3. HİLAFETİ DEVRİNDEN SONRAKİ GELİŞMELER VE HZ HASAN’IN SOYU
3.3. Hz Hasan’ın Soyu
3.3.4. Hüseyin b Ali b Hasan b Hasan b Hasan(Sahibu’l-Fah) ve Hasan b.
Pelo menos um ponto pacífico há sobre a Primeira Guerra Mundial (conhecida até 1939 apenas como a Grande Guerra). E, esse é o fato que a iniciou. O assassinato do herdeiro do trono austro-húngaro – Francisco Ferdinando – foi determinante para as hostilidades que sobrevieram. Não que a guerra tenha sido exclusivamente cogitada após o atentado ocorrido em Sarajevo (FROMKIN, 2005). É certo que, como ressalta A. J. P. Taylor, houve diferentes motivos, e, independentes de quaisquer que fossem, todos os países “lutaram simplesmente pela vitória” (1979, p. 39). O fato é que, os acontecimentos que se sucederam após o fatídico dia 28 de junho de 1914 fluíram velozmente para a declaração de guerra entre o império do idoso Francisco José e a pequenina Sérvia e, posteriormente, ao efeito dominó que engoliu os demais Estados.
Muito se falou do papel desempenhado pelos países nos eventos posteriores ao atentado e de sua provável responsabilidade no desenrolar dos acontecimentos que conduziram o mundo ao cataclismo (TAYLOR, 1979). Em Porto Alegre, talvez até houvesse quem conseguisse entrever para além daquela tragédia de delicadas proporções diplomáticas. Por
outro lado, somente com grande esforço de imaginação os mesmos visionários poderiam prenunciar aquilo que (principalmente, depois de 1917) viria a ser exaustivamente denunciado aos quatro cantos: uma parte do malévolo plano de conquista mundial perpetrado pelas
“forças do militarismo prussiano”. 12
Essa ideia teve papel central na militância em prol das forças da Entente.13 Sobre isso, seria bom recordar seus antecedentes.
Desde o surgimento da Alemanha, com a sua criação na sala dos espelhos do Palácio de Versalhes, em 1871, Otto von Bismarck14 intentou manipular os interesses dos Estados que a circundavam. A linha mestra da sua condução era manter a França afastada de qualquer aliado
em potencial, tendo sido bem sucedido. “Bismarck procurou instrumentalizar o antagonismo ultramarino entre a França e a Inglaterra para, desta forma, isolar essa de um potencial aliado”
(DÖPCKE, 2001, p. 135).
Acontece que, o ponto mais polêmico esteve relacionado aos territórios da Alsácia- Lorena. Desde o princípio, Bismarck supunha que essa região poderia virar uma bandeira, que manteria aceso o ressentimento e o desejo francês de revanche (KISSINGER, 1999). A partir de então, a diplomacia europeia ficou permanentemente tensa até 1914, mesmo tendo havido um período contínuo de paz entre as potências. Para comprovar o estado de espírito belicoso, bastaria ver que, poucos anos após a derrota de 1870, a França já tinha reorganizado seu exército que, em tempo de paz se equivalia ao alemão (MILZA, 2002).
É difícil precisar até que ponto Bismarck desejava aqueles territórios fronteiriços, pois, em realidade, ele quiz que a França ficasse longamente combalida, o que justificou a grande compensação financeira exigida, mas a maior pressão pelas possessões veio do alto comando do exército. Esse ódio mortal foi, obviamente, um desafio à política, tanto externa quanto
12 Em um trabalho recente, David Fromkin (2005) mostra através de anotações do período que as trocas de farpas
entre os governos austro-húngaro e sérvio, não apenas foram acompanhadas de perto pelo Kaiser, como a conduta do primeiro país ocorrera em virtude do apoio que o Kaiser havia dado – desde que fosse uma ofensiva rápida, que garantisse a opinião pública favorável ao lado austríaco, como parte provocada. Rapidez essa que não houve.
13
Bloco inicialmente formado pela França e pela Grã-Bretanha, no qual ambas potências minimizam suas diferenças em relação ao imperialismo. O mesmo foi concluído após a resolução de pendências entre Rússia e Inglaterra, em 1907.
14 Primeiro-Ministro do reino da Prússia desde 1862 e, posteriormente, chanceler da Alemanha até 1890. Ele foi
o condutor da Prússia nos três breves conflitos, contra a Dinamarca (1864), contra a Áustria (1866), e contra a França (1870). Protagonista de uma nova concepção diplomática, ele manobrou entre as fraquezas materiais dos Estados do leste, a debilidade política francesa, e o isolamento britânico, conseguindo ajudar na construção de um novo e poderoso Estado. Como efeito colateral, ficou o ódio francês pela perda da Alsácia-Lorena (espólio do conflito franco-prussiano), mas, ainda assim, habilmente manipulado durante alguns anos, mediante múltiplos acordos diplomáticos (CERVO, 1997; DUROSELLE, 1976; KENNAN, 1985; KISSINGER, 1999; MILZA, 2002).
interna15 da Alemanha. A. J. P. Taylor comenta que a pretensão sobre a França somente
surgiu na Alemanha após a guerra contra a Áustria e que, portanto, “nunca havia sido formulada antes” (TAYLOR, 1979, p. 314).
Na mesma época, a Áustria e a Rússia, que se antipatizavam desde a Guerra da Crimeia16, moderaram os ímpetos, ao quedarem sob a esfera de influência alemã. Para isso, o chanceler alemão lançou mão de artifícios, que não apenas mantiveram abertas as vias de comunicação, como também mantiveram vivos os laços de reciprocidade entre a Alemanha e as demais monarquias europeias. Foi, por exemplo, o caso da Liga dos Três Imperadores (celebrado com a Áustria-Hungria e com a Rússia), e, posteriormente, o do Tratado de Resseguro (com a Rússia), ambos por ele costuradas.17
Entre as questões que poderiam ser questionadas no seu governo, esteve o apoio aos austríacos na querela dos Bálcãs. Isso ocorreu após o reconhecimento da autoridade austríaca sobre a Bósnia-Herzegovina, no Congresso de Berlim, que provou ser adversa aos interesses russos (WILLMOTT, 2008).18 A efetivação foi possibilitada por causa da ameaça de intervenção feita pela Alemanha, caso a Sérvia, assim como a Rússia (que se proclamara
15 A aproximação e o distanciamento em relação aos demais países repercutia, internamente, nas forças políticas
com as quais o chanceler dialogava. Isso, evidentemente, afetava as alianças do governo com os partidos políticos do país (DÖPCKE, 2001; DRIJARD, 1972; DROZ, 1985).
16
O grande acontecimento que veio a perturbar o equilíbrio de poder iniciado após a derrocada do período napoleônico. O conflito que resultou no favorecimento político da Prússia, por tê-la liberado dos laços de reciprocidade que a amarravam à Áustria, e, em última instância, à Rússia (desde a Santa Aliança), foi a Guerra da Crimeia. Esse conflito marcou a decadência militar russa, pois o país tinha planos de expansão territorial que visavam a atingir a costa mediterrânea mediante a dominação dos territórios turcos do Bósforo e dos Dardanelos. Iniciativa vista como ameaça aos interesses ingleses, desencadeou um conjunto de forças que impuseram um severo revés aos russos (CERVO, 2001). Mesmo tendo permanecido com as suas pretensões sobre o império turco, a Rússia viu o seu prestígio ser severamente arranhado. Tanto que nenhuma investida posterior sobre a Turquia teve sucesso, ou contou com o apoio das demais potências. Ver também: KISSINGER, 1999; LESSA, 2005; PELLISTRANDI, 2000.
17 Foi um esforço hercúleo, principalmente em virtude da inconsolável mágoa da França. Os contínuos esforços
para manter a França isolada, e, ao mesmo tempo, manter as outras duas grandes monarquias do leste, exigiam atenção permanente. Problema redobrado pela desintegração do império turco, que tornou ainda menos compatíveis o império austríaco e o russo, que disputavam palmo a palmo os territórios turcos na Europa. Não obstante, a todo o custo, Bismarck evitou entrar em conflito com a Grã-Bretanha. A grande arma foi estimular o imperialismo, pois além de querer ver os franceses dedicarem seus esforços em um empreendimento que pudesse fazê-los esquecer da Alsácia-Lorena, poderia acirrar a rivalidade dos seus vizinhos da fronteira oeste com os britânicos, que também buscavam a prevalência na África. Para melhor aferir os esforços alemães dentro da Europa, para manter o equilíbrio de poder, e que, no final, acabaram se mostrando insuficientes, ver: KENNAN, 1985; KENNEDY, 1989; KISSINGER, 1999.
18
Em 1878, foi ratificada a debilidade russa com relação às demais potências europeias. Nesse ano, encerrava-se uma nova guerra com a Turquia, que culminou com a vitória russa. Contudo, as possíveis benesses, a serem obtidas com a assinatura do Tratado de São Stefano entre os dois países, foram liquidadas. No mesmo ano, começou o Congresso de Berlim, que redefiniu a situação dos Bálcãs, à revelia dos interesses russos, que mais uma vez foram frustrados. Nisso, houve a passagem de controle da Bósnia para o império austro-húngaro. Na visão russa, a culpa recaía principalmente sobre a Alemanha, que teria buscado ficar ao lado das pretensões austríacas, em sentido oposto daquilo que esperava a Rússia.
protetora dos eslavos), não aceitassem. Isso acentuou o afastamento entre alemães e russos. Abalo que já havia sido agravado pela posição política do governo de Bismarck, em apoio à aristocracia prussiana agrária (os junkers), durante a crise econômica europeia do final do século XIX.
O temor interno da concorrência, em função da produção de grãos dos países estrangeiros, fez com que, em 1887, o governo alemão sustasse a negociação dos títulos da dívida russa no país. A Rússia interpretou a atitude alemã como um ataque deliberado contra si (DÖPCKE, 1997). Nesse fato, residiu um importante motivo para a aproximação entre a Rússia e a França.
Apesar dessa nódoa no currículo, com a sua imposição na diplomacia do continente, Bismarck, com maiores ou menores dificuldades, conseguiu unir ao Reich, por diversos laços de reciprocidade, as potências da Europa, mais a Itália. Apesar de gradualmente estar perdendo a confiança dos russos depois de ter apoiado os austríacos, a Alemanha conseguiu explorar, por um bom tempo, o medo desse país de acabar isolado politicamente. A partir disso, Bismarck usou estratégias para proteger cada país do seu pior rival. Fundamentalmente, protegeu a Alemanha de todos os seus rivais, principalmente da França – esta última totalmente isolada. A questão mais determinante, no entanto, foi o fato do seu principal aliado ter sido a Áustria, cuja proteção chegou a ser garantida pela atração da Itália.19 Esta tinha pendências ligadas a territórios que estavam sob autoridade austríaca, mas ao atraí-la para um arranjo entre as grandes potências, formando a Tríplice Aliança, a Alemanha protegia sua aliada mais cara de uma virtual guerra em duas frentes.
Algo, contudo, mudou após a saída do antigo chanceler.20 É possível dizer que foi determinante a decisão alemã de não renovar o Tratado de Resseguro com a Rússia.21 Em suas ponderações, Guilherme II julgava impossível o estreitamento de relações entre uma monarquia absolutista, como a Rússia, e uma França republicana. Ressentida e fragilizada
19
Ocorreu em virtude da derrota italiana para a França, na queda de braço pela Tunísia. Assim, mais um Estado era afastado da órbita francesa. O sucesso bismarckiano chegou ao seu máximo ao patrocinar um acordo entre Itália, Áustria e Inglaterra para garantir a estabilidade na região do Mediterrâneo (KISSINGER, 1999).
20 Demitido pelo jovem Guilherme II, que assumiu o trono após o curtíssimo reinado de seu pai. O novo
imperador se mostrou pouco disposto a aceitar os conselhos de alguém que o ofuscasse (DÖPCKE, 2001; KISSINGER, 1999)
21 Condição importante a ser considerada, uma vez que o diálogo com a Rússia já estava precário. Bismarck, cuja
política, apesar de manter a paz em um curto prazo, em um prazo mais dilatado não parecia ser capaz do mesmo. A situação ficava mais complexa porque, na visão russa, a culpa pela perda de influência na região balcânica era principalmente da Alemanha. Assim começava a ruir a ordenação buscada por Bismarck, com a aproximação dos russos em relação aos franceses (KENNAN, 1985; WILLMOTT, 2008).
pelo abandono alemão, a Rússia aceitou uma aproximação com a França, consciente da necessidade de um aliado para uma revanche, ainda mais com a possibilidade de atacar a Alemanha, simultaneamente, a leste e a oeste.
O período entre 1890 e 1914 é por demais rico em eventos. Nele, como afirma
Duroselle, “nenhum dos grandes Estados permanece inativo” (1976, p. 50). E, há uma frase de
Henry Kissinger que resume bem a intensa atividade da política externa, ocorrida em pouco
mais de dez anos: “ninguém imaginaria que Inglaterra, França e Rússia pudessem terminar do mesmo lado” (KISSINGER, 1999, p. 182). A seguir, serão pontuados alguns fatos
fundamentais que levaram ao isolamento da posição alemã.
Ao buscar uma posição de maior destaque político para o seu Estado, equivalente ao tamanho da sua grandeza econômica22, Guilherme II não mediu esforços. Contudo, tal propósito parecia carecer de objetivos claros. Ao não ter aquilo que Hobsbawm (1988) denominou de limites teóricos, para estabelecer uma linha de ação, o seu maior legado acabou sendo a perturbação da estabilidade do continente.
Mesmo após a questão do “Resseguro”, a Alemanha poderia contar com algum
beneplácito por parte dos ingleses. A permanente ameaça russa, agravada pela insinuante aproximação dela com os franceses, tornara os alemães mais simpáticos aos seus olhos, ainda no começo da década de 1890. Contudo, a açodada diplomacia alemã desejava um comprometimento total dos ingleses em uma aliança. As frustradas tratativas de aproximação deram lugar a ressentidas manifestações alemãs de força. O maior exemplo foi a declaração do governo alemão ao governo do Transvaal (no sul da África), de congratulação e apoio enviadas pelo Reich ao repelir um ataque de tropas britânicas. Nos anos seguintes, o mesmo se repetiu durante a guerra dos Bôers (povo de origem holandesa, no sul da África). Os ingleses interpretaram como sinal de interesse político alemão (KISSINGER, 1999). Dali em diante, as relações pioraram. Buscando se proteger dos russos, os britânicos se aliaram aos japoneses, tornando os alemães de importância secundária.
Sobre esse aspecto, mais relevante foi a definição de uma política externa alemão cujo horizonte extrapolara o limite do continente, se estendendo sobre os demais, através da
22 A Alemanha teve um crescimento econômico impressionante que a levou a superar, rapidamente, a Inglaterra.
chamada Weltpolitik23 (DÖPCKE, 1997; KISSINGER, 1999; MILZA, 2002). Isso ocorreu em grande parte devido à expansão da marinha alemã, um dos fatores causadores de tensão. A frota naval alemã veio a ser a grande expressão da vontade do Kaiser Guilherme II, e iniciada pelo almirante Tirpitz (KENNEDY, 1989; KISSINGER, 1999; MASSIE, 1992). Como resultado, a Grã-Bretanha, sentindo-se ameaçada, saiu do seu isolamento neutralista e foi em busca de aliados que a resguardassem, no caso de um possível conflito (LOHBAUER, 2005).
Em 1903, o trabalho de Bismarck, de explorar o imperialismo para manter a rivalidade anglo-francesa, foi-se por água abaixo. Buscando aparar as arestas e evitar novos desentendimentos na África, França e Inglaterra passaram a cooperar.
O episódio da crise marroquina de 1905 afirmou o distanciamento alemão em relação aos demais Estados. Ao defender a independência marroquina (contrária aos interesses franceses na região), a Alemanha esperava uma vitória moral sobre as demais potências, através do estabelecimento de uma conferência. O resultado foi a manifestação de solidariedade inglesa aos franceses. Como os russos vinham de uma humilhação, na derrota frente aos japoneses (no mesmo ano), eles buscaram resolver os mal-entendidos com o império britânico (DÖPCKE, 1997). Assim, foram assentadas as bases da Tríplice Entente.
No ano de 1907, na cidade de Haia, os países se encontraram para discutir as regras da paz e da guerra a envolverem os Estados. Apesar de haver uma certa expectativa, pela regulação do uso de equipamentos bélicos, ela acabou frustrada. Houve, no entanto, decisões aclamadas com o apoio de algumas das potências presentes. Uma delas dizia que o ataque de um país a outro deveria ser precedida de declaração formal de guerra. Uma outra foi a da inviolabilidade dos países neutros (TUCHMAN, 1990). Apesar da discordância, a Alemanha foi uma das signatárias, daí a origem dos veementes protestos pelo mundo quando da invasão da Bélgica em agosto de 1914.
Uma vitória diplomática alemã ocorreu em função da crise da Bósnia. Após ter sido reconhecida pelo concerto das nações uma autoridade austríaca, estes a confirmaram, mediante a anexação da região, no breve interstício de 1908-09. A efetivação foi possibilitada com a ameaça de intervenção da Alemanha, caso a Sérvia, que tinha pretensões também, e a Rússia, aliada desta, não aceitassem os termos.
23 Com pretensões a horizontes mais extensos ela se defronta e, consequentemente, rompe com a visão de
Sobrevinda uma nova crise marroquina (1911), que fomentou o rearranjo de alianças das guerras balcânicas24, a Alemanha foi moralmente derrotada, com o fortalecimento da
Entente. O que se seguiu, foi a intensificação do armamentismo nos países. Por fim, a
aprovação de novos e maiores orçamentos para as forças armadas de um país repercutia imediatamente sobre a política dos demais.
A instabilidade nos Bálcãs chegava a um limite perigoso. Sem um contrapeso forte, que, por algum tempo, foi garantido pelas relações de reciprocidade da Alemanha com a Rússia, para moderar e servir de baliza ao ímpeto da Áustria-Hungria, esta se sentiu livre para reafirmar sua pretensão sobre as populações eslavas do próprio império e das adjacências. A repercussão disso explica a razão da sua intransigência no comportamento com relação à pequena e eslava Sérvia, formalmente acusada de envolvimento no atentado que vitimou o arquiduque austríaco (FROMKLIN, 2005).
Diante dessas colocações, o ponto do qual inicio parte de uma premissa. Haja vista a posição central da Alemanha no meio século que antecedeu 1914, teria havido algum germanófobo, em Porto Alegre, que pudesse interpretar os eventos ocorridos no leste da Europa (conflito austro-sérvio), como parte de um plano maior alemão?25 Poderia-se perguntar qual a relevância disso. Acontece que, no Brasil, quase três anos após o começo dos combates, em 1917, a campanha detratora da Alemanha se balizou na crença quanto à culpabilidade alemã pelo início das hostilidades. Cabe saber, portanto, quanto da aversão à Alemanha encontra respaldo na opinião dos órgãos de comunicação e nas manifestações públicas dos cidadãos de Porto Alegre, naqueles momentos que antecederam o início dos combates.
24 Afinal, a Itália contrariou as expectativas dos seus aliados da Tríplice Aliança ao firmar posição na Líbia, às
custas do império turco. Os países balcânicos, ao verificar tal debilidade ante uma potência de menor grandeza, lançaram-se sobre a Turquia em busca de despojos (DÖPCKE, 1997).
25
Para Fromkin (2005), a desenvoltura austro-húngara no mês de julho de 1914, na crise do assassinato, esteve muito aquém das expectativas alemãs, insatisfeitas com a condução do caso, que esperava extrair vantagens da situação.