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GRS TR ve Özellikleri

Em nossa análise dos documentos da ESEBA sobre o Fórum de Classe, deparamo-nos com a ênfase conferida às regras de convivência na escola, que parecem permear a tônica dos Fóruns de Classe. Percebemos que o diálogo, o

debate e a participação proposta para os momentos de Fórum perfazem uma discussão em torno de regras na escola.

Um anúncio, que consta na coletânea, da direção aos alunos chama nossa atenção e aqui gostaríamos de destacá-lo. O documento apenas menciona o ano em que foi produzido, refere-se a 2002, possuindo um título acentuado em negrito e sublinhado: ALUNO/ ALUNA ESEBA DO 2º ciclo. Informa aos alunos da ESEBA que está chegando o momento do último Fórum de 2002 e que, durante todo o ano, a escola refletiu sobre: “Posturas adequadas/inadequadas na escola; envolvimento/compromisso de cada um com as questões escolares; rendimento na aprendizagem dos conteúdos, e muito mais; enfim, sobre O QUE VALE e O QUE NÃO VALE para a formação da cidadania” (UFU. ESEBA, [2005]c). Logo depois do texto acima, vem a seguinte questão: “VOCÊ CONSEGUIU SUPERAR AS SUAS DIFICULDADES, ENQUANTO ALUNO/ALUNA ESEBA? Pense nisto! Auto-avalie-se! Conversaremos no Fórum” (UFU. ESEBA, [2005]c). Percebemos que as dificuldades que o aluno pode vir a ter, segundo o que o documento nos traz, dizem respeito à maneira como se organiza em seu dia-a-dia em termos de posturas, envolvimento e rendimento.

Ainda nesse documento, encontramos as datas em que iriam se realizar os Fóruns nos terceiros, quartos e quintos anos, com duração de duas horas em cada turma. Apresenta-se, também, a dinâmica do Fórum em sala de aula, sendo igual à utilizada no trimestre anterior, ou seja: “O/a aluno/aluna se auto-avalia; é avaliado/a por um/uma colega sorteada na turma; um/uma professor/professora faz as considerações; todos/todas participantes votam entre as notas citadas, uma nota para o/a aluno/aluna” (UFU. ESEBA, [2005]c).

Em nossa análise, notamos, por meio da leitura do documento, a preocupação com questões disciplinares e de rendimento e que o tempo do Fórum é empregado na atribuição de nota ao aluno e, assim, o diálogo, que aparece em documentos como o objetivo maior do Fórum de Classe, fica restrito. Além disso, a professora fica numa situação cômoda de apenas avaliar o aluno e não ser avaliado por este.

Esse comunicado para os alunos é relativamente extenso, compondo-se de duas páginas no total e apresenta a idéia de preparação do aluno para um momento específico de avaliação. Aqui nos deparamos com uma outra realidade de Fórum de Classe, ao contrário do que é dito em documentos produzidos na ESEBA e que foram analisados por nós, o Fórum tem sido um momento de avaliação com ênfase na nota do aluno e não num diálogo sobre o cotidiano escolar. Como assinala Vasconcellos (2000), ao referir-se à prova, há todo um ritual específico para o dia do Fórum, com local, data, horários e procedimentos organizados.

Encontramos, junto com o documento destinado aos alunos, uma página, sem data e autor, com o seguinte título: Atitudes e comportamentos importantes para

uma boa convivência e um bom trabalho em grupo na ESEBA. Para o que vale ,

encontramos um total de 11 itens e em o que não vale, havia 20 itens. Embora não tenhamos descoberto como foram produzidos, os itens “o que vale” e o “o que não vale” são uma forma de induzir e reforçar as atitudes e os comportamentos dos alunos considerados adequados no cotidiano escolar. Os itens acerca do “o que vale” são os seguintes:

1- Participar ativamente das aulas, com seriedade e responsabilidade, trazendo idéias, opiniões e sugestões pertinentes;

2- Levantar a mão e aguardar a vez de falar, exercitando o direito de fala e escuta;

4- Exercitar a participação em vários grupos, aceitando as diferenças indiscriminadamente;

5- Respeitar os vários atores do processo educativo: diretor(a), professores(as) e demais funcionários técnico-administrativos da ESEBA;

6- Observar e cuidar dos hábitos de conduta: “Por Favor”, “Obrigado(a)”; 7- Cuidar do ambiente escolar, conservando os diversos espaços (salas,

banheiros, pátio, corredores, etc);

8- Preservar o próprio material e o material da escola: 9 Trazer o material completo diariamente;

9 Fazer as atividades propostas em sala e extra-classe (tarefa de casa); 9- Vir uniformizado diariamente (o uso da camiseta da escola é obrigatório;

e nas aulas e Educação Física, o uniforme está estipulado na agenda); 10- Cumprir o horário de aula estabelecido pela escola;

11- Cumprir as normas e o jogo de regras combinadas, respeitando o outro e fazendo-se respeitar (UFU. ESEBA, [2005]c).

Observando “o que não vale”, encontramos as atitudes desvalorizadas pela escola:

1- Mascar chicletes, chupar pirulitos e balas durante as aulas;

2- Não cuidar dos vários ambientes da escola, jogando papel no chão, rabiscando paredes, carteiras e outros;

3- Gritar, brigar, falar palavrões, fazer falta de educação, causando intrigas, ameaças e fofocas dentro do ambiente escolar;

4- Responder com ofensas, desrespeito e falta de educação aos colegas e profissionais da escola;

5- Responder questionamentos com perguntas impróprias, brincar de ‘lutinha’ e dar rasteiras nos colegas;

6- Conversar paralelamente e fazer brincadeiras inadequadas e desrespeitosas durante as aulas e no espaço coletivo da escola;

7- Falar quando outras pessoas estão falando, interrompendo a comunicação entre elas;

8- Colocar apelidos nos colegas, causando-lhes mal-estar;

9- Fazer julgamentos inadequados, críticas maldosas, principalmente na ausência das pessoas envolvidas;

10- Passar bilhetes durante as aulas;

11- Correr na sala, corredores e rampas, atrapalhando o andamento das aulas; 12- Pular por cima das carteiras e também pelas janelas da sala de aula; 13- Pegar ou esconder qualquer material alheio sem que o(a) autorizem; 14- Sair da sala de aula na troca de horário e durante as aulas sem a

autorização do(a) professor(a);

15- Vir para a escola sem o material e com as tarefas incompletas; 16- Vir para a escola sem o uniforme;

17- Ficar perguntando “horas” a todo tempo;

18- Ficar na sala de aula e corredores durante o recreio; 19- Sair da cantina antes de terminar de fazer o lanche;

20- Deixar para ir ao banheiro e beber água, após o sinal do recreio (UFU. ESEBA, [2005]c).

Percebemos uma quantidade considerável de regras que devem ser assimiladas pelos alunos da escola no cotidiano escolar e, nos questionamentos sobre sua autoria, especificamente, perguntamo-nos se os alunos participaram da formulação destas. Será que os alunos foram ouvidos? Tais regras nos parecem pretender negar o jeito de ser das crianças, por exemplo: por que “não vale” “mascar chiclete”? Por que não pode perguntar as horas quando se quer? Quando é que se pode ou se deve perguntar as horas? Por que “não vale” ficar na sala de aula e nos corredores durante o recreio? Assim, poderíamos multiplicar os porquês para as regras apresentadas. O que se percebe nestas regras é uma afirmação e a predominância do ponto de vista do adulto, no caso, de professoras.

Os alunos que desobedecem às regras são considerados alunos com dificuldades e, assim, sofrem conseqüências no dia-a-dia da escola e também no Fórum de Classe, como críticas do colega, que o avalia na sala de aula, ou como a perda de nota na avaliação de Fórum.

A avaliação de comportamentos dos alunos no Fórum é medida por uma nota, no valor máximo de seis pontos. Esta nota é atribuída conforme a avaliação do próprio aluno, num primeiro momento; num segundo momento, por um colega sorteado; depois, por uma professora que queira falar sobre o aluno e pontuá-lo e, daí, com estas três notas, faz-se a votação geral entre os colegas de sala, e o aluno fica com a nota que corresponde à opinião da maioria de todos os votantes presentes na sala.

Podemos indagar, neste caso, se esse tipo de movimento produz uma avaliação justa? A predominância da maioria de opiniões pode ser considerada sempre democrática? Um tempo tão curto para o Fórum produz algum tipo de diálogo? Que tipo de comunicação se estabelece entre os sujeitos?

Encontramos, na coletânea, outro documento, o qual não consta autoria nem título, que expõe as habilidades que o aluno necessita desenvolver em seu cotidiano e que deverão ser avaliadas. Esse documento não possui data e é iniciado com uma citação: “Nunca duvide que um pequeno grupo de cidadãos preocupados e comprometidos possa mudar o mundo: de fato, é só isso que o tem mudado” de um autor(a) identificado(a) como Mead. A página traz cinco habilidades relativas aos alunos:

1- Participa do cumprimento das regras escolares;

2- Desenvolve e realiza os trabalhos em sala de aula e extra classe com iniciativa e organização;

3- É capaz de trabalhar em grupo e/ou individualmente, considerando o ponto de vista dos outros e contribuindo para a melhoria das relações, favorecendo assim o ensino aprendizagem;

4- Contribui na organização e manutenção dos espaços físicos no ambiente escolar;

5- Mantém sistematicamente o material escolar necessário (UFU. ESEBA, [2005]c).

Percebemos que as cinco habilidades enumeradas acima estão relacionadas com o documento que discute O que vale e O que não vale, anteriormente citado, para atitudes e comportamentos avaliados como importantes para uma boa convivência e um bom trabalho na ESEBA. Assim, o aluno é levado, ou se tenta convencê-lo a estimar o que vale e comportar-se adequadamente, inclusive, para garantir uma pontuação relevante.

O Fórum é considerado, entre os docentes da escola, um momento essencial para o trabalho da ESEBA. Fica nítido que as professoras reafirmam a importância das habilidades anteriormente citadas e cobram dos alunos tais comportamentos no cotidiano escolar.

Em outro documento, intitulado: Considerações para a realização dos Fóruns

alterações nas cinco habilidades avaliadas nos alunos, anteriormente apontadas, e são acrescentadas duas outras. As habilidades passaram a ser as seguintes:

1- Participo da elaboração e do cumprimento das regras escolares e do grupo;

2- Desenvolvo e realizo os trabalhos em sala de aula e extra classe com iniciativa e organização;

3- Sou capaz de trabalhar em grupo e/ou individualmente, considerando o ponto de vista dos outros e contribuindo para a melhoria das relações, favorecendo assim o ensino-apredizagem;

4- Contribuo na organização e manutenção do mobiliário e demais equipamentos da escola;

5- Mantenho sistematicamente organizado o material escolar necessário; 6- Comprometo-me com a qualidade dos espaços de convivência escolar,

inclusive os relativos aos diversos tipos de poluição;

7- Assumo a responsabilidade e conseqüências de minhas atitudes (UFU. ESEBA, [2005]c).

Pelas alterações produzidas nas habilidades discentes, está clara a ênfase na auto-avaliação do aluno mediante critérios ou habilidades previamente determinados, o que justifica a mudança da 3º pessoa para a 1º pessoa do singular. Averiguamos que o aluno deve se auto-avaliar, tendo em vista sua relação com o grupo maior da escola, nos termos elaborados pela própria escola, principalmente as professoras.

Ainda segundo o documento Considerações para a realização dos Fóruns de

Classe/2004, os itens seis (06) e sete (07) foram acrescentados por contemplarem

habilidades desenvolvidas na escola por meio do trabalho com projetos intitulados: A ESCOLA E AS QUESTÕES AMBIENTAIS e CARO ALUNO. Com este documento, confirmamos, mais uma vez, a ênfase conferida à nota. É o que pretendemos evidenciar com a citação que se segue:

A proposta atual amplia para o 3º ciclo, a dinâmica e os critérios praticados no 2º ciclo durante o ano letivo/2003. Significa que para atribuir valores, serão considerados critérios, conforme descritos a seguir.

ALUNOS

O aluno recebe o instrumento para realizar sua auto avaliação em aula anterior ao fórum (ficha anexa). Este instrumento será preenchido com o auxílio do professor de referência da turma, que orientará o aluno para a reflexão e avaliação de suas posturas em todo o processo educacional, pautando-se pelo princípio de sua formação integral.

PROFESSOR

Cada professor deverá preparar uma avaliação prévia de cada aluno, considerando os critérios elencados no instrumento de auto avaliação (ficha anexa). Deverá haver troca de idéias entre professores de cada turma, quando possível e necessário, para que não hajam discrepâncias, uma vez que deve-se pensar no aluno de forma integral.

A presença do professor nos Fóruns é obrigatória, mesmo que seja em horário de planejamentos e aulas em outras turmas, que deverão ser cobertas por professores da própria área ou da eventualidade. Pedimos que comunique a Direção a organização deste horário.

ÁREA

Como para a grande maioria do 3º ciclo, o modelo é relativamente diferente daquele experimentado em 2002/2003, sugerimos que as áreas discutam, com a contribuição dos professores que atuaram no 2ºciclo, as dúvidas e procedimentos. Pedimos que este ponto seja considerado nas reuniões de áreas.

Segundo Momento: Realização do fórum

1- O aluno apresenta sua auto avaliação e tece considerações conforme justificativas apresentadas no instrumento, pautando-o de 0 a 6, conforme as suas percepções a respeito da sua formação. Este terá 1 minuto para sua exposição.

2- É feito sorteio do nome de um colega que irá contribuir com ponderações a respeito das produções e posturas do aluno em processo de avaliação. Este colega atribui um valor em nota de acordo com suas considerações, tendo 30 segundo para sua avaliação. Observação: os nomes dos alunos da turma devem ser levados já organizados, (recortados e dobrados) para o sorteio, pelo coordenador do fórum da turma.

3- Um professor da turma tece comentários, referendando ou não, as considerações feitas anteriormente nos itens 1 e 2. Para agilizar o processo, o critério é que um professor represente a equipe docente da turma, e que se alterne esta representação a cada aluno avaliado. Este também atribui um valor para sua avaliação, tendo 30 segundos para suas considerações. 4- Diante das considerações, o aluno tem direito à revisão de nota, se a equipe

considerar pertinente a sua justificativa, devendo ocorrer em horário extra fórum, combinado com o coordenador do fórum.

5- O resultado final é obtido mediante votação dos três valores atribuídos anteriormente, por todos os participantes do fórum. Este valor é a nota a ser lançada para todos os componentes curriculares.

6- O aluno deverá colar na agenda o seu instrumento de avaliação para ser referência de reflexões, como também, recurso de análise para os próximos fóruns.

Esperamos contar com a colaboração e compreensão de todos, no sentido de experimentar uma dinâmica que é nova para alguns docentes, e fundamental para que avancemos numa Proposta de Avaliação Qualitativa de nosso aluno, que respeite a um princípio único para a escola. Além disso, a experiência permitirá uma avaliação posterior em que consolide, para 2005, uma proposta melhorada (UFU. ESEBA, [2005]c).

A reconstrução anterior de uma parte considerável do documento faz-se relevante, pois permite-nos divisar a dinâmica de funcionamento dos Fóruns de Classe nos próprios termos da Comissão e, com isso, percebe-se o movimento que o grupo faz para a sua operacionalização. Na forma como a dinâmica de operacionalização dos Fóruns de Classe está organizada, constatamos que há tempo restrito para o aluno se auto-avaliar e, também, para o professor e um outro aluno exporem sua opinião sobre o sujeito avaliado, o que não condiz, de modo algum, com a promoção de diálogo.

As professoras de referência, consideradas no documento, fazem-se presentes nas turmas de 3º ao 8º ano. Estas professoras são escolhidas, por votação, em cada turma, pelos alunos e têm como objetivo maior representar e orientar a turma. Na Educação Infantil21 e nos primeiros e segundos anos do ciclo de Alfabetização Inicial, as professoras de referência são as professoras regentes.

Sobressai o fato de o aluno não poder questionar a nota final no momento do Fórum, mas, sim, num momento posterior, extra-sala, o que nos faz questionar se os Fóruns realmente, promovem o diálogo e se são democráticos. Desta forma, as exposições são monitoradas por roteiros prévios e em um determinado tempo, o que nos remete a pensar no tema da inclusão, apresentado como um valor e objetivo da própria instituição. Acreditamos que o tempo estipulado para as falas não possibilita a expressão e inclusão das diferenças presentes na sala de aula.

O desenvolvimento do Fórum de Classe, como destacado no presente item, nos revela uma burocratização do seu acontecer. Tal fato atentou-nos para a forma como o grupo da escola se organiza em seu dia-a-dia e engendra um trabalho

burocrático. Buscamos discutir sobre tal organização cotidiana da escola no próximo item.