1.5. Uluslararası Sivil Havacılık Örgütleri
2.1.2 Havayolu İşletmelerinde Uygulanan Rekabet Stratejileri
A metodologia da Entrevista Compreensiva nos auxilia no processo ao estabelecer uma relação a mais estreita possível entre os dados do campo e as teorias e ao admitir a dimensão artesanal na pesquisa: “[...] na prática, elas se mantêm fundamentadas num
conhecimento artesanal, numa arte discreta da bricolagem” (KAUFMANN, 2013, p. 25). Para a realização da investigação, o pensar e o fazer são nutridos por um espírito investigativo, leve, flexível e curioso, em que o pesquisador se assemelha à figura de um artesão, mas de um artesão intelectual (MILLS, 1986), por construir, ele próprio, sua teoria e seu método. Essa posição do pesquisador, modelo ideal definido por Wright Mills, é atribuída àquele que na condução da pesquisa sabe dominar os instrumentos, que são o método e a teoria.
O campo da pesquisa não é mais um espaço de averiguação e comparação de hipóteses relacionadas à problematização da pesquisa, “[...] mas o ponto de partida dessa problematização, do forjar das questões, de índices, de categorias de unidades de sentido” (SILVA, 2006 p. 7). O pesquisador como “artesão intelectual” tenta construir seu trabalho tecendo com os outros e consigo mesmo o objeto da investigação e buscando dominar e personalizar os instrumentos, elaborando a teoria.
Kaufmann (2013, p. 36) elucida que a entrevista nas ciências humanas e nas ciências sociais apresenta uma história longa e com origem múltipla: “pesquisas sociais do século XX, trabalho de campo dos etnólogos, entrevistas clínicas da psicologia”. Defende que cada pesquisa produz uma construção particular do objeto científico e uma utilização adaptada dos instrumentos, por isso, a entrevista não deve ser empregada exatamente da mesma forma em todas as pesquisas, devendo seguir protocolos diferentes e em conformidade com a intenção da pesquisa. Nesta pesquisa, a entrevista é reduzida ao domínio da compreensão, que, enquanto “suporte de exploração”, torna-se um “instrumento flexível nas mãos de um pesquisador atraído pela riqueza do material que está descobrindo” (KAUFMANN, 2013, p. 37).
A postura do entrevistador na condução desse tipo de entrevista é a de participar ativamente nas questões para provocar o envolvimento do entrevistado. O entrevistador rompe com certas hierarquias, instaurando um tom muito mais próximo de uma conversa entre pares. Atitudes como simpatia, gentileza, receptividade e acolhimento são necessárias para combater qualquer forma de intolerância sobre o que é dito pelo informante. Esse movimento em nossa pesquisa foi cercado de cuidados, zelo e escuta atenta, porque as entrevistadas e a entrevistadora mantêm uma relação de proximidade e fazem parte de um mesmo grupo de trabalho. Na condução da entrevista, ao discorrermos sobre os eixos temáticos, cuidamos para que fosse aberto um diálogo, e não uma inquisição.
O pesquisador busca, então, descobrir a lógica do conjunto dos sentidos, antes do emprego separado das unidades de sentido. O campo se constitui como o ponto de partida da problemática (KAUFMANN, 2013) e podemos afirmar que, se forem consideradas as
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maneiras habituais de realizar investigações, a metodologia da Entrevista Compreensiva se distingue pelo modo inverso de construção do objeto, sem desconsiderar as leituras iniciais ou o estado da arte do objeto de estudo. Assim, o objeto de estudo é desvelado aos poucos e o processo de elaboração teórica é ampliado conforme as descobertas do campo de pesquisa (SILVA, 2006), fato que implica atenção e sensibilidade do pesquisador.
Além da articulação do campo com o objeto de estudo, outra dimensão é a que corresponde à sensibilidade do pesquisador em relação ao ponto de vista do outro, o que significa que deve haver atenção e abertura para captar e procurar ou perceber sentidos (valores e valorações), preferencialmente, nas falas e demais ações dos sujeitos implicados na pesquisa. Na metodologia da Entrevista Compreensiva, as hipóteses e os conceitos emergem pouco a pouco dos dados expressos na fala dos interlocutores, constituindo-se a escuta como um componente essencial na construção da teoria. Tentamos ficar atentas e abertas para apreender, aproveitar as pistas emitidas e/ou escondidas nas entrelinhas dos discursos, o que significa discernir os sentidos, tendo como referência o ponto de vista do outro.
Nessa direção, refletimos a partir de Bourdieu, ao explicar: o pesquisador se “[...] situa em pensamento no lugar que o pesquisado ocupa no espaço social para necessitar a partir desse ponto e para decidir-se de alguma maneira por ele” (BOURDIEU, 2001, p. 699). Essa observação revela-se plena de sentido ao lermos que a explicação dos sentidos, partindo do ponto de vista do outro, considera que as ideias e as realidades relacionam-se intrinsecamente e que a construção da interpretação se dá numa relação dialética e no contínuo entre o próximo e o distante, entre o local e o global, entre o simples e o complexo. Sendo assim, a fala do outro se constitui como um elemento de mediação importante entre o indivíduo e a realidade social, em que a palavra funciona na produção de sentidos. “[...] Implica no ir e vir dialético entre o mais local dos detalhes locais e o mais global das estruturas globais” (GEERTZ, 1989, p. 10). Nesses termos, inferimos com Geertz (1997, p. 107) que “[...] a compreensão depende de uma habilidade para analisar seus modos de expressão, aquilo que chamo de sistemas simbólicos [...]”.
Esse caminhar admite que o pesquisador revele e organize, em unidades, os sentidos dados pelos sujeitos entrevistados e exige dele uma escuta apurada, cuidadosa e que ajude a desvelar o que é central e o que é periférico, o que ordinário e o que é extraordinário, o que é fundamental na atividade investigada e o que explicita diferenciações de interesses/motivos, pessoais ou coletivos. Desse modo, os discursos são compreendidos em uma perspectiva antropológica (GEERTZ, 1997), como reflexo de valores, valorações e de culturas, sujeitos a múltiplas interpretações. O discurso é uma produção cultural, um elemento mediador que se
põe entre o sujeito e a realidade social, em que a palavra é o vetor principal na produção de sentidos.
Os sentidos se constituem “[...] na ocorrência essencial das relações simbolizadas e efetivas entre homens pertencentes em uma coletividade particular” (AUGÉ, 1999, p. 43). Falar de sentido, nesse contexto, é falar de sentido social, como explica Augé (1999, p. 123): “[...] sentido social, ou o conjunto de relações instituídas e simbolizadas (portanto admitidas e reconhecidas) entre uns e outros”. Assim, os sentidos se constituem por meio de eixos que compreendem as linguagens da identidade e da alteridade. De um lado, as docentes entrevistadas acumulam pertenças em processos identitários que englobam contextos em que os indivíduos podem se sentir incluídos em um departamento e excluídos da gestão acadêmica. Por outro lado, a linguagem da alteridade se remete às relações e às influências em que essas pessoas se encontram implicadas. Os processos são históricos, ambivalentes, ambíguos, contraditórios. São eixos que entrelaçam linguagens em que se relacionam individual/coletivo, si-mesmo/outro (AUGÉ, 1999). Esse emaranhado de relações conjuga um misto de significações que extrapolam o campo individual e subjetivo do ser professor, por trazer, em parte, um conjunto de posturas submersas em imagens coletivas, tanto de si- mesmos como de outros que neles habitam.
Em suma, o formato do olhar e de abordar o itinerário da pesquisa permite pensar que cada um desses sujeitos é parte de uma configuração que sofre e exerce influências, estabelecendo, dessa forma, uma rede de relações complexas, segundo a lógica do contexto. Essa reflexão nos conduz ao diálogo e à procura de bases, na compreensão da sociologia de Elias (1998) sobre o conceito de configuração. Enfatiza Elias (2006) que, ao se reportar às configurações que os humanos fazem uns com os outros, retratamos duas imagens: uma de um ser humano e outra de um instrumento conceitual coerente com o que denominamos de o social em ato,um pensamento sociológico que não separa indivíduo e sociedade e vice-versa. Nossas ações fazem parte de uma “[...] dinâmica configuracional que resulta da forma como os grupos humanos estão interligados” (ELIAS, 1998, p. 206).
No processo, acontece uma rede de interdependência (ELIAS, 1998) relativa aos sujeitos e às atividades, expressas através de configurações de diferentes ordens, como a psicológica, a social, a institucional, a antropológica, a econômica, a política, a pedagógica ou a didática, de todas as relações instituídas ou instituintes do processo em discussão. Desse modo, em nosso entendimento, os sentidos e sua dinâmica são constructos sociais formados em configurações diversas, num jogo de interdependência em que se encontram implicados inúmeros sujeitos, contextos e abordagens. Os sentidos pretendidos e aqueles identificados,
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por meio do que falam os docentes, compreendem o fundamento explicativo e a base social para definir a Entrevista Compreensiva como metodologia (KAUFMANN, 2013; SILVA, 2006, 2012).