O relógio mecânico surgiu na Europa ocidental durante a Idade Média, no século XIV (inventado por Giovanni di Dondi)98 e representa o grande cume tecnológico da revolução industrial medieval. Até ali a Europa ocidental possuía
um duplo sistema de horas: as horas temporárias e as horas canônicas, em número de 7. As horas canônicas regulavam a vida monástica. Num convento, o sino dos ofícios (as horas) tocava 7 vezes em 24 horas. Em quase todos os países da Europa o dia estava dividido em 2 vezes 12 horas. (Gimpel, 2001: p. 170).
Na região italiana, principalmente próximo à Pádua, havia o costume de se procurar saber as vinte e quatro horas do dia e esse invento possibilitou que logo o relógio mecânico estivesse ali em 1344, e daí por diante, nas principais torres das principais cidades européias. Em Paris, o relógio colocado por Carlos V unificou as horas reais e as das igrejas em 1370, por decreto.
O relógio mecânico demarcou o tempo como finito, de uso do homem, delimitador da vida e da morte, e fez com que o tempo passasse a significar dinheiro, pois quanto mais se produzia mais se ganhava. S. Bernardo, transmitindo as novas idéias, disse: “Não há nada mais precioso do que o tempo”99 (cf. Le Goff, 1999: p. 77). Esse uso do tempo afetou o trabalho, pois também motivou sua racionalização e utilização para os fins procurados: mais ganhos. Essa racionalização proporcionou nova forma de pensar com bases objetivas, o que veio a redundar no futuro cartesianismo.
98 No mesmo período em que, na China, o relógio parecido com o europeu (ali criado no século XI e guardado com todos os segredos possíveis) foi perdido em razão de seus zeladores (a corte da dinastia Chin) terem sido expulsos de Pequim (século XIII) e não haver mais quem consertasse ou reconstruísse tal relógio.
Esse relógio mecânico passou a ser parte da paisagem urbana quando colocado nas torres ligadas aos centros de comércio (como em Bruges, hoje pertencente à Bélgica, por exemplo), construídas pelas associações comerciais e com apoio dos mestres principais das cidades; ou então, foram sendo colocados nas torres das igrejas, com apoio dos clérigos que se integravam politicamente aos poderes locais. Tais relógios representavam o conhecimento do tempo e sua importância para a cidade: muito menos para saber-se a hora correta da missa, marcada pelos sinos, mas muito mais para saber-se o horário de entrada e saída do trabalho. Afinal, com o relógio na praça principal da cidade, todos sabiam quem estava atrasado para chegar ao trabalho e quem saíra antes da hora do trabalho – a comunidade vigiando a vida da ida e volta dos que tinham algum horário. Isso resultou em incômodos e até revoltas: por fim, o uso acumulado do tempo do trabalho significa uma alteração na forma da exploração do trabalho. O saber da hora de quem trabalhava passou a ser um uso mantido até hoje100.
V - Os conflitos relativos ao trabalho
Lefranc (1957: pp. 130-131) destaca serem os primeiros conflitos entre corporações movidos pelo ciúme. As relações passaram a ter um estreito espírito de particularismo: dos artesãos de uma cidade para com os outros de outras regiões, de mestres de um dos ateliês para com os dos outros ateliês, da forma e da jornada do trabalho entre eles, ocorrendo acusações de estarem sendo afetados os domínios de suas atribuições. Como exemplo, temos questões suscitadas perante a justiça municipal entre alfaiate e vendedor de roupas usadas: pode uma roupa usada ser vendida com uma roupa nova integrando o conjunto? Também tais rivalidades ocorriam no setor de alimentação, na área de bijuteria, etc. As rusgas eram tantas que o rei Felipe, o Belo, no início do século XIV, chegou a suprimir as corporações sob sua jurisdição, voltando atrás dois anos depois e passando a interferir mais proximamente nas relações corporativas, o que trouxe para próximo do poder público a fiscalização sobre as instituições artesanais.
100 O poeta Noel Rosa, no século XX, veio nos dizer: “Quando o apito da fábrica de tecidos vem ferir os meus ouvidos, eu me lembro de você...”
Mas os conflitos que promoveram grandes alterações e repercussões históricas não foram aqueles movidos pelo ciúme, foram aqueles irrompidos das questões sociais, por força dos problemas surgidos nos confrontos de interesses mais complexos oriundos das formas econômicas de apropriação da força de trabalho e da forma da utilização do trabalho humano.
Ellul (1999: pp. 316-317) destaca que as crises econômicas são acompanhadas de crises sociais e, em certos casos, a crise social é que provoca a crise econômica, como o que ocorreu na região de Flandres; ou então, ao inverso, a crise econômica é que provoca a crise social, como o que ocorreu na chamada sublevação de Jacquerie; ou ainda, ocorrem crises sociais e econômicas sem se conseguir extrair qual a causa primeira. Resta evidente, no entanto, que as crises econômicas conduziram a um aprofundamento do contraste entre ricos e pobres, com os ricos cada vez mais ricos diante do início de um capitalismo comercial, e com os pobres em situação pior do que aquela vivida durante o período medieval até o século XIV. Em função do aumento desse fosso social, iniciam-se conflitos com a forma de movimentos revolucionários, e ocorrem por grande parte da Europa ocidental, desde pequenas arruaças, até verdadeiras revoluções locais.
Dessa maneira, houve revoltas importantes que envolveram questões ligadas a trabalhadores ou a falta de trabalho em Florença, em Paris, em Gand, no sudeste da Inglaterra e Londres, Países Baixos e Flandres, Espanha, etc.. Essa multiplicidade de insatisfações manifestadas em anos sucessivos, por volta dos meados do século XIV, relaciona-se com a nova repartição das riquezas, a Guerra dos Cem Anos, crises financeiras e políticas desde o âmbito municipal ao centro do poder real, revoltas religiosas, tudo acompanhado de uma grande miséria, quer no campo, quer nas cidades. Houve, do lado senhorial, várias revoltas também, tendo em conta a centralização do poder e sua absolutização, com o correspondente declínio do poderio do senhor feudal, como a reação feudal contra Felipe, o Belo, em 1314-1319, ou a tentativa de retomada dos privilégios dos grandes senhores feudais no início do reino de Luís XI.
Interessa-nos aqui, porém, destacar os movimentos obreiros, pelo que deve ser observado o século XIII e a região de Flandres em primeiro lugar. Como já visto exemplificadamente acima, quando descrevemos a situação do trabalho nas atividades
têxteis, a direção da indústria da tecelagem estruturou-se acima dos interesses corporativos. Tratava-se de uma indústria de cunho exportador em que os ganhos das vendas para o exterior davam os ditames para toda a produção, sua renda e seus pagamentos pelos trabalhos executados; e esses trabalhos eram pagos pelos negociantes têxteis de forma unilateral, geralmente in natura, utilizando-se a concorrência de um tipo de exército de mão de obra esfaimado, vindo do campo, sem ao menos o amparo que as corporações de ofício possuíam pelas confrarias e a auto-ajuda.
Essas condições de trabalho na produção de tecidos levaram às revoltas surgidas já no início do século XIV, revoltas essas contra o domínio econômico da burguesia que também manobrava o poder municipal, asfixiando as alternativas de atendimento aos reclamos em relação aos problemas existentes. Tal aristocracia burguesa tinha apoio da realeza francesa, mas não do Conde de Flandres, por força de questões políticas de autonomia regional. Ocorreram assim sublevações de trabalhadores contra a direção da burguesia que dominava as cidades da região, bem como contra a armada real francesa, tendo havido massacres, com fugas e expatriações de trabalhadores daquela região. No entorno dessa crise estava a instabilidade das moedas, o controle político da região pela realeza francesa, a distorção dos preços e salários, a grande exploração da mão de obra, o peso dos impostos, a fome, epidemias, a falta de sensibilidade política dos representantes reais franceses, aspectos de extremismo religioso com repercussão ideológica, surgimento de lideranças carismáticas, etc. (Ellul, 1999: pp. 318-319).
A situação de revolta na região de Flandres também ocorria assemelhadamente em diversos pontos da Europa, com a explosão revoltosa da população excluída, aparecimento de líderes carismáticos organizadores dos levantes, a burguesia dominante local como a principal adversária e, nessas revoltas, a inclusão da marginalidade (bandidos, aproveitadores, etc.) também revoltada com a sua situação. Em um primeiro momento houve vários sucessos para os revoltosos, mas, em seguida, houve cruéis repressões.
Coornaert (1941: pp. 75-77) observa rebeliões no setor têxtil a partir de 1225 na região de Flandres e Hainaut, além de Douai e Rouen, em que oficiais e aprendizes se organizaram em coalizações próprias e promoveram paralisações e desordens, o que resultou na expulsão de muitos da região. Surgiram outras rebeliões sucessivas e
espalhadas, como aquela, a partir de 1280, em Ypres, com reflexo no trabalho do campo ao redor, e que redundou em uma repressão impiedosa, com centenas de condenados à expulsão perpétua do lugar. Na mesma época, ocorreram sublevações em Bruges, Douai, Tournai, além de revoltas similares em Provins, Rouan, Caen e Orleans. Também ocorreram, no mesmo período, revoltas nas cidades de Colônia e Worms, além de Viena. Por volta do ano de1292, ocorreu uma revolta importante em Reims, semelhante a que surgira pouco antes em Béziers e Tolouse, além de Blois.
Vale destacar que tais revoltas ocorrem sempre em reação à situação de péssimas condições de trabalho. Demurger (2003: pp. 104-105) aponta que a rebelião em Provins, em 1281, ocorreu em razão do prolongamento da jornada e teve como clímax o assassinato do responsável pela direção da cidade. Os episódios relativos a Gand e Amiens, por volta de 1355, relacionaram-se diretamente com o uso de relógio central como elemento do coerção e mudança de hábitos dos trabalhadores. Também surgiram conflitos institucionais no âmbito das cidades e das corporações, mais precisamente em torno das rivalidades provenientes do fosso que se formou entre as profissões chamadas de artes maiores (panificadores, ourives, etc.), com acesso próximo ao poder, e aquelas chamadas de artes menores (curtidores, ferreiros, etc.); ou, como se dizia em Florença, do popolo grosso; ou ainda, entre o chamado patriciado nobiliárquico e as corporações, ainda que de artes maiores.
Desde esse período, diante dos problemas conflituais apontados, inicia-se, principalmente na França, o movimento dos companheiros (compagnonnages), entidades formadas por trabalhadores e oficiais de corporações (companheiros), excluídos das vantagens corporativas (a partir do momento em que os mestres inviabilizaram a ascensão hierárquica nas corporações por interesse familiar, etc.). Esses grupos formavam associações de trabalhadores visando ao auxílio-mútuo e defesa entre diversas cidades; procuravam buscar trabalho para seus membros, autoproteção em face da exploração dos mestres corporativos que participavam dos poderes municipais, além de atender trabalhadores em desemprego, quer ajudando para atendimento à saúde, quer arrumando moradias, alimentação, etc.. Tais associações geralmente eram mantidas em segredo e tinham como característica ritos de entrada e cerimônias religiosas.
Mas também se inicia um tipo de conflito que coloca em questão as próprias corporações como instituições existentes nas cidades, como o episódio ocorrido na construção da igreja de Santa Maria del Fiore, em Florença: durante a construção, os pedreiros da corporação de ofício local promovem um movimento exigindo um determinado valor para o prosseguimento da obra; o construtor, não aceitando a forma e o preço estipulado, rompe com a corporação dos pedreiros e monta, sob sua coordenação, um sistema de implantação das pedras no templo e oferece, a um preço estipulado por ele mesmo, com apoio dos financiadores da obra, trabalho para aqueles que, embora não pedreiros, aceitassem colocar as pedras no sistema de colocação proposto. Esse episódio, a par de alterar a forma de construir (de interesse para a história da arquitetura), representa, ainda que de forma iniciante e minoritária, um novo formato de contratação de mão de obra no século XIV, em que se modifica a forma de trabalho e o processo de contratação de trabalho, sob outro modo de relação laboral.
VI - A interferência real nas corporações
À medida que o poder real se centraliza e absolutiza, passa a ocorrer uma maior influência desse poder: não só no prisma político institucional, nas relações com a Igreja e nas relações com o senhorio feudal, mas também nas relações corporativas, o que vai formando um quadro de intervenção política e jurídica do poder central sobre a vida cotidiana do trabalho nas corporações de ofício. A intervenção centralizadora do rei tinha o apoio efetivo da burguesia, diante de sua aliança econômica e política com a centralização, e com a respectiva restrição aos poderes senhoriais regionais, o que permitia uma maior autonomia e liberdade de ação econômica por parte dessa classe ascendente.
Como nos destaca Coornaert (1941:101-102), desde o rei francês Felipe, o Belo, foi inaugurada uma política ativa de interferência direta do poder real sobre as relações corporativas de trabalho; assim, os reis que o sucederam (Felipe VI, João, o Bom, Carlos V e Carlos VI) passaram a autorizar a criação de novas corporações de ofício, suprimir suas confrarias (principalmente por seu caráter intimamente ligado à Igreja), alterar as jurandas para substituí-las por agentes (fiscais) reais, tudo visando à intromissão do poder real sobre todos os tipos de relações sociais.
Desde o início do século XIV, em Paris, por exemplo, vê-se a intromissão real sobre as corporações: os reis do período designaram o responsável da cidade (prévot de Paris) como o supervisor das atividades panificadoras, além de também supervisionar outras atividades corporativas, como a dos carpinteiros. Em meados do século XIV, o poder real retira, nas regiões em que possui maior influência direta (de Tournai e Amiens à Carcassone e Nîmes), a jurisdição dos juízos ordinários locais sobre as relações de trabalho corporativas, passando à jurisdição real esses casos. Além disso, por seus agentes, impõe o formato de interesse real aos estatutos corporativos, estabelece para eles os membros da juranda ou o conselho de homens prudentes (conseil des prud’hommes), supervisiona suas eleições internas, preside assembléias, outorga selos de marca nos tecidos, supervisiona a escolha de novos mestres, fiscaliza as relações internas de trabalho nos ateliês, abre ramos novos de corporações, etc.
Observa-se ainda, nesse período, a instalação pela via real de procedimentos administrativos para o cotidiano corporativo, como a instalação de comunidades, regularização de regulamentos corporativos, eleição dos jurados relacionados aos conselhos de homens prudentes, bem como a formação dos mestres. Essa situação transforma as corporações, de autônomas a parte subordinada da administração real, alterando até sua estruturação jurídica: o autor em questão chega a denominar como semi-pública ou quase pública a natureza jurídica das corporações afetadas. Exemplifica tal fato com uma ordenança real francesa de Felipe, o Belo, de 1313, em que, ao editar regras de aspecto monetário, dispôs para que, nas cidades do reino, não houvesse assembléias corporativas autônomas em que os mestres escolhessem os membros da Juranda (ou membros do conselho de homens prudentes), determinando firme execução dessa ordem. Ainda relaciona a importante ordenança real de 1330 e sua regulamentação de 1332, por Felipe VI, em que foi fixada a duração e o preço da jornada de trabalho por todo o reino para a atividade de curtidor, fixando ainda o mesmo tipo de estatuto para essa função profissional.
Após o ápice da tragédia da peste negra, foi reduzida em um terço a população da Europa, o que redundou em se tornar precária a mão de obra artesanal, acarretando aumento do preço do trabalho manual. Logo em seguida, em 1351, o rei francês João, o Bom, editou uma ordenança geral fixando um valor máximo a ser pago pelos trabalhos artesanais de cada tipo de função, além de fixar o número e o tipo de função
para o trabalho nas corporações de ofício e fixar formas estatutárias corporativas. Nesta mesma época, Eduardo III, na Inglaterra (1349), com o pretexto imediato também da peste negra (cf. Marx, 1994: p. 308), editou lei fixando limites salariais e de jornada de trabalho, que veio a ser novamente regulada em 1496.
Segadas Vianna, nas Instituições de Direito do Trabalho (1997: p. 31), destaca ainda a forte intervenção no direito regulamentar das corporações pelo poder real espanhol quando as Cortes de Valladolid, em 1351, estabeleceram jornada de trabalho, no período de manutenção solar, com intervalos para alimentação, com ampliação da liberdade de aprendizagem, além de édito das Cortes de Toro proibir o penhor dos instrumentos de trabalho e a prisão do trabalhador por dívida.
CONSIDERAÇÕES FINAIS: UM OLHAR EM PERSPECTIVA
Após nossos olhares indagador, panorâmico e de aproximação, vale a pena finalizarmos este trabalho com um olhar em perspectiva sobre o período medieval escolhido. Propomos, então, uma breve análise como nossas considerações finais.
Logo no início, foi feita menção à preocupação industrialista e oitocentista da História do Direito do Trabalho, tendo em conta a revolução industrial e o capitalismo como bases para a situação econômica e social existentes para a formação desse ramo do Direito. Retomando a questão, Nascimento (1981: p. 4), nessa linha, é enfático:
O direito do trabalho surgiu como conseqüência da questão social que foi precedida da Revolução Industrial do século XVIII e da reação humanista que se propôs a garantir ou preservar a dignidade do ser humano ocupado no trabalho das indústrias que, com o desenvolvimento da ciência, deram nova fisionomia ao processo de produção de bens na Europa e em outros continentes. A necessidade de dotar a ordem jurídica de uma disciplina para reger as relações individuais e coletivas de trabalho cresceu no envolvimento das “coisas novas” e das “idéias novas”...
O autor citado, na mesma ótica de muitos outros, vê o Direito do Trabalho como resultado da necessidade de obter-se uma estrutura jurídica própria para atender as situações decorrentes das relações individuais e coletivas do trabalho por força da decorrência da Revolução Industrial. Dessa forma, visualiza o Estado moderno como o propiciador da implementação de um ambiente de bem-estar social, com o acomodamento das tensões e conflitos sociais, tudo de forma circunscrita a um período de tempo e a uma concepção econômica – após a Revolução Industrial.
Tal postura, entretanto, é certamente segmentada. Seria possível vermos a História do Direito do Trabalho como a análise de fatos em forma compartimentada, pela qual, por exemplo, a explicação para determinados conceitos e princípios existentes no Direito do Trabalho possuem somente causas ligadas a um determinado evento econômico e social? Werneck Sodré (1968: pp.11-12) faz-nos lembrar lei da lógica de Hegel pela qual as “simples mudanças na quantidade, depois de certo grau, acarretam diferenças na qualidade”. Esse autor destaca que muitos operários, funcionando concomitantemente
sob o comando do mesmo capital, no mesmo espaço, no mesmo campo de trabalho, se acharem melhor, para produzir o mesmo gênero de mercadorias, eis o histórico ponto de partida da produção capitalista. É assim que, em seu início, a manufatura propriamente dita apenas se distingue dos ofícios da Idade Média pelo maior número de operários explorados simultaneamente. A oficina do chefe de
corporação não faz senão alargar as suas dimensões. A diferença começa por ser puramente quantitativa. (p.12)
Observar a história do Direito do Trabalho sob um prisma isolado, isto é, a partir do oitocentismo e do capitalismo industrial, deixando de lado ou para trás, sem liames maiores do que informações de um passado longínquo, toda a formação do trabalho sob um prisma de autonomia e liberdade obtida sobre a servidão, a partir do período medieval relativo à Idade Média baixa principalmente, e daí em diante, todo o período econômico mercantil da Europa, representa um ranço positivista se olharmos epistemologicamente. E aqui lembramos a figura do Barão de Münchhausen, aquele célebre contador de histórias fantásticas, que era capaz de retirar a si mesmo do pântano apoiando- se no próprio puxão de sua cabeleira e mover-se do lugar por ele mesmo, contada por Löwy