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2. MALZEME VE YÖNTEM

2.1. Kuruluşa ait Çimento Üretim Prosesi

2.1.1. Hammadde hazırlama

O presidente Ronald Reagan nomeou Henry A. Kissinger, em julho de 1983, como líder da Comissão Bipartidária Nacional para a América Central (CBNAC) − National Bipartisan Commission on Central America62 – ou simplesmente, Comissão Kissinger. Kissinger trabalhou com mais 11 integrantes63 dos mais diversos setores da sociedade, todos indicados pelo presidente Reagan. O objetivo da CBNAC foi elaborar um relatório que permitisse conformar certo consenso partidário para respaldar a política externa da administração Reagan para a América Central. Essa necessidade decorria de posições divergentes entre a Câmara dos Deputados, com maioria política do Partido Democrata, e o

61 A Iniciativa da Bacia do Caribe foi anunciada na OEA pelo presidente Reagan em 1982, e compreendeu a

ajuda externa dos Estados Unidos para assistência econômica e militar a fim de evitar que os governos caribenhos e centro-americanos fossem depostos pelas “forças comunistas” (OAS 07/21/1982).

62 Disponível em: <http://books.google.com.br/books/about/Report_of_the_National_Bipartisan_Commis.html?

id=zivXhyJuWqkC&redir_esc=y>. Acesso em: 02/02/2014.

63 Nesta comissão, havia apenas um democrata sendo todos, inclusive Henry A. Kissinger, republicanos:

Nicholas F. Brady, Henry G. Cisneros (o único do Partido Democrata), William P. Clements Jr., Carlos F. Diaz- Alejandro (professor da Universidade de Yale), Wilson S. Johnson, Lane Kirkland, Richard M. Schammon, John Silber, Potter Stewart, Robert S. Strauss e William B. Walsh. Cabe salientar que no corpo de conselheiros seniors consultados para o trabalho da Comissão está o nome de Jeane Kirkpatrick (Relatório da Comissão Bipartidária Nacional para a América Central, 10 jan 1984).

Senado, com liderança na maior parte do tempo de mandato, do Partido Republicano64. Tal composição na Câmara foi um problema para o presidente Reagan, pois mesmo que muitos projetos (e respectivos orçamentos) fossem aprovados pelo Senado, mais inclinado à posição do governo, existiria o risco de reprovação pela Câmara dos Deputados.

A ordem executiva de número 12.43365 foi emitida pela Casa Branca, com a

autorização do presidente Reagan, em 19 de julho de 1983, para que o Secretário de Estado auxiliasse financeiramente as atividades da Comissão, cuja data sugerida para apresentar resultados era 1º de dezembro do mesmo ano. A Comissão Bipartidária Nacional para a América Central deveria:

analisar a natureza dos interesses dos Estados Unidos na região da América Central e as ameaças que agora se colocam frente a esses interesses. Com base nas suas conclusões, a Comissão prestará assessoria ao presidente, ao Secretário de Estado e ao Congresso sobre os elementos de uma política de longo prazo dos Estados Unidos que melhor responda aos desafios sociais, econômicos e ao desenvolvimento democrático na região, além das ameaças internas e externas à sua segurança e estabilidade. A Comissão também deve fornecer conselhos sobre os meios de construção de um consenso nacional guiada por uma política dos Estados Unidos abrangente para a região. 66 O resultado do trabalho da CBNAC, também conhecido em parte da literatura sobre o assunto como Informe Kissinger, pôde ser apreciado a partir de 10 de janeiro de 1984. Composto por 6 capítulos, o Relatório da CBNAC abrangeu desde o histórico da região, cenário econômico, desenvolvimento humano, questões de segurança e alternativas para a paz. Ao contextualizar historicamente a América Central, discute-se no relatório que houve o desafio político quanto à legitimidade dos governos (CBNAC, 1984, p.10), sendo Costa Rica a exceção por ter optado pelo regime político democrático em 1948. Ressalta-se que já nesse ítem é possível deduzir quais eram as preferências políticas a servir de modelo aos outros países. Em diversos trechos, o Relatório da CBNAC seguiu na linha argumentativa que explicitou o que era positivo e negativo nos países da América Central, permitindo que se revelasse assertivas neoconservadoras na redação do documento.

64 Em 1986, Arnson (1989, p.219) afirmou que os democratas conseguiram reassumir o controle do Senado. 65 Executive Order 12433-National Bipartisan Commission on Central America, 19 jul 1983. Disponível em:

<http://www.reagan.utexas.edu/archives/speeches/1983/71983e.htm>. Acesso em: 10/10/2013.

66 Tradução livre: “The Commission shall study the nature of United States interests in the Central American

region and the threats now posed to those interests. Based on its findings, the Commission shall provide advice to the President, the Secretary of State and the Congress on elements of a long-term United States policy that will best respond to the challenges of social, economic, and democratic development in the region, and to internal and external threats to its security and stability. The Commission also shall provide advice on means of building a national consensus on a comprehensive United States policy for the region.”

Ao contextualizar o ístmo internacionalmente, a CBNAC situou a região como um desafio geoestratégico para os Estados Unidos, principalmente, após a aproximação da União Soviética e Cuba (CBNAC, 1984, p.12). Assim, ao mencionar as guerrilhas, criticou-se no relatório que esses grupos revolucionários destruíram a infraestrutura dos países como forma de deteriorar a legitimidade dos governos constituídos. Em específico sobre El Salvador, informou-se que, apesar das inúmeras baixas de ambos os lados da guerra civil, a maior vítima do conflito era a população, pois, desde 1979, o país contabilizou o total de 30 mil mortos (CBNAC, 1984, p.28).

Quanto às recomendações que a CBNAC sugeriu especificamente em cada capítulo, é latente que se atribuiu aos Estados Unidos o papel de incentivar a recuperação das economias dos países por meio de apoio em amplo sentido, tais como a continuidade de aprovação de fundos para auxiliar nas atividades econômicas (oito bilhões de dólares a partir de 1985), e revisão das barreiras tarifárias para a importação de produtos da região (CBNAC, 1984, p.53- 55).

No capítulo sobre segurança, mais uma vez enfatizou-se que as guerrilhas salvadorenhas recebiam apoio logístico, material e treinamento de Nicarágua, Cuba e União Soviética (CBNAC, 1984, p. 87). Não houve qualquer menção sobre o Livro Branco de El Salvador (1981), mas repetiram-se no relatório da CBNAC as principais ideias que respaldaram a criação do criticado documento de 1981. Dessa maneira, compreende-se que a CBNAC respaldou a política externa de Reagan para a América Central e, especificamente, a orientação a ser seguida em El Salvador. Condenou-se a opinião de setores da sociedade e da mídia contrários a aprovação de orçamentos militares pelo Congresso. Entende-se que a busca pelo consenso partidário nada mais era do que mais uma alternativa para buscar apoio à política externa daquela administração, opondo-se aos democratas que amparavam as iniciativas regionais de apaziguamento do conflito67.

Em continuidade à argumentação de apoio aos orçamentos militares, enfatiza-se no relatório que as forças armadas de El Salvador estavam vulneráveis, pouco equipadas e treinadas contra ataques externos e para manter o combate contra as guerrilhas na guerra civil. Logo, deveriam ser melhor equipadas para não colapsarem (CBNAC, 1984, p.96).

É interessante que se reconhece no relatório que a continuidade do envio de ajuda financeira para atividades militares proporcionava a manutenção de anomalias, como os

67 Em específico, o relatório registrou a discordância do que se pretendia com o Grupo de Contadora, o que será

sequestros e execuções extrajudiciais promovidas pelos esquadrões da morte. Todavia, a CBNAC situou esse fato como falta de melhor preparo e profissionalização das forças armadas do país e condenou as atividades dos esquadrões da morte. O argumento sustentado continuou pela aprovação de ajuda externa dos Estados Unidos, condicionando o comprometimento das autoridades salvadorenhas em direção a aprimoramentos que eliminassem as práticas dos esquadrões da morte pelas forças armadas (CBNAC, 1984, p.86- 95).

Por fim, a CBNAC acreditou que a paz em El Salvador era possível quando terminasse a guerra civil e enfatizou que os guerrilheiros salvadorenhos deveriam organizar-se em partidos políticos para concorrerem às próximas eleições presidenciais. Quanto à possibilidade de paz na Nicarágua, indica-se no relatório que o caminho para essa finalidade estava na transição para o regime político democrático (CBNAC, 1984, p.109-112).

Opinando sobre o relatório, LeoGrande (1984, p.251-253) defendeu que Kissinger, quando nomeado líder da CBNAC, já sabia que sua atribuição seria convencer que a política externa de Reagan deveria ser respaldada amplamente pelos demais setores políticos e da sociedade dos Estados Unidos. Assim, o relatório da Comissão deveria ser composto por informações que respaldassem a política externa do presidente. O trabalho, portanto, foi fidedigno ao propósito de criação, sendo as discordâncias com relação ao conteúdo parte do esforço analítico de quem se propõe a interpretar aquele contexto histórico. Nas palavras de LeoGrande (1984, p.253), o relatório poderia ser considerado como um “mini-Plano Marshall” para a região, ou então uma releitura do “Aliança para o Progresso”do presidente Kennedy (LEOGRANDE, 1984, p.280).

LeoGrande pontuou ainda que, no início de 1983, o Congresso resistia quanto à aprovação de orçamento para El Salvador e Nicarágua em áreas como a de inteligência e a militar. Isso fez com que o presidente Reagan proferisse um discurso, em 27 de abril de 1983, enfatizando que a insistência pela recusa em aprovar orçamentos deveria ser cautelosamente analisada pelo Congresso, pois agindo dessa maneira, os congressistas assumiriam a responsabilidade por eventuais fracassos na América Central. Ainda que o presidente tenha se esforçado para reverter à situação em tom de ameaça, ao final de 1983, o Congresso (Senado e Câmara dos Deputados) cortou pela metade a ajuda militar a El Salvador, e a Câmara dos Deputados rejeitou duas vezes orçamento para financiar "a guerra contra a Nicarágua" (LEOGRANDE, 1984, p.253).

Um aspecto desfavorável ao relatório é o fato de que o documento foi encomendado com a finalidade política mencionada, logo, esteve pouco alicerçado em informações mais próximas e fundamentadas na realidade regional. Muitas passagens contêm assertivas que supõem quais eram os problemas regionais cuja resposta a oferecer já estava presumida. Assim, tratou-se de falsear um suposto processo para se chegar a conclusões e recomendações, utilizando-se da prerrogativa do relatório ser fonte oficial e que, na verdade, conferiu autoridade aos encaminhamentos sugeridos pela Casa Branca. Ademais, salienta-se que a Comissão foi composta majoritariamente por integrantes que respaldavam a política externa de Ronald Reagan. O problema dessa abordagem é que, partindo dessas premissas (e composição de participantes), as recomendações não seriam inovadoras e todo o processo seria mais uma prerrogativa para insistir no encaminhamento da solução da vitória militar em El Salvador e na Nicarágua. Dessa maneira, na visão de Arnson (1989, p.47), a CBNAC e o relatório produzido, ao invés de conseguirem unificar posições no Congresso e no debate nacional, foram provocadores de mais tensões e discordância quanto à política externa de Reagan para a América Central.

Entre os dias 7 e 8 de fevereiro de 1984, uma sessão entre os senadores foi organizada para debater o conteúdo do relatório com Henry A. Kissinger (S. Hrg. 98-872). Estrategicamente, muitas falas enalteceram o trabalho e complementaram com informações adicionais ao relatório. Alguns acadêmicos, pesquisadores de think-tanks, jornalistas e militares reformados68 foram convidados para assistir a sessão.

Em uma das falas de Henry A. Kissinger (S. Hrg. 98-872, 1984, p.17), ele sinalizou que o National Endowment for Democracy69 poderia auxiliar os países centro-americanos a fortalecer a democracia nesses países. Por sua vez, o chefe do Comitê de Relações Exteriores do Senado, o republicano Charles H. Percy (S. Hrg. 98-872, 1984, p.21), enalteceu o fato de que, numa pesquisa de opinião encomendada a uma organização venezuelana70, dos 2 mil

68 Muitos desses militares aposentados eram veteranos da Guerra do Vietnã, e o interesse pela sessão fazia parte

do temor que El Salvador se transformasse em outro Vietnã. Isso explica também parte das resistências quanto à aprovação de mais orçamento militar pelo Congresso e a relutância em deixar acontecer mais outra guerra de caráter leste-oeste no momento em que os Estados Unidos ainda necessitavam recuperar sua economia (STEEL, 1983).

69 A National Endowment for Democracy (NED) é uma organização não governamental que foi criada em 1983

para promover a democracia. Os recursos utilizados pela NED foram anualmente proporcionados pelo Congresso dos Estados Unidos, além da USAID, vinculada ao Departamento de Estado. Para outras informações, consultar: <www.ned.org>.

70 O Instituto Venezuelano para a Educação Popular era um organismo ligado aos partidários democratas cristãos

de El Salvador e estavam responsáveis por auxiliar o presidente Duarte, enaltecendo seu governo e desprestigiando a FMLN (BERMÚDEZ, 1987, p.150).

salvadorenhos entrevistados em maio de 1983, 89% atribuíram alta nota quanto a percepção positiva sobre os Estados Unidos. Percy mencionou que essa cifra era ainda maior do que na Costa Rica (87%). Na Nicarágua o valor ficou reduzido para 16%.

Claramente com esses dados, mais uma vez percebe-se o esforço concertado para enaltecer as ações promovidas pelos Estados Unidos em El Salvador e estigmatizar a Nicarágua no que se refere à repercussão negativa promovida pelo governo sandinista sobre os Estados Unidos. Todavia, por mais que Charles H. Percy tenha mencionado que foi uma organização da Venezuela que realizou a pesquisa, não se divulgaria fatos que não respaldassem a política externa do país. Sobre o momento em que a pesquisa foi realizada, as entrevistas aconteceram logo após o pleito para a Assembleia Constituinte em El Salvador (março de 1992) e, por mais que tenham ocorrido problemas, na opinião de Arnson (1989, p.95), o resultado dessas eleições representou melhor o desejo dos salvadorenhos do que aquelas de 1972 e 1977, quando ocorreram fraudes eleitorais.