3. MOLEKÜLER MODELLEME
3.1 Giriş
O § 1º do art. 5º da Constituição da República dispõe que “as normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata”.
Questiona Anderson Cavalcante Lobato: “qual seria o real significado con- creto da constitucionalização da idéia de aplicação imediata das normas definidoras de di- reitos se, de fato, as normas constitucionais gozam de imperatividade, posto que esta seria uma característica de toda norma jurídica?”.253
Responde à indagação José Afonso da Silva, o qual assevera: “A apli- cabilidade das normas constitucionais (também de outras) depende especialmente de saber se estão vigentes, se são legítimas, se têm eficácia”. E continua: “De modo que a expressa afirmação da aplicação imediata das normas constitucionais definidoras dos direitos funda- mentais busca lhes garantir uma maior efetividade”. E mais. “Os constituintes brasileiros de 1987/88 procuraram garantir aplicação imediata às normas definidoras dos direitos funda-
ridade coletiva atribuídos genericamente a todas as formações sociais consagram o princípio da solidariedade e constituem um momento importante no processo de desenvolvimento, expansão e reconhecimento dos direitos humanos, caracterizados, enquanto valores fundamentais indisponíveis, pela nota de uma essencial inexauribi- lidade” (STF – Pleno – MS nº 22164/SP – rel. Min. Celso de Mello, Diário da Justiça, Seção I, 17 nov. 1995, p. 39.206 (grifado no texto).
252 Paulo Bonavides, Curso de Direito Constitucional, p. 525 e André Ramos Tavares, in Curso de Direito
Constitucional, ob. cit., p. 368 e ss. Para Bonavides, a classificação dos direitos fundamentais resumem-se em: (a) Primeira geração – Direito à liberdade ou direitos civis e políticos e seu titular é o indivíduo. São oponí- veis ao Estado, ou seja, direitos de resistência ou de oposição perante o Estado; (b) Segunda geração – São os direitos sociais, culturais e econômicos bem como os direitos coletivos ou de coletividades, introduzidos no constitucionalismo das distintas formas de Estado social, depois que germinaram por obra da ideologia e da reflexão antiliberal deste século (XX). Nasceram abraçados ao princípio da igualdade, do qual não se podem separar, pois fazê-lo equivaleria a desmembrá-los da razão de ser que os ampara e estimula; (c) Terceira ge- ração - É o chamado direito da fraternidade – o direito ao desenvolvimento, o direito à paz, o direito ao meio ambiente, o direito de propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade e o direito de comunicação; (d) Quarta geração – o direito à democracia, o direito à informação e o direito ao pluralismo (p. 516 e ss). Para André Ramos Tavares, a classificação dos direitos fundamentais assim se posiciona: Primeira dimensão – di- reitos individuais e direitos políticos; Segunda dimensão – são os direitos sociais; Terceira dimensão – Direi- tos coletivos ou difusos como o direito ao consumidor e direito ambiental; Quarta dimensão – os direitos da minoria. O autor também cita, como Bonavides o direito à democracia, o direito ao pluralismo e o direito à informação (p. 369 e ss).
253 Anderson Cavalcante Lobato, O Reconhecimento e as Garantias Constitucionais dos Direitos Fundamentais,
Cadernos de Direito Constitucional e Ciência Política, Ano 6 – Janeiro-Março – 1998, nº 22, Editora Revista dos Tribunais, São Paulo, p. 149.
mentais enumerados no título II, que se apresentam enquanto normas auto-aplicáveis, posto que não necessitam de norma regulamentadora infraconstitucional”.254
Tema muito discutido é o que cuida da hierarquização dos direitos fun- damentais. Ainda que de passagem é importante registrar, por não se tratar de tema central deste trabalho, que nas classificações apresentadas, somente os direitos de primeira geração ou dimensão é que possuem o condão da aplicação imediata.255
E quais seriam esses direitos? São eles: “os direitos individuais ou civis e políticos, tais como vida, liberdade, igualdade, propriedade, segurança, liberdade de consci- ência e de expressão, reunião, greve, associação, sufrágio universal e criação de partidos políticos”.256 Confirma-se, assim, a garantia de aplicação imediata das normas defini- doras dos direitos fundamentais enumerados no título II.257
Ainda sobre a tutela dos direitos fundamentais, somente à guisa de ilustração, a Constituição de 1988 cuidou expressamente do tema, criando meca- nismos de controle político e jurídico das medidas de exceção, adotadas em perío- dos de crise estatal, como em casos de estado de defesa e de sítio.258
254 Anderson Cavalcante Lobato, O Reconhecimento e as Garantias Constitucionais dos Direitos Fundamentais,
Cadernos de Direito Constitucional e Ciência Política, nº 22, p. 150.
255 Ana Maria D’Ávila Lopes, Hierarquização dos Direitos Fundamentais, Revista de Direito Constitucional e
Internacional, Ano 9 – Janeiro-Março – 2001, nº 34, Editora Revista dos Tribunais, São Paulo, p. 180: “Os di- reitos de segunda, terceira e quarta gerações estão sujeitos a uma progressividade, traduzida em normas pro- gramáticas cuja aplicação concreta encontra-se condicionada ao desenvolvimento de políticas legislativas pos- teriores, que lhes darão viabilidade material”.
256 Ana Maria D’Ávila Lopes, Hierarquização dos Direitos Fundamentais, Revista de Direito Constitucional e
Internacional, nº 34, p. 175.
257 Tome-se por exemplo o art. 27.1 da Convenção Americana sobre os Direitos Humanos de San José da Costa
Rica que admite a suspensão dos termos da Convenção, desde que não incompatíveis com as demais obriga- ções que lhe impõe o Direito Internacional “e não encerrem discriminação alguma fundada em motivos de raça, cor, sexo, idioma, religião ou origem social”. No mesmo documento o artigo 27.2 enumera de forma ex- pressa “um núcleo básico intangível de direitos irrevogáveis cuja suspensão não é autorizada mesmo em situa- ção de emergência: ‘A disposição precedente não autoriza a suspensão dos direitos determinados nos seguintes artigos: 3 (Direito ao reconhecimento da personalidade jurídica), 4 (Direito à vida), 5 (Direito à integridade pessoal), 6 (Proibição da escravidão e servidão), 9 (Princípio da legalidade e da retroatividade), 12 (Liberdade de consciência e de religião), 17 (Proteção da família), 18 (Direito ao nome), 19 (Direitos da criança), 20 (Di- reito à nacionalidade) e 23 (Direitos políticos), nem das garantias indispensáveis para a proteção de tais direi- tos’.” Ana Maria D’Ávila Lopes, Hierarquização dos Direitos Fundamentais, Revista de Direito Constitucional e Internacional, nº 34, pp. 177/178.
258 Vide sobre o tema Ana Maria D’Ávila Lopes, Hierarquização dos Direitos Fundamentais, Revista de Direito
Constitucional e Internacional, nº 34, p. 179, onde é destacada a proteção dos direitos fundamentais em caso de estado de defesa (art. 136, § 1º, I da Constituição), e em caso de estado de sítio (art. 137 e ss. da Lei Funda- mental). “A indicação taxativa, na Constituição, dos direitos fundamentais suscetíveis de serem restringidos durante o estado de defesa ou de sítio representa, indiscutivelmente, além da garantia de sua proteção, o reco-
E para concluir sobre a aplicabilidade e tutela dos direitos fundamen- tais, o inciso IV do § 4º, do artigo 60 da Constituição dispõe que os direitos e garan- tias individuais encerram ao que as escolas doutrinárias houveram por bem denomi- nar como “cláusulas pétreas”, ou seja, normas constitucionais que não podem sofrer proposta de emenda cujo escopo é abolir esses direitos que são, portanto, inviolá- veis.