Os chamados consumidores de alimentos orgânicos na pesquisa de Gil; Garcia e Sànchez (2000), da cidade de Navarra, na Espanha, incluíam 52% dos entrevistados, sendo bem equilibrada a porcentagem de homens e mulheres, os quais apresentavam média escolaridade e 75% destes eram de média renda. Em Madrid, esses consumidores representavam 35% da população entrevistada, onde não apresentaram um especial perfil
sócio-econômico, exceto no que diz respeito a um grande número de consumidores do gênero feminino.
Na pesquisa de Saba e Messina (2003), a média de idade dos entrevistados foi de 43 anos. Gênero, área geográfica e educação não representaram diferenças entre consumidores e não-consumidores de frutas e vegetais orgânicos. Só a variável classe de idade foi estatisticamente diferente entre os dois grupos, onde entre os consumidores com maior freqüência de compra, havia um grande percentual de pessoas velhas, morando no norte da Itália.
No estudo de Fotopoulos; Krystallis e Ness (2003), o perfil sócio-demográfico da amostra, apresentou que a maioria dos compradores de vinho orgânico eram mulheres (67,35%). A escolaridade apresentou-se alta, onde mais de 50% dos entrevistados tinham grau universitário ou pós-graduação e entre os respondentes, aproximadamente 47% não tinham filhos e 53% tinham entre 1 ou 2 filhos.
Na pesquisa de Wandel e Bugge (1997), sobre alimentos produzidos ecologicamente, os resultados com relação a gênero, apresentaram que mulheres são mais prováveis de priorizar aspectos ambientais nas suas avaliações com relação à qualidade dos alimentos. Entretanto, não houve diferenças de gênero com respeito às razões para a compra desses alimentos. A ênfase sobre a própria saúde, o ambiente externo e outras qualidades da comida não apresentaram diferenças significantes entre homens e mulheres. Com relação à educação, as pessoas do grupo de alta escolaridade apresentaram-se mais propensos a priorizar a produção ambiental e com maior probabilidade de pagar um preço extra por esses produtos. Com relação à idade, as razões para os compradores de alimentos ambientais foram diferentes em vários grupos de idades. Os grupos de idades, mais jovens baseavam seu comportamento de compra sobre as considerações de bem-estar animal e ambiental, enquanto que, as considerações da própria saúde era a mais proeminente razão nos grupos de idades mais velhas. Esse estudo apresentou ainda que, o interesse por esse tipo de alimento não está relacionado somente a consumidores economicamente ricos, onde renda ou ocupação não apresentou efeito significativo. Também não foi encontrada correlação com a fase da vida ou a presença de crianças na família.
A idade também foi um fator significante para predizer as atitudes, para alimentos como pão, tomate, carne e leite “produzidos organicamente”, intenção de compra (pão e tomate) e freqüência de compra (tomate). Observou-se que os respondentes mais jovens
provavelmente estão sendo mais favoráveis aos alimentos orgânicos. Em poucos casos, gênero e educação produziram significantes contribuições (MAGNUSSON et al., 2003).
As mulheres apresentaram-se mais propensas a comprar os produtos orgânicos do que os homens, na pesquisa de Hursti e Magnusson (2003), mas não foram claras as diferenças com respeito à idade e nível educacional. Wandel e Bugge (1997), afirmaram que a renda, ocupação, idade, ou presença de crianças na família não estavam relacionadas ao interesse pela alimentação orgânica, pelo menos, entre os consumidores orgânicos da Noruega.
Em termos gerais, as características sócio-econômicas dos consumidores não são muito relevantes para explicar diferenças entre segmentos de mercado (GIL; GARCIA; SÀNCHEZ, 2000). Por meio de hipóteses sobre atitudes ambientais para gênero, numero de filhos, educação e classe social, nenhuma dessas variáveis influenciavam no conhecimento ambiental, portanto, características sócio-demográficas associadas à consciência ambiental têm um fraco poder explicativo. Entretanto, o fraco poder explicativo das características sócio-demográficas, pode ser atribuído à generalizada aceitação da responsabilidade ambiental dentro da cultura ocidental (DIAMANTOPOULOS; SCHLEGELMILCH; SINKOVICS, 2003).
No trabalho deles, não se verificaram evidências claras que sugiram que pessoas casadas têm mais consciência ambiental do que indivíduos solteiros, em termos de conhecimento, atitude ou comportamento. Não encontrou significantes diferenças entre pessoas com crianças e aquelas sem crianças, sobre as medidas de consciência ambiental. Foram insuficientes também, as evidências que indicam que homens têm mais conhecimento sobre as questões ambientais do que as mulheres. Só houve uma evidência parcial, que apoiou a visão de que pessoas mais velhas e mais jovens participam em diferentes níveis de comportamento ambiental responsável.
Porém, Lombardi; Sato e Moori (2003), em pesquisa realizada em São Paulo, evidenciaram o fato de que tanto mulheres, como homens se preocupavam com os alimentos que consumiam tarefa não mais atribuída somente às donas de casa. Grande parte dos respondentes possuía curso superior e eram usuários da Internet, caracterizando assim, que os consumidores de alimentos orgânicos tinham um alto grau de instrução.
Na pesquisa de Rucinski e Brandenburg (1999), o consumidor orgânico no Brasil encontrava-se na faixa etária de 31 a 40 anos; não havendo uma disparidade muito grande entre as faixas de 41/50 anos e de 51/60 anos, mas em relação aos com menos de 30, foi
pouca a incidência de consumidores orgânicos. Com relação à variável sexo dos entrevistados, 66% são mulheres e 34% são homens, que procuram por produtos orgânicos. A variável educação apresentou que 58% dos entrevistados cursam ou concluíram o terceiro grau, 16% têm o primeiro grau e 26% possuem o segundo grau, portanto, a maioria dos consumidores possui alto grau de instrução, que possibilita articular melhor o conhecimento ambiental com relação à saúde e à alimentação. Conforme os dados, 45,1% dos consumidores têm renda mensal acima de 12 salários mínimos, 23,5% entre 9 e 12 salários mínimos, 13,7% entre 6 e 9 salários mínimos, 7,8% entre 3 e 6 salários mínimos e coincidentemente 7,8% entre 1 e 3 salários mínimos.
Isso aponta que o consumo de alimentos orgânicos é atribuído às pessoas com maior poder aquisitivo. Fato confirmado na pesquisa de Borguini (2002), onde a maior freqüência de consumo (diário e semanal) é observada entre o agrupamento com renda entre 16 e 30 salários mínimos. Quando se examinou o teste de Qui-quadrado, observou-se que há entre as variáveis analisadas, renda e consumo de alimentos orgânicos, uma associação estatisticamente significativa, ao nível de 10%. O resultado dessa pesquisa sugere ainda, que consumidores brasileiros de produtos orgânicos pertencem a uma parcela da população com melhor nível educacional e com renda per capta acima da média nacional. Assim, este parece ser um consumidor diferenciado, ou seja, mais exigente e mais informado.