ĠKĠNCĠ BÖLÜM 2. VERGĠ HATASI
2.1. Vergi Hatası Kavramı ve Hukuki Düzenleme
Iniciando uma Escola Superior em São Paulo, sois responsáveis, até certo ponto, pelo seu progresso e desenvolvimento.
Cesário Motta Jr.2
2 Secretário de Estado do Interior quando da instalação da Escola Politécnica. Revista Politécnica,
Para grupos políticos que buscavam a instalação da República no Brasil, a criação de escolas de engenharia era fundamental, principalmente naquelas regiões que, em fins do século XIX, espelhavam-se na Europa como paradigma da modernidade. A engenharia chamava para si a vontade transformadora que permeava esse período, como sendo aquela que conseguia alterar o curso dos rios, cortar os montes e interligar os vales. E essa construção é possível por meio de uma técnica respaldada na ciência, transformando-se assim em tecnologia e revestida do paradigma da verdade e da neutralidade. A proposta desses arautos, os engenheiros, deveria ser aceita pelos demais setores da sociedade, já que esses não entendem seus códigos e não sabem transformar as potencialidades da natureza em bem-estar social. Ao formar engenheiros, estar-se-ia formando os artífices do progresso que removeriam os obstáculos ao desenvolvimento daquela determinada região. Os engenheiros não elaboram um discurso sobre um novo bairro ou região, eles constroem essa nova localidade. Eles elaboram um pensamento tecnológico sobre a realidade, paulistana, por exemplo, com análises de solos, verificação das curvas de níveis da cidade, os índices pluviométricos, chegando assim a um diagnóstico sobre que projetos são viáveis de serem executados para que daí se constitua uma nova ordem social.
Dois conceitos utilizados no parágrafo acima são fundamentais nessa pesquisa: técnica e tecnologia. Na maneira com a qual os engenheiros distinguiram ao longo do tempo esses vocábulos está ligada a constituição da sua formação profissional como foi implementada pela Escola Politécnica. Nos dias de hoje, a técnica é tida como a capacidade do homem de fazer instrumentos e coisas não existentes na natureza, para satisfazer necessidades suas que não são fundamentalmente vitais.3 Por isso, pode ser utilizada por qualquer indivíduo que a domine, que a saiba executar, e executá-la com destreza. Já a tecnologia pressupõe um conhecimento científico que subsidie uma determinada técnica; portanto é necessária uma formação acadêmica que capacite o profissional ao uso/conhecimento da tecnologia.4
A formação profissional do engenheiro, nos modos em que foi desenvolvida nos primórdios da Escola Politécnica, se fundamenta no conhecimento das tecnologias, ou seja, no executar e fazer com a utilização de conhecimentos científicos, e quando possível, na constituição de novas tecnologias. Isso é mais evidente nos dias de hoje, do que nos anos em que não havia nenhuma regulamentação sobre a atuação da profissão do engenheiro. Cento e quinze anos atrás, não era clara para a sociedade brasileira essa distinção entre técnica e tecnologia, assim como não se configurava como essencial a presença do engenheiro, isto é, a aplicação do saber científico, em várias obras da construção civil. Bastava, para tanto, alguém que dominasse aquela técnica, por exemplo um mestre-de-obras, para que tal obra fosse executada.
Com a criação de vários institutos de nível superior formando cada vez mais engenheiros no País, passa-se a ter uma disputa pela constituição do espaço da atuação desse profissional, até então não definida na sociedade brasileira. Qual é a área de atuação do engenheiro? Isto é, daquele que dominava os processos
3 VARGAS, M., Tecnologia e mundo simbólico. Revista Politécnica, nº 203, p. 65.
4 Ibidem. Várias discussões em torno de modelos de ensino de engenharia se desenvolvem ao
longo da história. Milton Vargas afirma que um momento de real importância para a história da tecnologia brasileira é quando da inauguração do Instituto de Engenharia de Itajubá, as discussões entre Teodomiro Santiago, que defendia os aspectos tecnológicos no ensino da engenharia, e Paulo Frontin, defendendo os aspectos científicos. SANTOS, M. C. L. dos. Escola Politécnica da Universidade de São Paulo: 1894-1984, p. 436.
tecnológicos, o fazer com um saber científico, e a de outros profissionais, que talvez tivessem o domínio de uma determinada técnica? Nesta primeira parte, perscrutamos o espaço da construção dessa identidade profissional do engenheiro no embate com outros segmentos da sociedade e mediado pela Escola Politécnica.
Se durante todo o período colonial e imperial foram criadas no Brasil apenas duas instituições de ensino de engenharia, a Real Academia Militar, no Rio de Janeiro em 1810, e a Escola de Minas de Ouro Preto em 1875; nos primeiros dez anos da República, instala-se o dobro: a Escola Politécnica de São Paulo, 1893; a Escola de Engenharia de Pernambuco, 1895; a Escola de Engenharia de Porto Alegre, 1897; e a Escola Politécnica da Bahia, 1897.5 Em cada uma dessas cidades, a escola de engenharia é criada com o mesmo papel: ser a condutora do moderno e instituir um discurso normatizador da ação de determinados grupos sociais na cidade. Os engenheiros produzem “para si a identidade de grupo social diretamente comprometido com o projeto de modernização nacional que se encaminhava naquele período” em várias regiões do País.6 Isso se verifica na
criação dessas quatro escolas de engenharia em cidades cujas elites passavam a se comprometer com um projeto de modernidade associado ao desenvolvimento tecnológico.
Pelos idos de 1894, várias eram as novas instituições governamentais que se instalavam em São Paulo, e acirrada passava a ser a disputa pelas verbas do governo estadual que não eram tão abundantes como se possa crer. Podemos afirmar que elevado era o custo da criação de uma instituição de ensino superior em fins do século XIX. Quando se fala em custo logo se pensa em recursos financeiros, em valor monetário, sem dúvida isso é relevante, senão, imprescindível, mas certamente não é o determinante para que uma escola de ensino superior, de engenharia, por exemplo, saia do papel, transcenda a lei que a
5 As datas colocadas como marcos fundadores de cada uma dessas Escolas é por vezes alterada,
dependendo do marco identificador da fundação. No caso desse parágrafo, as datas de fundação das instituições foram pesquisadas em: SANTOS, M. C. L. dos, op. cit., p. 420-429.
6 KROPF, S. P., Sonho da Razão, alegoria da ordem: o discurso dos engenheiros sobre a cidade
cria e se transforme em uma realidade concreta/palpável para quem vivencia na cidade. O custo, para além do valor monetário, implica a formação, em São Paulo, de um grupo de profissionais que, portadores de uma determinada visão explicativa da sociedade brasileira e de um projeto próprio no qual eles se reconhecem como agentes diretos da modernização, constituam uma atuação conjunta na Escola. Cesário Motta Jr., Secretário do Interior, no seu discurso durante a inauguração da Escola Politécnica, afirmava:
... Não basta a verdade palpitante de um princípio, a demonstração de uma necessidade, a importância de uma medida para que vejamos o principio adoptado, satisfeita a necessidade, praticada a medida, mormente quando isso depende da collectividade social ou daquelles que a representam.7
A coletividade social era de uma minoria da população que se via como beneficiária das obras que os engenheiros construiriam na cidade, beneficiários da prestação deste serviço qualificado e escasso na cidade. Vejamos alguns pontos referentes à materialização da lei no 191 que criou a Escola Politécnica,
possibilitando assim a formação do engenheiro nesse Estado.8
No que concerne a edição de uma lei pelo Congresso Legislativo criando, por exemplo, uma instituição de ensino, não se pode dar como certo o funcionamento da mesma. De fato, a lei que criou e aprovou o primeiro regulamento da Escola Politécnica já traz em seu texto que a mesma é fruto da fusão e da alteração de duas leis anteriormente editadas,
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4Uma escola não passa a ter função social porque uma lei é promulgada, ela se faz constituir na ação de seus sujeitos históricos, nas ruas por onde caminham, e na labuta do seu dia-a-dia. E um dia forma-se a primeira turma, depois a segunda, e o que possibilita que se forme a centésima, ou mais nenhuma. É uma
7 SANTOS, M. C. L. dos, op. cit., p. 629.
8 Ibidem, p. 583-627. Intitulado como Documento nº 8, aqui está publicado não somente o texto da
Lei nº 191, bem como a íntegra do primeiro regulamento da Escola Politécnica.
articulação de conjunturas, que num jogo de poder permitem o desenrolar da instituição. A lei nº 191 dá constituição jurídica e dotação orçamentária a Escola Politécnica de São Paulo, mas salas de aula, laboratórios, biblioteca tiveram que ser constituídos por diversos sujeitos sociais, para que o “progresso”, arvorado pelos doutos da época, se concretizasse.
Quando dos primeiros anos da Light em São Paulo seu responsável afirmava não confiar nos resultados das análises de materiais obtidos nos laboratórios da Escola Politécnica, na época com pouco mais de cinco anos de existência e em organização de seus espaços físicos. Não é de se surpreender. No entanto, como se verá, após algumas décadas diversas empresas paulistas estariam usufruindo, confiabilidade, dessas análises.10 A credibilidade, porque há a quem interesse essa credibilidade, se constrói no tempo histórico, e é isso que Paula Sousa, mas não ele sozinho, fez. Do que não era nada, não existia, passou a existir uma Escola que para os modernistas ou modernos prestou seus serviços.
Antes de se discutir a edição não de uma, mas de várias leis criando em São Paulo uma instituição de ensino superior na área de engenharia, é preciso circunscrevê-la num horizonte mais amplo, que é o da educação na proposição do início da República no Brasil.
1. 1 – Educação e Política
Na primeira Constituição, republicana a organização da instrução pública em sua amplitude tornou-se competência dos recém-criados Estados da Federação, e o artigo no 35 estabelecia a responsabilidade, não exclusiva, do Congresso Federal de criar instituições de ensino superior e secundário nos Estados e promover a instrução secundária no Distrito Federal. A única exigência para todos esses âmbitos era a de que o ensino fosse leigo, visto que nessa Constituição ocorre a separação entre Estado e Igreja.11
Nos primeiros anos da República, em São Paulo e em outras localidades do País, várias ações são propostas para se criar uma estrutura de ensino público capaz de atender as necessidades do recém-implantado modelo político, numa sociedade com um grande número de analfabetos. Após um inicial período de instabilidade política é eleito, em 1892, Bernardino de Campos como Presidente do Estado, membro do Partido Republicano Paulista (PRP), que inicia uma série de reformas no intuito de consolidar a República em São Paulo. A reforma da Instrução Pública começa em seu governo, e prolonga-se com Cesário Motta Jr., que o substitui na Presidência em abril de 1893. Neste período, temos a implantação de uma grande campanha de reformas na área cultural, como: reforma da Escola Normal, criação do Ginásio da Capital, o Conselho Superior de Educação, o Instituto Agronômico de Campinas, restauração do Liceu de Artes e Ofícios, criação da Escola Agrícola e do Posto Zootécnico de Piracicaba, além do Museu Paulista e da Escola Politécnica.12 Uma questão que se fazia presente era a de como implantar uma estrutura de ensino público capaz de consolidar a construção de um Estado liberal-democrático com ações mais amplas que levassem à disseminação da cultura.13
Quando da implantação da República, no que diz respeito à organização administrativa do Estado de São Paulo, o Decreto nº 25, de 26 de fevereiro de
11 FÁVERO O. (org.), A educação nas constituintes brasileiras: 1823-1988, p. 69-80.
12 Ver: EGAS, E., Galeria dos Presidentes de São Paulo. Período Republicano 1889-1920, p. 35-
1892 fixa as atribuições das suas recém-criadas quatro Secretarias de Estado: do Interior, da Justiça, da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, e da Fazenda.14 Os serviços referentes a Instrução Pública, pelo Decreto nº 28, de primeiro de março de 1892, ficaram sob a responsabilidade da Secretaria do Interior, por intermédio da Terceira Seção que se encarregava dos serviços do ensino primário, secundário, superior, especial e profissional, público e particular, motivo pelo qual a Escola Politécnica ficaria subordinada a essa Secretaria e o seu diretor deveria lhe enviar anualmente um relatório das atividades desenvolvidas na escola.15 Os debates sobre os futuros rumos da educação no Estado eram intermediados por essa Secretaria, que pela Reforma de 1892 compartilhava as responsabilidades da instrução pública com o Presidente do Estado, o Conselho Superior, o Diretor Geral da Instrução Pública, os Inspetores de Distritos e as Câmaras Municipais. As discussões no Congresso Legislativo que levam à criação da Escola Politécnica transitam nessa estrutura administrativa.16
Não ao acaso, a reforma do ensino público culminou com a re-inauguração da Escola Normal de São Paulo, num imponente prédio construído para esse fim,
Esse primeiro prédio escolar do período republicano foi construído por iniciativa do governo estadual. Com aspecto palaciano e monumental, originalmente implantado em meio a vasta área verde, rodeado por obras escultóricas, buscava refletir a postura e importância que o novo governo dispensava à Educação e à formação dos “cidadãos”.17
Nos anos em que a Escola Politécnica estava dando seus primeiros passos, e a vitrine da educação paulistana do governo de Prudente de Morais era a Escola Normal, dirigida à época pelo médico Caetano de Campos, defensor da educação
13 Sobre assunto pode ser consultado: REIS FILHO, C. dos, A Educação e a Ilusão Liberal. 14 Coleção das Leis e Decretos do Estado de São Paulo, 1892, tomo II, p. 78-79.
15 Ibidem, p. 80-85.
16 REIS FILHO, C. dos, A Educação e a Ilusão Liberal, p. 20-23. As relações entre o poder público
e a educação em São Paulo durante a República Velha já foram alvo de pesquisas de diversos autores, dentre os quais a extensa obra de P. Moacyr sobre a instrução no Brasil e a específica sobre São Paulo: MOACYR, P., A Instrução Pública no Estado de São Paulo. Primeira década republicana (1890-1910).
pública, gratuita, universal, obrigatória e laica, assim se preconizava sobre a mesma:
A democratização do poder restituiu ao povo uma tal soma de autonomia, que em todos os ramos da administração é hoje indispensável consultar e satisfazer suas necessidades. Já que a revolução entregou ao povo a direção de si mesmo, nada é mais urgente do que cultivar o espírito, dar-lhe o caráter para que saiba querer.
...
A instrução do povo é, portanto, sua maior necessidade. Para o governo, educar o povo é um dever e um interesse: dever, porque a gerencia dos dinheiros públicos acarreta a obrigação de formar escolas; interesse, porque só é independente quem tem o espírito culto, e a educação cria, avigora e mantém a posse da liberdade.18
A reforma do ensino normal evidenciava a preocupação do governo com a carência de professores, o que impedia a difusão do ensino em maior escala. Nos discursos da época, era mostrada a estreita relação entre “bons mestres” com “bom ensino”. As discussões não paravam por aí. A implantação ou não de um ensino superior sublevado pelo Estado foi assunto polêmico durante as duas primeiras legislaturas do governo, rendendo calorosos debates no Congresso Legislativo.
Para São Paulo, é decisiva a atuação do PRP, que mesmo tendo chegado ao governo do Estado sem um plano de ação governamental definido, já trazia, do resultado de seus Congressos durante o Império, propostas para as bases da Constituição do Estado, dentre essas, a de que cabia ao Poder Público garantir a instrução primária gratuita a todos.19
O ensino superior não era inicialmente uma bandeira do partido, e a alocação de recursos para esse fim poderia comprometer “a instrução primária gratuita a todos” postulado pelo PRP, na voz de Francisco Rangel Pestana,
17 DIÊGOLI, L. R., MAGALDI, C. R. C. de, “O Edifício”, in: “Caetano de Campos”: Fragmentos da
história da instrução pública no estado de São Paulo, p. 33.
18 REIS FILHO, C. dos, op. cit., p. 51. 19 Ibidem, p. 26-29.
redator do jornal A Província de São Paulo, a quem coube, pelo PRP, escrever sobre o ensino. Nos debates da estruturação do modelo republicano no Brasil, a questão educacional traz entre outras a influência francesa/positivista arredia à criação das universidades, preferindo o modelo de Escolas Superiores independentes, como se lê na fala de Rangel Pestana: “... condeno as universidades onde quer que as coloquem, no centro ou nas Províncias, prefiro a disseminação de escolas superiores”. 20
Se para alguns membros do Governo o binômio política/educação não era relevante, o mesmo não pode ser afirmado para o PRP, que tinha claro o papel político da educação. Em 1889, Arthur Breves assim escreve na seção livre do jornal A Província de São Paulo:
Ainda que muita gente considere a instrução popular absolutamente separada da política, parece-me que ela é o mais poderoso meio de melhorar o caráter nacional de um povo pois está intimamente ligada à organização política.21
E, em 11 de janeiro do ano seguinte, o editorial do jornal, agora já com a nomenclatura O Estado de S. Paulo, publica:
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As discussões que se desdobraram durante a primeira e a segunda legislatura, quando se debateu a criação da Escola Politécnica, estão inseridas na
20 A Província de São Paulo, 9 de agosto de 1889, apud: REIS FILHO, C. dos, A Educação e a
Ilusão Liberal, p. 28-29.
macro querela sobre o papel do Estado para com a educação, pois era preciso definir se ele era ou não responsável pela instrução da população, e caso afirmativo quais os âmbitos e limites dessa responsabilidade. Cabe ao Estado intervir na educação primária, secundária, superior, profissional e normal? Tudo é sua responsabilidade ou não? Essas questões levaram ao estudo da composição do Projeto do Ensino Paulista proposto à época.
A efervescência do tema pode ser observada pelos inúmeros projetos sobre o ensino superior apresentados no legislativo, nos anos de 1891 e 1892, alguns dos quais transformados em leis. Nadai enumera alguns deles:
• n. 13/1891, do Senado, que criava uma Escola Superior de Agricultura e outra de Engenharia, futura lei nº. 26 de 11-5-1892;
• n. 4/1891, do Senado, que autorizava o governo a fundar, na cidade de Santos, uma Escola de Navegação e Comércio;
• n. 14/1891, da Câmara dos Deputados, que criava a Academia de Medicina, Cirurgia e Farmácia e se transformou na lei nº. 19 de 24-11-1891;
• n. 18/1891, criando a Escola Politécnica de São Paulo, sustentada pela Associação Protetora das Ciências de São Paulo;
• n. 20/1891, que criava a Escola Agrícola Veterinária.
Além destes, havia o projeto n. 40/1891, que reformava a Instrução Popular – futura lei n. 88 de 8-9-1891, que criou a Escola Normal Superior.
[...]
• n. 9/1892, que criava a Escola Superior de Matemática e Ciências Aplicadas às Artes e Indústrias, também chamada de Instituto Politécnico de São Paulo, futura lei n. 64 de 17-8, do mesmo ano;
• n. 10/1892, que solicitava uma subvenção à Escola Agronômica de Piracicaba; • n. 25/1892, que criava o Instituto Paulista de Belas Artes.23
22 “A nova propaganda”, O Estado de S. Paulo, 11 de janeiro de 1890. In: NADAI, E., Ideologia do
Progresso e Ensino Superior em São Paulo (1891-1934), p. 23.
23 NADAI, E., op. cit., p. 31. A essência desses projetos é discutida pela autora ao abordar a
natureza do ensino que deveria compor o Projeto de Educação Paulista, quando muito era defendido que “O ensino utilitário, pragmático, de cunho meramente profissional, deveria conviver paralelamente com a teoria cientifica”. A proposição de um ensino com cursos nos mais variados âmbitos das ciências naturais, da agricultura à medicina, sofria a resistência da implantação dos
Focalizando apenas a educação superior ao pesquisar os anais do Congresso Legislativo nesse período, Nadai identifica três vertentes nessa discussão, que irão se entremear: primeiro há os que sustentavam a competência e o dever do governo em organizar o ensino superior paulista concomitante ao ensino primário, na clara perspectiva de que aí se encontrava o caminho para o progresso. Essa vertente não era majoritária no Congresso, mas tinha o apoio do Executivo, o que fez com que, em poucos anos, o Estado efetivasse aqui a criação do ensino superior. Entre seus defensores está, Miranda Azevedo, um dos líderes do PRP, que antecipa em suas falas o desenrolar da história da Escola Politécnica ao defender o modelo alemão de junção entre ensino e pesquisa, estando na preparação para o ensino profissional a responsabilidade pelo ensino da ciência, pois a escola profissional e o laboratório de pesquisa deveriam ser instituições inseparáveis. Afirma que:
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A segunda vertente é a corrente mais ativa no Congresso Legislativo: a dos defensores de um Estado neutro, adeptos do liberalismo clássico que viam na difusão do ensino primário o principal espaço de intervenção do Estado. Os
cursos superiores sublevados pelo Estado. Uma tentativa conciliatória foi o projeto nº 92/1892, de Paula Sousa criando um curso preparatório em três longos anos. Essa ênfase nos cursos práticos