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3. CSI AIA SİSTEMİNDE KABUL İŞLEMLERİ

4.1 Kamu İhale Kurumu

4.2.1 Yapım İşleri Genel Şartnamesinde Kabul İşlemleri Hükümleri

4.2.1.10 Kesin Hakediş Raporu ve Hesap Kesilmesi

O Sistema Integrado de Comercialização é uma proposta moderna e profissional de comercialização de frutas, que encontra-se em funcionamento desde agosto de 1999. Trata-se uma central totalmente informatizada de compra e venda, que concentra a oferta, disponibilizando as nossas frutas, de forma padronizada, ao mercado, sem a presença de intermediários desnecessários.

Grupo de Vinho do Vale

Grupo formado pelas vinícolas da região do Vale do São Francisco com o objetivo de coordenar ações visando a promoção do produto nos mercados interno e externo, bem como, o desenvolvimento de pesquisas para melhoria de qualidade.

Programa de Monitoramento das Moscas-Das-Frutas (Biofábrica Moscamed Brasil)

Criada em 1.990 com a finalidade específica de atender o produtor no sentido de facultar a exportação para países com forte exigência quarentenária a exemplo dos Estados Unidos e do Japão. O Programa possui assistência da Embrapa Semi-árido, do Ministério da Agricultura e da ADAB/BA. Possui uma equipe coordenada por um biólogo com apoio de técnicos agrícolas que efetuam o recolhimento semanal do material capturado nas armadilhas instaladas nas fazendas. Esse material é analisado na Embrapa e serve de base para aferição do índice MAD (Mosca- Armadilha-Dia) de cada empresa.

Projeto Uvas Sem Semente

O projeto nasceu da visão de mercado futuro e foi criado a partir de um convênio ABC/FAO/VALEXPORT, para o intercâmbio de tecnologia. Caracterizado por um plano de pesquisa para o desenvolvimento de variedades de uva sem sementes, foi dividido em duas etapas: a primeira com meta de identificação de variedades adaptáveis e a segunda com meta de estabelecimento de tratos culturais com produção de um pacote tecnológico. Hoje este projeto é desenvolvido em parceria entre técnicos da Valexport com apoio cientifico da EMBRAPA, inclusive na implantação

de áreas experimentais na região contando também com o apoio dos Sebrae`s da Região e do Sebrae-NAC.

Programa de Monitoramento de Esporos

Criado em março/2001, o Monitoramento de Esporos consiste na instalação de Estações de Avisos nas fazendas para detecção de doenças da mangueira. O material recolhido semanalmente é analisado por técnicos da Embrapa Semi-árido e da Valexport objetivando prevenir o produtor da possível ocorrência de pragas e doenças.

Programa de Produção Integrada – PI Brasil

A Produção Integrada – PI Brasil representa um conjunto de técnicas voltadas à produção de alimentos de alta qualidade, utilizando técnicas de manejo das culturas

que assegurem a manutenção dos mecanismos de regulação natural da cultura e das pragas. Visa garantir o uso mínimo de produtos agroquímicos nas frutas e que os produtos permitidos sejam os menos prejudiciais ao homem e ao meio ambiente.

Convênio USDA / MAPA / VALEXPORT – Exportação de Mangas

O programa representa uma parceria entre o Governo Brasileiro através da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos – USDA/APHIS e do setor produtor de mangas do Brasil, representado pela Valexport. Regido por um Plano de Trabalho, atualizado a cada safra, o programa consiste no acompanhamento do processo de beneficiamento e expedição das mangas exportadas para os EUA.

Laboratório de Solo e Plantas – LASP

Parceria entre VALEXPORT, IPA e EMBRAPA, consiste na gestão administrativa, financeira e comercial do laboratório com assistência técnica dos demais parceiros. Os resultados das análises são disponibilizados com rapidez e eficiência. As empresas associadas à Valexport possuem preços diferenciados para os serviços.

Convenções Coletivas de Trabalho - CCT

Todos os anos, em geral no mês de Janeiro, os produtores e os trabalhadores rurais do Vale do São Francisco representados por seus respectivos sindicatos, reúnem-se para discutir e negociar a Convenção Coletiva de Trabalho. O evento é coordenado pela Valexport com a mediação das Sub-Delegacias Regionais do Trabalho em Juazeiro e Petrolina.”

6.4.6.2 - Participação das principais frutas comercializadas

No Vale do São Francisco, verifica-se uma grande variedade de frutas em produção, mas com uma forte predominância das culturas de manga, uva, coco e goiaba.

De todas as variedades, merece um destaque para manga e uva, em especial por serem os produtos com maior demanda, principalmente externa, e de maior valor agregado. Nesse aspecto, a uva apresenta o maior valor agregado, pois tanto o mercado americano quanto o europeu, demonstram preferência pela “seedless” – uva sem semente – Thompson e Festival, mas requerem, por sua vez, um alto investimento para implantação e custeio agrícola. São variedades dominantes por médios e grandes produtores.

Outra característica marcante no setor de fruticultura – especificamente uva, refere-se ao dinamismo dessa cultura, que em função do freqüente surgimento de novas variedades, resultante de novas pesquisas e gostos do consumidor internacional, faz com que o Vale mantenha-se sempre atualizado.

Essa atualização está atrelada, principalmente, quanto às variedades demandadas (muitas com elevado valor agregado) e, para tanto, são realizados investimentos vultosos. Com relativa freqüência, tem-se que dizimar plantações inteiras e implantar novas, sem, contudo, ter condições de tratar o desenvolvimento dessas novas espécimes em canteiros experimentais.

Com relação à manga, guardadas as devidas proporções, obedece a procedimentos semelhantes, mas com uma vantagem adicional que é a possibilidade, quase que imediata, de redirecionar a oferta (mesmo sendo de encomenda para o mercado externo) para o mercado interno – grandes centros do Nordeste e São Paulo.

Goiaba e coco têm tido um comportamento estável, com pequenas reduções nos plantios de coco. Esse último decorrente da redução dos investimentos da agroindústria implantada para processamento de coco (fruto) e leite de coco.

De fato, temos verificado que muitos produtores que apostavam na produção de coco, estão substituindo nessas áreas por manga e goiaba, haja vista o alto custo para implantação da cultura de uva – principalmente sem semente.

Atualmente a aposta está na citricultura – laranja, que já passou da fase experimental e encontra-se em estudo a implantação de uma processadora de suco concentrado, com investimento significativo.

Vale citar que um dos pontos fortes dessa cultura, que desperta a atenção governamental e de entidades de classe, é a inserção, em larga escala, de mini e pequenos produtores rurais, inclusive aqueles enquadrados no Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar - PRONAF. Apesar do limite de endividamento por produtor enquadrado no PRONAF para muitas culturas os créditos a serem liberados pelos bancos oficiais são perfeitamente viáveis, tanto nos financiamentos de custeio quanto de investimento. Como dito anteriormente, à exceção a cultura da uva.

TABELA 37 – Descrição das principais frutas produzidas no Pólo e na Região Nordeste

Discriminação

Grupo A Grupo C

Nordeste Pólo, Nordeste Pólo

Abacate 0 0,00 0,00 Abacaxi 14,06 0,00 5,51 0,00 Acerola 3,31 8,70 0,42 4,55 Ata/pinha 8,70 1,27 4,55 Atemóia 1,65 4,35 0,42 0,00 Banana 29,75 0,00 37,29 4,55 Caju 9,92 4,35 10,17 0,00 Coco 7,44 21,74 18,22 31,82 Goiaba 4,96 13,04 3,39 18,18 Graviola 0,00 0,00 Laranja 11,57 0,00 13,14 0,00 Limão 7,44 0,00 11,86 0,00 Mamão 7,44 0,00 0,42 4,55 Manga 24,79 78,26 8,90 59,09 Maracujá 5,79 8,70 6,78 9,09 Melão 3,31 0,00 0,42 4,55 Sapoti 0,00 0,00 Tangerina 0,00 1,27 0,00 Uva 14,05 60,87 2,54 40,91 Romã 4,35 0,00 Melancia 0,00 4,55

6.4.6.3 - Formas de comercialização das principais frutas

TABELA 38 - Formas de comercialização das principais frutas na região Nordeste e no Pólo 38.1 - Manga

Discriminação Grupo A Grupo C

Observações Nordeste Pólo Nordeste Pólo

Intermediário 14,32 18,80 15,89 39,00

Organização de produtores 25,32 6,67 1,35 0,00

Empresa exportadora 16,07 48,53 16,92 55,55

Grupo de pequenos produtores 0,00 25,65 0,00

Agroindústria com base em

contrato 0,00 - 0,00

Agroindústria sem contrato 2,53 0,67 - 0,00

Integrando-se a grandes

produtores que exportam 0,00 - 0,00

Isoladamente 16,44 25,33 13,20 5,45

Outras 25,32 0,00 27 0,00

Total - 100,00 100,00

Fonte: Pesquisa Autor e SANTOS et al., 2007 (BNB - ETENE)

38.2 – Uva

Discriminação Grupo A Grupo C

Observações Nordeste Pólo Nordeste Pólo

Observações 47,83 27,27

Intermediário 17,53 13,75 33,21 45,00

Organização de produtores 28,50 23,75 20,49 15,00

Empresa exportadora 24,48 0,00 38,49 37,50

Grupo de pequenos produtores - 0,00 - 0,00

Agroindústria com base em

contrato - 0,00 - 0,00

Agroindústria sem contrato - 0,00 - 0,00

Integrando-se a grandes

produtores que exportam - 0,00 - 0,00

Isoladamente 29,50 62,50 7,81 2,50

Outras - 0,00 - 0,00

Total - 100,00 100,00

38.3 – Coco

Discriminação Grupo A Grupo C

Observações Nordeste Pólo Nordeste Pólo

Intermediário 50 50,00 25 100,00

Organização de produtores - 0,00 25 0,00

Empresa exportadora - 0,00 - 0,00

Grupo de pequenos produtores - 0,00 - 0,00

Agroindústria com base em

contrato 50 50,00 - 0,00

Agroindústria sem contrato - 0,00 25 0,00

Integrando-se a grandes

produtores que exportam - 0,00 - 0,00

Isoladamente - 0,00 - 0,00

Outras - 0,00 25 0,00

Total - 100,00 100,00

Fonte: Pesquisa Autor e SANTOS et al., 2007 (BNB - ETENE)

38.4 – Goiaba

Discriminação Grupo A Grupo C

Nordeste Pólo Nordeste Pólo

Observações

Intermediário 50 66,67 32,83 100,00

Organização de produtores - 0,00 36,96 0,00

Empresa exportadora - 0,00 - 0,00

Grupo de pequenos produtores - 0,00 - 0,00

Agroindústria com base em

contrato - 0,00 - 0,00

Agroindústria sem contrato - 33,33 30,20 0,00

Integrando-se a grandes

produtores que exportam - 0,00 - 0,00

Isoladamente 50 0,00 - 0,00

Outras - 0,00 - 0,00

Total - 100,00 100,00

Para manga, a comercialização é feita predominantemente por empresa exportadora, independentemente do Grupo em que o produtor é classificado. Para uva, os participantes do Grupo A comercializam, em sua maioria, individualmente; enquanto maior parte dos componentes do Grupo C comercializam por intermediário. Para coco, os produtores do Grupo A se dividem entre comercialização através de intermediário e de agroindústria com contrato; e os participantes do Grupo C comercializam integralmente através de intermediário. Para goiaba, predomina a comercialização através de intermediário, independentemente do grupo em que o produtor é classificado.

Silva et al. (2003) destacaram a importância de se ter conhecimento do estudo de comercialização, pois mencionaram que a organização mais eficiente da cadeia depende das características do produto e do mercado, e que um dos fatores que contribuem para uma postura cooperativa, é a transparência nas relações, onde informações sobre a participação de cada elo sejam do conhecimento de todos. Fagundes & Yamanishi (2002) também afirmaram que é de fundamental importância conhecer alguns fatores que contribuem para a formação do processo para que sejam adotadas técnicas que visem a melhorar o sistema de comercialização de produtos vegetais.

6.5. – Resumo das variáveis estudadas

Como forma de possibilitar uma visão mais clara e direta das variáveis estudadas, com os respectivos comparativos entre o Pólo e o Nordeste como um todo, bem como entre os produtores dos Grupos A e C, optou-se por montar três quadros comparativos: de base material; de base conceitual e de formas de integração com os meios agroecológicos e socioeconômicos.

Tabela 39 - Resumo das Variáveis de base material relevantes

Variáveis de base material

Pólo Região NE

Grupo A Grupo C Grupo A Grupo C

Natureza jurídica dos fruticultores - Pessoa Física 65,22% 86,86% 84,40% 94,50%

Natureza jurídica dos fruticultores - Pessoa Jurídica 30,43% 13,64% 11,60% 5,50%

Categoria do produtor - Mini e pequeno 34,78% 68,18% 57,85% 85,17%

Categoria do produtor - Média e grande 65,22% 31,82% 42,15% 14,83%

Tamanho da área explorada com fruticultura - de 0 - 20ha 34,79% 63,59% 52,80% 80,50%

Tamanho da área explorada com fruticultura - acima de 20ha 65,21% 36,41% 47,20% 19,50%

Condição de ocupação da unidade produtiva – Proprietário 47,80% 59,10% 69,80% 50,20%

Tipologia da Fruticultura – Irrigado 100,00% 100,00% 73,00% 64,00%

Tecnologia adotada - Moderna e avançada 91,30% 63,60% 72,70% 39,40%

Exploração exclusiva da fruticultura 60,00% 84,20% 0,00% 0,00%

Fonte: Pesquisa Autor

Tabela 40 - Resumo das Variáveis de base conceitual relevantes

Variáveis de base conceitual

Polo Região NE

Grupo A Grupo C Grupo A Grupo C Idade do fruticultor e/ou data de constituição da empresa frutícola até

62 anos 86,70% 85,70% 88,80% 86,90%

Grau de instrução do fruticultor (pessoa física) - Alfabetizado 86,96% 81,82% 85,98% 73,99% Experiência com a fruticultura - até 10 anos 30,43% 50,04% 54,55% 58,05% Tipos de sistemas de irrigação - Microaspersão 69,57% 45,45% 72,73% 54,97%

Acesso à assistência técnica; 95,65% 54,55% 85,12% 79,24%

Acesso à capacitação; 86,96% 59,10% 53,72% 32,63%

Participação dos fruticultores nordestinos na elaboração de seus

projetos produtivos. 100,00% 92,90% 80,16% 71,61%

Tabela 41 - Resumo das Variáveis de formas de integração com os meios agroecológicos e socioeconômicos

Variáveis de forma de integração agroecológicas e sociais

Pólo Região NE

Grupo A Grupo C Grupo A Grupo C Diversificação da produção - até duas frutas 73,91% 86,36% 76,86% 86,86% Adoção de práticas ambientais - uso de agrotóxico com

receituário 95,65% 72,73% 82,30% 50,06%

Utilização de Equipamento de Proteção - EPI 91,30% 63,64% 72,08% 40,07% Organização social na produção de frutas; 47,83% 72,73% 64,46% 29,90% Produtores com financiamento - custeio e investimento no

BNB; 91,30% 100,00% 88,43% 96,19%

Produtores com dificuldades em amortizar financiamentos

rurais 34,78% 95,45% 28,93% 83,90%

Relacionamento com as instituições de pesquisa - ótimo e

bom; 52,17% 13,64% 50,09% 16,33%

Comercialização de forma individualizada - MANGA 25,33% 5,45% 16,44% 13,20%

Comercialização de forma individualizada - UVA 62,50% 2,50% 29,50% 7,81% Fonte: Pesquisa Autor

Os produtores localizados no Pólo, assim como no Nordeste como um todo, possuem características e especificidades próprias. São essas peculiaridades que alteram de forma definitiva os diferentes quadros de situações sócio-econômicas verificadas para os produtores rurais.

A fruticultura caracteriza-se por ser extremamente exigente em termos técnicos, desde o cultivo até a pós-colheita. Não é uma atividade para amadores. Os profissionais desse ramo empenham-se em reduzir seus custos e em aumentar a qualidade dos produtos. Todo esse empenho é necessário, até mesmo imprescindível, para que se possa, ao mesmo tempo, atender as exigências cada vez maiores do mercado, e assegurar um lugar de destaque, eliminando-se, naturalmente, os menos competitivos.

Procurou-se descobrir as características mais relevantes e visíveis, que diferenciam os produtores rurais em função da sua natureza - a base material, refere-se a quantidade e a qualidade da terra e dos meios de produção; a base conceitual, refere-se ao conhecimento, técnicas e volume de informações acumuladas pelo produtor. As diferentes formas de integração com o meio agroecológico e socioeconômico com o qual são estabelecidas as condições de produção, independente do porte e da localização dos produtores são importantes para caracterizar a atividade e como ela vem sendo conduzida pelos agricultores.

Pelos quadros acima, pode-se observar, então, que os produtores que conseguem utilizar as técnicas e os conhecimentos próprios e assimilados, apresentam condições de uma maior utilização dos itens de base material, também fundamentais para o crescimento e melhoria da produção.

Em resumo, as condições de base conceitual implicam na melhor utilização das bases materiais e, no mesmo grau de importância, estabelece uma melhor relação com os meios agroecológico e socioeconômico, resultando numa nova situação produtiva e que faz toda a diferença entre as áreas de produção estudadas.

7. - Conclusões, Limitações e Sugestões

Conclusões

Por tudo o que foi apresentado, pode-se confirmar a hipótese de que as condições materiais e conceituais dos fruticultores, bem assim a sua integração com os meios agroecológico e socioeconômico apresentam uma associação com os resultados por eles obtidos.

Os integrantes do grupo A contam com uma base material melhor que os do grupo C; praticam mais a irrigação, são médios e grandes produtores, exploram uma área maior com fruticultura e produzem utilizando tecnologia relativamente mais avançada, o que lhes permite uma maior rentabilidade, considerando que por outro lado, obtenham uma maior economia em água e energia, além, evidentemente, dos ganhos de escala.

Acrescente-se, que aqueles do grupo (A) têm uma maior dotação de conhecimento formal e podem valer-se das suas atividades não-agrícolas para

alavancar a fruticultura (com mais conhecimento de mercado e melhor relacionamento com os órgãos públicos); contam com uma assistência técnica no mínimo mais assídua e qualificada (por ser própria) e sabem buscar melhor o conhecimento. Explica-se assim a natureza diferente dos problemas que enfrentam se comparados ao grupo C.

Pode-se confirmar, ainda, sobre o grupo A, que os fruticultores mostram-se mais conscientes relativamente a uma produção que respeite o meio ambiente, mas apresentam-se mais propensos a atuar sozinho. Esse aparente isolamento provavelmente se deve às condições materiais e intelectuais superiores do grupo, que lhes permite buscar a solução para os problemas defrontados sem recorrer às ações coletivas.

Essa atitude, por outro lado, não contribui para o fortalecimento das entidades associativas que, ao que parece, não conseguem fazer uma diferença positiva para os que as integram. Esses resultados reforçam a importância da dotação de capital físico para uma fruticultura de sucesso, mas destacam a necessidade de uma escala mínima – o que não vem sendo muito observado na ação governamental.

Destacam ainda que o fortalecimento do “capital humano”, na forma de educação específica (voltada para a produção, a comercialização e a gestão da propriedade) deveria ter tanta importância quanto o capital físico.

Há que trabalhar ainda o fortalecimento da organização social. As vantagens teóricas da ação coletiva têm sido provadas na prática em outras regiões do Brasil e não há por que não perceber que o Nordeste precisa avançar nesse segmento, diferentemente do cenário atual, onde nesta região elas estão fadadas ao fracasso.

Portanto, para fazer com que os produtores classificados no grupo C, com exploração no Pólo e na região Nordeste - alcancem o mesmo estágio, ou no mínimo se aproximem ao máximo, daqueles do grupo A (o que não significa, de forma alguma, o atingimento de padrões extraordinários de excelência), as instituições que os apóiam e os próprios produtores têm que buscar uma estratégia mais abrangente, que inclua além dos itens ligados ao capital físico (crédito, infra- estrutura etc.), outros que se liguem ao capital humano (como a capacitação e uma assistência técnica de melhor qualidade e mais assídua) e à organização social (como um melhor assessoramento para atuar no mercado, por intermédio de instituições associativas), por mais trabalhoso e demorado que isso possa parecer.

Limitações

Pelo que foi descrito no presente trabalho e focando nos aspectos positivos da fruticultura no Nordeste como um todo, percebe-se claramente a importância dessa atividade para a economia da região e do país, dada as condições de produção e comercialização de frutas, principalmente na geração de divisas. Evidentemente, muitos fatores ainda precisam ser estudados e potencializados, e no caso de outros em que não se tem governabilidade, tem-se que se obter o melhor uso possível.

No caso específico, existem algumas variáveis que não apenas fragilizam o setor, mas no caso de não serem tratadas com a maior brevidade possível, interferem negativamente nas expectativas de produção e projeções de resultados financeiros.

Como dito, essas variáveis que limitam o crescimento do setor – onde muitas das quais o homem não possui o domínio, tornam vulneráveis a fruticultura do Nordeste, e podem ser tratadas com a adoção de medidas preventivas, estruturadoras e de efeito imediato, cuja sinalização está melhor descrita neste capítulo, quando se relatam as sugestões.

Sem procurar hierarquizar o grau de importância de uma sobre a outra, entende-se que dentre as principais variáveis indesejáveis e limitadoras do crescimento da fruticultura pode-se destacar: a vulnerabilidade climática – que afeta a produção e atinge indistintamente todos os produtores e não pode ser evitada, mas pode-se de forma estratégica, minimizar os impactos a partir da adoção de medidas preventivas; a pesquisa e utilização de tecnologia – a partir do crescimento da fruticultura, em especial a irrigada, revela-se de fundamental importância a disseminação do conhecimento em todas as categorias de produtores.

Esse movimento faz com que seja imprescindível os investimentos constantes nesses dois quesitos, cujo desafio se acentua quando se foca na necessidade de que os conhecimentos (ao menos o fundamental) e a tecnologia seja espraiada para os mini e pequenos produtores; capacitação – em todos os setores da economia a capacitação é um dos fatores que mais diferenciam e aumentam a competitividade empresarial. Mais ainda na fruticultura, haja vista que absorve grande quantidade de trabalhadores, a qualificação da mão-de-obra torna-se um fator relevante na remuneração do capital dos investidores; assistência técnica –

outro item extremamente importante e até mesmo determinante para o sucesso da atividade, pois permite a transformação de métodos tradicionais de cultivo em técnicas modernas e de mercado, cujo papel ainda está sob a responsabilidade de técnicos de bancos oficiais, de empresas estaduais de extensão rural, dos projetistas privados, dos clientes e consultores autônomos; o crédito, por sua vez, é um fator necessário, mas não suficiente para alavancagem do setor, haja vista a necessidade de que uma série de ações e variáveis ocorram e sejam tratadas simultaneamente, como por exemplo a assistência técnica, a capacitação e qualificação de mão-de- obra, pesquisa e difusão tecnológica, dentre outros fatores.

Se visto de forma isolada, o crédito será capaz de, no máximo, apoiar no aumento de área cultivada e quantidades produzidas, sem tratar as diversas fragilidades e fatores interligados; organização de fruticultores – é constatada a existência, em maior escala, de associações, cooperativas e distritos de irrigação, com a clara percepção (pelas pesquisas e visitas “in loco”) de que deixam a desejar no desempenho de seus papeis. Com efeito, percebe-se a existência e criação de cooperativas e associações para elaboração de projetos de financiamento e liberação de créditos financeiros; e finalmente mercado e distribuição – as frutas produzidas no Nordeste são direcionadas para grandes redes de supermercados, para o mercado externo e para o mercado interno. Constata-se que para os dois primeiros mercados são exigidos altos padrões de qualidade, forçados principalmente, pelo grau de exigência desses consumidores; e para o mercado interno são direcionados, ainda, produtos sem um padrão de qualidade definido ou que requeiram um tratamento customizado, o que resulta em uma desorganização do mercado interno, acarretando em queda nos preços internos de produtos, onde muitos até apresentam bons padrões de qualidade. Tudo isso cria, evidentemente, uma forte barreira ao crescimento do consumo local e nacional.

Sugestões

Como forma de se reduzirem essas desigualdades, notadas entre os produtores do

Benzer Belgeler