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Hayali penaltı noktasından yapılacak vuruşlar

Belgede PLAJ FUTBOLU (sayfa 65-70)

Zack tinha 22 anos quando ingressou no ensino superior, estava no quarto semestre do curso de Física do IFCE. Residia na zona rural do município de Tamboril. Morava com a avó, a irmã e duas primas. Aos 12 anos ficou órfão de mãe170 na ocasião em

169 Entrevista realizada em dezembro de 2017.

que foi morar com a avó materna, juntamente com sua irmã. Desde então não tem muito contato com o pai, sabendo apenas que ele já tem outra família e mora em outro Estado. Embora essa tragédia tenha marcado bastante a vida do estudante, ele diz que teve sorte ter sido criado pela avó. Em virtude do transtorno mental sofrido por sua mãe, ele não teve muita atenção dela e os cuidados na infância foram sempre divididos entre a avó e uma vizinha que ele considera que desempenha até os dias atuais o papel de mãe em sua vida.

Terminou o ensino médio e ficou um ano sem estudar e sem trabalhar. Ajudava a avó nas atividades domésticas e estava vivenciando o que ele chamou de descoberta da sua sexualidade. “Eu precisava entender primeiro quem eu era para depois seguir em frente. E esse tempo foi bom, foi quando eu disse pra mim e para aquelas pessoas que ficavam achando, mas não tinha certeza, que eu era gay”. Após esse tempo, Zack fez ENEM e antes mesmo de saber a nota e para qual curso ingressaria, já pensava em cursar alguma licenciatura na área de exatas. Sua nota não foi suficiente para ingressar na primeira chamada, mas ficou na lista dos classificáveis, sendo chamado após o início da segunda semana de aula.

Como achava que não seria chamado para ingressar no IFCE, tendo em vista que entre o período de matricula dos classificados e a chamada dos classificáveis decorreram seis meses171, ele já estava fazendo um curso profissionalizante de doces e salgados como forma de se inserir no mercado de trabalho. Após muita insistência da avó e da irmã resolver desistir do curso profissionalizante e ingressar no curso de física.

Ele estuda a noite e pega dois meios de transporte para chegar ao Campus. Utiliza uma moto para se locomover da sua casa até o centro de Tamboril onde pega o ônibus fornecido pela prefeitura para deslocamento dos estudantes até a cidade de Crateús. Na volta faz o mesmo percurso, chegando a sua casa por volta de uma hora da manhã.

4.7.1 Práticas socializadoras familiares e o ingresso no ensino superior

Zack foi o primeiro da família a ingressar em curso superior presencial. A irmã e as primas com quem mora concluíram o curso de Serviço Social na modalidade à distância, mas nunca trabalharam na área. Sua avó é analfabeta, agricultora aposentada e sua mãe tinha concluído a quarta serie do ensino fundamental. Apesar da avó sempre ter dado muita importância aos estudos e colocado sempre como prioridade para o atendimento as

171 Em virtude do calendário do IFCE está com um semestre em atraso, os estudantes aprovados pelo SISU para o segundo semestre se matriculam cerca de seis meses antes.

necessidades materiais que surgiam na família, ele nunca acreditou que cursaria um curso superior. Pensava em montar seu próprio negócio, uma lan house ou uma lanchonete.

Na verdade, nunca pensei muito em continuar os estudos depois do ensino médio. Onde moro as pessoas são agricultoras, comerciantes ou desempregadas. E não quero nunca sair de lá. Lá é bem zona rural mesmo, é mais frio, calma. Quando venho pra Crateús ou até para Tamboril já sinto a diferença. Ai, pensei em montar um negócio lá mesmo. Acho que daria para eu ajudar minha avó (informação verbal)172.

Embora em muitas respostas às perguntas da entrevista tenha falado sobre a infância, não se referia de forma saudosista. Para ele, foi uma época muito difícil. Por ser o irmão mais velho, teve que cuidar da mãe que tinha vários problemas de saúde e da irmã. O pai foi sempre ausente. A escola nesse contexto era sempre uma segunda opção, ia às aulas nos dias que era possível e com frequência precisava mentir para a conselheira tutelar que visitava sua casa. “O conselho tutelar vivia na minha casa, os vizinhos sempre denunciavam que eu pequeno ficava sozinho em casa, que eu não ia pra escola, ai eu sempre mentia que estava doente. Assim ia me virando”.

Quando foi morar com a avó, as coisas mudaram um pouco e ele passou a ir com frequência à escola. No entanto, estava bastante atrasado. Aprendeu a ler aos 14 anos de idade no reforço escolar que sua prima fazia em sua casa como forma de complementar a renda da família. As professoras do ensino fundamental e médio de onde ele estudava disseram a sua avó que ele tinha problemas de aprendizagem e por isso não aprendia a ler e talvez nunca aprendesse. Quando conseguiu ler não quis mais frequentar a escola que estudava e ficava bem próximo a sua casa. Então, foi estudar numa escola em Tamboril, onde concluiu seu ensino médio e foi orador da turma.

A prima mais velha que lhe ensinou a ler foi sempre uma grande motivadora para que ele realizasse o exame do ENEM. Para ela, os estudos deveriam ser o grande projeto de Zack para o futuro. Segundo ele, ela costuma dizer que a ignorância é o pior mal que o ser humano pode ter. Ela gosta muito de ler e é auxiliar de professora numa escola municipal da localidade onde moram. Nas férias de dele, ela costumava levá-lo para a escola para ajudar com as crianças.

Foi a partir dessa vivência que ele despertou a vontade de ser professor, embora não achasse que fosse possível. “Eu queria, eu quero, ser professor para acreditar nas pessoas,

saber que elas conseguem. E ensinar física é muito desafiador, porque todo mundo acha que é impossível aprender física”.

Embora a avó tenha sido sempre uma grande incentivadora para que Zack estudasse, ela não queria que ele cursasse uma licenciatura. Acha a profissão de professor pouco valorizada e com rendimentos muito baixos. Sua vontade era que o neto fosse médico ou advogado. “Mas ela também não queria que eu fosse gay, e eu sou, então ela vai se acostumando”.

4.7.2 Estratégias de permanência e êxito no ensino superior: integração e afiliação à vida acadêmica.

Ao ingressar no curso, ainda nos primeiros meses de aula, Zack afirmou que pode perceber que era aquele curso que queria e ficou muito contente por isso porque mais da metade dos alunos da sua turma estava no curso por falta de outra opção. Uma professora, em especial, que lecionou introdução ao ensino da física, foi a responsável por ele ter essa certeza ainda no primeiro semestre.

Ela nos ensinou que podemos ensinar física falando sobre as revoluções cientificas, sobre o universo e não só com aquelas fórmulas matemáticas. Eu senti que eu tinha um mundo a descobrir depois que entrei aqui (IFCE). Pra mim ser professor era resolver aqueles exercícios na lousa e repetir as fórmulas porque foi assim que eu aprendi. Ora, imagine ter um laboratório de física? Isso tudo me deixou muito empolgado. É tanto que no segundo semestre já fomos apresentar trabalho no encontro que teve da física (informação verbal)173.

No terceiro semestre o professor levou a turma para uma visita a capital, Fortaleza, para conhecer o planetário do Centro Cultural Dragão do Mar, os laboratórios da UFC e o Museu da Fotografia. Para Zack, essa visita foi um divisor de águas em seu percurso acadêmico, uma vez que decidiu sobre a temática que queria estudar no seu trabalho de conclusão de curso. Sobre a visita, ele contou que:

[...] conheci o mar, o dragão do mar que eu sempre via no facebook anunciando uns shows muito massa lá, a UFC onde quero fazer mestrado e doutorado e o museu. Nossa nesse museu foi tudo. Conhecemos uma técnica de tirar fotos em caixas de fósforo. Isso é física pura. E no dia a dia, a gente nem percebe. Por que não sabe. Eu quero estudar é isso. Esses fenômenos físicos do dia a dia. Quero escrever sobre os processos físicos que ocorrem para essa técnica de fotografia em caixa de fósforo.

As disciplinas que Zack mais gosta no curso são aquelas voltadas para o ensino e para a educação. Ele relatou que não era bem visto pelos professores de física por gostar mais das disciplinas chamadas de pedagógicas do que das de física, mas não expressou muita preocupação. Entendia que se tratava de um curso de formação de professores e relatava ansioso pela mudança na matriz curricular. O curso estava passando por uma reformulação no seu projeto pedagógico e dentre outras mudanças estava a inclusão de mais disciplinas voltadas para didática e para a educação.

As dificuldades financeiras da família de Zack sempre o preocuparam. A renda oriunda da aposentadoria da avó tem ficado mais comprometida desde que ele ingressou no curso. No quinto semestre optou por cursar duas disciplinas pela manhã como forma de adiantar um semestre do curso e os gastos com transporte e alimentação aumentaram bastante. O sonho de possuir um computador também tem sido adiado semestre após semestre. E isso tem dificultado bastante para acompanhar os materiais de aula sempre postados no ambiente virtual do aluno através do sistema acadêmico. “Desde que entrei aqui achei estranho. Os professores passam tudo da aula pelo acadêmico e quem não tem computador com internet vai ficando para trás. Acho que é bem do ensino superior. Mas quem não tem condições como eu, faz o quê?” Para conseguir recursos para comprar o computador, ele tem dado aulas de reforço para alguns colegas, mas não conseguiu juntar muito. Outra estratégia que pensou para adquirir o equipamento e aguarda a abertura de inscrição foi no programa de monitoria. Pretende juntar dois meses do valor da bolsa e comprar um notebook usado.

Os planos de Zack para cursar uma pós-graduação evidenciam uma forte característica de integração a vida universitária, tendo em vista que para efetivação desse plano precisa concluir o curso. Em relação a afiliação, foi possível perceber que ela tem sido bastante prejudicada pela permanência no Campus apenas nos horários de aula, em virtude da limitação com transporte. Dessa forma, embora ele tenha participado de viagens e almeje participar de uma seleção para monitoria, durante o percurso acadêmico não participou de muitas atividades que não fossem as desenvolvidas durante o turno da noite e nas aulas do curso.

Belgede PLAJ FUTBOLU (sayfa 65-70)

Benzer Belgeler