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1.3. AutoCAD Komutları
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Na base histórica, a universidade pública no Brasil, concebe a tradição de influência administrativa europeia e norte-ameri- cana – gênese da organização universitária – despontou inicial- mente com a vinda de D. João VI (1808) para a colônia Brasil, que
passa a ser sede da monarquia portuguesa. Durante esse pe- ríodo, são implantadas as academias, militar e de engenharia, que segundo Fávero (2006), se destinavam a formar profissio- nais para o Estado. Através do decreto real de 1808, são “[...] criadas a Escola de Cirurgia (atual Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ), as Academias Militares (atual Escola Nacional de Engenharia da UFRJ), [...]” (BOTTONI et al. 2013, p. 23).
Durante o período do Império, dá-se o debate em torno da criação de universidades, que passam a ser o objeto de impor- tância da elite na assembleia constituinte do Império. No entanto, sem foro e sob o olhar do imperador, é desfeita a assembleia constituinte, ficando impedida a criação de universidades. Assim é aprovada a Constituição imperial, não dando abertura para o debate em torno da criação da universidade, não sendo assim de interesse do poder regencial.
Todos os esforços de criação de universidades, nos períodos colonial e monárquico, foram malogrados, o que denota uma política de controle por parte da Metrópole de qualquer ini- ciativa que vislumbrasse sinais de independência cultural e política da Colônia [...] (FÁVERO, 2006, p. 20).
É somente na fase inicial da República que o Estado Nacional passa a ter como matéria constitucional a fundação de universi- dades, passando estas a serem consideradas um instrumento ne- cessário ao desenvolvimento do país, sob a proteção e obrigação do Estado.
A primeira universidade criada no período republicano foi a de Manaus, que iniciou seus trabalhos em 1909 e encerrou suas ati- vidades em 1926. Na base da estrutura política, contava com o apoio financeiro dos “barões da Borracha” e funcionava conforme os interesses dos benfeitores; segundo França (2009, 127) “[...]
Com o apoio dessa classe, foram criados os cursos de Engenharia, Direito, Medicina, Farmácia, Odontologia e de Formação de Oficiais da Guarda Nacional”.
Em meados do sec. XX, a universidade passa a ser o objeto capital de construção da nação científica do país. Segundo França (2009, p. 127) “O acesso ao ensino superior era mais democrático, menos complicado e de caráter nacional, [...]”. Krawczyk (2009, p. 42) co- menta que as universidades de caráter nacional passam a ser o modelo instituído de gestão do Estado moderno.
Mas, é somente sob a ótica das leis constitucionais do Brasil que as universidades tomam a forma de Estado Nacional na década de 30, na administração do governo provisório de Getúlio Vargas, com a criação do Ministério da Educação e Saúde Pública (MESP), tendo como ministro Francisco Campos. É ali que o Estatuto das Universidades Brasileiras, em âmbito nacional, passa a ter auto- nomia de natureza jurídica, sendo administrado pelo Estado Nacional, através do Decreto Lei nº 19.851/1931. Este Decreto Lei autoriza a criação das universidades, sendo a primeira a Universidade de São Paulo em 1934 (estadual); e depois, em 1935, Anísio Teixeira cria a universidade do Distrito Federal, que em 1939 é incorporada pela Universidade do Brasil e em 1961 converte-se na Universidade de Brasília.
Na ordem da natureza administrativa, são consideras universi- dades as instituições de Ensino Superior que tenham cinco ou mais estabelecimentos de Ensino Superior. Este critério é dispen- sado para universidades rurais e outras com objetivos especiali- zados. As universidades são instituições que aglutinam institutos de pesquisa, treinamento profissional, instituem colégios univer- sitários para série de ciclo colegial, técnicos, e gozam de auto- nomia didática, administrativa, financeira e disciplinar exercida na forma de próprio estatuto, no que confere a Lei de Diretrizes e bases da Educação Nacional LBD 4.024/61, Art. 79, parágrafos 1º-3º (BRASIL, 1961).
As universidades passaram a ter autonomia na administração sob a égide da União que custeava e delegava ao Ministério da Educação, através de seus órgãos colegiados, a fiscalização e o controle para fins da ordem pública e de responsabilidade social, conforme Art. 93:
Os recursos a que se refere o art. 169, da Constituição Fede- ral, serão aplicados preferencialmente na manutenção e de- senvolvimento do sistema público de ensino de acordo com os planos estabelecidos pelo Conselho Federal e pelos con- selhos estaduais de educação, de sorte que se assegurem [...] (BRASIL, 1961, grifo nosso).
Quanto ao modelo de administração das universidades públicas no Brasil, estes se inspiravam na Europa e atualmente no modelo dos EUA. As universidades são de natureza parcialmente autô- nomas na gestão de ensino e pesquisa. Inicialmente as universi- dades variavam quanto ao modelo de gestão, segundo Paula (2002, p. 152-153), como o caso da USP, que tendia ao modelo francês, tendo organização e estrutura caracterizada pela disso- ciação do ensino e da pesquisa com a implantação de escolas profissionalizantes, assumindo a ideologia do Estado. A Universidade do Rio de Janeiro tendia ao modelo alemão, voltan- do-se para o princípio científico, humanista e para a pesquisa. A Universidade do Distrito Federal seguia os padrões da França e, mais recentemente, o modelo dos Estados Unidos.
O modelo dos EUA suplanta o modelo europeu no conjunto das reformas políticas do Estado. No Brasil, durante a ditadura militar, fez-se com que as universidades brasileiras se desviassem do princípio científico humanista e da pesquisa. Assim, a universi- dade brasileira perde autonomia e liberdade acadêmica, pas- sando a preocupar-se com o atendimento ao padrão da socie- dade de consumo num enquadramento de gerenciamento empresarial que vai nortear os processos decisórios interno e externo, conforme Paula (2002):
No modelo norte-americano, a instituição universitária pro- cura associar estreitamente os aspectos ideais (ensino e pes- quisa) aos funcionais (serviços), estruturando-se de tal ma- neira que possa ajustar-se às necessidades da massificação da educação superior e da sociedade de consumo. Ao adotar a forma empresarial, boa parte das universidades procura atender aos interesses imediatos do setor produtivo, do Es- tado [...] (PAULA, 2002, p. 154).
As universidades públicas de Estado Nacional, de sistema buro- crático, tiveram como base a pesquisa, considerando o ensino e a extensão (PAULA, 2002). Na atualidade, as universidades vêm perdendo a força da produção acadêmica e científica pela rele- vante redução de recursos destinados à pesquisa no novo mo- delo da administração pública. Segundo Sguissardi (2008), as universidades assumem na sociedade uma função mercadoló- gica de educação superior ao afirmar que:
[...] as funções da universidade, as contradições do Estado e da regulação estatal, o modelo de expansão da educação su- perior, a produção da educação/mercadoria e da mercadoria/ educação, a desregulação do mercado financeiro e constitui- ção e desregulação do mercado educacional [...] (SGUISSAR- DI, 2008, p. 993).
Nesse contexto, a função da universidade é tida como objeto de produção de educação/mercadoria e mercadoria/educação. É necessário entender o contexto histórico político das reformas das universidades públicas, período conhecido pelo “Golpe de 64”, de governos autoritários e burocráticos tendo sido ampa- rados pelo governo dos Estados Unidos, responsável pelas re- formas capitalistas no âmbito da administração pública nacional. No que concerne à universidade pública, implantou-se através do plano Atacon, em conjunto com o Ministério da Educação (MEC), e da proposta da reforma de Meira Mattos, do modelo de gerenciamento empresarial nas universidades.
O modelo de gerenciamento empresarial caracterizou a base da reforma das universidades públicas no país. Segundo Chaui (2014) a implantação de tal modelo se deu no regime militar através do Ato Institucional AI 5 e do decreto 77, seguindo a pro- posta do plano Atcon (1966), que concebe a educação como um fenômeno quantitativo para maior rendimento financeiro de forma a minimizar custos, tendo-se assim a reforma universitária baseada no modelo empresarial.
No conjunto das medidas de reformas universitárias, destaca Fávero (2006, p. 30) que “[...] o plano de assistência técnica es- trangeira, consubstanciado pelos acordos MEC/USAID; o Plano Atcon (1966) e o Relatório Meira Mattos (1968). Concebida como estratégia de hegemonia, a intervenção da USAID na América Latina [...]”. A reforma das universidades públicas foi consolidada pelo plano de assistência técnica estrangeira. Conforme Fávero (2006), o país recebia recursos financeiros para os projetos de reformas do ensino, em troca de se comprometer com a compra de equipamentos militares dos norte-americanos.
No entanto, a reforma das universidades do Brasil, segundo Krawczyk (2009, p. 42) não seguiu os padrões dos EUA, primeiro porque o país não contava com instituições públicas e privadas que investissem financeiramente em pesquisa para o desenvolvi- mento científico e tecnológico, como eram feitas pelos grandes centros universitários norte-americanos. Assim o desenvolvi- mento científico nas universidades públicas brasileiras foi sufo- cado pelas reformas dos governos autoritários e burocratas do regime militar.
Uma crítica da administração dos governos militares com relação ao desenvolvimento do país é feita por Abrucio (2007) ao afirmar que a administração burocrática dos militares não foi capaz de administrar com responsabilidade o país, em razão, segundo o autor de “[...] governantes e burocratas perante a sociedade, a politização indevida da burocracia nos estados e municípios,
além da fragmentação excessiva das empresas públicas, com a perda de foco de atuação governamental” (ABRUCIO 2007, p. 68). Com a gestão autoritária dos governos militares e a crise mundial do sistema burocrático, caracterizada pelo excesso de gastos, o descontrole da máquina estatal gerou o colapso do sistema capitalista mundial. Para reverter essa situação, inicia-se um processo de mudanças políticas em âmbito mundial. Nesse contexto, Secchi (2009, p. 349) sugere que “O modelo burocrá- tico weberiano foi considerado inadequado para o contexto ins- titucional contemporâneo por sua presumida ineficiência, [...]”. É nessa conjuntura que se inicia um processo de mudança pelo sistema de reformas neoliberais.
O conjunto das reformas atinge as Universidades públicas, na ordem das políticas neoliberais que se efetivaram na “[...] década de 1990 com o alastramento do processo de reformas do Novo Gerenciamento Público (NGP) que começou na década de 1980 [...]” (SHORE, 2009, p. 28). Um dos pontos prioritários do sistema neoliberal é a reforma das universidades nos países em desen- volvimento com um plano de controle de recursos, como afirma Sguissardi (2005, p. 212):
Como em muitos países centrais e periféricos, as políticas de educação superior caracterizam-se pela redução permanente do financiamento estatal da educação superior pública, pelo estancamento de sua expansão, pelo congelamento salarial do staff universitário, pela perda de direitos trabalhistas, pela flexibilização dos contratos de trabalho, diferenciação institu- cional, diversificação de fontes de financiamento, e pelo im- plemento das universidades de ensino ou neoprofissionais em detrimento das universidades de pesquisa.
Há reformas na gestão pública que marcaram a década de 80. Segundo Secchi (2009, p. 348), “as administrações públicas em todo o mundo realizaram mudanças substanciais nas políticas de gestão pública (PGPs) e no desenho de organizações programá-
ticas (DOPs)”. Os motivos que impulsionaram tais medidas, ainda segundo o Secchi, (opcit) impactaram a crise fiscal de Estado, na competição territorial, na necessidade de mão de obra qualifi- cada e no imperativo de novos conhecimentos das organizações e das tecnologias, frente ao crescimento dos valores plurais e neoliberais no mundo globalizado de crescimento complexo e dinâmico das sociedades mundiais.
Na contemporaneidade em âmbito mundial, umas das maiores exigências feitas pelos organismos de financiamento internacio- nais na concessão de recursos financeiros para países em desen- volvimento de Estado burocrático está associada a um plano de reajuste das políticas internas de gestão pública para uma socie- dade de Estado de direito. Segundo Batista (2016, p.42) “[...] de uma burocracia imbuída de ética profissional; de políticas plane- jadas de forma previsível, aberta e transparente [...] dos princípios de legitimidade, equidade, responsabilidade, eficiência, probi- dade, transparência e accountability”. Assim, os países benefi- ciados se comprometem a atender ao desenvolvimento econô- mico e social, segundo os critérios de exigência dos órgãos internacionais de investimento:
O Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial exigem “boa governança” como requisito para países em via de desenvolvimento receberem recursos econômicos e apoio técnico. Áreas de aplicação das boas práticas são aquelas en- volvidas na melhora da eficiência administrativa (SECCHI, 2009, p. 358).
Nesse novo contexto, as universidades públicas assumem o mo- delo de governança que atende ao conjunto de reformas do sis- tema de gerenciamento neoliberal; cujo fim é a eficiência dos resultados da administração pública. Conforme afirma Shore (2009, p. 31) “As universidades são apenas um local entre muitos outros onde podemos observar os efeitos do neoliberalismo e a
ascensão do “Novo Gerenciamento Público [...]”. Nesse sentido, o