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Grelinin Obezite, Diğer Molekül ve Sistemlerle İlişkis

4.5. Obezitede Yağ Dokusunda Bulunan Adipokinler

4.5.4. Grelinin Obezite, Diğer Molekül ve Sistemlerle İlişkis

Em qualquer discurso diplomático brasileiro que fale de integração regional na era FHC encontra-se frases exaltando a importância do Mercosul. Frente às negociações da Alca, era importante o bloco sub-regional apresentar-se unido, coeso e pronto para discutir em grupo o tema com os norte-americanos. Não resta dúvidas que a importância do Mercosul ao governo brasileiro continuava expressiva, sem o qual não se imaginava uma Alca.

Lampreia (2001) fazia questão de afirmar que “Nossa frente é o Mercosul, e ele já é, em si, um bloco com peso muito significativo. Sem ele não haverá Alca nenhuma. Vamos fortalecer nossa postura, principalmente pelo Mercosul”. Era clara a percepção de que o bloco constituído por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai potencializava a capacidade de barganha desses países frente às negociações internacionais, tanto bilaterais quanto multilaterais. Novamente nas palavras do então Ministro das Relações Exteriores, Lampreia (1999, p. 91),

se nós atuarmos internacionalmente como Mercosul, as nossas circunstâncias nacionais ficam valorizadas, ficam reforçadas, e a nossa capacidade de barganha, por exemplo, frente aos Estados Unidos, na definição do que serão as agendas e os mandatos negociadores da ALCA, fica mais forte, mais robusta do que se tivéssemos atuando sozinhos.

A percepção da importância do Mercosul ficou comprovada ainda pela pesquisa de Amaury de Souza. Objetivando elaborar um mapeamento do pensamento da comunidade de política externa brasileira, Souza (2002) realizou um estudo de fôlego, entrevistando 149 personalidades relacionadas á área, entre elas, membros do Itamaraty, representantes de grupos de interesses, congressistas, empresários, líderes de organizações não governamentais, acadêmicos e jornalistas. O objetivo do projeto foi

elaborar um mapeamento do pensamento desse seleto grupo ligado à diplomacia brasileira, identificando qual seria o papel que compreendiam que caberia ao Brasil exercer no contexto nascente pós-Guerra Fria. Qual a concepção dessas pessoas acerca do papel do Brasil no novo contexto internacional? Qual a visão do mundo que deveria nortear os passos do Brasil em seu diálogo com o mundo?

Ao fim da pesquisa, o Souza (2002, p.4) constatou que, para 99% dos entrevistados, os EUA são vitais para os interesses do Brasil. Em segundo lugar, nesse "ranking", aparece à Argentina que, para 94% dos entrevistados, deve ocupar um lugar de grande destaque na estratégia diplomática nacional. Ademais, para 91% dos entrevistados, a existência do Mercosul seria benéfica para o Brasil.

Ao mesmo tempo em que o Mercosul ganha notória importância no rol estratégico do Itamaraty, oficialmente, a leitura que os formuladores e analistas de política exterior brasileira realizavam era no sentido de que o Mercosul favorecia de maneira decisiva o paradigma da autonomia pela participação e do universalismo.

Isso porque, no âmbito retórico, a idéia propalada era a de que a prioridade que o Brasil conferia ao Mercosul não limitava sua política externa apenas às relações intrabloco e entre blocos. E isso de fato ocorria. O regionalismo aberto continuava a dar o tom no posicionamento brasileiro frente às questões globais. Assim, ao mesmo tempo em que valorizava a circunscrição do Mercosul e buscava a partir dele negociar tanto com a União Européia, quanto na Alca, o Brasil utilizava o bloco ainda como meio de

incremento de seu paradigma universalista, na medida em que se mostrava como um ator de maior relevância, ao se apresentar, sempre que possível, com sua imagem atrelada ao Mercosul.

No mais, o fortalecimento do Mercosul acabava sendo declarado ainda como caminho para uma participação mais ativa do Brasil na cena internacional, dentro dos moldes da

autonomia pela participação, tendo em vista o fato que concedia ao Brasil maior legitimidade em suas demandas, já que muitas vezes o país buscava posicionar-se de forma conjunta com os sócios do bloco.

O Mercosul é um processo essencialmente aberto ao exterior. No caso do Brasil, o desenvolvimento do Mercosul é parte de

um amplo esforço de abertura econômica, liberalização comercial e melhor inserção na economia mundial. O processo de integração não é concebido como um fim em si mesmo, mas como instrumento para uma participação mais ampla no mercado global (grifo nosso) (LAMPREIA, 1995ª, p.135).

No mesmo sentido, Sennes (2003, p.125) afirma que,

[...] a vertente da inserção regional brasileira nessa nova matriz ultrapassou a lógica apenas regional, significando mesmo um instrumento de potencialização da inserção global do país. Neste sentido, os programas de integração e de cooperação, além de seus desdobramentos econômicos, certamente têm buscado atingir outros resultados no campo da política internacional”.

Importante ressalvar que, ao longo dos 8 anos da era Cardoso, o Mercosul não teve um desenvolvimento uniforme. Analisando apenas o recorte temporal contido no presente trabalho, pode-se distinguir três diferentes fases do Mercosul. A primeira, que antecede o primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso, vai de 1991 a 1994: do Tratado de Assunção até o Protocolo de Ouro Preto. É durante esse período que se estabelece o desenho geral do bloco.

A segunda fase tem início a partir de 1994 e vai até 1998. Ao longo desse período ocorre uma expansão comercial intrabloco considerável. Por fim, a partir de 1999, com a crise do real e a posterior recessão argentina, o Mercosul mergulha numa crise que causa uma espécie de paralisia nas iniciativas dos governos dos países sócios.

Assim, se num primeiro momento (1994), o plano real favoreceu ao Mercosul – na medida em que a preocupação com a estabilização econômica e o combate à inflação havia ocasionado um aprofundamento da liberalização-, num segundo momento, a preocupação com relação ao déficit comercial e o rearranjo da política industrial brasileira trouxe reflexos ao Mercosul, considerando-se que, não apenas o Brasil, mas seus membros como um todo, mostraram-se menos propícios a assumirem compromissos que, de alguma forma, limitassem sua capacidade de decisão unilateral.

Por outro lado, parcela dos analistas relaciona a não obtenção do fast track por parte do governo norte-americano às dificuldades de desenvolvimento do Mercosul, na medida em que, sem a indicação de uma aceleração da Alca, reduzia-se dentro do Itamaraty a disposição de flexionar posições e aprofundar o Mercosul, ao menos num curto prazo (BOUZAS, 1999).

Dessa forma, como foi exposto linhas atrás, a partir de 1998 (intensificando-se em 1999), a crise que assolava o Mercosul adquire maiores dimensões. Pecequilo e Gomes (2004, p. 101) falam da “perda de dinâmica” que afligia o bloco nesse período e das “tensões entre seus membros, principalmente advindas da desvalorização cambial brasileira”. Vizentini (2005, p. 98-99), por sua vez, também relaciona a crise do Mercosul à desvalorização da moeda brasileira em 1999.

Na passagem de 2001 para 2002, depois de seguidos ataques ao Mercosul e acenos em direção a Alca (por parte do Ministro Domingo Cavallo), a Argentina entra numa forte crise econômica que, naturalmente, reflete no Mercosul. Vigevani e Mariano (2005) procuram demonstrar que, a relação Argentina – Alca apresentou oscilações desde a metade da década de 1990.

A partir de 1995, o governo argentino começa a demonstrar simpatia pela idéia de avançar no processo de integração hemisférica. Esse tipo de manifestação variava conforme as circunstâncias domésticas e do Mercosul, o que contribui para demonstrar que seria necessário um gradativo aumento de custos de parte do Brasil para manter a capacidade de oferecer benefícios a curto prazo.

Ainda nesse sentido, de acordo com Abreu (1997), antes da realização da reunião Ministerial de Belo Horizonte, os EUA procuraram de todos os modos influir no comportamento argentino, almejando assim, pressionar e isolar o Brasil que, naquele momento, defendia métodos de negociação – como o single undertackig e o building

4.3 Mercosul: prioridade estratégica? Entre discursos e ações

De acordo com as discussões elaboradas até o momento, parece claro que o Mercosul figura como uma prioridade central para a estratégia de inserção internacional do Brasil. Nesse caso, a conseqüência mais natural seria a verificação de um empenho real do Itamaraty no sentido de fortalecer o bloco de fato.

No plano retórico, o discurso em torno do fortalecimento e aprofundamento do Bloco do Cone Sul é encontrado a todo o momento. Todavia, quando rompe-se a barreira dos discursos diplomáticos e parte-se para a verificação das ações efetivamente implementadas pelo Brasil no sentido de um maior desenvolvimento do Mercosul, nota- se um grande vazio, um gap entre o discurso e a prática.

Latin American integration has a long history according to conventional political rhetoric but a poor record when it comes to concrete accomplishments.[…]

Its main argument is that Mercosur is a case of cognitive dissonance, in which conventional political discourse reflects the expectations of its speakers rather than the real world” (MALAMUD, 2005a, p.421-422).

Primeiramente, parece importante pontuar que, o governo brasileiro sempre mostrou-se consciente das sérias dificuldades encontradas no âmbito do Mercosul11. O que implica em reforçar a idéia de que, mesmo ciente da importância do bloco e de suas fragilidades estruturais, o Brasil pouco fez que transcendesse o campo da retórica.

Em outras palavras, acredita-se que, a relevância estratégica do bloco formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai era nítida para o Itamaraty. Entretanto, paralelamente, os problemas estruturais que emergiram ao longo do tempo não encontraram no Brasil, um ator com disposição suficiente para buscar soluções efetivas e aprofundar o processo de integração em questão.

O que se constata ao longo do período FHC é uma negativa constante de estabelecer diretrizes em torno da institucionalização do Mercosul. Como assevera Lima (2003),

Benzer Belgeler