1. BÖLÜM
2.2. Medya Mesajı ÇeĢitleri
2.2.1. Haber
Santiago Roncagliolo nasceu no dia 29 de março de 1975 em Lima. Sua família foi
deportada para o México quando o escritor tinha apenas dois anos de idade. Na
adolescencia, ele voltou para o Peru, onde se graduou em literatura pela Universidade
Católica de Lima; ainda vivendo no seu país natal, em 1997, o autor ganhou o “Primer
Concurso Nacional de Cuento Juvenil”. Aos 25 anos, Roncagliolo se muda para Madrid e,
logo depois, para Barcelona, na Espanha, onde vive até hoje.
Abril Rojo foi a obra que garantiu a Roncagliolo, em 2006, seu maior prêmio, o
euros e um contrato com a editora. No discurso de entrega do prêmio, Ángeles Mastreta
afirmou que a obra é “narrada con unas peripécias de novela negra que consiguen arrastrar
al lector desde la primera página”. Além do premio Alfaguara, Abril Rojo, em 2011, ficou
na lista do premio “Independent Foreign Fiction Prize” entre as quinze melhores ficções
estrangeiras traduzidas para o inglês.
O Premio Alfaguara, criado em 1965, organizou concursos até 1972. Em 1980, a
Editora Alfaguara foi comprada pelo grupo Santillana que, por sua vez, foi comprado pelo
grupo Penguin Random House, em 2014. O concurso Alfaguara voltou a ser organizado em
1998 e passou a priorizar publicações latinoamericanas. O prêmio garante ao vencedor do
concurso um prêmio em dinheiro e a distribuição da obra na Espanha, América Latina e
Estados Unidos. Por mais que a maioria dos prêmios tenham sido garantidos a escritores
latinoamericanos, Santiago Roncagliolo é o único escritor peruano premiado.
A sinopse que consta no site do grupo Penguin Random House foi escrita pelo
próprio Santiago Roncagliolo:
Siempre quise escribir un thriller, es decir, un policial sangriento con asesinos en serie y crímenes monstruosos. Y encontré los elementos necesarios en la historia de mi país: una zona de guerra, una celebración de la muerte como la Semana Santa, una ciudad poblada de fantasmas. ¿Se puede pedir más? El investigador de los asesinatos es el fiscal distrital adjunto Félix Chacaltana Saldívar. A él le gusta que lo llamen así, con su título y todo. El fiscal Chacaltana nunca ha hecho nada malo, nunca ha hecho nada bueno, nunca ha hecho nada que no estuviese claramente estipulado en los reglamentos de su institución. Pero ahora va a conocer el horror. Y el horror no se ha leído el código civil. Siempre quise escribir una novela sobre lo que ocurre cuando la muerte se convierte en la única forma de vida. Y aquí está. (RONCAGLIOLO, 2006)
Nessa sinopse, é possível perceber que o mote de escrita da obra foi o desejo do
autor de escrever um thriller, em que a História surge como pano de fundo para estruturar a
trama detetivesca. A investigação desenvolvida por Chacaltana é o elo entre a História do
país e a novela ficcional.
Nessa linha, Natalia Navarro, 2008, apresenta uma crítica a Abril Rojo em que
destaca as características cinematográficas da obra, bem como aquelas que a definem como
novela negra. Em relação à base histórica da obra, Navarro afirma que “en Abril Rojo
Roncagliolo deja como asunto de fondo el tema político para centrarse en la ambientación
de la acción novelística, que incluirá una buena dosis de tensión y una significativa
Rojo, Navarro entende que a apropriação de símbolos e mitos peruanos é o que fundamenta
a crítica política da obra; entretanto, basta ler algumas páginas do livro para que se perceba
como a forma pela qual os mitos foram apropriados colabora para o rebaixamento da
cultura andina e não para o “compromisso social” defendido por Navarro.
Por sua vez, Luis Veres, 2007, afirma que Abril Rojo pode ser definida como novela
histórica. Segundo ele, “estas novelas aceptan el hecho de que resulta imposible reconstruir
fielmente el pasado o la verdad de lo que realmente sucedió. Por tanto, es frecuente la
distorsión de la historia mediante exageraciones y distintas alteraciones que tienen la
finalidad de servir al propio relato como motivo de interés” (VERES, 2007, p. 3). Tal
argumentação dialoga com as teorias apresentadas acima acerca da impossibilidade de se
representar fielmente os acontecimentos; entretanto, as alterações históricas feitas por
Roncagliolo desconsideram as consequências traumáticas do CAI. Sendo assim, Veres
acerta ao definir Abril Rojo como novela histórica, mas se equivoca ao não destacar que as
licenças literárias não cabem à representação de todo e qualquer acontecimento Histórico.
Além disso, Veres apresenta a perspectiva de Roncagliolo na qual aqueles que
vivem na região dos Andes são apresentados como atrasados e violentos, referendando o
discurso do Informe de Uchuraccay. Tal perspectiva tenta transferir aos andinos a
responsabilidade da violência, isentando assim o Estado da responsabilidade de lhes
garantir condições básicas de sobrevivência. De acordo com Veres, “el mundo retratado por
Roncagliolo es un mundo de atraso y supersticiones, de violencia y sangre, de religión y
religiosidad, de maldad e incomprensión, cuestiones que separan a los indios del mundo de
la Costa, del mundo limeño de los blancos, mundos separados que no apuntan a un
mestizaje cultural” (VERES, 2007, p. 4).
Roncagliolo recebeu uma série de críticas em relação às confusões que faz ao se
referir a leis, hierarquias e mitos, desde a função exercida por Chacaltana até o mito do
Inkarrei. Parece que houve um descuido do narrador ao representar as instituições. O
personagem Cáceres, por exemplo, é apresentado como sendo um “sinchi” (paramilitar) e
depois como oficial do Exército; entretanto, essas são funções muito distintas e nada
desconsideráveis, uma vez que a atuação de ambas era completamente diferente nos Andes
peruanos. De acordo com Dante Castro, “los sinchis son miembros de un cuerpo de la
antigua Guardia Civil especializado en lucha antisubversiva” (DANTE CASTRO, 2010, p.
28). Dante Castro escreveu um artigo que compila e discute uma série desses erros de
composição presentes em Abril Rojo, o que o crítico define como exemplos da pouca
preocupação do escritor com a verossimilhança da história que pretende transpor à ficção.
Em Abril Rojo, os erros de composição mantidos na narrativa, que poderiam ter sido
resolvidos com uma pesquisa histórica ou de campo, se apresentam como secundários em
relação à construção do trhiller. Tal situação parece ser um indicador do desinteresse do
autor pela História que representa, uma História traumática do próprio país, mas que o autor
parece desconhecer. Dante Castro afirma também que uma das principais leis da ficção
narrativa é a verossimilhança; segundo ele, “la verosimilitud consiste en mantener el
equilibrio entre ambos extremos, realidad y ficción, máxime si se escribe de hechos
históricos o de un contexto histórico” (DANTE CASTRO, 2010, p. 30).
Em entrevista feita com Roncagliolo e reproduzida por Gustavo Faverón, a seguinte
questão acerca do fundo ideológico de sua obra foi apresentada: “¿es un aporte
considerable a nuestra narrativa sobre los años de la violencia, o un divertimento que utiliza
ese marco temático como excusa?”. Roncagliolo responde: “Pienso que es lo segundo, y
que en eso reside su novedad, buscada o no: es el primer producto desapasionado y
comercial que un peruano crea en relación con este asunto” (FAVERÓN, 2006, p. 2). Com
essa afirmação, o autor não só reconhece o caráter estritamente comercial de sua obra,
como acredita e defende que tal característica seja um ponto positivo de sua produção.