4. ESER DEĞERLENDİRMELERİ
4.2 Hanedan Üyesi Bir Ressam
4.2.1 Halife Abdülmecid Efendi (1868-1944)
4.2.1.1 Haremde Beethoven (1915)
Em 14 de maio de 1989, o candidato presidencial do Partido Justicia- lista (PJ), Carlos Menem, venceu as eleições gerais presidenciais por ampla margem em relação ao candidato radical, Eduardo Angeloz. Segundo o cro- nograma constitucional, o eleito devia assumir o cargo presidencial em 10 de dezembro desse ano, mas a profunda crise econômico-social desencadea- da entre os meses de fevereiro e junho de 1989 e a incapacidade governa- mental de controlá-la anteciparam a saída de Alfonsín do governo nacional, e este passou o governo a Menem em 8 de julho.37
Diferentemente do ocorrido durante o mandato de Alfonsín, em fins dos anos 1980 os militares não eram mais vistos como uma ameaça à or- dem institucional democrática, nem eram atores com capacidade de vetar e/ ou pressionar o poder político; por isso, as Forças Armadas não ocuparam um lugar privilegiado entre as prioridades governamentais. Estas, ao contrá- rio, se concentraram na necessidade de conter o colapso econômico que se instalou em meio à feroz hiperinflação eclodida no início de 1989, fazendo com que a administração menemista se preocupasse em resolver a profun- da crise fiscal e em reorientar a economia local aplicando um modelo de re- forma capitalista de caráter ortodoxo.38
36 As negociações que puseram fim ao primeiro levante implicaram a passagem para a reserva do chefe do Emge, general Ríos Ereñú e sua substituição pelo general Dante Caridi, que não se identi- ficava com os caras-pintadas, mas como subchefe do Exército foi nomeado o general Fausto Gon- zález, aceito pelos rebeldes. Finalizada a rebelião, Rico e seus seguidores foram detidos e proces- sados pela Justiça Militar, sendo que em 5 de junho desse ano foi sancionada a Lei de Obediência Devida. Por seu turno, o término do levante de Villa Martelli ocorreu mediante negociações nas quais o governo só participou como mero observador. Tratou-se de um acordo militar, levado a cabo na tarde do domingo, 4 de dezembro de 1988, entre o coronel Seineldín — na ocasião, chefe dos rebeldes — e o general Caridi. Como o eixo do conflito e das negociações girou em torno do confronto interno do Exército entre os caras-pintadas e o comando dessa força, os termos do acordo determinaram a saída de Caridi do Emge, a aplicação de uma anistia interna aos processados pelos levantes anteriores e o julgamento de Seineldín como único responsável por esse levante. O gover- no, que sempre negou a existência desse pacto militar, submeteu Seineldín à Justiça Militar como único responsável pelo levante e decidiu manter o general Caridi à frente da instituição, ainda que em pouco tempo tenha sido substituído no cargo pelo general Gassino.
37 Ver Palermo & Novaro (1996).
Nesse contexto, a diretriz política adotada pelo presidente Menem para lidar com a questão militar seguiu duas grandes orientações. Numa primeira etapa, concentrou-se na solução dos dois principais problemas sur- gidos durante a gestão alfonsinista e que, em 1989, ainda configuravam questões altamente conflituosas nas relações civis-militares. O primeiro re- lacionava-se com a ainda persistente reivindicação castrense de uma solu- ção política para a revisão do passado, isto é, a demanda de alguma medida governamental — anistia, comutação de penas e/ou indulto — que benefi- ciasse os poucos militares que ainda estavam sendo processados judicial- mente e os ex-comandantes do PRN já condenados. O outro problema era a ativa presença, no Exército, do setor político cara-pintada, que protagonizara três rebeliões durante o governo radical e que pretendia assumir o coman- do da arma. Numa segunda etapa, a política militar menemista se limitou a iniciativas em matéria castrense decorrentes fundamentalmente do modelo de reforma econômica e da política de inserção internacional formulada pelo governo, tentando adaptar as instituições armadas e a política militar aos parâmetros centrais da política externa e às novas condições econômico- orçamentárias vigentes no país.
O rumo seguido por Menem com relação à problemática dos julgamen- tos diferiu daquele seguido por Alfonsín.39 Durante a campanha eleitoral que antecedeu sua eleição a presidente da nação, Menem defendeu a necessida- de de se chegar à “pacificação nacional” “resolvendo de uma vez por todas os mais graves problemas que enfrenta o país”, entre eles a questão militar. Já no governo, para o mandatário peronista, a questão central consistia em dar algum tipo de solução às condenações e aos processos pendentes envolvendo membros da ativa ou da reserva das Forças Armadas, de maneira que essa questão e suas eventuais derivações não gerassem nenhum tipo de conflito político com as instituições castrenses. Para tanto, em fins de setembro de 1989, Menem declarou publicamente que estava disposto a acabar com as se- qüelas dos julgamentos, indultando não só os militares que ainda estavam sendo processados e os ex-comandantes condenados, mas também os proces- sados e condenados pelas rebeliões ocorridas durante o período de Alfon- sín.40 Pretendia pôr um fim em tal situação e estabelecer, conseqüentemen- te, novos padrões de relacionamento com os militares. Em conseqüência desse
39 Durante a gestão de Alfonsín, Carlos Menem havia-se oposto a todo tipo de medida que ten- desse a restringir ou dar um ponto final na revisão judicial das violações aos direitos humanos cometidas durante a repressão ilegal. Em 30 de novembro de 1986, em pleno debate público so- bre a Lei de Ponto Final, Menem sustentou que não era “partidário nem do Ponto Final nem da anistia”. Em dezembro de 1988, reiterou que não estava de acordo com a anistia.
40 Em junho de 1989, 460 membros das Forças Armadas estavam sendo afetados por algum tipo de decisão judicial ou sanção disciplinar: havia sete condenações e 18 processos por crimes co- metidos durante o combate à subversão; três condenações em função da Guerra das Malvinas; e 92 processos em curso e 340 sanções disciplinares de militares envolvidos nos três levantes caras- pintadas ocorridos até o momento (Fraga, 1989:162-3).
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V DE M O C R A C I A E FO R Ç A S AR M A D A S N O CO N E SU Lanúncio, em 6 de outubro de 1989, Menem promulgou os decretos nºs 1.002/ 89, 1.003/89, 1.004/89 e 1.005/89, indultando militares, policiais e civis con- denados e/ou processados por delitos cometidos durante sua participação na repressão à subversão e ao terrorismo entre os anos de 1976 e 1983; os civis pertencentes a organizações guerrilheiras na década de 1970 que haviam sido condenados e/ou processados por sua participação em ações subversivas ou terroristas; os militares e civis indiciados, processados e/ou condenados por seu envolvimento nos três levantes militares realizados até o momento; e os militares responsáveis pela condução política e castrense do conflito bélico no Atlântico Sul. Posteriormente, em 29 de dezembro de 1990, promulgou o Decreto nº 2.741/90, indultando os ex-comandantes da última ditadura que
haviam sido condenados em 1986. Nesse mesmo dia, também promulgou o Decreto nº 2.742/90, indultando o ex-chefe da organização guerrilheira Mon-
toneros, Mario Eduardo Firmenich. Com isso, Menem pôs em prática sua po- lítica de pacificação e reencontro nacional.
Essas medidas tiveram um duplo efeito sobre o conjunto das rela- ções civis-militares. Por um lado, significaram o fim da etapa marcada pe- los julgamentos e pelas problemáticas resultantes da revisão judicial do pas- sado, cujos pormenores haviam ocupado o centro do cenário político na gestão anterior. A partir desse momento, tanto a reivindicação militar de uma solução política para os processos e condenações judiciais pendentes, quanto a tácita reivindicação da atuação militar no passado autoritário fo- ram esvaziadas de conteúdo e politicamente superadas. Com isso, a revisão do passado deixou de ser a questão mais conflituosa das relações civis-mili- tares e, como se verá, seu desenvolvimento posterior não implicou o cercea- mento do controle civil sobre as Forças Armadas ou, mais especificamente, da subordinação castrense aos poderes governamentais, mas uma proble- mática atinente ao âmbito da Justiça. Por outro lado, os indultos simboliza- ram, tanto para o governo quanto para os militares em seu conjunto, uma expressão concreta de aproximação e convergência entre Menem e as For- ças Armadas. Desde esse momento a administração menemista contou com um elevado grau de controle efetivo sobre as Forças Armadas, o que nunca havia sido conseguido por Alfonsín.
Não obstante, em fins de 1994, o tema da repressão ilegal no passado autoritário voltou à cena pública quando o Senado Nacional, contrariando decisão de Menem, rejeitou o acordo constitucionalmente necessário para a promoção dos capitães-de-fragata Antonio Pernías e Juan Carlos Rolón, dois militares que haviam participado do combate à subversão.41 Algumas sema-
41 O cap. Pernías havia sido processado em 1984 por crimes cometidos durante a ditadura e pos- teriormente beneficiado pela Lei de Ponto Final; e o cap. Rolón havia sido acusado de numerosos delitos cometidos durante a repressão ilegal. Em outubro daquele ano, ambos os oficiais haviam reconhecido perante o Senado sua participação na repressão ilegal durante a guerra anti-subversiva e na tortura de inúmeros detidos (Clarín e Página 12, 20-10-1994).
nas depois, o presidente Menem defendeu publicamente a atuação das For- ças Armadas durante a luta contra a subversão desenvolvida nos anos 1970, defesa que se repetiu muitas vezes durante esses meses. Em março de 1995, entretanto, o capitão-de-corveta Adolfo Scilingo, ex-membro de uma força- tarefa que funcionou na Escola de Mecânica da Armada (Esma), exigiu do comando do Exército que esclarecesse publicamente acerca dos lugares, mé- todos e outras particularidades da repressão ilegal ordenada pelo comando da Armada durante a ditadura militar, depois do que efetuou uma denúncia penal a esse respeito.42 Estes fatos deram lugar, nos meses seguintes, a um amplo debate público acerca daqueles acontecimentos, cujo ponto culminan- te foi o comunicado público feito em 26 de abril pelo comandante do Exérci- to, o general Martín Balza, no qual assumia a responsabilidade institucional que cabia a sua força na repressão ilegal desencadeada na última ditadura, sustentando que a chegada das Forças Armadas ao governo nacional havia ocorrido com base numa avaliação equivocada da situação do país e recha- çando como ilegítima a metodologia adotada por tais forças para fazer frente à violência.43 Vale dizer que, enquanto o presidente Menem elogiava ou fa- zia menção à ação das Forças Armadas no combate à subversão, o titular do Exército assumia a responsabilidade institucional dos delitos e erros cometi- dos por sua força durante a repressão ilegal, elaborava uma nova concepção de obediência militar e condenava toda forma de intervenção castrense na vida política do país além da estrita subordinação legal-constitucional ao po- der político.
Esses fatos fizeram a questão do passado voltar ao cenário político. Os organismos de direitos humanos começaram a reclamar ao governo e à Justi- ça o início de novas investigações que levassem ao conhecimento de todos o ocorrido durante a repressão processista, o que foi reforçado pelos processos judiciais iniciados em 1997 na Espanha contra comandantes militares do PRN responsáveis pelo desaparecimento de muitos cidadãos espanhóis. Nes- te quadro, em 5 de janeiro de 1998, o deputado federal de oposição Juan Pa- blo Cafiero, da Frepaso — acompanhado por outros cinco parlamentares des- sa força política — apresentou um projeto de lei propondo a revogação e a de-
42 Segundo este oficial arrependido, essa força havia sido responsável pela morte de 1.500 a 2 mil detidos ilegalmente, que haviam sido jogados com vida no mar por aviões da pró- pria Marinha. Para a confissão completa do capitão-de-corveta Adolfo Scilingo acerca da repressão ilegal levada a cabo na Esma, ver Verbitsky (1995).
43 Mesmo assim, Balza afirmou que a violência na Argentina havia sido instaurada pelo terroris- mo e que, como resposta a isso, as Forças Armadas haviam tomado ilegitimamente o poder e em- preendido uma violenta repressão que se valeu da tortura e do assassinato como métodos ilegítimos para a obtenção de informações. E frisou que “o fim nunca justifica os meios”. Também declarou que quando está em risco a vida republicana de um Estado “não é o Exército a única re- serva da pátria”, mas o conjunto da sociedade, através de suas instituições políticas e sociais, ins- tâncias entre as quais as Forças Armadas eram apenas uma parte (Clarín e Página 12, 26-4-1995).
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V DE M O C R A C I A E FO R Ç A S AR M A D A S N O CO N E SU Lclaração de nulidade absoluta da Lei do Ponto Final e da Lei da Obediência Devida. Essa apresentação gerou novo e amplo debate sobre o assunto, até que em 25 de março o Congresso sancionou, com o respaldo dos partidos da situação e da oposição, a Lei nº 24.952, que anulava as anteriores.
Por outro lado, no plano dos problemas internos do Exército, a heran- ça recebida pela administração menemista com relação ao conflito entre o comando do Exército e o setor cara-pintada era também considerada uma pesada carga para o governo instalado em 1989. Para enfrentar essa proble- mática e pôr fim a esse conflito, Menem seguiu nova orientação. Isso se ob- servou quando assumiu a presidência e designou para o comando do Exér- cito oficiais não pertencentes a nenhum dos setores em luta, e sim aqueles que apresentavam um perfil institucionalista, como os generais Isidro Cáce- res, Martín Bonnet e Martín Balza, com o que pretendia limitar a esfera de influência interna do setor rebelde. Desde então, os caras-pintadas se vi- ram diante de um comando composto por oficiais com o perfil por eles mes- mos reivindicado como adequado e necessário para a chefia do Exército.
Mas, além disso, por seu caráter institucionalista, esses comandantes rechaçavam toda forma de insubordinação ou de atos que atentassem con- tra a hierarquia e a disciplina interna do Exército, e, em função disso, esta- beleceram como seu objetivo principal a exclusão dos caras-pintadas das filei- ras dessa força.44 Tal fato acabou resultando na rebelião de 3 de dezembro de 1990 — o maior e mais violento dos levantes ocorridos até então.45 Dian- te do fato consumado da rebelião, Menem em nenhum momento se mos-
44 Sain (1994).
45 Neste levante, os rebeldes tomaram a sede do Estado-Maior Geral do Exército — o edifício Li- bertador —, situado em frente do palácio do governo; as instalações dos quartéis de Palermo, em plena capital federal; a fábrica de tanques Tamse, em Boulogne; e alguns estabelecimentos e uni- dades blindadas da província de Entre Ríos. Quanto ao número dos envolvidos nesses fatos, cal- cula-se que só em Buenos Aires os rebeldes fossem mais de 600, e em Entre Ríos o movimento contou com a participação de mais de 1.500 pessoas. Em sua grande maioria — isto é, mais de 90% —, os rebeldes eram suboficiais. Com relação à violência do enfrentamento, apenas me limi- tarei a mencionar que na madrugada do dia 3, nas instalações de Palermo, foram mortos o tenen- te-coronel Pita e o major Pedernera, militares leais ao governo. Segundo informações colhidas nos interrogatórios levados a cabo durante o julgamento dos responsáveis e participantes na re- belião, essas mortes, embora decorrentes do enfrentamento havido no interior desse prédio, ocorreram praticamente por “fuzilamento”. Em Entre Ríos, a coluna de blindados que se desloca- vam em direção a Buenos Aires foi detida mediante o bombardeio de aviões Canberra da Força Aérea Argentina. Em Palermo, os quartéis foram retomados após o bombardeio das intalações por peças de artilharia fixas e de tanques. Com o tiroteio no edifício Libertador, muitos projéteis atingiram a própria Casa Rosada. Em Boulogne, depois de alguns tanques dirigidos por caras-pin- tadas conseguirem sair da fábrica Tamse, rompendo o cerco mantido pelas forças leais ao gover- no, na fuga atropelaram, na via Panamericana, um ônibus de passageiros da linha 60, causando a morte de cinco civis que nele viajavam. Durante todo esse dia, cinco civis e 12 militares acaba- ram mortos em razão dos cruéis entrechoques ocorridos entre rebeldes e leais. Ver Clarín e Página 12, 3, 4, 5 e 6-12-1990.
trou disposto a negociar ou entrar em acordo com os rebeldes, embora estes tenham tentado isso em muitas oportunidades; além disso, ordenou ao co- mandante do Exército a imediata repressão aos focos rebeldes, ordem que foi estritamente cumprida pelas tropas leais, à frente das quais colocaram-se os militares institucionalistas, que com isto vislumbraram uma oportunidade ímpar para desarticular a presença política dos caras-pintadas no Exército.46
Não obstante, a coerência e a predisposição governamental para aca- bar com a rebelião diminuíram quando, ao longo do julgamento dos prota- gonistas desses episódios, vieram a público as vinculações que Menem e o coronel Seineldín haviam mantido durante 1989 e 1990.47 Por certo, essas relações, longe de permitir a superação do conflito político e da fragmenta- ção institucional existentes, contribuíram para o agravamento da crise, e a elas se remetem as causas da rebelião de 1990. De qualquer modo, Me- nem, junto com os generais Cáceres, Bonnet e Balza, desarticulou a presen- ça política dos caras-pintadas no Exército, o que a administração anterior não conseguira realizar. Alfonsín interpretou as insurreições caras-pintadas como tentativas de golpe de Estado, mas acabou fazendo concessões e enta- bulando negociações secretas com seus líderes, mas não conseguiu afastá- los da força. Menem, ao contrário, firmou um acordo com os caras-pinta- das e elogiou Seineldín, mas levou a cabo uma estratégia — contraditória, sinuosa e mesmo arriscada — que terminou com o afastamento definitivo do líder rebelde e de seus seguidores das fileiras do Exército.
Quanto ao papel institucional das Forças Armadas, as diretrizes segui- das por Menem significaram uma certa redefinição em relação à gestão pre- cedente. O caráter remilitarizante da segurança interna contido nas normas promulgadas por Alfonsín na última etapa de seu governo foi reforçado por Carlos Menem quando, poucos meses depois de assumir a presidência, e em resposta à situação de grave crise político-social decorrente da hiperinflação instalada no início de 1990, promulgou, em 26 de fevereiro desse ano, o De- creto nº 392/90, alterando o Decreto nº 327/89 e ampliando sua competência 46 Após o levante, seus responsáveis e participantes foram presos e imediatamente processados por ordem do Poder Executivo. Ao final da revisão judicial dessas atuações, as sentenças emitidas pelo Conselho Supremo das Forças Armadas e, em segunda instância judicial, pela Câmara Fede- ral de Apelações da Capital Federal — sentenças posteriormente ratificadas pela Corte Suprema de Justiça da nação — resultaram na condenação e em severas penas para os líderes e autores da rebelião.
47 Menem e alguns de seus assessores haviam tido inúmeras entrevistas secretas com o chefe cara-pintada enquanto esse estava detido por haver encabeçado o último levante realizado durante o mandato de Alfonsín. Nesses contatos, o candidato justicialista, e depois presidente, empreendeu negociações com o militar rebelde acerca de muitas questões, como a passagem para a reserva de oficiais superiores e comandantes do Exército, a nomeação de seus correligionários como funcio- nários de direção na área de defesa — tanto o ministro e secretário de Defesa quanto o chefe do Emge —, o planejamento do combate ao narcotráfico, a implementação dos indultos etc. Ver Sain (1994).
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V DE M O C R A C I A E FO R Ç A S AR M A D A S N O CO N E SU Lfuncional à prevenção e à repressão de “fatos que constituam um estado de comoção interna”. Não obstante, em dezembro de 1991, a distinção jurídico- institucional entre defesa nacional e segurança interna foi restabelecida atra- vés da sanção e promulgação da Lei nº 24.059 de Segurança Interna. No refe-
rente à eventual intervenção das forças castrenses em assuntos de segurança interna, a lei estabeleceu a possibilidade de que estas o fizessem em três si- tuações diferentes, a saber: fornecendo apoio logístico às ações de segurança interna empreendidas pelas forças policiais e de segurança; evitando qual- quer ataque armado a uma unidade militar — mas apenas no âmbito da mes- ma — e restabelecendo a situação de segurança interna naqueles casos excep- cionais em que o sistema federal de segurança fosse insuficiente para contro- lar e evitar fatos que viessem a tornar vulnerável a segurança pública. Não obstante, o emprego subsidiário das Forças Armadas em tais situações excep- cionais não poderia incidir na “doutrina, organização, equipagem e capacita- ção das Forças Armadas”. Essas prescrições, por fim, supunham a anulação tácita do Decreto nº 327/89, modificado pelo Decreto nº 392/90.
Não obstante, e apesar do estabelecido nas citadas normas, nos últi- mos anos não têm sido poucas as tentativas governamentais e militares de chegar a um consenso favorável à intervenção castrense em assuntos de segu- rança interna. Em abril de 1996, o secretário-geral do Estado-Maior Geral do Exército (Emge), general Ernesto Bossi, postulou a necessidade de que sua força começasse a produzir “inteligência relativa à ‘política interna’” como