GFAFENİN ÖZELLİKLERİ Mekanik Özellikleri
1.7. Grafen Oksit ve Grafenin Kullanım Alanları
Uma noção que se encontra no centro do pensamento moderno, a ideia de rede tem sido empregada em toda parte, no mundo empresarial, em políticas públicas, em estudos de diversas áreas. A princípio, a imagem que a noção de rede endossa entre nós é a de uma malha vasta estendida sobre territórios citadinos, nacionais e até transcontinentais, cujos pontos de articulação atribuem às conexões o seu caráter mais contemporâneo: a possibilidade de engendrar trocas globais. Essa noção é hoje um lugar comum nas análises das sociedades contemporâneas, pois consolida um paradigma da globalização através do qual se efetiva uma noção muito recente sobre as chamadas “sociedades complexas” de que os sistemas amplos de trocas comerciais e simbólicas é a característica mais marcante de um novo modo de experimentação do mundo.
Redes são boas para pensar discursos da modernidade, mas não na perspectiva de buscar explicações demasiado globais sobre o capitalismo, nem sobre sistemas “complexos” de troca, como o fez Castells (1992) numa análise dos sistemas de interação social de amplo alcance, em que sujeitos participam de trocas econômicas e culturais em escalas internacionais. Não é por esse caminho que enveredo minha análise. Tampouco mobilizo a rede como aporte metodológico para falar de relações do tipo globalizadas.
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Refiro-me aos cursos Em defesa da sociedade (1975-76), Segurança, território e população (1977-78) e Nascimento da biopolítica (1978-79).
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A rede de saúde, na especificidade do objeto para o qual lanço luz, tem a sua materialidade. Busquei preservar nesta etnografia a potência da rede em servir como conceito para a organização dos processos de trabalho nos sistemas de saúde. Por essa razão, ela deve ser apreendida não apenas no nível local, na tentativa de buscar na escala micro a garantia de uma abordagem antropológica. Aliás, a redução da escala observável resolve parcialmente o problema da descrição, pois parece ser mais factível apurar o micro e não o macro. Entretanto, não é no olhar local em que residem as marcas do experimento antropológico. É postura política que assegura um trato epistemologicamente positivo do saber nativo. Por isso, procuro demonstrar como trabalhadores e gestores da saúde elaboram uma teoria da rede.
Para não correr o risco de recair em traduções conceituais totalitárias - aquelas que buscam trazer para o universo científico a elaboração conceitual nativa, conferindo- lhe sentidos e noções próprias do analista -, irei tecer a rede sobretudo com os conceitos deles, lançando mão das minhas ferramentas conceituais para criar diálogos, não para traduzir. Por outras palavras, irei inventar uma etnografia.
Essa escolha implica, antes de tudo, esclarecer que há uma teoria nativa da rede, cujos conceitos, metáforas e noções são por eles mobilizadas para dar conta de inventar uma gestão intersetorial, ou também como a chamam, a intersetorialidade. Cálculos das ações são elaborados pelos trabalhadores, mapas mentais são feitos para identificar as parcerias, cartografias são desenhadas para localizar os equipamentos e os impactos das ações nos territórios, softwares procuram interligar ponto a ponto da rede para otimizar as trocas e imaginar uma rede unificada, enfim, há um sem número de recursos para inventar um modo de trabalho intersetorial.
Tendo tudo isso em vista, é preciso esclarecer que não foi de minha escolha recorrer aos cálculos, às cartografias, aos mapas mentais e a outros recursos externos ao universo dos trabalhadores da saúde de forma que tais instrumentais pudessem auxiliar- me na análise do material de pesquisa. Não busquei tais ferramentas analíticas para poder verificar post factum o que fazem os nativos para atarem as parcerias e as cooperações no sistema de saúde. O que procurei fazer foi descrever e analisar as estratégias de que os trabalhadores e gestores do SUS lançam mão para realizar uma gestão da saúde sob os desígnios da intersetorialidade. Essa é a primeira consideração importante para explicitar os procedimentos etnográficos aqui adotados.
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Mas como toda descrição é sempre carregada de análise e de bagagem teórica, seria desonesto e insuficiente afirmar que bastaria recorrer aos conceitos nativos para que o texto se isente das críticas mais severas da autoridade etnográfica. Strathern (2006) nos lembra que a escrita etnográfica é um esforço para criar mundos observados, através de “um meio expressivo (o texto escrito) que estabelece suas próprias condições de inteligibilidade” (p.47). A invenção dos mundos observados se dá, como Strathern assinalou, pela criatividade da linguagem, que é o nosso recurso, mas não sem seus perigos e limitações. Descrições são seletivas mas, apesar disso, a linguagem confere ao texto escrito uma legitimidade. A antropóloga esclarece que essa contradição entre a seletividade do que é observado e criado e a formatação final do texto, como se fosse um universo bem acabado, é inerente à linguagem etnográfica. Em suas palavras: “Por linguagem, incluo aqui as artes da narrativa, a estruturação de textos e tramas, e a maneira em que aquilo que é assim expresso chega sempre numa condição de algo acabado ou completo (holístico), já formado, uma espécie de composição” (2006, p.47).
Com essa recomendação em vista, de que um texto etnográfico é apenas uma composição, recorri a outras ferramentas conceituais próprias do meu universo, não para oferecer explicações daquilo que os nativos são incapazes de notar. Tampouco pretendi elaborar uma explicação da rede que eles sequer pretendiam fazê-la, ou pretendiam e não puderam realizá-la. Ao contrário disso, procurei neste texto recuperar alguns conceitos e discussões da Antropologia para buscar o solo epistemológico de onde nascem e estão assentadas as práticas de saúde, por onde circulam as noções, a que outros saberes elas se ligam e que relações de forças são travadas no seio destas práticas.
Criar diálogos entre conceitos nativos e antropológicos se presta, antes de tudo, como Strathern já nos alertou, não a descrever o mundo observado mas a criar versões deles na escrita. Ademais, fazer conceitos viajarem de um canto a outro nos impõem um exercício de autocrítica a respeito do lugar em que falamos e as condições em que produzimos verdades etnográficas.
Rabinow (1986) nos avisa dos perigos de uma ciência puramente interpretativa e da soberania do autor representador, numa crítica explícita aos hermenêuticos. Para ele, que buscou saídas para o debate pós-moderno americano em sugestões já colocadas por Foucault (1971), novos experimentos textuais podem abrir possibilidades analíticas. Entretanto, as análises que pretendem ser reflexivas, buscando identificar as condições
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de produção do conhecimento, de acordo com as recomendações do autor deveriam levar em conta a conjuntura socio-histórica dos discursos a partir da qual procura localizar autores em instituições, em cenários de negociação e em um regime epistemológico. É por essa via que o autor nos traz a consciência dos limites da relação entre o leitor e o autor, das relações de dominação que ocupa o pesquisador, da fragilidade de um discurso legitimado pela objetividade científica e os efeitos das assimetrias de poder na escrita.
Por tudo isso, redes do cuidado foram compostas por reflexões minhas e deles, por recursos conceituais antropológicos e nativos, por bagagens teóricas de minha escolha e preferências teóricas que subsidiam tantas lutas deles (antimanicomiais, psicanalíticas, esquizoanalíticas, antifascistas, humanistas e tantas mais). Esta é a segunda advertência deste experimento etnográfico.
Minha tarefa se inicia na tentativa de elucidar uma teoria da rede. Para ser entendida em seus sentidos mais vivificantes do cotidiano, para ser inventada etnograficamente, a rede deve ser explicada por aqueles que sem folga buscam tecê-la concreta e conceitualmente. Segui minha análise por esse caminho.
A noção de rede é utilizada pelos trabalhadores e gestores da saúde como um recurso para elaborar um modelo morfológico das parcerias e cooperações no âmbito do sistema público de saúde. Portanto, esse primeiro uso é metafórico para pensar a gestão da saúde. Entretanto, seu uso também pode ser analítico, quando a rede é utilizada para explicitar “como” cada articulação deve ser feita para otimizar os processos de trabalho. E a partir deste uso analítico, eles passam a elaborar quais são os melhores métodos para extrair o máximo de potencialidade dessas parcerias, até que se produza um cuidado integral. Esse tipo de cuidado indica que todos os equipamentos assistenciais que poderiam participar de um caso, ofereceram serviços adequados para
cuidar da pessoa em suas mais variadas dimensões, assim, a pessoa em tese é cuidada em todos os aspectos previstos pelo sistema de saúde.
Estas técnicas que buscam maximizar o trabalho intersetorial são em certa medida incentivadas pelo princípio da integralidade, arregimentado entre outros quatros princípios constitucionais do SUS (a universalidade, equidade, descentralização e participação social). A integralidade versa sobre um entendimento mais ampliado de saúde (cf. infra Capítulo 1.2), a partir do qual o ser humano para ser pleno em saúde
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deve ser compreendido em suas mais diversas esferas (sociais, emocionais, afetivas, econômicas, etc.).
O uso da ideia de rede feita no campo da saúde traz algumas semelhanças com a discussão inaugural de Barnes (1954) sobre redes na Antropologia. O antropólogo partiu da mesma preocupação morfológica para explicar as relações sociais, que a rigor, são fatos empíricos. Muito influenciado pelo método indutivo de Radcliffe-Brown, o antropólogo recuperou a ideia de que redes são feixes de relações, embora Barnes tenha feito ponderações fundamentais quanto ao método funcional-estruturalista e tenha avançado no debate crítico sobre ação e estrutura, cujo enfoque teórico era reordenar os estudos das chamadas sociedades complexas.
Até a década de 1960, alguns antropólogos esforçaram-se por descrever a estrutura social como uma rede de relações. Esse método indutivo fora aplicado apenas para sociedades “simples” (de pequena escala), porque se acreditava que ali os grupos seriam estáveis e de fácil apreensão empírica. Barnes (1954) recupera os aspectos morfológicos do funcional-estruturalismo mas os transporta para contextos e problemáticas de sociedades contemporâneas, nas quais aglomerados de indivíduos não formam grupos permanentes, como é o caso dos contextos urbanos. Deste modo, Barnes estava mais implicado em compreender o modo como as relações sociais conectam um indivíduo ao outro do que compreender que tipo de estrutura social essas relações compõem.
O conceito de rede utilizado por Barnes apoia-se na aplicação de métodos matemáticos com o objetivo de trazer mais dinâmica à observação de relações interpessoais concretas que vinculam uns indivíduos aos outros, muito influenciado também pela “teoria da ação” de matriz weberiana e de uma microssociologia. Este tipo de abordagem buscava averiguar os laços sociais entre os indivíduos, como forma de explicar a ação social e os motivos pelos quais um indivíduo faz uma ação e não outra.
A abordagem processualista liberou uma nova senda de estudos urbanos sobre mercado, família, manutenção de valores, circulação de bens. Tal influência marcou o trabalho da antropóloga Bott (1957) sobre famílias inglesas de um subúrbio de Londres. Estudos como estes se debruçaram sobre as ações sociais, ou os processos sociais, e não sobre uma suposta ideia de estrutura social dos grupos. Poucos anos mais tarde, Mitchell (1974) comenta sobre a popularização da ideia de rede na Antropologia, apesar
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de que ele nos mostra, relembrando as palavras de Barnes (1972), de que não haveria uma “teoria da rede”, apenas um método para averiguar a qualidade das relações em contextos em que não há a formação de grupos fechados, mas uma conexão entre pessoas diversas.
No campo da saúde, a rede serve também como modelo para encontrar uma morfologia da gestão intersetorial. Assim como procurei assinalar acima com os processualistas da Escola de Manchester, a ideia de rede é boa para apreender certos tipos de relações em organizações segmentares, nas quais não se formam exatamente grupos. Também notei em campo que é empregado um uso conceitual e analítico da rede para pensar como serão as articulações. Por isso entendo que o uso feito de rede no setor da saúde em muito se assemelha à abordagem processualista, embora existam diferenças importantes entre eles. É preciso salientar quatro ponderações em relação à noção de rede dos processualistas ingleses e ao uso de rede na gestão da saúde.
A primeira ressalva vem a calhar com uma crítica já feita ao uso da rede pela Escola de Manchester, que confere excessiva centralidade ao sujeito, a partir do qual a rede é desenhada. Em minha análise, não haveria sentido montar as conexões da rede a partir de uma única pessoa, nem mesmo a partir de pessoas apenas. Isso porque o trabalho intersetorial não depende exclusivamente de sujeitos empenhados em fazer parcerias uns com os outros. É preciso bem mais do que pessoas para costurar uma rede, e essa fala é recorrente também entre os trabalhadores do SUS. A gestão da saúde em
rede requer a mobilização de muitas coisas para ser colocada em funcionamento: pessoas, normas e leis, muitos documentos, dinheiro e recursos materiais, saberes, artefatos tecnológicos, reivindicações e muito suor.
Tendo essa particularidade em vista, não se pode afirmar que o trabalho intersetorial no campo da saúde é feito por “alianças” entre pessoas somente. Não são apenas relações interpessoais que ligam um ponto ao outro nessa rede; artefatos (como documentos dos mais diversos e materiais biológicos levados aos laboratórios para análise clínica) também podem servir como pontos de engate, isso porque relações são atadas a partir dos profissionais e também desses objetos. Um documento passado à frente estabelece uma articulação entre dois equipamentos, ele cria uma demanda de serviços. Uma amostra de sangue de uma pessoa em situação de rua levada por um profissional até o laboratório produz vínculo dos serviços de saúde com a rua.
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Uma boa imagem que os trabalhadores da saúde utilizam para especificar a natureza das trocas, que de forma alguma se reduz às relações do tipo interpessoais, é a noção de fluxo. Dizem que o trabalho em rede, para tornar-se efetivo, precisa abrir
fluxos. Essa noção remete à movimentação de tudo que está agregado na gestão em rede (gente, registros, informações, afetos, objetos e tantas outras mais). Fluxos, portanto, são canais de troca, são vazantes por onde passam muitas coisas. Uma noção como essa indica que a articulação de redes do cuidado não depende apenas de relações estabelecidas entre pessoas. As articulações podem ser feitas através de documentos, de encaminhamentos de pessoas, de casos, de exames, etc.
Essa primeira ponderação nos leva a uma segunda, derivada da mesma problemática em torno do grande enfoque dado ao indivíduo: os processualistas ingleses ocuparam-se em compreender a função dos papéis sociais atribuídos aos indivíduos, que são para eles os pontos de engate da rede de relações. Pois, se nos sistemas de saúde os pontos de articulação das parcerias não são apenas pessoas, seria inútil tentar buscar o papel social delas na gestão intersetorial. Não se trata de entender apenas a performance dos atores no cotidiano de trabalho. Esse tipo de análise nos levaria a recair numa perspectiva ego-centrada, digamos assim, e daríamos mais importância aos indivíduos nos aparatos intersetoriais de cuidado e menos atenção à potencialidade dos artefatos técnico-burocráticos em produzir as parcerias, em atar os nós das relações.
Para evitar esse tipo de abordagem e para dar a ênfase analítica necessária aos artefatos burocráticos na administração da saúde das pessoas, é preciso entender também os tipos de relações que um documento ou outro recurso tecnológico é capaz de articular parcerias no âmbito das redes do cuidado.
A terceira ressalva diz respeito ao fato de que a ideia de rede, por ser mais um procedimento metodológico do que uma teoria em si entre os processualistas ingleses, era empregada pelos antropólogos para esquematizar os laços e as ações sociais dos atores por eles observados. A rigor, entre eles, a rede só existia para o analista e não para os nativos. Nessa abordagem, não era trazida à tona pelos antropólogos que imagem ou que cálculos fariam os nativos sobre suas conexões sociais. Assim, a rede era útil para que o analista verificasse a posteriori certas continuidades no padrão de relação entre os atores, mas essa abordagem desconsidera um aspecto que eu procurei enfatizar: as abstrações feitas pelos atores do setor da saúde do que seria uma rede.
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Procurei mostrar (cf. infra Capítulo 5.1) como os mapas mentais esquematizados pelos atores são importantes para inventar uma morfologia da rede e como o uso desses esquemas ajuda em sua costura. Mais do que isso, os mapas mentais por eles elaborados são úteis para calcular a abrangência das relações e tornar visível quem e o que deverão entrar na parceria para que um tipo de serviço intersetorial seja prestado e um caso seja manejado. Esses mapas mentais são esforços empenhados pelos atores para calcular a direção e as possibilidades dos fluxos, a depender do caso. Mapas como esses são chamados de fluxogramas, e são geralmente estudados e memorizados pelos profissionais para saberem em que direção encaminhar o caso, por isso lhes servem como mapas mentais.
Mas também é certo que não basta encaminhar documentos, objetos ou pessoas a um equipamento e deixá-las que lá se percam num emaranhado institucional. Portanto, essa seria a quarta ressalva metodológica que gostaria de pontuar quanto ao uso morfológico da rede, que em certos aspectos se assemelha a teorias citadas alhures mas se difere em outros, como esse que irei pontuar melhor adiante. Se os pontos da rede de
cuidado não são simplesmente pessoas (os egos da rede), também não basta substituí-las por entidades institucionais (os equipamentos de saúde propriamente). Afirmo isso porque os equipamentos em si são por mim entendidos como um composto de gente, normas, leis, saberes e documentos.
Não basta dizer que uma rede é um conjunto de equipamentos, pois esses precisam ser articulados para de fato produzir processos de trabalho intersetoriais. São muitos os esforços para fazer com que um ponto da rede se ligue a outro. Se há uma miríade de elementos que servem de matérias conectivas, os equipamentos de saúde, deste ponto de vista, seriam aglomerados, nunca um ponto enrijecido.