Desde o lançamento do Proinfância, a União vem realizando estudos e alterando os critérios de seleção dos Municípios priorizados para o firmamento do convênio. A preocupação do MEC consiste em traçar um plano estratégico para construir as unidades onde a demanda por matrículas seja mais expressiva. A seguir, apresentamos o número de convênios firmados entre FNDE e Municípios para construção de unidades do Proinfância até 2014.
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Disponível em http://www.fnde.gov.br/fnde/legislacao/resolucoes/itemlist/tag/ProInfância acessado em 28/04/2015.
QUADRO 9 - Número de unidades conveniadas/aprovadas por ano Etapa I (Convênio, 2007 – 2011) Etapa II (PAC2, 2011 – atual)
2007 2008 2009 2010 2011 2011 2012 2013 2014 Total
513 454 691 627 258 1.507 1.628 1.904 2.33339 9.915
Fonte: http://www.fnde.gov.br/programas/proinfancia, consultado em 18/02/2014
No que se refere ao ano de 2014, não foram divulgadas informações mais precisas acerca do número de unidades financiadas, mas pela previsão orçamentária destinada ao programa, da ordem de 3,5 bilhões de reais e pelo custo médio de cada unidade pronta em 1,5 milhão de reais chegou-se ao número de 2.333 que corresponde, aproximadamente, ao número de unidades financiadas.
Foi divulgado pelo FNDE/MEC40, que, cerca de 77% dos Municípios brasileiros solicitaram adesão ao Proinfância, o que corresponde a cerca de 4,3 mil Municípios inscritos. De acordo com o órgão, mesmo a maior parte das inscrições sendo registradas no Sul e Sudeste do país, todas as regiões manifestaram interesse no Programa. O FNDE/MEC ainda aponta que a Região Norte foi a que menos demandou, mesmo sendo a região, de acordo com o IBGE41, com a menor oferta de creches.
Antes da inserção do programa no conjunto de ações do PAC2, em sua primeira fase, foi necessário organizar um processo de seleção dos Municípios interessados e que enviaram proposta ao FNDE. Tal ação foi justificada pelo grande número de Municípios interessados em construir uma unidade do Proinfância e a impossibilidade técnica e financeira do FNDE em atendê-los imediatamente.
Com vista a selecionar os Municípios, o FNDE/MEC encomendou ao Núcleo de Políticas Públicas da Universidade Estadual de Campinas –
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Valor calculado a partir do valor Orçamentário planejando pela União para a implantação de escolas de Educação Infantil em 2014.
40 Entrevista concedida pela Coordenadora Geral de Infraestrutura do FNDE/MEC Sra. Maria Fernanda Bittencourt, disponível em http://vaccarezza.com.br/proinfancia-vai-investir-r-800-milhoes-em-creches- e-pre-escolas/ acessado em 07/02/2014.
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Disponível em
http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/evolucao_perspectivas_mortalidade/evolucao_m ortalidade.pdf acessado em 07/02/2014
Unicamp, um estudo em que os Municípios brasileiros foram classificados em três grandes grupos de acordo com as seguintes características:
a) Populacional: prioridade aos Municípios com maior população na faixa etária considerada, maior taxa de crescimento da população nesta faixa e com maior concentração de população urbana;
b) Educacional: prioridade aos Municípios com menores taxas de defasagem idade-série no Ensino Fundamental e com maiores percentuais de professores com formação em nível superior;
c) Vulnerabilidade social: prioridade aos Municípios com maiores percentuais de mulheres chefes de família, com maiores percentuais de jovens em situação de pobreza e com menores disponibilidades de recursos para financiamento da Educação Infantil. (BRASIL, 2007a, s/p)
Finalizado o estudo, foram priorizadas as propostas dos Municípios classificados no grupo vulnerabilidade social, seguido pelos Municípios da dimensão populacional e, por último, o grupo da dimensão educacional.
Existem dois aspectos que merecem atenção nessa seleção de Municípios: I) Um deles é o fato de formar um grupo privilegiado do ponto de vista do desempenho educacional, pois realizando essa escolha, os investimentos não chegariam aos Municípios que apresentassem maior déficit na área e que mais necessitariam de apoio. Essa escolha política pode agravar ainda mais a desigualdade regional já existente no acesso e permanência em instituições de educação.
II) O outro aspecto destacado consiste na prioridade dada ao grupo da vulnerabilidade social, uma vez que ao realizar essa opção a política abandona um pouco seus objetivos universalistas e passa a assumir um caráter focalizador. Dessa maneira a política nacional de Educação Infantil seria uma estratégia para corrigir desigualdades estabelecidas historicamente.
As políticas focalizadas têm o objetivo de corrigir as elevadas discrepâncias econômicas, amenizando situações de pobreza em grupos mais vulneráveis da sociedade. Segundo Abranches (1998), a política social praticada na maioria dos países industrializados busca, principalmente, compensar o mal estar, os custos sociais, os efeitos perversos, derivados de ações indispensáveis a
acumulação de outras políticas governamentais e do próprio progresso que, ao induzir mudanças, pode colocar certos grupos em situação de dependência.
Assim, podemos verificar que existiu uma preocupação e intencionalidade no processo de seleção dos Municípios que seriam contemplados com as primeiras unidades do Proinfância. Esse processo foi alterado em 2011, quando o Proinfância passou a compor, juntamente com outras obras de infraestrutura básica, uma das prioridades do Governo, com transferência automática e financiamento viabilizado por meio do PAC2.
Com a entrada do Proinfância no PAC2 persiste o impasse na seleção dos Municípios que seriam contemplados. Assim, outro estudo foi realizado pela secretaria executiva do PAC2, dessa vez cruzando os dados da população em idade de atendimento na Educação Infantil e quantidade de Instituições existentes em cada Município.
No documento divulgado pela Secretaria do PAC, vinculada ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, intitulado ―Nota de Resposta a Requerimento recebido via Lei de Acesso à Informação42‖, cujo assunto é intitulado ―PAC2 Creches e Pré-escolas‖, são explicadas mais duas formas de seleção para construção de unidades do Proinfância no âmbito do PAC 2. Essa nota foi emitida em resposta às seguintes perguntas recebidas no portal de acesso à Informação:
1. Quais foram os critérios para a escolha das creches beneficiadas no