora, uma vice-diretora e, desde o ano de 2014, 4 coordenadores pedagógicos. Conta com 27 professores de Ensino Fundamental I, 14 professores de Ensino Fundamental II e 16 professores de Ensino Médio. Destes, 04 professores de Ensino Fundamental I realizam trabalho de reforço – além de, embora não efetivas, uma professora de Atendimento Educacional Especializado (AEE) e duas tradutoras de Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS). Os professores do Ensino Fundamental II dos núcleos não são efetivos da EJA, porém, o são da Rede Municipal e trabalham em regime de horas extras. Trabalhando na secretaria escolar, há 7 funcionárias. Na limpeza, 05 funcionários terceirizados.
Quadro 4 - Dependências da escola 03.
Salas de aula 14
Laboratório de informática 01
Sala de merenda 01
Copa para funcionários 01
Banheiro para alunos 02
Banheiro para funcionários 02
Sala de secretaria 01
Sala de diretoria 01
Sala de vice-diretoria 01
Estacionamento para funcionários 01
Fonte: informações fornecidas pela coordenadora pedagógica.
As salas possuem uma das laterais abertas, assim, para os que circulam no corredor, não há barreira de visualização do decorrer das aulas. Isto, embora apontado pela gestão anterior como símbolo de “liberdade”, era, na realidade, uma forma de controle sobre a conduta dos professores, de acordo com a atual coordenadora. Além disso, ela mencionou também que tanto os alunos quanto os professores reclamam do excesso de barulho e distrações causados pela “falta de parede”. Essas aulas ocorrem no período matutino (somente Ensino Fundamental I), vespertino e noturno. Para o Ensino Fundamental II e Médio, existem “boxes” (salas) para cada disciplina, também abertas em uma de suas laterais. Existe uma sala de aula fechada e ampla
apenas para a disciplina de Artes, sendo utilizada ao mesmo tempo pelo Ensino Fundamental II e Médio, além de uma sala em um prédio ao lado, no mesmo Complexo Educacional, para ensino de Artes, utilizada em datas agendadas no período vespertino e exclusivamente no noturno. A merenda escolar é servida em diferentes horários, para atender a todos os alunos.
Vejamos, agora, alguns dados iniciais sobre os alunos e os procedimentos iniciais para defini-los.