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Hareketin İlkesi Olarak İstek gücü

Este trabalho foi realizado de acordo com a Resolução 466/2012, do Conselho Nacional de Saúde (CNS), publicada em 13 de junho de 2013. O estudo foi aprovado, em 25 de junho de 2013, pelo Comitê de Ética em Pesquisa Humana da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, sob o número 315.586. Vale lembrar que ele está sendo desenvolvido no âmbito do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Práticas Discursivas e Produção de Sentidos do Programa de Psicologia Social da PUC-SP, no qual a perspectiva de pesquisa ética é configurada pelo compromisso e aceitação de alguns aspectos46:

1) pensar a pesquisa como uma prática social, adotando uma postura reflexiva em face do que significa produzir conhecimento (...); 2) garantir a visibilidade dos procedimentos de coleta e análise dos dados (...) e 3) aceitar que a dialogia é intrínseca à relação que se estabelece entre pesquisadores e participantes (SPINK; MENEGON, 1999, p. 91).

Nesta pesquisa procuramos adotar uma postura ética centrada em seu caráter dialógico e relativo. Ou seja, estamos defendendo a importância da ética não ser entendida como uma prescrição, mas como um processo relacional e dialógico, (re)significado por diferentes vozes. Desse modo, entendemos a produção deste trabalho como uma prática social, um modo de construção de sentidos, atravessada por questões de poder, éticas, políticas, teóricas e culturais, as quais procuramos deixar explícitas.

Nessa direção, procuramos desenvolver o trabalho apresentando, desde sua introdução, aspectos de experiências de vida e da subjetividade da pesquisadora, que afinal estão presentes em cada etapa do processo de pesquisa e foram entendidos como mais um recurso do trabalho, os quais corroboram o rigor metodológico. Essas vivências refletem escolhas e ações, perpassam a opção pela temática estudada, o uso de recursos teóricos, as estratégias de produção e análise de informações, os recursos utilizados para a comunicação dos resultados. Enfim, tudo que envolve o processo da pesquisa.

Essa perspectiva nos permite trabalhar com o entendimento de que objetividade e intersubjetividade são processos complexos e dialógicos. Assim sendo, a objetividade não é abandonada, mas concebida como pressuposto básico da intersubjetividade. É ressignificada como visibilidade – sendo que visibilidade implica a apresentação do acervo de informações e

46 Uma discussão mais detalhada a esse respeito pode ser acompanhada em CORDEIRO, M. P. et al. Como

pensamos ética em pesquisa. In: SPINK, M. P. et al (Org.). A produção de informação na pesquisa social: compartilhando ferramentas. Editora: o Centro Edelstein. No prelo.

a explicitação dos passos de análise e interpretação, propiciando o diálogo (com a comunidade científica ou não científica) (SPINK; LIMA, 1999).

Como ressaltam Mary Jane Spink e Vera Menegon (1999), na relação entre pesquisadores e participantes três cuidados éticos são considerados essenciais: os consentimentos informados, o resguardo do uso abusivo do poder na relação entre pesquisadora e participantes e a proteção de anonimato dos participantes. Assim, apoiados nas colocações dessas autoras, esses cuidados foram observados.

O consentimento informado ocorreu no processo inicial da relação com os entrevistados. Foi um elemento usado para selarmos a colaboração e discutirmos informações e pressupostos que nortearam a pesquisa, mesmo nos primeiros contatos com os possíveis participantes (por meio pessoal, telefônico e virtual). Utilizamos o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), documento impresso que marcou o momento em que foi explicado e/ou retomado (Apêndice A): 1) o objetivo da pesquisa; 2) a possibilidade de desfazer o acordo; 3) a garantia de devolutiva dos resultados da pesquisa àqueles que desejarem; 4) o respeito à integridade física e moral dos participantes em todas as fases do procedimento, sem penalização alguma e sem prejuízo a quem não aceitou participar.

Nos encontros, o TCLE foi usado como um elemento que abriu espaço para discussões a respeito de objetivos, procedimentos e curiosidades, mas que também motivou desconfortos. Por exemplo, após um início amistoso de conversa, um participante mostrou-se apreensivo e desconfiado, com receio de assinar e: [...] depois... Vai que aparece alguma surpresa pra gente ter que dar conta... Algo pra pagar ou ter que fazer, né?”

Mas, após lermos o termo calmamente e com o desenrolar da conversa, ele conseguiu se tranquilizar e o clima de confiança foi restabelecido. Por outro lado, um segundo participante aproveitou para fazer inúmeras perguntas a respeito de processos que envolvem pesquisas e estudos acadêmicos. Cabe ressaltar que em todos os encontros tomamos o cuidado de não estabelecer relações de poder abusivas.

O anonimato foi entendido como um aspecto protetivo por meio do qual enfatizamos a não revelação de informações que possibilitassem a identificação dos participantes ou de pessoas citadas por eles. Nossa postura ética quanto ao resguardo das relações de poder abusivas procurou assegurar aos participantes o direito de não resposta, não revelação ou revelação velada durante o processo – por exemplo, o participante pôde conversar com a pesquisadora sem que o gravador estivesse ligado.

Para a pesquisadora, a conduta ética reforçou a necessidade de atenção e sensibilidade em relação aos limites apropriados da revelação, de respeito à intimidade e cuidado com as

estratégias de enfrentamento presentes na interlocução. Nos encontros os participantes não se mostraram preocupados com questões de sigilo e até acabaram revelando informações que a pesquisara entendeu que não deveriam ser publicizadas. Esses trechos foram indicados no texto e sinalizados para o leitor com o uso de XXX.

Logo, o processo implicou o estabelecimento de uma relação de confiança e a reflexão a respeito dos cuidados necessários para que ela se mantivesse em todo o trabalho. Assim, ao adotarmos esses princípios norteadores, buscamos enfatizar nossa responsabilidade na escolha do tipo de ciência que queremos produzir.

7 A FAMÍLIA E AS NOÇÕES DE SAÚDE NO CONTEXTO

Benzer Belgeler