CA = 7,88705 – 0,23821 T - 6,39921 L + 0,00510987 T2+ 2,94766 L2
(R2= 0,78)
Temperatura ambiente (
ºC)
Conversão alimentar (g/g)
Nível de lisina digestível (%)
CA = 7,88705 – 0,23821 T - 6,39921 L + 0,00510987 T2+ 2,94766 L2 (R2= 0,78) CA = 7,88705 – 0,23821 T - 6,39921 L + 0,00510987 T2+ 2,94766 L2 (R2= 0,78)
Temperatura ambiente (
ºC)
Conversão alimentar (g/g)
36
aves mantidas em 21,1 e 24,5ºC utilizaram com maior eficiência a lisina da ração, quando comparadas àquelas mantidas em 18,5 e 27,0ºC.
A menor demanda de lisina por quilo de GP observada nas aves mantidas em temperaturas de 21,1 a 24,5ºC comprovam os relatos de Rostagno (1995) e Macari (2001) de que a faixa de conforto térmico de frangos de corte em crescimento é de 20 a 23ºC.
A condição ótima para melhor CA das aves foi obtida com o nível estimado de 1,085% de lisina digestível e com a temperatura ambiente estimada de 23,3ºC. Em frangos de corte mantidos em ambiente termoneutro (23,8ºC), Lana et al. (2005) obtiveram resultados similares e recomendaram 1,075% de lisina digestível na ração para melhor desempenho das aves no período de 22 a 42 dias de idade.
O valor estimado de 1,085% de lisina digestível na ração obtido nesse estudo foi superior ao recomendado por Rostagno et al. (2000), de 1,045% para frangos de 22 a 42 dias de idade, mas coerente com os obtidos por Rostagno et al. (2005), pois foi intermediário aos níveis de 1,099 e 1,048% de lisina digestível recomendados para frangos de corte nas fases de 22 a 33 e 34 a 42 dias de idade, respectivamente.
Quando trabalharam com frangos mantidos sob estresse por frio (15,6ºC) ou calor (29ºC), Valerio et al. (2001a) e Valerio et al. (2003) recomendaram, respectivamente 1,015 e 1,022% de lisina digestível na ração para frangos de corte na fase de 22 a 42 dias de idade. Esses resultados sugerem que as exigências de lisina digestível são modificadas quando os frangos são mantidos em temperatura ambiente fora da faixa de termoneutralidade (19 a 27ºC).
Carcaça e cortes nobres
Não houve efeito da interação (P>0,05) entre os níveis de lisina digestível da ração e a temperatura ambiente para nenhuma das características de carcaça e cortes nobres avaliados neste estudo (Tabela 6). De forma similar, Mendes et al. (1997) e Martinez et al. (2002) não observaram interação níveis de lisina x temperatura ambiente quando avaliaram os efeitos
37
Tabela 6 – Resumo da análise de variância e dos coeficientes de variação referentes às características de carcaça e de cortes nobres de frangos de corte no período de 22 a 42 dias de idade
PC = peso de carcaça; RC = rendimento de carcaça; PP = peso de perna;
RP = rendimento de perna; PPO = peso de peito com osso; RPO = rendimento de peito com osso; PPSO = peso de peito sem osso; RPSO = rendimento de peito sem osso; PCX = peso de coxa; RCX = rendimento de coxa; PSCX = peso de sobrecoxa; RSCX = rendimento de sobrecoxa. ** Significativo a 1% de probabilidade. * Significativo a 5% de probabilidade. Quadrados Médios FV GL PC RC Temperatura 3 81216,18** 19,30071** Nível de lisina 3 6426,27 4,67334 Temperatura x lisina 9 7661,22 0,97424 Resíduo 241 13569,16 1,80496 CV (%) - 5,98 1,65 PP RP Temperatura 3 5261,967** 8,537503** Nível de lisina 3 1037,918 0,911233 Temperatura x lisina 9 841,833 1,023684 Resíduo 227 1208,897 1,323348 CV (%) - 6,92 4,45
PPO RPO PPSO RPSO
Temperatura 3 18095,86** 14,25212** 13598,44** 18,22062** Nível de lisina 3 623,04 1,12622 861,66 2,08850 Temperatura x lisina 9 1453,08 1,17972 1323,96 1,87711 Resíduo 228 1947,41 1,89833 1774,89 2,25212 CV (%) - 7,17 4,36 9,14 6,35 PCX RCX PSCX RSCX Temperatura 3 1017,789* 0,374817 2222,724** 5,423103** Nível de lisina 3 1174,530** 1,548257** 458,681 1,754055 Temperatura x lisina 9 119,988 0,110921 548,029 1,038835 Resíduo 227 287,948 0,321239 544,183 0,935922 CV (%) - 6,73 4,37 9,31 7,52
38
dos níveis de lisina da ração sobre as características de carcaça de frangos de corte mantidos em diferentes temperaturas.
Os valores médios das características de carcaça e de cortes nobres de frangos de corte no período de 22 a 42 dias de idade mantidos em diferentes temperaturas recebendo rações com níveis crescentes de lisina digestível, assim como as equações de regressão referentes a cada uma das variáveis, são apresentados na Tabela 7.
O peso de carcaça (PC) e o rendimento de carcaça (RC) não foram influenciados (P>0,05) pelos níveis de lisina digestível da ração. No entanto, o PC aumentou (P<0,01) de forma quadrática, com o ponto de máxima (1.981 g) obtido com a temperatura estimada de 21,9ºC (Figura 6), enquanto o RC aumentou de forma linear (P<0,01) à medida que a temperatura ambiente elevou, segundo a equação: RC = 78,0033 + 0,149316 T (r2 = 0,97).
A melhoria no RC em resposta ao aumento da temperatura ambiente justifica-se pelo fato de que frangos de cortes mantidos em temperaturas acima da faixa de conforto térmico têm o tamanho dos órgãos reduzido, culminando com o aumento da relação entre o peso da carcaça eviscerada e o peso das aves em jejum, conforme observado por Oliveira Neto (1999), Lana et al. (2000) e Oliveira (2001).
Quanto aos efeitos dos níveis de lisina, resultados semelhantes foram obtidos por Mendes et al. (1997) e Martinez et al. (2002), que também não observaram efeitos significativos do aumento dos níveis de lisina da ração sobre as características de carcaça quando avaliaram as respostas de frangos mantidos em diferentes temperaturas recebendo diferentes níveis de lisina na ração. Da mesma forma, Conhalato et al. (1999), Valerio et al. (2003) e Amarante Jr. et al. (2005) não verificaram efeitos significativos dos níveis de lisina da ração sobre os pesos absolutos e os rendimentos de carcaça de frangos de corte no período de 22 a 42 dias de idade.
Por outro lado, aumento linear no rendimento (Costa et al., 2001; Borges et al., 2002) e no peso de carcaça (Takeara et al., 2005) foi observado em estudos sobre os efeitos dos níveis de lisina da ração sobre as características de carcaça de frangos de corte em fase de crescimento.
A ausência de efeitos dos níveis de lisina sobre as características de carcaça neste estudo corrobora o relato de Olomu & Offiong (1980) de que
39
Tabela 7 – Valores médios das características de carcaça e de cortes nobres de frangos de corte no período de 22 a 42 dias de idade mantidos em diferentes temperaturas recebendo diferentes níveis de lisina digestível na ração Temperatura ambiente (ºC) Lisina digestível (%) 18,5 21,1 24,5 27,0 Média Peso de carcaça1 (g) 0,934 1925 (15)# 1976 (15) 1953 (18) 1919 (15) 1943 1,009 1962 (18) 2004 (15) 1916 (18) 1920 (18) 1951 1,084 1922 (15) 1986 (15) 1966 (15) 1880 (15) 1939 1,159 1951 (14) 2016 (15) 1956 (18) 1916 (18) 1960 Média 1940 1996 1948 1909 Rendimento de carcaça2 (%) 0,934 80,92 (15) 81,28 (15) 81,81 (18) 82,70 (15) 81,67 1,009 80,81 (18) 81,05 (15) 81,78 (18) 82,42 (18) 81,52 1,084 80,65 (15) 80,93 (15) 81,21 (15) 81,44 (15) 81,06 1,159 80,93 (14) 80,94 (15) 81,71 (18) 81,71 (18) 81,57 Média 80,83 81,30 81,63 82,07
Peso de peito com osso3 (g)
0,934 606 (14) 631 (14) 613 (17) 596 (14) 612 1,009 635 (17) 634 (15) 597 (18) 604 (16) 618 1,084 618 (14) 646 (14) 610 (15) 590 (13) 616 1,159 617 (15) 643 (15) 617 (17) 599 (16) 619
Média 619 639 609 597
Rendimento de peito com osso4 (%)
0,934 31,70 (14) 31,88 (14) 31,28 (17) 30,84 (14) 31,43 1,009 32,49 (17) 31,70 (15) 31,14 (18) 31,20 (16) 31,63 1,084 32,36 (14) 32,36 (14) 31,05 (15) 31,27 (13) 31,76 1,159 31,89 (15) 31,90 (15) 31,51 (17) 31,33 (16) 31,66
Média 32,11 31,96 31,24 31,16
Peso de peito sem osso5 (g)
0,934 455 (14) 472 (14) 453 (17) 441 (14) 455 1,009 489 (17) 469 (15) 448 (18) 448 (16) 464 1,084 470 (14) 486 (14) 455 (15) 440 (13) 463 1,159 463 (15) 480 (15) 460 (17) 444 (16) 462
Média 469 477 454 443
Rendimento de peito sem osso6 (%)
0,934 23,78 (14) 23,86 (14) 23,07 (17) 22,86 (14) 23,49 1,009 24,98 (17) 23,42 (15) 23,34 (18) 23,17 (16) 23,73 1,084 24,59 (14) 24,28 (14) 23,17 (15) 23,29 (13) 23,83 1,159 23,95 (15) 23,79 (15) 23,49 (17) 23,22 (16) 23,61 Média 24,33 23,84 23,27 23,14 Peso de coxa7 (g) 0,934 244 (14) 251 (15) 252 (18) 250 (13) 249 1,009 250 (14) 260 (15) 250 (18) 252 (17) 253 1,084 244 (14) 254 (14) 251 (14) 242 (13) 248 1,159 255 (15) 265 (14) 258 (18) 254 (17) 258 Média 248 258 253 250
40 Tabela 7- (Continuação) Temperatura ambiente (ºC) Lisina digestível (%) 18,5 21,1 24,5 27,0 Média Rendimento de coxa8 (%) 0,934 12,79 (14) 12,71 (15) 12,93 (18) 12,97 (13) 12,78 1,009 12,74 (14) 12,98 (15) 13,06 (18) 13,13 (17) 12,98 1,084 12,82 (14) 12,77 (14) 12,81 (14) 12,83 (13) 12,81 1,159 13,18 (15) 13,07 (14) 13,19 (18) 13,23 (17) 13,17 Média 12,88 12,88 13,00 13,04 Peso de sobrecoxa9 (g) 0,934 241 (14) 258 (15) 253 (18) 265 (13) 254 1,009 246 (14) 254 (15) 251 (18) 251 (17) 251 1,084 241 (14) 248 (14) 256 (14) 249 (13) 249 1,159 238(15) 255 (14) 259 (18) 242 (17) 249 Média 242 254 255 252 Rendimento de sobrecoxa10 (%) 0,934 12,62 (14) 13,11 (15) 12,97 (18) 13,68 (13) 13,10 1,009 12,56 (14) 12,68 (15) 13,11 (18) 13,10 (17) 12,86 1,084 12,67 (14) 12,44 (14) 13,05 (14) 13,20 (13) 12,84 1,159 12,29 (15) 12,56 (14) 13,25 (18) 12,62 (17) 12,68 Média 12,54 12,70 13,10 13,15 1 PC = 553,904 + 130,383** T - 2,97754** T2 (R2 = 0,82). 2 RC = 78,0033 + 0,149316** T (r2 =0,97). 3 PPO = 194,379 + 41,4434** T - 0,987158** T2 (R2 = 0,79). 4 RPO = 34,5049 - 0,126771** T (r2 = 0,94). 5 PPSO = 543,695 - 3,63477** T (r2 = 0,81). 6 RPSO = 26,9984 - 0,147290** T (r2 = 0,99). 7 PCX = 18,9473 + 18,3624** T + 27,8785* L - 0,404788** T2 (R2 = 0,46). 8 RCX = 11,3561 + 0,0219009* T + 1,0557** L (r2 = 0,47). 9 PSCX = -39,4266 + 24,9194** T - 0,525196** T2 (R2 = 0,97). 10 RSCX = 12,7730 + 0,0763201** T - 1,57508* L (r2 = 0,60). # Número de repetições.
** Significativo a 1% de probabilidade pelo teste t. * Significativo a 5% de probabilidade pelo teste t.
o rendimento de carcaça não é significativamente influenciado pelos níveis nutricionais da ração.
Não houve efeito (P>0,05) dos níveis de lisina digestível da ração sobre o peso e o rendimento de peito com osso (PPO e RPO, respectivamente). A temperatura ambiente, no entanto, influenciou (P<0,01) o PPO, que aumentou de forma quadrática até a temperatura estimada de 21,0ºC, com o valor máximo de PPO estimado em 629 g (Figura 7). O RPO também foi influenciado pela temperatura ambiente, reduzindo de forma linear (P<0,01) em 0,1268%
41
Figura 6 – Estimativa do peso de carcaça (PC) em função da temperatura ambiente (T) em frangos de corte dos 22 aos 42 dias de idade.
Figura 7 – Estimativa do peso de peito com osso (PPO) em função da temperatura ambiente (T) em frangos de corte dos 22 aos 42 dias de idade. PC = 553,904 + 130,383 T – 2,97754 T2 (R2 = 0,82) Peso de carcaça (g) Temperatura ambiente (ºC) PPO = 194,379 + 41,4434 T – 0,987158 T2 (R2 = 0,79)
Peso de peito com osso (g)
42
para cada unidade de temperatura, no intervalo testado, segundo a equação: RPO = 34,5049 – 0,126771 T (r2 = 0,94).
Os níveis de lisina digestível da ração também não influenciaram (P>0,05) o peso e o rendimento de peito sem osso (PPSO e RPSO respectivamente) das aves mantidas nas diferentes temperaturas. No entanto, a temperatura ambiente influenciou (P<0,01) o PPSO e o RPSO, que reduziram de forma linear conforme as equações: PPSO = 543,695 – 3,63477 T (r2 = 0,81) e RPSO = 26,9984 – 0,147290 T (r2 = 0,99), respectivamente.
A temperatura estimada de 21,0ºC para maximizar o PPO foi próxima às estimadas para maximizar o GP (21,5ºC) e o PC (21,9ºC), confirmando que a faixa de termoneutralidade para frangos de corte dos 22 aos 42 dias de idade possivelmente corresponde a 20,0 - 23,0ºC, conforme proposto por Rostagno (1995) e Macari (2001).
As reduções observadas no RPO, PPSO e no RPSO podem estar relacionadas a um possível aumento gradativo dos níveis de corticosterona no plasma das aves, resultante da elevação da temperatura ambiente. De acordo com os estudos de Yunianto et al. (1997), à medida que a temperatura ambiente se afasta da zona de conforto térmico, as concentrações plasmáticas de corticosterona aumentam progressivamente, uma correlação positiva entre os níveis plasmáticos de corticosterona e a taxa de degradação de proteínas musculares.
Quanto aos efeitos dos níveis de lisina digestível da ração, os resultados obtidos nesse estudo corroboram os trabalhos de diversos autores (Holsheimer & Ruesink, 1993; Mendes et al., 1997; Conhalato et al., 1999; Martinez et al., 2002; Cella et al., 2003; Amarante Jr et al., 2005), que também não verificaram efeitos dos níveis de lisina sobre o peso e o rendimento de peito em frangos na fase de crescimento. No entanto, resultados contraditórios foram observados por Han & Baker (1994), Costa et al. (2001), Borges et al. (2002), Valerio et al. (2003), Takeara et al. (2005) e Lana et al. (2005), que verificaram melhora no peso e/ou no rendimento de peito de frangos de corte em fase de crescimento em função do aumento do nível de lisina da ração.
Foram observados efeitos da temperatura ambiente (P<0,01) e dos níveis de lisina digestível da ração (P<0,05) sobre o peso de coxa (PCX) das aves, que aumentou de forma quadrática até a temperatura estimada de
43
22,7ºC, quando se fixou o nível de lisina da ração, e de forma linear em função dos níveis de lisina digestível da ração, quando se fixou a temperatura ambiente (Figura 8).
Em concordância com os resultados deste estudo, Valerio et al. (2003), Amarante Jr. et al. (2005) e Lana et al. (2005) também verificaram efeitos significativos dos níveis de lisina digestível da ração sobre o PCX de frangos de corte em fase de crescimento. No entanto, quando não se aplicou o conceito de proteína ideal na formulação das rações experimentais, Valerio et al. (2003) e Lana et al. (2005) não observaram variação nos valores de PCX de frangos de corte dos 22 aos 42 dias de idade. A justificativa para esses resultados estaria no fato de a treonina possivelmente ter se tornado limitante nas rações experimentais.
A temperatura ambiente (P<0,05) e os níveis de lisina digestível da ração (P<0,01) influenciaram de forma linear crescente o rendimento de coxa (RCX) das aves (Figura 9).
Considerando esse resultado e o de RPSO e que a musculatura do peito de frangos de cortes é composta predominantemente por fibras glicolíticas (Tipo IIb) de contração rápida, enquanto a musculatura da perna é formada predominantemente por fibras oxidativas de contração lenta (Tipo I) (Faria Filho et al., 2003; Sartori et al., 2003), pode-se inferir que o efeito da temperatura ambiente sobre os músculos da carcaça de aves pode variar de acordo com o tipo de fibras musculares que os compõem. Esse efeito diferenciado da temperatura ambiente sobre os músculos da carcaça estaria, possivelmente, relacionado à ação do hormônio corticosterona, cuja concentração plasmática nas aves eleva à medida que a temperatura ambiente ultrapassa a faixa de termoneutralidade. De acordo com os resultados obtidos por Silva (2002), em estudos conduzidos com mamíferos, os efeitos catabólicos dos hormônios esteróides (corticosterona) são mais pronunciados nas fibras glicolíticas que nas oxidativas.
Efeitos positivos dos níveis de lisina da ração sobre o RCX de frangos de corte em fase de crescimento também foram verificados por Holsheimer & Ruesink (1993), Valerio et al. (2003) e Lana et al. (2005).
44
Figura 8 – Estimativa do peso de coxa (PCX) de frangos de corte dos 22 aos 42 dias de idade em função do nível de lisina digestível da ração (L) e da temperatura ambiente (T).
Figura 9 – Estimativa do rendimento de coxa (RCX) de frangos de corte dos 22 aos 42 dias de idade em função do nível de lisina digestível da ração (L) e da temperatura ambiente (T).
PCX = 18,9473 + 18,3624 T + 27,8785 L - 0,404788 T2
(R2= 0,46)
Temperatura ambiente (ºC)
Peso de coxa (g)
Nível de lisina digest
ível (%) PCX = 18,9473 + 18,3624 T + 27,8785 L - 0,404788 T2 (R2= 0,46) PCX = 18,9473 + 18,3624 T + 27,8785 L - 0,404788 T2 (R2= 0,46) Temperatura ambiente (ºC) Peso de coxa (g)
Nível de lisina digest
ível (%) RCX = 11,3561 + 0,0219009 T + 1,0557 L (R2= 0,47) Temperatura ambiente ( ºC) Rendimento de coxa (g)
Nível de lisina digest
ível (%) RCX = 11,3561 + 0,0219009 T + 1,0557 L (R2= 0,47) RCX = 11,3561 + 0,0219009 T + 1,0557 L (R2= 0,47) Temperatura ambiente ( ºC) Rendimento de coxa (g)
Nível de lisina digest
45
O peso de sobrecoxa (PSCX) não variou (P>0,05) com os níveis de lisina digestível da ração, embora a temperatura ambiente tenha proporcionado aumento quadrático (P<0,01) nesta variável até a temperatura estimada de 23,7ºC (Figura 10).
A ausência de efeito dos níveis de lisina da ração sobre o PSCX de frangos de corte corrobora os resultados obtidos por Valerio et al (2003), que não verificaram efeitos dos níveis de lisina digestível da ração sobre o PSCX de frangos mantidos a 29,1ºC no período de 22 a 42 dias de idade. Esses resultados contrastam, no entanto, comos obtidos por Borges et al. (2002) e Lana et al. (2005), que observaram melhora no PSCX com o aumento dos níveis de lisina da ração quando trabalharam com frangos de corte dos 22 aos 42 dias de idade mantidos em ambiente com 26,0 e 23,8ºC, respectivamente.
O rendimento de sobrecoxa (RSCX) foi influenciado de forma linear crescente pela temperatura ambiente (P<0,01) e de forma linear decrescente (P<0,05) pelos níveis de lisina digestível da ração (Figura 11).
O efeito positivo da temperatura ambiente sobre o RSCX foi semelhante ao observado para o RCX e pode ser justificado pela redução nos valores das variáveis relacionadas ao peito (RPO, PPSO e RPSO) à medida que temperatura ambiente aumentou, o que resultou em aumento da proporção da sobrecoxa em relação à carcaça inteira.
Contrariando as expectativas, observou-se redução no RSCX com o aumento dos níveis de lisina da ração. Em tese, esse resultado pode ser justificado por meio da análise conjunta do PCX e do PSCX, tomando-se como referência os efeitos dos níveis de lisina sobre o peso da perna das aves.
Parâmetros Fisiológicos
Não houve interação (P>0,05) entre a temperatura ambiente e os níveis de lisina digestível da ração para as temperaturas retal, de crista, de peito e de perna (Tabela 8), indicando que, em frangos de corte de 22 a 42 dias de idade, essas variáveis respondem às mudanças da temperatura ambiente, independentemente do nível de lisina digestível utilizado na ração.
Os valores médios dos parâmetros fisiológicos de frangos de corte no período de 22 a 42 dias de idade mantidos em diferentes temperaturas
46
Figura 10 – Estimativa do peso de sobrecoxa (PSCX) de frangos de corte dos 22 aos 42 dias de idade em função da temperatura ambiente (T).
Figura 11 – Estimativa do rendimento de sobrecoxa (RSCX) de frangos de corte dos 22 aos 42 dias de idade em função do nível de lisina digestível da ração (L) e da temperatura ambiente (T).
PSCX = – 39,4266 + 24,9194 T – 0,525196 T2 (R2 = 0,97) Peso de sobrecoxa (g ) Temperatura ambiente (ºC) RSCX = 12,7730 + 0,0763201 T - 1,57508 L (R2= 0,60) Temperatura ambiente ( ºC) Rendimento de sobrecoxa (g)
Nível de lisina digestível (%)
RSCX = 12,7730 + 0,0763201 T - 1,57508 L (R2= 0,60) RSCX = 12,7730 + 0,0763201 T - 1,57508 L (R2= 0,60) Temperatura ambiente ( ºC) Rendimento de sobrecoxa (g)
47
Tabela 8 – Resumo da análise de variância e dos coeficientes de variação referentes às temperaturas retal (TR), de crista (TC), temperatura de peito (TP) e de perna (TCA) de frangos de corte no período de 22 a 42 dias de idade
Quadrados médios FV GL TR TC TP TCA Temperatura 3 14,52430** 2743,704** 1073,403** 1541,476** Nível de lisina 3 0,52614 6,371 0,486 1,531 Temperatura x lisina 9 0,35489 26,536 7,278 32,767 Resíduo 1136 100,69350 2387,319 1262,778 2393,972 CV (%) 0,72 4,01 2,76 3,88 **Significativo a 1% de probabilidade.
recebendo rações com níveis crescentes de lisina digestível são apresentados na Tabela 9.
Observou-se efeito (P<0,01) de temperatura ambiente sobre a temperatura retal das aves, que aumentou de forma linear de acordo com a equação: TR = 40,5731 + 0,0324603 T (r2 = 0,88); em que: TR = temperatura retal (ºC) e T = temperatura ambiente (ºC).
De acordo com Anderson & Jónasson (1984) a temperatura normal das aves é de 40,6 a 43ºC, que corresponde à média de 41,7ºC. Neste estudo, o aumento de 1oC na temperatura ambiente elevou aproximadamente 0,03ºC na temperatura retal das aves, que variou de 41,20 a 41,50ºC no intervalo testado (18,5 a 27,0ºC). Assim, pode-se inferir que as condições ambientais avaliadas neste estudo não foram suficientes para caracterizar o estresse, visto que, nas temperaturas testadas, a temperatura retal das aves permaneceu dentro dos limites da normalidade.
Avaliando os efeitos de diferentes temperaturas ambiente (16, 19, 22, 25, 28, 31 e 34ºC) sobre a produção de calor e o turnover protéico muscular de frangos de corte dos 15 aos 27 dias de idade, Yunianto et al. (1997), observaram valores de temperatura retal de 41,06 a 41,70ºC, não sendo detectadas, no entanto, diferenças significativas entre os ambientes testados.
Segundo Lemme (2005), o delineamento experimental e o modo de análise dos dados também podem influenciar a conclusão final dos estudos. Assim, a ausência de efeito estatístico verificada por Yunianto et al. (1997),
48
Tabela 9 – Valores médios dos parâmetros fisiológicos de frangos de corte no período de 22 a 42 dias de idade mantidos em diferentes temperaturas recebendo diferentes níveis de lisina digestível na ração Temperatura ambiente (ºC) Lisina digestível (%) 18,5 21,1 24,5 27,0 Média Temperatura retal1 (ºC) 0,934 41,18 (72)# 41,26 (72) 41,35 (72) 41,54 (72) 41,33 1,009 41,18 (72) 41,20 (72) 41,27 (72) 41,46 (72) 41,28 1,084 41,24 (72) 41,23 (72) 41,30 (72) 41,48 (72) 41,31 1,159 41,21 (72) 41,28 (72) 41,32 (72) 41,51 (72) 41,33 Média 41,20 41,24 41,31 41,50 Temperatura de crista2 (ºC) 0,934 34,46 (72) 35,14 (72) 37,38 (72) 37,85 (72) 36,21 1,009 34,00 (72) 35,55 (72) 37,33 (72) 37,80 (72) 36,17 1,084 33,86 (72) 35,25 (72) 37,08 (72) 37,96 (72) 36,04 1,159 34,07 (72) 35,22 (72) 37,57 (72) 38,07 (72) 36,23 Média 34,10 35,29 37,34 37,92 Temperatura de peito3 (ºC) 0,934 37,06 (72) 37,44 (72) 38,78 (72) 39,29 (72) 38,14 1,009 36,82 (72) 37,61 (72) 38,82 (72) 39,35 (72) 38,15 1,084 36,75 (72) 37,48 (72) 38,79 (72) 39,41 (72) 38,11 1,159 37,03 (72) 37,51 (72) 38,68 (72) 39,29 (72) 38,13 Média 36,92 37,51 38,77 39,34 Temperatura de perna4 (ºC) 0,934 36,11 (72) 36,53 (72) 38,40 (72) 38,51 (72) 37,39 1,009 36,03 (72) 36,87 (72) 38,32 (72) 38,66 (72) 37,47 1,084 35,69 (72) 37,11 (72) 38,23 (72) 38,87 (72) 37,48 1,159 35,74 (72) 36,60 (72) 38,50 (72) 38,85 (72) 37,42 Média 35,89 36,78 38,36 38,72 1 TR = 40,5731 + 0,0324603** T (r2 = 0,88). 2 TC = 25,4120 + 0,471871** T (r2 = 0,98). 3 TP = 31,3725 + 0,296793** T (r2 = 0,99). 4 TCA = 29,4139 + 0,352376** T (r2 = 0,97). # Número de repetições.
** Significativo a 1% de probabilidade pelo teste t.
apesar da maior amplitude de variação observada na temperatura retal das aves, pode estar relacionada ao método de análise utilizado por esses autores.
As temperaturas de crista, de peito e de perna foram influenciadas de forma linear (P<0,01) pela temperatura ambiente, aumentando de acordo
com as respectivas equações: T Cˆ = 25,4120 + 0,471871 T (r2=0,98), T
Pˆ
= 31,3725 + 0,296793 T (r2 = 0,99) e T Cˆ A = 29,4139 + 0,352376 T (r2=0,97); em que TC = temperatura de crista (ºC); TP = temperatura de peito49
Resultado semelhante foi encontrado por Oliveira (2001), que verificou efeito linear crescente da temperatura ambiente sobre as temperaturas de crista, de peito e de perna quando estudou o desempenho e as características de carcaça de frangos de corte mantidos em diferentes temperaturas (16, 20, 25 e 32ºC) durante a fase de crescimento.
Segundo Macari et al. (1994), as variações de temperatura na superfície externa das aves (crista, peito e pernas) são mecanismos das aves para constância da temperatura interna. Assim, os aumentos das temperaturas da superfície corporal de frangos submetidos a ambientes com temperaturas crescentes sugerem o aumento do fluxo de calor no sentido do núcleo corporal para a superfície externa do corpo, demonstrando a eficácia dos processos sensíveis de troca de calor (radiação, condução e convecção) em aves mantidas em temperaturas na faixa de termoneutralidade.
50
Conclusões
As exigências de lisina digestível de frangos de corte em fase de crescimento não foram modificadas pela temperatura ambiente de 18,5 a 27,0ºC.
A condição ótima para melhor conversão alimentar de frangos de corte no período de 22 a 42 dias de idade foi obtida com o nível estimado de 1,085% de lisina digestível e com a temperatura estimada de 23,3ºC, sendo o menor valor estimado de 1,64 (g/g).
O nível de lisina digestível de 1,085% na ração foi adequado para a melhor conversão alimentar de frangos de corte mantidos em temperatura ambiente de 18,5 a 27,0ºC no período de 22 a 42 dias de idade.
A faixa de conforto térmico para frangos de corte no período de 22 a 42 dias de idade é de 21,0 a 23,7ºC.
51
Referências Bibliográficas
AMARANTE JR., V.S.; COSTA, F.G.P.; BARROS, L.R.; NASCIMENTO, G.A.J.; BRANDÃO, P.A.; SILVA, J.S.C.V.; PEREIRA, W.E.; NUNES, R.V.; COSTA, J.S.; RIBEIRO, M.L.G. Níveis de lisina para frangos de corte nos períodos de 22 a 42 e de 43 a 49 dias de idade, mantendo a relação metionina + cistina. Revista Brasileira de Zootecnia, v.34, p.1188-1194, 2005.
ANDERSON, B.E.; JÓNASSON, H. In: SWENSON, M. J.; REECE, W. O. DUKES. Fisiologia dos Animais Domésticos. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan S.A. p.805-813. 1984.
BAKER, D.H.; HAN, Y. Ideal amino acid profile for chickens during the first three weeks posthatching. Poultry Science, v.73, p.1441-1447, 1994. BORGES, A.F.; OLIVEIRA, R.F.M.; DONZELE, J.L.; ORLANDO, U.A.D.;
FERREIRA, R.A.; SARAIVA, E.P. Exigência de lisina para frangos de corte machos no período de 22 a 42 dias de idade mantidos em ambiente quente (26ºC). Revista Brasileira de Zootecnia, v.31, p.1993-2002, 2002.
CELLA, P.S.; MURAKAMI, A.E.; FRANCO, J.R.G.; SAKAMOTO, M.; FAQUINELOS, P.; MOREIRA, I. Níveis de lisina digestível, em dietas com baixa proteína, dentro do conceito de proteína ideal, para frangos de corte no período de crescimento. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 40, 2003 Santa Maria. Anais... Santa Maria: Sociedade Brasileira de Zootecnia. 2003. 1 CD-ROM.
CONHALATO, G.S.; DONZELE, J.L.; ALBINO, L.F.T.; OLIVEIRA, R.F.M.; FONTES, D.O. Níveis de lisina digestível para frangos de corte machos na fase de 22 a 42 dias de idade. Revista Brasileira de Zootecnia, v.28, p.98- 104, 1999.
COSTA, F.G.P.; ROSTAGNO, H.S.; ALBINO, L.F.T.; GOMES, P.C.; TOLEDO, R.S. Níveis dietéticos de lisina para frangos de corte de 1 a 21 e 22 a 40 dias de idade. Revista Brasileira de Zootecnia, v.30, p.1490-1497, 2001. CURTIS, S.E. Environmental management in animal agriculture. Ames,
Iowa: Iowa State University Press, 1983.
ENTING, H.; VELDMAN, B.; POS, J.; WEURDING, E.; LEBELLEGO, L. Factors that influence nutritional requirements of poultry. In: SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE EXIGÊNCIAS NUTRICIONAIS DE AVES E SUÍNOS, 2005, Viçosa. Anais... Viçosa, 2005. p.97-116.
FARIA FILHO, D.E.; RIZZO, M.F.; WADA, M.T; VIEIRA, B.S.; MACARI, M.; FURLAN, R.L. Rendimento de carcaça, de cortes comerciais e deposição de gordura abdominal em frangos recebendo dietas de baixa proteína e criados em diferentes temperaturas ambiente. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 40, 2003, Santa Maria. Anais... Santa Maria:Sociedade Brasileira de Zootecnia. 2003. 1 CD-ROM. GOMES, P.C.; ALBINO, L.F.T.; SILVA, M.A. Criação de frangos de cortes.
52
HOLSHEIMER, J.P.; RUESINK, E.W. Effect on performance, carcass composition, yield, and financial return of dietary energy and lysine level in starter and finish diets fed to broilers. Poultry Science, v.72, p.806-815, 1993.
ISHIBASHI, T.; YONEMOCHI, C. Possibility of amino acid nutrition in broiler. Journal Animal Science, v.73, p.155-165, 2002.
KIDD, M.T.; KERR, B.J.; ANTHONY, N.B. Dietary interactions between lysine and threonine in broilers. Poultry Science, v.76, p.608-614, 1997.
LANA, G.R.Q.; ROSTAGNO, H.S.; ALBINO, L.F. et al. Efeito da temperatura ambiente e da restrição alimentar sobre o desempenho e a composição de carcaça de frangos de corte. Revista Brasileira de Zootecnia, v.29, p.1117-1123, 2000.
LANA, S.R.V.; OLIVEIRA, R.F.M.; DONZELE, J.L.; GOMES, P.C.; VAZ, R.G.M.V.; RESENDE, W.O. Níveis de lisina digestível em rações para frangos de corte de 22 a 42 dias de idade, mantidos em ambiente de