• Sonuç bulunamadı

Morfologia geral. Dentre os dipsadíneos analisados, as glândulas de Harder apresentam ampla variação de tamanho, sendo hipertrofiadas em algumas espécies e reduzidas em outras. Estas glândulas localizam-se na região orbital, ocupando a superfície medial dos olhos e se estendendo ao longo da região pós-orbital. Em algumas espécies, as glândulas de Harder alcançam a superfície anterior do músculo adductor mandibulae externus

medialis. Na região pós-orbital, estas glândulas estão frequentemente recobertas pelo músculo levator anguli oris e adductor mandibulae externus superficialis, sendo que nas dissecções

superficiais foram visualizadas apenas pequenas partes destas glândulas.

Em Atractus reticulatus e A. pantostictus, as glândulas de Harder apresentam tamanho moderado e se estendem ao longo da região pós-orbital, sob a superfície medial dos músculos

levator anguli oris e adductor mandibulae externus superficialis. Por meio das dissecções

superficiais não foi possível observar o limite posterior dessas glândulas, visto que elas estão sobrepostas pela musculatura adutora (Fig. 1A).

=?

Em Adelphicos quadrivirgatum, assim como observado nas serpentes do gênero

Atractus, somente uma pequena porção da glândula foi observada durante as dissecções

superficiais, visto que ela se estende ao longo da superfície medial do músculo adductor

mandibulae externus superficialis (Fig. 4A).

Em Chersodromus liebmanni, a glândula de Harder mostrou ser hipertrofiada, estendendo-se desde a superfície pós-orbital, passando medialmente pelo músculo levator

anguli oris e adductor mandibulae externus superficialis até atingir a superfície posterior do adductor mandibulae externus medialis (Fig. 5B).

Em Ninia sebae, a glândula de Harder também mostrou ser hipertrofiada, estendendo- se desde a região pós-orbital até a superfície anterior do músculo adductor mandibulae

externus medialis, ocupando uma posição medial em relação aos músculos levator anguli oris

e adductor mandibulae externus superficialis. Em dissecções superficiais, as glândulas de Harder foram observadas somente na sua porção anterior, na superfície pós-orbital, bem como na sua porção posterior, na superfície anterior do músculo adductor mandibulae externus

medialis (Fig. 7A).

Em Dipsas indica e D. albifrons, as glândulas de Harder mostraram ser pouco desenvolvidas, restringindo-se basicamente à região orbital (Figs. 8A; 10A). Nestas espécies, as glândulas de Harder ocupam a superfície medial do músculo levator anguli oris.

Em Sibynomorphus mikanii e S. neuwiedi, as glândulas de Harder são hipertrofiadas, apresentando uma forma de ferradura, na qual se estendem desde a região pós-orbital, contornando o canto da boca até atingirem o terço final da mandíbula, na região posterior da glândula infralabial (Figs. 13A; 14A; 15A). Em ambas as espécies de Sibynomorphus, as glândulas de Harder ocupam uma posição medial em relação ao músculo levator anguli oris e

adductor mandibulae externus superficialis.

Em Sibon nebulatus e Tropidodipsas sartorii, as glândulas de Harder mostram ser similares. Em ambas as espécies, estas glândulas se apresentam menores quando comparadas às glândulas de Sibynomorphus e maiores em relação às glândulas de Dipsas. Tanto em Sibon, quanto em Tropidodipsas, as glândulas de Harder se localizam na região orbital, estendendo pouco além da superfície posterior dos olhos, não ultrapassando o limite posterior do músculo

levator anguli oris. Além disso, nestas espécies, as glândulas de Harder se localizam

lateralmente em relação ao músculo levator anguli oris (Figs. 16A; 17A).

Dentre as espécies analisadas de dipsadíneos que se alimentam de vertebrados, as glândulas de Harder mostraram ser bem desenvolvidas, ocupando a região orbital e pós- orbital. Entretanto, em nenhuma delas foram observadas glândulas de Harder se estendendo

=@

além da superfície posterior do músculo adductor mandibulae externus superficialis (Figs. 18A; 20A; 21A; 22; 23). Em todas estas espécies, as glândulas de Harder ocupam a superfície medial do músculo adductor mandibulae externus superficialis.

Em Tomodon dorsatus, a glândula de Harder ocupa a região orbital e pós-orbital e não alcança a superfície posterior do músculo adductor mandibulae externus superficialis (Fig. 24A). Esta glândula ocupa a superfície medial do músculo adductor mandibulae externus

superficialis.

Histologia e histoquímica. As glândulas de Harder se constituem basicamente por células seromucosas, com núcleos basais e arredondados. As células no interior das glândulas se arranjam em ácinos com luz diminuta, sendo que poucos espaços internos foram observados. Estas glândulas mostraram ser fracamente positivas à reação histoquímica do PAS e apresentam positividade moderada à reação do azul de bromofenol, demonstrando o caráter seromucoso da secreção. Em todas as espécies analisadas, as glândulas de Harder exibem negatividade à reação histoquímica do alcian blue, pH 2.5, sendo que na maioria das espécies, somente os dutos no interior dessas glândulas exibem positividade à esta reação. Os dutos mucosos foram observados ao longo de toda a glândula, entretanto, são mais concentrados na região orbital, na superfície medial dos olhos.

Embora tenha sido verificada uma ampla variação de tamanho nas glândulas de Harder, o seu padrão histológico e histoquímico mostrou ser bastante parecido entre as espécies analisadas neste estudo. Por este motivo, as descrições histológicas e histoquímicas são feitas a seguir em maiores detalhes somente em Ninia hudsoni e Ninia sebae, que servem de modelo aqui para as demais espécies analisadas.

Em Ninia hudsoni, a glândula de Harder é composta pela porção secretora e pelos dutos que se distribuem pelo interior da glândula. A porção secretora é composta por células arranjadas em ácinos, que se coram intensamente pela hematoxilina-eosina (Figs. 6D, E). Os dutos no interior da glândula se constituem por células mucosas, as quais exibem fraca positividade à hematoxilina-eosina e se coram mais intensamente pelo PAS do que as células dos ácinos, entretanto, mesmo as células dos dutos mostram ser negativas à reação histoquímica do alcian blue, pH 2.5 (Figs. 6D, E).

Em Ninia sebae, a glândula de Harder se constitui por células seromucosas, as quais apresentam positividade moderada ao azul de bromofenol e se mostram negativas à reação histoquímica do alcian blue, pH 2.5 (Fig. 7E). Assim como as células dos ácinos, os dutos no interior da glândula também apresentam negatividade ao alcian blue, pH 2.5 (Fig. 7E).

=A

Na região pós-orbital, a glândula de Harder de Ninia sebae é dividida em dois lóbulos. O lóbulo mais desenvolvido se localiza na superfície lateral do osso parietal, enquanto que o menor se estende ao longo da superfície ventrolateral do osso (Fig. 7F). Estes dois lóbulos glandulares se unem no nível da superfície posterior dos olhos, onde se transformam em um único corpo glandular que, por sua vez, envolve a região posterior dos olhos e se estende anteriormente ao longo da superfície ventromedial da órbita (Fig. 7E).

Na superfície ventromedial da órbita foram observados diversos dutos pequenos e estreitos na glândula de Harder, os quais se confluem no sentido anterior (Fig. 7G). Nesta região, não foi observada a abertura de qualquer duto da glândula de Harder no espaço conjuntival ou sub-brilhar (Fig. 7G). Ao invés disso, os diversos dutos pequenos da glândula de Harder se abrem diretamente no duto lacrimal. Este último, por sua vez, se estende no sentido anterior, lateralmente ao osso pré-frontal até atingir o nível da cavidade nasal, local onde se curva medialmente em direção à superfície ventral do vômer e da cavidade nasal (Fig. 7H). Este duto se estende ao longo da superfície ventral do vômer e se abre diretamente no canal do órgão de Jacobson (Fig. 7I), local de sua abertura no interior da boca.