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HALK HİKÂYELERİ ÜZERİNE YAPILAN ÇALIŞMALAR

Todas as cidades são planeadas. Todo o acto de construir – seja uma cidade, um bairro ou uma casa - é o resultado de acções racionais, pensadas e planeadas por alguém ou por um conjunto de pessoas: toda a construção se faz para cumprir um determinado objectivo, sobre um determinado território sujeito a regras e a regimes de propriedade específicas, e fazendo uso de um determinado conjunto de materiais. (Teixeira & Valla, 1999, p. 13)

De uma forma geral, a evolução das cidades medievais portuguesas pode descrever-se em fases bem delimitadas: surgimento e fundação, com a construção da muralha medieval; crescimento populacional e transposição das barreiras iniciais; construção (na maioria dos casos) numa segunda linha de muralhas; nova fase de evolução populacional e espacial, crescendo então as cidades na sua forma urbana a níveis diferentes, de acordo com a sua demografia, actividade industrial e de comércio, redes de transportes, meios de comunicação, entre outros.

Teixeira e Valla, autores nos quais foi baseada esta abordagem aos elementos da evolução urbana medieval português, referem que é no período de definição das fronteiras da nação, especialmente a Norte, que é estruturada a rede urbana do país, ainda que em muitos casos tal seja feito a partir da consolidação da posição e estrutura de aglomerados já existentes então, sendo que estas iniciativas foram especialmente levadas a cabo nos reinados de D. Afonso III e D. Dinis. Apesar dos autores referirem povoações nortenhas como Valença, Caminha, Viana, Ponte de Lima, entre outras, como sendo portos marítimos e fluviais de importância da época, é certo que:

Exceptuadas Lisboa, Santarém e Coimbra, as outras povoações, com possível excepção de Ponte de Lima, não passariam de pequenas aldeias, provavelmente de pescadores, sem grande peso na população total do país. (Marques, 1980, citado por Teixeira & Valla, 1999, p. 22)

Por toda a Europa, as características destas fundações medievais eram em muitos elementos semelhantes, especialmente no que toca à criação dos seus planos regulares que asseguravam uma construção rápida e uma distribuição eficaz por parte dos colonos ou povoadores destacados pelas figuras régias. Geralmente, estas cidades eram pequenas, com mil a dois mil habitantes, com

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uma estrutura regular, geométrica, muitas vezes ortogonal e rodeadas de uma muralha que, para além de as tornar defensáveis, ocupavam também as funções de barreiras, onde se cobravam portagens sobre os produtos entrados na cidade, marcando a diferença entre o recinto da cidade e o termo envolvente, bem como as obrigações, direitos e privilégios daqueles que habitavam o interior de seus muros. No entanto:

Dentro de cada cidade, a estrutura de loteamento era regular, sendo idênticas as dimensões de todos os lotes. Nas cartas de fundação eram por vezes, também definidas outras prescrições, como, por exemplo, a altura das casas ou a obrigatoriedade de cada colono construir a sua casa dentro de determinado período. (Teixeira & Valla, 1999, p. 25)

Conclui-se ueàele e tosà o oàoà lote àouàosà li itesàdaà idade àeram de extrema importância. Esses elementos marcavam e estruturavam de tal forma as povoações que, alguns dos traços morfológicos se mantêm até aos dias de hoje. O lote, ou terreno, está indiscutivelmente ligado ao edifício construído e à sua implantação no terreno, sendo um caracterizador directo da forma urbana; dentro deste pode separar-se a zona edificada da não edificada (logradouro). O lote condiciona a forma dos quarteirões, que pode se à e te didoà o oà oà o ju toà deà asasà p ó i asà u asà dasà out as ,à formando um bloco entre si (Lamas, 2010, citado em Rodrigues, 2011, p. 37).

Aquelas que eram localidades de menor dimensão possuíam, em geral, u aà uaà e tilí eaà ueà ligaà asà duasà po tasà e t e asà daà u alha,à … à ouà aà porta principal e o castelo instalado no extremo oposto, mais facilmente defe s vel ;àpo àsuaàvez,à asà idadesàdeà aio àdi e s oà àaà egula idadeàdaà malha é ainda mais nítida: as ruas são organizadas hierarquicamente, alternando as ruas principais e as ruas de traseiras, cruzadas por outras ruas secundárias que lhes são perpendiculares, formando um conjunto de quarteirões de perímetro regular e de dimensão idêntica, com uma estrutura deàlotea e toàigual e teà egula à Tei ei aà& Valla, 1999. p. 26)

Todos os lotes tinham a mesma largura de frente, geralmente de 25 a 30 palmos. Correspondendo cada palmo a 22 centímetros, essas frentes tinham a dimensão de 5,5 a 6,6 metros. (Teixeira & Valla, 1999, p. 26)

Ainda sobre a muralha, os autores referem que esta era na maioria das vezes de forma arredondada ou oblonga por razões de eficácia na defesa da cidade, uma vez que as formas arredondadas de uma muralha ofereciam

melhores condições de defesa do que os ângulos vivos de uma quadrada ou rectangular, e por questões económicas também, já que uma muralha arredondada delimita uma área de povoamento maior do que qualquer outra forma, podendo prever no seu interior espaços livres para o futuro crescimento das povoações, que em alguns casos se transformaram, mais tarde, em praças (1999, p. 29).

Algo inegável do planeamento urbano dos séculos III ao século XIV é a egula idadeàdoàt açado,àouàseja,à aàe ist iaàdeà u aà o epç oàdeà idadeà ueàp ee istiaàaoàseuàt açadoà oàte e o .àTei ei aàeàVallaàdefe de à ueàtalà pla ea e toàestavaàdi e ta e teà ela io adoà o àaàideiaàdeàpode ,à oàpode à de planear e o poder de dispor dos recursos necessários para impor a con etizaç oàdoà odeloàpla eado à(1999, p. 27).

Os quarteirões são de forma rectangular, alongados, não existindo traçados em quadrícula. Cada quarteirão é composto por um número idêntico de lotes, com a mesma dimensão, dispostos paralelamente uns aos outros. Os lotes vão de rua a rua, com uma das frentes dando para uma rua principal – a frente urbana, onde se constrói a casa – a outra para uma rua de traseiras, para onde dá o muro do quintal ou alguma construção acessória. Verifica-se assim, no plano da cidade, uma alternância de ruas de frente e de traseira. As ruas dispõem-se fundamentalmente num sentido, alternando as ruas principais e as ruas de traseiras ou de serviço, com funções e dimensões distintas. Estas ruas são cruzadas por outras vias, que as cortam perpendicularmente. A natureza destas vias é diversa, de cidade para idadeà … .àN oàe iste àf e tesàdeà lote para estas ruas transversais; elas são definidas pelos topos dos quarteirões, isto é, pelos muros laterais dos lotes nos extremos do quarteirão.

Embora as dimensões das ruas, dos quarteirões e dos lotes variem de cidade para cidade, elas são constantes dentro de cada cidade: as dimensões das ruas principais e de traseiras são constantes, da mesma forma que são constantes a dimensão e o número de lotes de cada quarteirão e a dimensão dos lotes individuais. (Teixeira & Valla, 1999, p. 29-30)

A existência de um sistema de medidas e de regras de planeamento que estruturavam e regulavam a fundação da cidade vem ao encontro da p eo upaç oàdeà edi à ueà seàse teà aàso iedadeà doàs uloàXIIIà Mattoso,à 1993 citado por Teixeira & Valla, 1999, p. 30). Assim se justifica igualmente o aparecimento da moeda-padrão, das equivalências entre os vários sistemas de

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medida, na difusão geral da escrita e das funções de notariado, que devem ter sidoàf a a e teàtidasàe à o taàe àtodoàoàp o essoàdeàpovoaç o.à D.àáfo soà III foi o grande impulsionador deste processo de racionalização, de que os funcionários régios e municipais eram os primei osài st u e tosàeàdifuso es à (Teixeira & Valla, 1999, p. 30).

È precisamente na dimensão do lote urbano, entre os 25 a 30 palmos, que se confirma a maior regularidade nas cidades da época.

É esta dimensão que está na origem das frentes de casas de três vãos – três portadas ou uma porta e duas janelas – características das cidades portuguesas. Encontramos ainda estas dimensões de frentes de lote no Porto nas novas urbanizações promovidas pelos Almada no final do século XVIII e ainda nas urbanizações privadas do século XIX. (Teixeira & Valla, 1999, p. 30)

Mas as muralhas medievais não suportariam por muito mais tempo o crescimento das populações portuguesas. O Reino português, se inicialmente teve problemas em ser edificado e povoado, passando por francos períodos de dificuldade que se reflectiam nas cidades ao longo do território, chegaria a uma época de abundância e apogeu com a aventura e expansão marítima.

Nos finais do século XV e ao longo do século XVI, a par com o dese volvi e toà e o ó i oà eà oà su gi e toà deà espe ulaçõesà teó i as à eà intervenções de referência em outros territórios Europeus, em Portugal observa-se um amplo movimento de renovação urbanística, principalmente fo adoà aà ode izaç oàdaàvidaà ivil .àDàMa uelàIàfoiàoàg a deài pulsio ado à desta mudança e actualização, focando a sua preocupação especialmente em questões como a salubridade e a segurança da cidade e o entendimento dos espaços urbanos como espaços de vida, de expressões culturais e representações sociais (Teixeira & Valla, 1999, p. 83).

Eram várias as principais justificações para novas actuações nas cidades portuguesas da época, destacando o crescimento populacional e a necessidade da expansão da forma urbana, as novas necessidades de ordem sanitária e funcional, a reforma na administração pública associada à modernização do Poder Régio, exigindo novos espaços e edifícios (Teixeira & Valla, 1999, p. 84).

Ao nível da estrutura de quarteirão e da estrutura do loteamento observa-se a segmentação longitudinal dos quarteirões, isto é, cada um dos lotes urbanos passa a ter uma única frente virada para a rua,

contrariamente à situação anterior, medieval, em que cada lote tinha duas frentes, uma para uma rua principal, outra para uma rua secundária ou de traseiras. Esta é uma das transformações mais significativas da malha urbana então ocorridas e que corresponde ao abandono da estrutura de quarteirões medievais – quarteirões alongados constituídos por bandas de lotes estreitos com duas frentes – e a sua substituição por uma estrutura de quarteirões de proporções mais equilibradas, em que os lotes que os compõe ou se organizam costas-com-costas ou dão para as quatro ruas que definem o perímetro do quarteirão. (Teixeira & Valla, 1999, p. 87)

Para além da adaptação e mutação das antigas malhas interiores das muralhas medievais, as cidades cresciam para os terrenos próximos, em torno dos próprios muros da muralha, seguindo muitas vezes as estradas e caminhos para outras comunidades, os campos de cultivo, os rios e fontes próximas do núcleo ou em torno de praças ou terreiros exteriores à muralha que entretanto, e devido à total ocupação no interior desta, foram surgindo.

Esta expansão extramuros podia ser mais ou menos regulada e est utu ada,à asà talà o oàe à po asàa te io es,àaà uad í ulaàe aàadoptadaà porque se revelava a forma mais lógica e eficiente de urbanizar um novo território, facilitando as operações de divisão do solo, de aforamento, de infra- est utu aç oàeà o st uç o ;àestaà uad í ulaàadoptadaàseguiaàaà t i aàa tesà utilizada e que se manteve e manteria até muito tarde em Portugal, o lote com a frente de 30 palmos (Teixeira & Valla, 1999, p. 87).

O exemplo apresentado pelos autores para estas novas e estruturadas expansões além muros é o do Bairro Alto da cidade de Lisboa.

Capital do Reino, Lisboa era a cidade mais populosa e consequentemente a que mais rapidamente evoluiu e cresceu; porto de mar em franca expansão e com um movimento inigualável na Europa devido à expansão marítima que aí atingia o seu apogeu de representação, Lisboa era terra de mareantes, de navegadores e de pescadores.

Inicialmente, os terrenos dedicados à construção e edificação do Bairro Alto foram precisamente dedicados ao alojamento desta comunidade, sendo posteriormente os terrenos adquiridos por famílias de comerciantes e burgueses.

Tomada como exemplo a seguir no restante território, a expansão da cidade de Lisboa para o Bairro Alto, era feita através da métrica dos 30 palmos

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e de um conceito que se viria a tornar essencial para o urbanismo português e para a habitação em geral, ainda que muito pouco abordado e discutido, os

o eitosàdeà h o àeà eio- h o .

… à ve ifi a-se a adopção sistemática da tradicional dimensão de 30 palmos de frente nos lotes urbanos do Bairro Alto, dimensão que e o t a osà j à osà lotea e tosà edievaisà deà uitasà idades.à … à Lotes mais estreitos correspondiam geralmente a meio chão, enquanto edifícios de maior dimensão correspondiam a múltiplos desta unidade. (Teixeira & Valla, 1999, p.93)

A norte do país, são também documentadas vendas de meio-chão. No Arquivo Distrital do Porto, existe um documento que, apesar de difícil leitura e interpretação, se refere à venda de meio-chão.

Oàdo u e to,àdeà à ài tituladoàp e isa e teàdeà Carta de venda de u à eioà h oàaàpa àdu àfo oàju toàdaàped aàes o egadia,àe àMi agaia .

A par com estas alterações na malha da cidade e tendo em conta que surgiam em Portugal Engenheiros Militares e alguns arquitectos, projectaram- se e levaram-se a cabo a edificação de algumas extensões de muralhas, uma vez que se tornava ainda necessário a defesa das cidades renascentistas portuguesas, especialmente as das fronteiras com o reino vizinho espanhol com quem Portugal mantinha alguns conflitos.

Dentro destas novas muralhas eram inseridos arrabaldes do núcleo primário, deixando de fora apenas comunidades de pescadores e agricultores mais pobres e com edificações menos regulares (Teixeira & Valla, 1999).

Além destas muralhas novas, surgem nas cidades novas edificações, como Igrejas, Misericórdias, casas de Câmara, entre outras; as praças renovam-se e as vias de comunicação são melhoradas, em parte para responder a demandas comerciais; em cidades com portos de mar ou fluviais, estes são revistos e melhorados e aposta-se na construção de fontes e outros elementos urbanos de menor escala.

As medidas urbanas ao longo do período medieval e renascentista português, em especial a questão do loteamento e do quarteirão, em muito influenciaram as edificações urbanas, reflectindo-se ainda hoje na sua forma e distribuição dentro das actuais localidades. Assim, são parte essencial para se estudar e conhecer o património habitacional, seja este de que tipo for.