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Hadis Alma Yollarından “İcâzet” ve “Vicâde”

A escolha metodológica para a realização da pesquisa assentou-se na não- subordinação a um corpo teórico fechado e pré-estabelecido a priori, mas, ao contrário, na tentativa de adequar, reformular e (re)criar a relação teoria e prática sob um movimento em que a prática apresenta-se como determinante do olhar interpretativo e desvelador do seu contexto.

A própria inserção no campo empírico, na dinâmica do cotidiano da escola como forma de apreender as suas necessidades, fazia surgir uma inquietação acerca desse mesmo cotidiano e de suas demandas tanto quanto à forma de apreendê-lo, fato que me conduzia à realização de práticas eminentemente naturalistas, marcadas pela minha própria subjetividade, como também à atenção que deveria ser dada aos sujeitos que constituíam o meu foco de observação: os professores com suas ações; falas; comportamentos; hábitos; reclamações; conversas; modos de ser e estar na profissão docente.

A forma como me envolvi com a pesquisa na escola e com a dinâmica da escola e de seus profissionais, conjugada à constante reflexão sobre o processo da pesquisa que estava sendo desenvolvida, com a inserção na escola e na vida profissional dos professores, com a possibilidade de alteração da realidade, obrigavam-me a mudar, reiterava o reconhecimento de que a pesquisa na escola, em sua vertente colaborativa (GIOVANNI, 2009a,b) e/ou participante (VASCONCELOS, 2006), tinha significado real para os professores. Havia, assim, o reconhecimento de “momentos de reflexão, de orientação e organização das práticas e do pensamento” (gestora da escola – reunião na universidade, Notas de Campo, março de 2009).

Muito embora as avaliações iniciais fossem positivas, configurando-se em uma dupla “relação de ensino e de aprendizagem para todos os envolvidos” (GIOVANNI, 2009a, p.29), o delineamento dos objetivos a traçar e a perseguir, relativos à pesquisa colaborativa e a do

46 Considero que a “escolha” aqui assume o sentido de indução, tendo em vista que a natureza das perguntas não permite realizar, de fato, uma escolha, mas uma tentativa de escolha, na indução que a inserção em campo e a problemática colocava para a subjetividade que caracteriza o trabalho naturalista (BODGAN e BIKLEN, 1994).

tipo etnográfica, mostrava-se decisiva para a estruturação e para o prosseguimento da pesquisa. Entre agir local e especificamente, visando à resolução de um problema consensual para o grupo de docentes com que atuei para, com isso, fazer um recorte pontual acerca das necessidades formativas expressas em situações coletivas, em reuniões de HTPCs, com todas as mazelas que a sua organização tinha, colocando desafios à percepção de consensos, fiz a opção pelo modo ampliado de percepção de necessidades e, a partir dele, estabeleci a preocupação de observar intensamente os fenômenos, uma vez que tive a oportunidade de apreender as necessidades em formação naquela situação de trabalho e, ao mesmo tempo, de perceber as necessidades em situações de trabalho para além do HTPC. Essa necessidade de maior aproximação com o campo e com os sujeitos da pesquisa deu-se tanto pela necessidade de compreender apontamentos verbalizados e expressos pelos professores sobre suas necessidades - demandas, problemas, impasses, desejos - como também pela possibilidade de ampliar a compreensão da dinâmica do trabalho e da escola, do ambiente natural (BOGDAN e BIKLEN, 1994), considerando-o como um elemento eminentemente complexo, onde ocorrem interferências nas manifestações expressas.

Nesse contexto de intencionalidades e encaminhamentos, “optei” pela pesquisa com

características da etnografia, que pode ser compreendida pela sua aproximação com os

princípios básicos de uma investigação qualitativa que, segundo a perspectiva de Bogdan e Biklen (1994, p.47-51), tem como fonte direta dos dados o ambiente natural, constituindo o investigador, o principal instrumento, já que a pesquisa requer dedicação dispendiosa de tempo e recursos capazes de fornecer materiais e informações capazes de permitir riqueza na descrição dos dados recolhidos, seja por entrevistas, notas de campo, fotografias, vídeos, ou outros documentos, que permitam, sobretudo, contribuir para a compreensão do processo, permitindo ao pesquisador uma análise indutiva dos dados para se alcançar um significado.

Considerando suas propriedades específicas, como foram destacadas por Vasconcelos (2006, 87), apoiadas em Atkinson e Hammersley, a pesquisa com características etnográficas assume as seguintes características:

• Forte ênfase na exploração e na natureza de certos fenômenos sociais mais do que na formulação de hipóteses e na testagem dos mesmos;

• Tendência para trabalhar prioritariamente com dados não ‘estruturados’, quer dizer, dados que não foram codificados no momento da respectiva coleta a partir de um grupo fechado de categorias de análise;

• Análise de dados que envolvem a interpretação explícita de significados e funções das ações humanas, cujo produto toma, principalmente, a forma de descrições verbais e explicações, sendo que a quantificação e a análise estatística desempenham papel subordinado.

A pesquisa com características da etnografia, portanto, assumida como método com contato frontal direto e prolongado com os sujeitos (TAFT, 1987) participantes do estudo, sob um ‘estar com’ (VASCONCELOS, 2006, p.88), privilegiando as pessoas, suas vozes, suas percepções de ver e estar nesse mesmo contexto, caracteriza a opção realizada na presente pesquisa.

Nesse sentido, reafirma-se a importância do papel do investigador como aquele que (...) deve, conseqüentemente, colocar-se em uma situação e em uma disposição que o permita observar as condutas do contexto de seus cenários e tratar, por todos os meios possíveis, de obter as estruturas de significado

que informam e testificam os comportamentos dos sujeitos observados47.

(GOETZ e LECOMPTE, 1988, p.15) [tradução minha]

Goetz e LeCompte (1988) salientam, ainda, a necessidade da investigação do tipo etnográfica para buscar entender as subculturas - ou microculturas, da perspectiva de Taft (1987) - do grupo dos sujeitos que a pesquisa se presta a analisar ou descrever, posto que essa compreensão é fulcral para entender a dinâmica que os sujeitos estabelecem entre si e na realização de suas funções.

A inserção do método etnográfico nas Ciências Humanas permitiu-me vislumbrar que a objetividade, a regularidade e a mensuração não comportam a compreensão de amplos problemas, fenômenos e problemáticas que se anunciam e se renovam nesse domínio. Dessa perspectiva, a Etnografia foi anunciada como necessidade de revitalização do campo teórico que obteve forte influência da Antropologia Cultural, da Psicologia e da Sociologia interacionista e estruturalista. Tal diversidade contribuiu para a criação de um modo singular de entender e fazer etnografia na América Latina, que têm como expoentes Elsie Rockwell e Justa Ezpeleta no México. Os seus estudos centralizam-se na compreensão do contexto escolar e na relação que ele assume com a história da pesquisa assumida pelas autoras. Vale a ressalva para a particularidade referente à defesa da busca por teoria(s) que responda(m) à

47 (...) El investigador debe, consecuentemente, ponerse em uma situación y una disposición que le permitan observar las conductas dentro del contexto de su escenarios y tratar, por todos los médios posibles, de obtener las estructuras de significado que informan y testifican los comportamientos de los sujetos observados.

compreensão do cotidiano e da realidade multiforme para analisar o objeto em foco. Ou seja, a preocupação central é o objeto nas suas múltiplas dimensões e níveis. Embora a compreensão do objeto seja particular, não requer isolamento entre campos do saber, já que, na sua pluralidade, vê-se a expressão, de fato, da realidade. Portanto, a abrangência de possibilidades em termos aproximativos - metodológico e teórico - da perspectiva etnográfica assumiu relevância e teve compatibilidade com as aspirações dessa pesquisa, principalmente pelo fato de haver correspondência com as necessidades de formação, tal qual a entendo: multilaterais; dinâmicas; mutáveis; condicionadas; flexionadas; dependentes; relacionais; complexas; características que aumentam a tensão entre a formação continuada de professores e os processos de identificação e análise de necessidades.

Entretanto, ainda, a despeito da contribuição da Etnografia, Bueno (2007a, p. 80) destaca que

(...) os conhecimentos que a etnografia produz podem ser relevantes para se pensar a transformação da escola, mas a mudança mais importante que a etnografia pode provocar é aquela que se opera em quem a pratica, em nossas concepções sobre a realidade.

A congruência de percepções do objeto e da metodologia, a meu ver, traz um contributo para a análise de necessidades de formação de professores, na medida em que alarga o horizonte de compreensão para além das questões eminentemente formativas, no sentido “escolar” da concepção geral, ao mesmo tempo em que, paradoxalmente, choca-se por ser terreno arenoso e movediço, atrelado a toda dificuldade que a imersão nesse contexto pode derivar.

3.5 Natureza do objeto de pesquisa e escolha das estratégias metodológicas: os recursos e

Benzer Belgeler