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0146* HATALI SIFRELEME : KULLANICI ISMI & SIFRE veya NO

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0146* HATALI SIFRELEME : KULLANICI ISMI & SIFRE veya NO

No Brasil algumas ações já têm sido elaboradas e colocadas em prática. O governo Lula em 2003 transferiu a Secretaria de Estado dos Direitos da Mulher do Ministério da Justiça para a Presidência da República dando a ela status de Ministério sob o nome de Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, que busca de maneira geral trabalhar políticas que se destinam à obtenção de uma condição de equidade entre gêneros e raças. Tal Secretaria possui um documento, o Plano Nacional de Políticas para as Mulheres, que se estrutura em planos de atuação que visam autonomia, equidade no trabalho e cidadania, educação inclusiva e não sexista, saúde, direitos sexuais e reprodutivos e luta contra a violência (BRASIL, 2013).

A criação desta Secretaria do Governo Federal17 pode ser considerada um passo no caminho da construção de uma institucionalidade no país em relação à promoção da equidade de gênero e que fortalece consideravelmente o assunto em relação às políticas públicas. Além disso, contribuiu de forma significativa para que outros avanços institucionais acontecessem como a formação de organismos estaduais e municipais de políticas para as mulheres, elaboração do Primeiro Plano Nacional de Política para Mulheres, e a primeira Conferência Nacional de Política para Mulheres (ABRAMO, 2008).

O Programa “Mulher e Ciência” é fruto de um trabalho realizado por essa Secretaria, o Ministério da Ciência e Tecnologia, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o Ministério da Educação, o Ministério da Saúde e a ONU Mulheres, que estimula a discussão e produção científica sobre gênero além de incentivar a participação feminina no mundo acadêmico e nas carreiras científicas (CNPq, 2014). Além disso, a mesma agência, o CNPq, publica periodicamente uma chamada através de edital para artigos que façam reflexões sobre este tema. Trata-se do Prêmio “Construindo a Igualdade de Gênero”, cuja primeira edição foi em 2005 quando foi instituído. A CAPES, em parceria com a Editora

17 No final do ano de 2015, a Reforma Ministerial extinguiu algumas pastas e outras foram integradas em apenas

uma, como o caso da Secretaria de Políticas para Mulheres que passou a fazer parte do Ministério Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos (PORTAL BRASIL, 2015).

Elsevier, possui um edital de prêmio de incentivo às pesquisadoras que valoriza a formação de recursos humanos, pesquisa de qualidade e importantes contribuições à ciência (CADORE e NÓBREGA, 2014).

No Estado de São Paulo, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) aprovou em dezembro de 2013 a concessão de Licença Maternidade remunerada por um período de até quatro meses para as suas bolsistas de dedicação integral. Ao final da bolsa, transcorridos os prazos inicialmente previstos, a pesquisadora ainda tem direito a mais quatro meses de bolsa referentes ao período de licença para o término de sua pesquisa18 (FAPESP, 2013). Praticamente dentro dos mesmos moldes, a CAPES (bolsas de mestrado e doutorado)19 também aprovou a licença maternidade para bolsistas além do CNPq20 que o fez para algumas categorias de bolsas, como mestrado, doutorado, pós-doutorado, produtividade em pesquisa. Neste último caso especificamente, a bolsista tem a prorrogação de 01 (um) ano de bolsa para a conclusão de suas pesquisas, dado pela instituição de fomento no entendimento de que a maternidade faz parte da vida da mulher e que sendo assim esta não pode ser um transtorno na vida da pesquisadora21.

A Universidade de Brasília (UnB) realiza bianualmente o Colóquio de Estudos Feministas e de Gênero, buscando manter a discussão sobre o assunto dando a ele visibilidade no país.

Na intenção de construir novas práticas em gestão de pessoas e cultura organizacional além de compartilhar conhecimento sobre estudos de gêneros, a Secretaria de Políticas para Mulheres do governo federal lançou o Programa Pró Equidade de Gênero e Raça. Este programa é baseado no interesse voluntário de participação das instituições e empresas. Os editais são abertos para empresas de grande porte, públicas e privadas, e para participar a instituição traça um plano de ação com ações transversais e interseccionais dentro da organização. Cumprindo estas metas a instituição recebe o selo “pró-equidade de gênero e raça”, como uma espécie de indicador de suas boas práticas quanto às ações de equidade de gênero. 18< http://www.fapesp.br/8484> 19<https://www.capes.gov.br/images/stories/download/legislacao/Portaria- 248_19dez2011_LicencaMaternidade.pdf> 20< http://www.anpg.org.br/?p=6238> 21< http://www.cnpq.br/web/guest/noticiasviews/-/journal_content/56_INSTANCE_a6MO/10157/909274>

De acordo com Abramo (2008), por ser este um programa elaborado e estruturado pelo governo federal ele se diferencia das ações de responsabilidade social corporativa que existem. Sendo esta um importante tipo de plano no combate à desigualdade de gênero de acordo com o Relatório Global da OIT (2007). Além disso, ele foi elaborado e construído desde o princípio em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e o Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem).

De maneira geral os objetivos gerais deste plano são:

- A luta para a extinção de todas as formas discriminatórias no acesso, remuneração, ascensão e permanência no emprego;

- O incentivo e conscientização das empresas e dos gestores às boas práticas de gestão de pessoas, e a busca de uma nova mentalidade e cultura organizacional que ofereça condições igualitárias para homens e mulheres;

- O compromisso da instituição com a equidade entre os gêneros reconhecido publicamente;

- A criação e compartilhamento de um know-how de práticas de igualdade entre gêneros e raças no mundo do trabalho.

A importância de um programa como este é imensurável. Desta maneira a discussão da equidade de gênero permanece aberta, a instituição passa a se preocupar publicamente com este assunto. O programa já apresenta um resultado muito importante. Ele tornou visível o fato de existirem desigualdades entre homens e mulheres desde o ingresso, promoção, remuneração, acesso aos cargos de chefia e poder de decisão dentro das empresas e instituições (ABRAMO, 2008). Ainda de acordo com esta autora, já ocorreu a institucionalização de procedimentos e ações dentro das empresas onde foi implantado este programa. Um exemplo é o da Itaipu Binacional, EletroNorte e Caixa Econômica Federal que incorporaram no planejamento estratégico da empresa um Programa de Incentivo à equidade de Gênero garantindo orçamento fixo para ele.

Como parte do ciclo de vida de uma política pública, a eficácia destas iniciativas de promoverem a equidade de gênero, só pode ser constatada pós a realização de estudos de avaliação de impacto e desempenho. Para que isso ocorra é necessário que se façam cumprir algumas condições:

- a consolidação das iniciativas e sua replicação sistemática ao longo do tempo. Isto se reflete na formação de séries temporais que possam ser avaliadas;

- a construção de metodologias e instrumentos de avaliação adequados, de forma que os estudos avaliativos possam gerar indicadores que norteiem a decisão política e organizacional além da alocação de recursos em ações que tenham demonstrado mais efetividade em seus propósitos de promover inclusão e/ou equidade.

Benzer Belgeler