ILAN BOLUMU
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herança intelectual dos anos 1950. Ciência e tecnologia eram promovidas à condição de deuses onipotentes. Na era do pós-guerra, o crescimento econômico parecia ilimitado e entendia-se que o desenvolvimento industrial garantiria a riqueza a todos, a ciência erradicaria todas as doenças e a tecnologia propiciaria o absoluto controle da natureza pela humanidade.
Foram necessários quarenta anos para entender e reverter os processos industriais e demográficos que provocaram desastres ecológicos num âmbito planetário.
Nos anos 1960, o público tomou consciência dos problemas ambientais em decorrência da “contracultura”, momento em que identificou controvérsias quanto às práticas industriais. Ativistas políticos e cidadãos preocupados com o problema denunciaram as empresas pelo lançamento de produtos químicos nos rios e oceanos, abandonando perigosos detritos em terrenos baldios. Porém, a maioria da população não compreendia realmente a amplitude da devastação ambiental. Para muitos, o movimento ecológico não passava de uma extensão do movimento “paz e amor”.
Em 1972, as Nações Unidas incluíram o ambiente em sua agenda global, organizando a Conferência Internacional sobre o Ambiente Humano, em Estocolmo. Líderes de todo o mundo concordaram em despertar a consciência global para a escalada do impacto humano sobre os recursos naturais da Terra. Mas as indústrias iam ficando para trás. Alertadas para a gravidade da poluição global, foram solicitadas a adotar medidas urgentes de conservação, mas a maioria das corporações não levou a sério o alerta de Estocolmo e continuou a operar como sempre. Portanto, as corporações não contavam com regulamentações governamentais e de medidas coercitivas (GAUNTLETT, 1993).
A agência para a proteção, embasada nos princípios e valores da sustentabilidade, deve ser proposta como uma transição de longo prazo, progressiva, respaldada por amplos consensos e por uma crescente aprendizagem social, que levem mudanças nos padrões de produção e consumo, na adoção de tecnologias, na regulamentação e no estabelecimento de normas, na organização institucional e na percepção cultural da sociedade. Nesse modelo, a capacitação, sensibilização e conscientização da população desempenham um papel fundamental, como indicam Menacho e Cuadros, citados por Gomes, Aguayo e
Pérez (2005, p.29): “Solucionar essa crise ecológico-social, com uma profunda raiz humana”.
Assim, com a participação ativa e coletiva da sociedade civil, pode-se partilhar um despertar de consciência, em uma visão de totalidade. A sensibilização da população torna-se possível, concretizada numa comunhão com o novo paradigma da sustentabilidade ao alcance de todos os cidadãos, que zelam e prezam pela co-responsabilidade de contribuir para uma existência humana mais digna e próspera.
Na trajetória histórica do desenvolvimento sustentável, é no final dos anos 1970 que se dá a pressão de cidadãos preocupados com o problema; isso tornou necessário que a Agência para a Proteção Ambiental (Environmental Protection
Agency – EPA) criasse regulamentações estritas e mecanismos que permitissem
multar as empresas que não as observassem.
O momento decisivo se deu quando ocorreu a morte de 8.000 trabalhadores numa fábrica da Union Carbide em Bhophal, na Índia, em dezembro de 1984, em conseqüência do escapamento de um gás venenoso. Essa catástrofe chocou a indústria em geral, especialmente as companhias químicas. Outra ponte foi cruzada quando 35 nações, em 1987, na conferência de Montreal, assinaram um acordo internacional para a proteção da camada de ozônio. Somente no final dos anos 1980, as empresas começaram a responder.
Para Foladori (2001, p.291), “É necessário analisar o papel das relações sociais na crise contemporânea, o papel da sociedade perante as políticas públicas, pois a maioria das análises sobre questão ambiental parte de uma perspectiva técnica”.
Como é sabido, a participação social e a educação ambiental se apresentam como outra importante discussão, pois a efetivação do desenvolvimento sustentável se concretiza na representação popular – e a Constituição de 1988 estabeleceu a exigência da prática da educação ambiental, tanto no nível federal quanto estadual e municipal. Nesse mesmo ano, o Conselho Empresarial Municipal para o Desenvolvimento Sustentável contribuiu afirmando que: “Responsabilidade Social Corporativa é o comprometimento ético e contribui para o desenvolvimento econômico simultaneamente, a qualidade de vida de seus empregados e de seus familiares, da comunidade local e da sociedade como um todo” (SILVEIRA, 2003).
Porém, verifica-se a ausência de políticas concretas para sua consecução (CAVALCANTI, 1999, p. 393), visto que a participação social é tida como motor do desenvolvimento sustentável, algo que punciona a efetivação destas políticas públicas, desde que a população seja educada para a cidadania e tenha consciência da dimensão dos problemas ambientais no Brasil.
Outro momento considerado decisivo para a ampliação da compreensão sobre a degradação ambiental foi com o “Protocolo de Montreal,” em 1987, tido como um momento importante na história. Foi o primeiro reconhecimento público de que a poluição local estava afetando o planeta como um todo.
Em 1989, a Dow Chemical fez da proteção ambiental o tema central de seu relatório anual.
O Dia da Terra, em 1990, conheceu o maior índice de presença, até então, e parecia ser o ponto a que chegara a massa crítica. Compreendendo, enfim, que a imagem “verde” é boa paraos negócios, as empresas começaram a anunciar a boa cidadania das corporações com relação ao meio ambiente.
No ano de 1992, na cidade do Rio de Janeiro, a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento aprovou a Agenda 21 Global, documento contendo compromissos pelos quais cada país participante responsabilizava-se em incorporar às suas políticas públicas, princípios baseados no desenvolvimento sustentável e com o objetivo de compatibilizar a melhoria da qualidade de vida da população, proporcionando um crescimento econômico em sintonia com o meio ambiente. Os mesmos princípios serviram de modelo à elaboração de propostas de Agendas 21 em níveis nacional, estadual e local (BRASIL, 2006).
Os trabalhos da Agenda 21 brasileira tiveram como base a discussão conduzida pela Comissão de Políticas de Desenvolvimento Sustentável (CPDS), criada em 1997, pelo decreto do Presidente da República, abordando os seguintes temas: agricultura sustentável, cidades sustentáveis, infra-estrutura e integração regional, gestão de recursos naturais, redução das desigualdades sociais ciência e tecnologia para o desenvolvimento.
Após a elaboração da Agenda 21 Nacional, em junho de 2002, iniciou-se o processo de implementação e as lideranças de cada setor e os meios de compromissos de implementação foram definidos. Também ficaram estabelecidos os
dois documentos que compõem a Agenda 21 brasileira: Agenda 21 – Ações
Prioritárias e Agenda 21 – Resultados da Consulta Nacional.
Gauntlertt (1993) destacou que um salto quantitativo foi dado quando executivos de grandes empresas começaram a pensar proativamente, fazendo alguns questionamentos: como evitar a poluição no começo do processo de produção? Como eliminar os materiais nocivos? Como reconduzir as quantidades de resíduos? Como conservar a energia e a água?
A 3M foi a primeira empresa a usar o conceito de evitar a poluição ao invés de eliminá-la, depois de consumada. Em 1975, lançou o seu programa Vale a
pena prevenir a poluição. Com essa medida, a empresa economizou 500 milhões de
dólares entre 1975 e 1990. Portanto, nos anos 1990, várias empresas empreenderam esforços em prol da “gestão ambiental proativa”, procurando adaptar-se às novas regulamentações.
A exemplo da empresa 3M, a empresa Monsanto reduziu, em 1992, 70% de seus níveis de dejetos tóxicos; e a Dow Chemical reduziu em 50% o total de suas emissões.
4.3.3 O posicionamento das empresas em relação ao meio ambiente e à