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Düzeltmenin ġekli ve Reddiyat

ÜÇÜNCÜ BÖLÜM

3. VERGĠ UYUġMAZLIKLARININ ĠDARĠ AġAMADA ÇÖZÜMLENMESĠ VE HATA DÜZELTME YOLU

3.3. Vergi Hatalarının Düzeltilmesi

3.3.2. Düzeltmenin ġekli ve Reddiyat

de amadurecimento para estudar a realidade paulista e encontrar um modelo mais adequado a sua geografia e população.

O projeto de Freire-Guilhem, assinado pelo Prof. Victor da Silva Freire, está em maior consonância com os padrões de arquitetura da época, e amadurecido pelo tempo, seguiu a linha do arquiteto austríaco Camillo Sitte e transpôs a idéia do anel vienense para o anel paulistano, que no final da década de vinte foi absorvido pelo projeto de urbanização de Francisco Prestes Maia.96 No transcorrer

dos anos, nenhum dos projetos foi completamente executado, ficando o plano inacabado, na vertigem continua do crescimento urbano paulistano.

O discurso normativo e civilizador trazido à cidade pela Politécnica fez com que, ao se apresentar as reformas urbanas propostas para São Paulo em 1911, fosse encontrada uma forte preocupação da municipalidade com o espaço público, e não somente com o espaço privado. As discussões em torno do calçamento a ser usado na cidade detonaram calorosas disputas entre materiais e técnicas de calceteiros. Em abril de 1894, o diretor Paula Sousa convocou os professores Ramos de Azevedo, João Pereira Ferraz e Francisco Ferreira Ramos a comporem uma comissão, pois:

Desejando a Câmara Municipal d’esta cidade conhecer a opinião d’esta Escola, a respeito de uma proposta de calçamento da Cidade, remettendo para esse fim e por meu

94 Ibidem, p. 74.

95 ALBUQUERQUE, A. Impressões de Europa. Revista Polytechnica, vol. III, no 15, p. 182.

96 SEGAWA, H. op. cit., p. 77-79. Entregue em 15 de maio de 1911, o Plano Bouvard frisa a

urgência da reforma urbana paulista, necessária para a melhoria da qualidade da paisagem urbana. Seus comentários indicam o Projeto Freire-Guilhem como o mais indicado para a cidade. Não propõe em si nenhuma alteração significativa ao que já vinha sendo proposto pelos vários engenheiros desde a época do Adolpho Augusto Pinto, no início do século. Segawa afirma que o Plano Bouvard levou ao crescimento imobiliário da zona oeste da cidade, com a criação da City Lapa e City Pacaembu, por um grupo de especuladores imobiliários. A Companhia City foi a mais importante urbanizadora de São Paulo neste período; implantou o padrão inglês de Cidades- Jardins. O jardim América, que só passou a ter uma ocupação definitiva nos fins dos anos vinte, foi projetado pelo arquiteto urbanista inglês Barry Parker, que, com Raymond Unwin, realizou a primeira cidade-jardim na Inglaterra. Neste período, há uma forte publicidade em torno desses loteamentos, que possuíam rigorosas normas de ocupação, visando manter a qualidade do investimento. Ibidem, p. 111-118.

intermédio os documentos concernentes ao assumpto [...] para estudar a questão e emittir o respectivo parecer o qual depois de aprovado pela Congregação, será levado ao conhecimento da mesma Câmara.46

O fato de a municipalidade solicitar parecer da Instituição ocorreu dois meses após o início do funcionamento da Escola e se perpetuaria no tempo, ora a Escola aceitando, ora recusando opinar sobre as questões que lhe eram propostas. Em maio, foi enviada à comissão a proposta do Sr. José Simão da Costa para o calçamento da cidade em asfalto, aprovado no relatório da Comissão enviado à Câmara Municipal.98 Por razões orçamentárias, o Município não a executou, levando a própria Escola em 1899 a fazer insistentes pedidos pelo calçamento da rua Três Rios.99

Ao Gabinete de Resistência dos Materiais, foram constantes as solicitações de análises de pedras, a serem usadas nas mais diversas formas de calçamento na cidade. Como o poder público via, na criação de um imposto, a única possibilidade de se resolver o problema, tal questão se prolongou ao longo das décadas. Em 1928, quando estava em vigor tal imposto, a Escola fez uma solicitação ao Secretário do Interior buscando isenção da taxa de calçamento de asfalto da rua de Três Rios e da guia de calçamento da Av. Tiradentes, por ser uma instituição estadual.100

Entretanto, paralela a essas discussões sobre áreas públicas houve necessidade de se dirimir sobre as construções residenciais que cresciam em um número cada vez mais acentuado. Se entre 1907 e 1914 houve um aumento continuo no número de licenças expedidas para a construção de casas nos arredores da cidade, com o início da Primeira Guerra Mundial há uma forte queda que exponenciou uma crise habitacional já anunciada no crescente aumento

97 EPUSP/APFI/Cx. 42, ofícios nos 44,45 e 46, 98 EPUSP/APFI/Cx. 42.

99 EPUSP/APFI/L-34, p. 20.

100 EPUSP/APFI/L-118, p. 55,74 e 88. Na década de vinte, há a publicação de dois artigos sobre o

calçamento na Revista Polytechnica, uma de Luis de Anhaia Mello, “Mais uma contribuição para o calçamento”, e outro de José Amadei, “São Paulo e seu calçamento”.

populacional. Parou-se de construir seja pela alta nos preços dos materiais, seja pela existência de outras opções de investimento, como manufaturados para abastecer a Europa e os Estados Unidos. A falta de habitação levou as famílias a viverem em locais cada vez mais diminutos, como proprietários ou, na maioria das vezes, como inquilino.

H. Segawa divide, nesse período, a periferia de São Paulo em saudável, onde prevalecia o padrão de melhoramentos da Cidade-Jardim, e remediada, nos arrabaldes, onde se encontravam as construções das casas operárias, mas também todo o trabalho da Prefeitura nas obras de infra-estrutura.101 Há engenheiros politécnicos trabalhando nos melhoramentos dessas duas áreas distintas, principalmente como funcionários da Prefeitura na Secretária de Viação e Obras Públicas, na sua Diretoria de Obras ou na Repartição de Águas e Esgotos.102 A presença dos politécnicos nesses órgãos é inequívoca, e a atuação

dos mesmos nas mais diversas áreas da cidade é apresentada na pesquisa de J. F. Cerasoli Modernização no Plural: obras públicas, tensões sociais e cidadania

em São Paulo na passagem do século XIX para o XX, quando discute questões

cujo foco são os habitantes da cidade e as dinâmicas que envolviam a administração municipal e suas ligações com os citadinos. O estudo tem como eixo as obras públicas que modernizaram São Paulo, levando-a a abordar questões como: participação, cidadania, interesse e direito. Aqui os saberes dos especialistas, entre esses os politécnicos, são como uma porta de entrada para compreender a cidade, nos seus embates e espaços de negociações:

... a presença direta dos saberes dos especialistas da cidade bem como a própria ação normatizadora do poder público acabam cedendo espaço para a mobilização dos moradores praticamente anônimos.103

101 SEGAWA, op. cit., p. 107-164.

102 Essa presença está documentada no anexo 1. 103 CERASOLI, J. F., op. cit.,, p. 51.

Entretanto, esses espaços onde o citadino dialoga com os poderes públicos evidencia o uso de saberes considerados científicos por diferentes grupos sociais e em função de interesses distintos. Assim, os politécnicos são um grupo entre vários outros que buscam os melhoramentos das mais diversas áreas públicas ou privadas. Mas se plural é o uso dos saberes técnicos sobre a cidade, o ensino da tecnologia não o é, e muito menos os gabinetes e laboratórios onde materiais de construções poderiam ser analisados, com melhor definição de seus usos, ou novos projetos de habitações poderiam ser propostos, ou ainda ser feito um planejamento sobre a coleta do lixo urbano, bem como sua destinação. Esse espaço cabia, sim, à Escola Politécnica, sendo ela um dos principais interlocutores no diálogo dos saberes especializados da cidade com sua população.

Nas primeiras décadas do século XX, a cidade salubre era um dos temas que envolviam administradores, citadinos e politécnicos, envolvendo salubridade das habitações, sua ventilação, coleta de esgotos, pé direito e muito mais. À salubridade das habitações operárias ou populares, além das preocupações com a higiene, acrescentavam-se preocupações sociais, econômicas, políticas e estéticas, refletidas nos códigos de posturas do município.104 Neste período, o

concreto armado – com toda a tecnologia, o estudo experimental e os cálculos de uma construção – começa a alterar a concepção segundo a qual as técnicas de construção eram, ou poderiam ser, dominadas por qualquer pessoa indistintamente. O engenheiro se torna necessário à obra.105

Em 1916, na administração de Washington Luís, é realizado um concurso para apresentação de projetos de casa proletárias econômicas, destinadas à habitação de uma só família, que deveriam satisfazer as condições de higiene, comodidade, estética e economia. Os 49 projetos apresentados, de 35 autores distintos, foram divididos pela comissão julgadora formada por Adolpho Augusto

104 Ibidem, p. 161-168.

105 Na Revista Politécnica, encontramos artigos sobre o concreto escritos desde Paula Sousa,

passando por Hyppolito Pujol Jr. e Victor da Silva Freire, até Ary Frederico Torres e Gaspar Ricardo Jr. ALONSO, O. Índice por assunto da matéria publicada pela Revista Politécnica – de no 1

Pinto106, Ramos de Azevedo e Victor da Silva Freire107, em quatro categorias, e nestas ficando os projetos dos politécnicos Guilherme Winter e Hyppolito Pujol Jr. dentre os premiados. Porém, após a divulgação, dos resultados a Prefeitura colocou à disposição dos interessados os projetos selecionados e os orçamentos. No entanto, não há notícias de que algum desses trabalhos tenha sido executado.108

O não uso das casas operárias projetadas pelos especialistas indica que as mesmas estavam fora da realidade da população da periferia remediada, para o qual os conceitos de número de cômodos, dimensionamento e, portanto higiene, comodidade, estética e economia de uma habitação eram distintos daqueles apresentados como ganhadores de um concurso proposto pela Prefeitura.

106 Adolpho Augusto Pinto, o único nesta comissão não ligado a Escola Politécnica, era engenheiro

civil formado em 1879 pela Escola Politécnica do Rio de Janeiro. H. Segawa atribui a ele as primeiras preocupações ordenadas a respeito das melhorias urbanas para São Paulo, para quem o principal problema da época era o saneamento público; assim sendo, ao invés de grandes construções era necessária a melhoria das condições de higiene da cidade, donde o lema “arborizar é sanear”. É de sua autoria o primeiro plano de melhoramentos para a São Paulo do século XX, que compunha o programa de governo de Campos Salles, em campanha à presidência do Estado em 1896. Tal programa não foi levado a termo devido, entre outros fatos, a uma epidemia de febre que irrompeu no Estado, exigindo atenção e recursos para ser debelada. SEGAWA, H., op. cit., p. 45-53.

107 Victor da Silva Freire foi professor na Escola Politécnica da cadeira de Tecnologias da

Construção Civil e Mecânica, e diretor entre 1933-1934. Esteve à frente da Diretoria de Obras do Município durante vinte e seis anos. Desenvolveu ações em prol da salubridade, como a sistemática arborização das ruas paulistanas, a criação de um viveiro anexo ao Jardim da Luz, o ajardinamento da Praça da República, e tantos outros. Na Revista Politécnica, publicou diversos artigos como: A madeira e seus ensaios, Melhoramentos de São Paulo, A cidade salubre, O futuro regime das concessões municipais na cidade de São Paulo, e Especializações sobre areia para argamassa e concretos. EPUSP/APFI/Prontuário de professores/ Cx. 229 e ALONSO,O., op. cit., p. 73-78.

108 Os grupos divididos pela comissão foram os seguintes: “1o – 2 projetos de edificações formando

blocos de quatro moradias, contíguas entre si por duas faces normais; 2o – 14 projetos de edificações formando ‘série’, contíguas umas a outras por faces paralelas; 30 – 20 projetos de edificações geminadas onde cada moradia oferece uma só parede em comum com uma das vizinhas; 40 – 13 projetos de edificações completamente isoladas”. SEGAWA, H., op. cit., p. 134-

3.3 – O Laboratório de Ensaio de Materiais: estrutura para o desenvolvimento industrial. (1926-1934)

Na década de 20, a Escola Politécnica passa a pleitear junto ao governo do Estado uma reformulação mais ampla nas instalações e no uso do Gabinete de Resistência dos Materiais, o que como vimos poderia não ser uma novidade, pois o mesmo, desde os primórdios de sua história fora alvo de constantes pedidos de aumento de verbas e reformulações. O diferencial agora é a consolidada posição de destaque que a Escola alcançou no cenário nacional, no que diz respeito à credibilidade das análises nos mais diversos materiais lá desenvolvidas; o vertiginoso crescimento na indústria e no comércio que exigiam nas suas ações hodiernas, laboratórios de análises capazes de aferir os mais diversos tipos de materiais. A valorização e o delineamento da profissão de engenheiro também passava por essa ampliação.109

A pesquisa de sistemas construtivos e de materiais era fundamental para o desenvolvimento das sociedades urbanas brasileiras. Aqui, como em outras regiões, a tendência dessa migração da zona rural para as cidades fora um dos marcos do século XX. Em São Paulo, já estava presente o Gabinete de Resistência Materiais, mas um grupo de professores liderados por Ramos de Azevedo queria dotar São Paulo de um órgão capaz de enfrentar os problemas que a tecnologia, aplicada às ferrovias, construções e indústrias. Sua proposta levaria anos de negociações com o Governo para se realizar: transformar o Gabinete de Resistência dos Materiais, cuja organização e estrutura estavam voltadas basicamente para ser um laboratório didático, em uma instituição ligada ao Estado. Seria um Instituto de Tecnologia, com organização e estrutura de um laboratório didático-industrial, com funcionários em horário integral habilitados a desenvolver análises, prioritariamente de química aplicada e materiais de construção à sociedade em geral.110

109 As características da síntese aqui formulada foram desenvolvidas nos primeiro e segundo

capítulos dessa pesquisa.

Mesmo diante de tais solicitações, o Governo do Estado não acenava com a possibilidade de liberar recursos para uma transformação tão onerosa. Ary Torres afirmaria mais tarde que o nosso meio ainda não estava maduro para tão grandiosa idéia, isto porque nenhuma instituição de pesquisa sistemática nessa área funcionava ainda em nosso País. Muitos não compreendiam o alcance da proposta efetuada num período pós Primeira Guerra, e outros receavam uma organização burocrática e inútil, como provavelmente o eram algumas repartições do Estado ou da Prefeitura. Era preciso então formar o ambiente, começar em pequena escala e avançar por etapas, para demonstrar, pelos resultados colhidos, a necessidade de existir, em São Paulo, um instituto de pesquisas experimentais.111

Para se fazer tal reforma, era necessário primeiramente convencer o poder público da importância da implementação de um laboratório de ensaio melhor equipado e propor uma reforma no Gabinete Paula Sousa (nome a época do Gabinete de Resistência dos Materiais) com capacitação e remuneração de seu quadro técnico-administrativo. Partindo do macro, o programa de um Laboratório de Ensaio de Materiais, em uma Escola Técnica, deveria de um modo geral possibilitar o exame de materiais solicitados por interessados. Sendo o conhecimento preciso das qualidades de um material de construção o único critério seguro para sua escolha, o mesmo seria imprescindível para as repartições técnicas do Estado e Município, as companhias ferroviárias, aos construtores e industriais. Não dispondo de um processo preciso para obter esse conhecimento, os construtores não poderiam, com consciência, responder pela durabilidade e segurança das obras a executar; as companhias ferroviárias, o Estado e os Municípios estariam impossibilitados de, com autoridade, recusar determinados lotes de material de fabricação nacional ou importado,

A necessidade de criar este instituto foi apresentada ao Governo do Estado por meio de outras iniciativas, como em 1924, após o Congresso Brasileiro de Óleos, quando Alexandre Albuquerque, presidente do Instituto de Engenharia, Paiva Meira, vice-presidente em exercício da Associação Comercial, e Leovegildo Trindade, delegado da Associação Comercial procuraram o Presidente Carlos de Campos, mostrando a necessidade para o Estado da fundação de um instituto de tecnologia. Foi respondido que o orçamento do Estado não permitia, naquele momento, que fossem atendidas tais solicitações. Ibidem.

aparentemente de boa qualidade, mas sem certificado de garantia; as causas de muitos desastres não poderiam ser racionalmente averiguadas e os engenheiros ficariam sem critérios para obterem por esse ou aquele material, não tendo o conhecimento das qualidades do mesmo.112

Uma justificativa para o laboratório se baseava na necessidade de ele possibilitar um meio para conhecer com mais rigor a qualidade de um material. À época, um dos exames usados para essa finalidade era o organoleptico. Tornou- se insuficiente, pois para se ter uma idéia precisa da qualidade de um material eram e continuavam a ser estudados métodos para medir essa qualidade, como os diversos tipos de ensaios a ser desenvolvidos, desde que houvesse equipamentos e pessoal para tanto. Era sempre frisado o fato de que, nos países considerados mais adiantados, os engenheiros construtores, e mais ainda o Estado, a Municipalidade e as grandes empresas não faziam aquisição alguma de material sem prévio exame num laboratório oficial. Nas concorrências públicas, o papel de um laboratório dessa natureza era essencial. Já no Brasil, existia o hábito de se estabelecer em concorrências à condição de que os materiais deveriam ser de “primeira qualidade”. Mas, quem poderia atestar isso? Considerando que a concorrência pressupunha igualdade de condições entre os candidatos, e que um dos fatores mais importantes no preço de uma obra era a qualidade dos materiais empregados, deixava de haver igualdade de condições e, portanto, concorrência baseada num critério de justiça, com a ausência de uma instituição que atestasse a qualidade dos materiais. Não havia valor algum numa concorrência o critério da boa qualidade de um material sem um ensaio, e sem ele poderia sair perdendo o concorrente serio que orça a obra considerando os materiais mais caros, e perde, muitas vezes, o Estado recebendo uma obra executada com materiais inferiores. É preciso lembrar que não só os fabricantes nacionais, sabendo da existência de um controle permanente, procuraram cada vez mais aperfeiçoar as qualidades de seus produtos, como também os importadores de materiais estrangeiros, foram forçados a por à venda artigos de primeira qualidade.

112 Esse parágrafo e os próximos estão subsidiados no documento

% 8

Pela falta de ensaios, muitos construtores se contentavam em adquirir os materiais de marcas conhecidas e que devam bons resultados em obras já executadas. Entretanto, não havia garantia de qualidade, pois podia acontecer de o produtor, vendo acreditada a marca de seu produto e procurando tirar vantagens, elevar os seus preços e muitas vezes abrir mão da qualidade no momento da fabricação. Também não era suficiente ter o ensaio de um determinado material feito anteriormente. No caso do cimento, velho conhecido do Gabinete de Resistência dos Materiais, onde constantemente eram realizados ensaios, era praticamente impossível obter-se a constância absoluta das propriedades nos diferentes momentos do fabrico; e por isso, era necessário que fossem efetuados ensaios constantes. Diríamos que arvorava-se a esse laboratório estatal a guarda do controle de qualidade, hoje ferramenta comum nas empresas, mas não naquele período.

Outra justificativa era a necessidade de cá se desenvolverem pesquisas sobre propriedades de materiais solicitados por interessados. O auxílio que um laboratório de pesquisas podia prestar à indústria na redução do preço de custo e na possibilidade de dar ao consumidor garantias de qualidades já era evidente naquele momento; entretanto, poucas indústrias tinham condições de manter um laboratório dessa natureza. Como a indústria e os construtores não deveriam se privar do auxílio desses ensaios, caberia ao Estado dispor do mesmo para colocá- lo à disposição de todos os interessados. Deveria ser uma instalação que dispondo de aparelhagem significativa e pessoal competente, (mediante é claro remuneração razoável), para que se construísse com um processo racional e garantia de segurança suficiente e houvesse também economia considerável.113

113 Para exemplificar essa necessidade, é exposta a questão da construção civil nas obras de

concreto armado, na qual o processo adotado anteriormente nas especificações dessas obras era a fixação empírica da dosagem a ser empregada pelo empreiteiro, com grandes desvantagens, pois com uma dosagem rica é possível obter-se um concreto muito menos resistente do que com uma dosagem mais pobre, desde que não se leve em conta a porcentagem de água, a composição gramulométrica da areia e do pedregulho, o estado de limpeza destes materiais, a qualidade do cimento, etc. O processo racional é sem dúvida fixar uma resistência. Desta forma, nas especificações para uma concorrência em que se costuma encontrar uma dosagem determinada, deve figurar uma resistência a ser atingida; sem isso, pode-se obter um concreto de resistência insuficiente e, portanto, uma obra sem segurança, ou então um concreto forte demais, isto é, uma obra sem economia. Caberá nesse caso, ao empreiteiro procurar com o auxílio de um laboratório