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2. Eserin Kıraat İlmi Açısından Tahlili

2.29. Harflerin Mahreçleri ve Sıfatları Bâbı ( 1134 1173 Beyitler)

A psiquiatria epidemiológica tem contribuído para uma ampla variedade de campos clínicos, de pesquisa e de políticas de saúde. Descobertas recentes proporcionam dados sobre o curso e a comorbidade de transtornos psiquiátricos, identificam seus possíveis fatores de risco, mensuram os

problemas funcionais que causam, estabelecem uma base para decisões políticas sobre a saúde mental e representam um ponto de partida para analisar o acesso ao cuidado e o uso dos serviços disponíveis nessa área (Sadock; Sadock, 2007).

1.1.2.1 Cenário internacional

Nos Estados Unidos, a prevalência dos transtornos no ano anterior à entrevista foi cerca de 30%, destacando-se a depressão maior, dependência de álcool, fobia social e fobia simples (Kessler et al., 1994).

Na Europa, a prevalência de transtornos psiquiátricos foi aproximadamente 10% nos últimos 12 meses e os transtornos mais prevalentes foram de ansiedade (6%), de humor (4,2%) e de uso/dependência de álcool (1%). A depressão maior (3,9%) se destacou entre os transtornos específicos (Alonso et al., 2004a).

No Japão, a prevalência de algum transtorno no ano anterior à entrevista foi 8,8%, sendo os mais prevalentes a depressão maior (2,9%), a fobia específica (2,7%) e o uso/dependência do álcool (2,0%) (Kawakami et al., 2005).

Na América Latina e Caribe, os transtornos mais frequentes foram abuso e/ou dependência de álcool (5,7%) e depressão maior (4,9%), nos 12 meses anteriores à entrevista (Khon et al., 2005).

Em relação ao gênero, os transtornos de ansiedade e de humor são mais comuns em mulheres, e os transtornos de uso de substâncias e de controle do

impulso são mais frequentes em homens (Alonso et al., 2004a; Kessler et al., 1994).

1.1.2.2 Cenário brasileiro

No Brasil, em 1991, o Brazilian Multicentric Study of Psychiatric Morbidity estimou que a prevalência de sintomas psiquiátricos, de acordo com DSM-III, na vida ajustada por idade foi maior na região metropolitana de Brasília (50,5%), seguida por Porto Alegre (42,5%) e São Paulo (31%). As mulheres apresentaram maiores prevalências de transtornos psiquiátricos na vida somente em Porto Alegre. Em Brasília, os transtornos mais frequentes foram ansiedade (17,6%), fobias (16,7%), somato-dissociativos (8,1%) e abuso e dependência do álcool (8%). Em São Paulo, transtorno de ansiedade (10,6%), fobias e abuso e dependência do álcool (7,6% cada) e somato-dissociativos (2,8%) foram os mais comuns. Já em Porto Alegre, as fobias (14,1%) foram mais frequentes, seguidas por estados depressivos (10,2%), transtorno de ansiedade (9,6%) e abuso e dependência do álcool (9,2%) (Almeida-Filho et al., 1997).

Enquanto ansiedades e fobias afetaram mais mulheres, problemas relacionados com álcool foram significativamente maiores entre os homens. A prevalência da potencial necessidade de tratamento nos 12 meses ajustada por idade também foi maior em Brasilia (34,1%), seguida por Porto Alegre (33,7%) e São Paulo (19%), sendo significativamente maior em mulheres somente em Brasília. Em Brasília, ansiedade (12,1%), fobias (11,6%), somato-dissociativos (5,8%) e abuso e dependência do álcool (4,7%) foram bastante frequentes. Em

São Paulo, os transtornos mais comuns foram ansiedade (6,9%), fobias (5%), abuso e dependência do álcool (4,3%) e somato-dissociativos (1,9%). Já em Porto Alegre, houve maior frequência de transtornos por abuso e dependência do álcool (8,7%), fobias (7,1%), depressão (6,7%) e ansiedade (5,4%) (Almeida-Filho et al., 1997).

Entre os anos de 1996 a 1997, o estudo Bambuí Health Survey avaliou cerca de 1.040 sujeitos com 18 anos ou mais de idade, em Bambuí, Minas Gerais, utilizando a versão portuguesa do instrumento CIDI. As prevalências de depressão no mês, no ano anterior e na vida foram 8,2%, 10% e 15,6%, respectivamente. As análises ajustadas demonstraram associação entre a depressão no mês anterior e os seguintes fatores: gênero feminino, sujeitos com idade superior a 45 anos e não estar trabalhando na ocasião da entrevista (Vorcaro et al., 2001).

As prevalências de fobia social no mês anterior, no ano anterior e na vida foram 7,9%, 9,1% e 11,8%, respectivamente. A fobia social no mês anterior esteve positiva e significantemente associada à idade (45–64 anos) e ao estado civil (divorciado/separado). Número de meses trabalhados no último ano, número de anos de escolaridade e renda familiar mensal associaram-se negativa e independentemente à fobia social. Autorrelato de saúde razoável e ruim/muito ruim, incapacidade para desempenhar atividades diárias por problemas de saúde nas duas últimas semanas, 3 ou mais visitas ao doutor nos últimos 12 meses e 3 ou mais medicamentos usados nos últimos 3 meses estiveram positiva e independentemente associados à fobia social (Vorcaro et al., 2004).

Segundo os autores, houve um ônus importante de fobia social na população do estudo devido à alta prevalência, pelo fato de as prevalências serem similares ou superiores aos valores observados em vários países desenvolvidos e devido à sua associação com piores indicadores socioeconômicos, pior estado de saúde, maior frequência de visitas ao médico e maior uso de medicamentos prescritos (Vorcaro et al., 2004).

Em um estudo conduzido em 1995, na cidade de São Paulo, o São Paulo Epidemiologic Catchment Area (SP-ECA) Study verificou que aproximadamente metade dos entrevistados apresentou, no mínimo, um transtorno mental na vida, 26,5% no ano anterior e 22,2% no mês anterior à entrevista. O transtorno mais comum foi o episódio depressivo (17%) e associou-se às manifestações suicidas não fatais quando investigada a comorbidade para os transtornos por uso de álcool/substâncias. Cerca de 30% usou os serviços de saúde no mês anterior à entrevista, sendo que 29% procuraram ajuda no setor da clínica médica e 7,8% foram atendidos por profissionais da saúde mental. Dos entrevistados, 50% relataram doenças físicas, e a mais alta taxa de utilização de serviço médico geral foi por pacientes com transtorno psiquiátrico. Menos de 10% dos sujeitos recebeu atendimento por psiquiatra, psicoterapeuta ou aconselhamento psicológico. Dos indivíduos com diagnóstico de transtornos psiquiátricos no ano anterior à entrevista, possuir cobertura por um seguro de saúde privado foi determinante para o uso de serviços de clínica médica. A baixa renda dificultou o acesso aos serviços de saúde mental (Andrade et al., 2008, 2011).

Resultados de um estudo mais recente (entre 2005 e 2007), conduzido com maior rigor metodológico na região metropolitana de São Paulo (RMSP), o

Estudo São Paulo Megacity, título em inglês, São Paulo Megacity Mental Health Survey (SPMHS), demonstraram que cerca de 30% dos respondentes preencheram critérios diagnósticos do DSM-VI para, pelo menos, um transtorno mental no ano anterior à entrevista. Os transtornos de ansiedade foram os mais frequentes (19,9%), seguidos de transtorno de humor (11%), controle de impulso (4,3%) e uso de substâncias (3,6%). Entre os respondentes com transtornos, 10% foram classificados como graves e comorbidades. A gravidade dos transtornos esteve associada à procura de tratamento e ao recebimento de serviços, embora a maioria dos sujeitos da RMSP com transtornos ativos não tenham recebido tratamento nos serviços de saúde. Para os autores, outras regiões do Brasil possivelmente apresentam um pior panorama quanto à lacuna de tratamento (treatment gap) (Tabela 1) (Andrade et al., 2012).

As diferencas nas prevalências dos transtornos mentais podem ser parcialmente explicadas devido às características da população estudada, como faixa etária, distribuição socioeconômica, residir em área urbana ou rural, e aspectos culturais (Andrade et al., 2010).