5. Yöntem ve Gereçler
5.8 Hücre Ölümünün Analizi
O Projeto Um Computador Por Aluno foi criado pela Medida Provisória 472/09, de 15 de dezembro de 2009, convertida na Lei nº 12.249, de 10 de junho de 2010. A lei institui ainda o Regime Especial de Aquisição de Computadores para Uso Educacional (RECOMPE).
O artigo 7º do Capítulo II da referida lei define o objetivo do Projeto como sendo o
[...] de promover a inclusão digital nas escolas das redes públicas de ensino federal, estadual, distrital, municipal ou nas escolas sem fins lucrativos de atendimento a pessoas com deficiência, mediante a aquisição e a utilização de soluções de informática, constituídas de equipamentos de informática, de programas de
computador (software) neles instalados e de suporte e assistência técnica necessários ao seu funcionamento. (BRASIL, 2010, p. 1).
Já na página da internet do Projeto17 consta como objetivo “ser um projeto Educacional utilizando tecnologia, inclusão digital e adensamento da cadeia produtiva comercial no Brasil.”
O texto da lei, ao fazer referência à inclusão digital nas escolas, não deixa claro que essa questão se relaciona a um projeto educacional que visa à aprendizagem de alunos da rede pública de ensino. Por outro lado, trata em detalhes como serão a aquisição dos equipamentos e a liberação de impostos para essa finalidade. Os discursos da lei e da página na web não são contraditórios, mas é possível inferir que a ênfase não está centrada na estratégia de uso educacional dos laptops, mas no incremento à produção nacional de equipamentos informáticos.
Pelo que parece, o argumento de melhoria da Educação é simples pretexto para investimento em aquisição de equipamentos de softwares e hardwares, objetivo primeiro do programa governamental que usa o artifício da inclusão digital para incremento na cadeia produtiva do setor da área de Informática. Não que esse não seja um argumento válido; questiona-se é o uso do subterfúgio do suposto investimento na área da Educação, quando a esta não é dado o devido aprofundamento pedagógico e educacional, nem realce à preparação de pesquisadores e de educadores para o desenvolvimento de métodos cada vez mais adequados e para a aplicação eficiente dessas novas linguagens. Se não fosse assim, antes de entender qual a educação que se quer desenvolver com apoio das tecnologias digitais, o Ministério da Educação não teria se antecipado a anunciar a compra de tablets para escolas públicas com recursos da ordem de 150 milhões de reais18. Com a consecução desse investimento, fica difícil cogitar o que acontecerá com o Projeto Um Computador por Aluno, cuja perspectiva é universalizar o acesso a laptops educacionais em toda a rede pública de ensino.
Esses questionamentos se fazem necessários para compreender a complexa teia que envolve os projetos governamentais no âmbito educacional. Na primeira parte deste trabalho, ao reconstituir a trajetória da Informática Educativa no Brasil, observamos como aconteceu de modo verticalizado o processo para o uso das tecnologias digitais na escola, no caso da implantação dos laboratórios de Informática. No caso do UCA, o interesse em usar os computadores na sala de aula mobilizou inicialmente o ex-Presidente da República Luís
17
Disponível em: < www.uca.gov.br>. Acesso em: 12 nov. 2011. 18
Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&id=17479>. Acesso em: 01 mar. 2013.
Inácio Lula da Silva, que, em 2005, conheceu o projeto One Laptop Per Child, apresentado por Nicholas Negroponte durante o encontro anual do Fórum Econômico Mundial, em Davos, e constituiu equipe de trabalho para implantar projeto semelhante no Brasil.
Inicialmente foram feitas experiências em cinco escolas com máquinas doadas pelas empresas Telavo, Intel e pela organização não governamental One Laptop Per Child. Essa fase, denominada de pré-piloto ou fase 1, foi realizada nas seguintes escolas das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste: Escola Estadual Luciana de Abreu, em Porto Alegre-RS, Escola Municipal de Ensino Fundamental Ernani Silva Bruno, na periferia da cidade de São Paulo, Ciep Rosa da Conceição Guedes, no distrito de Arrozal, na cidade de Piraí, estado do Rio de Janeiro, Colégio Estadual Dom Alano M. Du Noday, em Palmas-TO e Centro de Ensino Fundamental, na Vila Planalto, zona central de Brasília.
Para acompanhar o viés pedagógico dos experimentos, o Governo Federal constituiu um grupo de trabalho integrado por pesquisadores de universidades brasileiras do Nordeste, Sul e Sudeste, reconhecidos por suas atuações com estudos na área de Informática educativa. O grupo formado por Mauro Pequeno, da Universidade Federal do Ceará, Paulo Cysneiros, da Universidade Federal de Pernambuco, José Armando Valente, da Universidade Estadual de Campinas, Maria Elizabeth Bianconcini de Almeida, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Roseli de Deus Lopes, da Universidade Estadual de São Paulo; e Léa Fagundes, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, foi responsável pela elaboração do documento contendo os Princípios Orientadores para o Uso Pedagógico do Laptop na
Educação Escolar.
Com a intenção de avaliar o desempenho das máquinas utilizadas, bem como de
softwares e dos sistemas de conectividade no pré-piloto, entre outros aspectos de ordem
técnica, o Governo contratou três centros de pesquisa, com atribuições específicas: Centro de Pesquisa Renato Archer (CenPRA), em Campinas, São Paulo, responsável pela avaliação de
display, hardware e ergonomia; já a Fundação Centro de Referência em Tecnologia
Inovadoras (Certi), em Florianópolis, atuou na investigação da cadeia produtiva, gestão, inovação (P&D) e software, enquanto coube ao Laboratório de Sistemas Integráveis Tecnológicos (LSITEC) da USP, em São Paulo, o estudo sobre os circuitos integrados,
hardware, tecnologia sem fio e software.
O Relatório da Câmara dos Deputados, intitulado “Um Computador por Aluno: a experiência brasileira” (2008, p. 92), destaca que a Rede Nacional de Pesquisa (RNP) em conjunto com a Universidade Federal Fluminense, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Universidade Federal do Amazonas, Universidade Federal da Paraíba, Universidade
Federal de São Paulo e Universidade de Brasília, também atuou na experimentação, investigando “a utilização de redes sem fio na interconexão dos equipamentos distribuídos aos alunos, com vistas a avaliar os aspectos relacionados à conectividade das escolas e as alternativas de tecnologia adotadas”.
Embora a proposta do Projeto UCA seja de universalizar o acesso de todos os estudantes da rede pública ao computador para uso na escola e postule que o projeto “terá sua ênfase no aprendizado de novas ações pedagógicas com apoio da tecnologia, visando mudanças no currículo escolar”, a fase do pré-piloto foi caracterizada por uma série de descompassos (BRASIL, 2009, p. 5).
Em primeiro lugar, a questão metodológica da experimentação ficou comprometida. A intenção, pelo que o próprio nome do projeto aponta, é que cada estudante utilize um computador individualmente, a chamada situação 1 para 1, e isso aconteceu apenas nas escolas de Porto Alegre e Piraí e, mesmo assim, com diferenças entre elas. Em São Paulo foram oito alunos por computador, em Palmas três estudantes para cada laptop e em Brasília somente três turmas do Centro de Ensino Fundamental usaram os computadores.
A primeira constatação que salta aos olhos é que, na verdade, não estão sendo experimentadas apenas protótipos diferentes, mas também distintos modelos conceituais de introdução de tecnologia digital nas escolas. (BRASIL, 2008, p. 93). Como já expresso, foram distribuídos computadores de vários modelos. As escolas do Rio de Janeiro e de Tocantins receberam equipamentos da Intel, os modelos
classmate; em Brasília, os estudantes utilizaram o mobilis; e em Porto Alegre e São Paulo, as
máquinas utilizadas foram as do modelo XO. Em que medida essa distribuição diferenciada compromete os experimentos, considerando que não se tratava apenas de possibilitar o acesso dos estudantes aos computadores, o que em muitas escolas já era realidade por meio dos laboratórios de Informática, mas que isso acontecesse no ambiente da sala de aula e cada aluno com um computador?
O Relatório “Um Computador por Aluno: a experiência brasileira”, produzido pelo Conselho de Altos Estudos e Avaliação Tecnológica da Câmara dos Deputados, organiza a sua análise sobre a fase do pré-piloto em quatro aspectos: infraestrutura tecnológica (equipamentos e conectividade), infraestrutura física e logística, suporte técnico e suporte pedagógico.
No que diz respeito à infraestrutura física, o relatório identificou os seguintes problemas em todas as experiências: os computadores apresentaram baixo desempenho, houve demora ao se iniciar os programas e foi comum que muitos travassem, principalmente
quando realizavam várias tarefas ao mesmo tempo. A duração das baterias foi insuficiente e a conexão com a internet em muitas escolas estava muito lenta e caía com frequência, nem todas as escolas tinham acesso à rede sem fio, comprometendo a mobilidade na utilização, sem contar que muitas máquinas não funcionaram e houve problemas com a manutenção.
Com vistas a facilitar a expansão do Projeto para mais 300 escolas, em 2009, foi estabelecido acordo de cooperação técnica entre o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Ministério da Educação. O BID financiou o projeto “Preparando para a expansão: lições da experiência-piloto brasileira na modalidade um para um”, em que pesquisadores investigaram as experiências e produziram relatórios sobre o contexto de cada uma das escolas, sobre as condições de infraestrutura e questões técnicas e acerca dos problemas relacionados à gestão, enfatizando os entraves e soluções.
O Relatório de Sistematização I – Síntese das Avaliações dos Experimentos UCA Iniciais ratifica algumas das constatações expressas no Relatório da Câmara dos Deputados, no que diz respeito às questões de infraestrutura da escola, o que inclui rede elétrica, mobiliário, tamanho das salas de aula, segurança e conexão de acesso à internet. O documento identifica ainda os usos que cada unidade escolar fez dos laptops educacionais durante os experimentos e destaca a experiência da Escola Estadual de Ensino Fundamental Luciana de Abreu, que introduziu inovações metodológicas no processo, “que envolve uma nova concepção tanto das funções do professor quanto do aluno em sala de aula”. (P. 33).
É relevante ainda, segundo o relatório, o envolvimento das equipes gestoras e pedagógicas desde o início do processo, o que foi muito positivo em todas as escolas do Pré- piloto. No que diz respeito à sustentabilidade financeira do projeto, apenas as secretarias de Educação de São Paulo e de Brasília não fizeram investimentos para viabilizar a realização das atividades do UCA.
Na avaliação dos experimentos no Pré-piloto, os pesquisadores destacaram a importância do Projeto Político-Pedagógico da escola estar em sintonia com a perspectiva do UCA, especialmente “na incorporação da política educacional de computação 1 para um 1”, como aconteceu na escola em Barra do Piraí, no Rio de Janeiro (p. 46). Já a avaliação do UCA na escola de Palmas, no Tocantins, indica que o uso intensivo dos computadores nas aulas “contribuiu com a melhoria da produção escrita e no desenvolvimento das habilidades de leituras e no envolvimento nas atividades de pesquisa”. (P. 49).
No relatório destinado aos gestores, a experiência da escola de Palmas também é mencionada como exitosa, porquanto houve a vinculação do UCA com o PPP e a equipe envolvida optou por criar a figura do coordenador do UCA na unidade escolar, de tal forma
que o trabalho pôde ser mais bem acompanhado e os professores estavam mais seguros, porque havia uma interlocução permanente da coordenação com a direção e o Núcleo de Tecnologia da Educação.
A formação nas escolas também foi comentada no Relatório II, destinado aos gestores. É sugerido que a formação aconteça em três momentos e que seja constituída de Oficinas de Apropriação Tecnológica, Cursos de Formação para Novas Práticas com Laptops e Formação Continuada para atualização e troca de experiências. O Relatório propunha que fossem constituídos grupos de alunos-monitores com a função de apoiar e colaborar com as atividades desenvolvidas pela escola. No experimento em Barra do Piraí, no Rio de Janeiro, por exemplo, houve a participação dos alunos desde os momentos de formação.