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5. Adım: Etiketin Verilmesi ve Kullanımı

2.3 Kapsam

Os teóricos institucionalistas vêm buscando orientações em Giddens como base explicativa para a importância das ações dos atores sociais na institucionalização de formas e práticas organizacionais (BECKERT, 1999; LAWRENCE, 1999), pois acreditam que a compreensão das respostas e interpretação dos atores está diretamente relacionada às estruturas criadas e reproduzidas (REZENDE, 2009).

Nesta ótica, a teoria da estruturação complementaria a teoria institucional como um processo recursivo, associando os aspectos interpretativistas, funcionais e estruturalistas ao mesmo tempo. A ideia principal é de que existe relação de interdependência entre agência e estrutura, ou seja, uma não acontece sem a outra. Entretanto, seu foco não está nem na experiência do ator individual (agência), nem em qualquer forma de totalidade social (estrutura), mas nas práticas sociais em determinado contexto e tempo (ROSSINI, 2006).

Agência e estrutura são conceitos centrais na teoria de Giddens (1989). O autor entende a estrutura como um “conjunto de regras e recursos, recursivamente implicados na articulação institucional de sistemas sociais” (GIDDENS, 1989, pág. 303). Sendo regra, os guias de orientação para a conduta humana, provenientes de convenções sociais, que incluem também conhecimentos dos contextos nos quais se aplicam, e os recursos se referem à disposição dos atores para fazer com que as coisas aconteçam. Assim, a ideia de recursividade sinaliza para o fato de que as ações humanas não são criadas, mas recriadas pelos atores sociais nas suas formas e meios de expressão enquanto atores sociais (JUNQUILHO, 2003).

Levando em consideração tal conceito, a estrutura só pode ser caracterizada como virtual, pois somente existe mediante reprodução por meio de ação dos agentes, definidos por Giddens (1989, pág. 377) como sendo “a padronização de relações sociais ao longo do tempo-espaço, entendidas como práticas reproduzidas”. Então, investigar a estruturação das práticas sociais significa analisar como a estrutura se produz por intermédio da ação e, reciprocamente, como a ação é constituída estruturalmente (GIDDENS, 1996). Nesta perspectiva, a análise do processo de estruturação, e consequentemente de institucionalização, só é possível, para Giddens (1989), mediante o estudo das ações em seu contexto de atividades.

A partir do conceito de estrutura, Giddens (1989) constrói o modelo de dualidade desta, central para a teoria da estruturação (WHITTINGTON, 1992; SARASON, 1995; JUNQUILHO, 2003; POZZEBON e PINSONNEAULT, 2005). O modelo é composto pela associação da estrutura ao domínio da ação humana, por meio de três modalidades (esquema interpretativo, facilidade ou recurso e norma), que são responsáveis pela interação entre as características estruturais e a capacidade cognitiva dos agentes (ação).

Conforme representado na figura 2.4, os elementos significação, dominação e legitimação são características da estrutura, enquanto comunicação, poder e sanção são elementos de interação ou da ação humana, sendo que para cada característica da estrutura e interação há uma modalidade específica de ação. Os esquemas interpretativos representam o conjunto de conhecimentos que os atores sociais possuem da realidade, caracterizando-se como o meio pelo qual os agentes interpretam o que os outros dizem ou fazem (ROSSINI, 2006), atribuindo ou não, por meio de ordem cognitiva compartilhada, significado à comunicação anteriormente feita. Entretanto, esses mesmos esquemas interpretativos podem ser transformados pela ação humana mediante utilização contínua.

A outra modalidade, facilidades ou recursos, refere-se aos meios utilizados (poder) pelo atores para alcançar objetivos e resultados de seus interesses, afetando a conduta

dos outros, podendo ser feita via recursos alocativos (recursos materiais envolvidos na geração do poder) ou recursos autoritários (recursos não materiais, domínio de alguns atores sobre os outros), configurando-se como dominação pelo exercício do poder. Por fim, as normas fazem referência ao conjunto de regras, códigos e convenções que encaminham a conduta humana, definindo o que é certo e errado, aceito ou não, constituindo-se como ordem moral da interação, atribuindo-lhe legitimidade, por meio do uso da sanção (GIDDENS, 1989). Dessa forma, a dualidade da estrutura é composta por regras que impactam o ambiente organizacional e suas práticas (GIDDENS e TURNER, 1999).

FIGURA 2.4: Modelo de dualidade da estrutura em interação

Fonte: Giddens (1989, pág. 23).

No entanto, apesar da distinção feita entre os componentes do modelo, Giddens (1989) adverte que essa é puramente analítica, o que ressalta a importância da conexão entre as três formas de estruturação, assim como entre as três maneiras de interação.

Dessa forma, a partir da noção de dualidade da estrutura, Giddens (1984) demonstra que propriedades institucionais dos sistemas sociais são criadas pela ação do homem, ao mesmo tempo em que servem de apoio para configurar essa ação, i.e., as propriedades estruturais resultam das instituições e representam, portanto, as características institucionalizadas nos sistemas sociais, garantindo-lhes solidez através do tempo e do espaço (GIDDENS, 1984). Dessa maneira, é pela dualidade da estrutura que o autor explica a possibilidade da reprodução das relações sociais ao longo do tempo e do espaço, à medida que as propriedades estruturais são as mesmas que restringem e habilitam a ação cotidiana de uma dada sociedade (JUNQUILHO, 2003).

Por agência, o autor entende ser o conjunto de eventos realizados pelos indivíduos, “no sentido de que os indivíduos poderiam, em qualquer fase de uma dada seqüência de conduta, ter atuado de modo diferente” (GIDDENS, 1989, pág. 7). Assim, em

Dominação ESTRUTURAÇÃO Esquemas interpretativos Legitimação Significação

(modalidade) Facilidades ou recursos Normas

Giddens (1989) há uma associação entre agência e intencionalidade, apesar de o autor não considerar a intenção suficiente para explicar a capacidade da agência (MACHADO-DA- SILVA, FONSECA e CRUBELLATE, 2005). Para tanto, Giddens (1989) faz a distinção entre a motivação e a racionalização da ação, bem como a monitoração reflexiva da ação, pois para o autor a motivação não explica a continuidade da ação. A racionalização da ação está relacionada ao entendimento teórico dos atores das bases de suas atividades, que pode justificá-las. Já a monitoração reflexiva se refere ao “caráter deliberado ou intencional do comportamento humano, considerado no interior do fluxo da atividade do agente” (GIDDENS, 1989, pág. 304).

Resumidamente, o modelo proposto pelo autor concilia estruturação e interação (ação humana), levando sempre em consideração a mediação da conduta humana pela estrutura, bem como a constituição dessa mesma estrutura pela ação humana, acontecendo de forma simultânea, o que demonstra a vinculação entre as rotinas das ações cotidianas e propriedades institucionalizadas da vida social (JUNQUILHO, 2003). Assim, associar a institucionalização à teoria da estruturação amplia a percepção do processo, incluindo não somente a análise institucional, mas também a reflexividade dos atores.

Adicionalmente, considerando que a agência é a “capacidade do ator de interpretar e mobilizar uma série de recursos em termos de esquemas culturais diferentes daqueles que constituíram a disposição inicial dos recursos” (SEWELL, 1992, pág. 19), as organizações podem responder de formas diferentes às pressões do ambiente institucional, dependendo também dos aspectos culturais e interesses vigentes no local onde mantêm suas instalações. Admite-se, portanto, que as respostas organizacionais podem ser diferentes em um dado campo organizacional, tanto em virtude das pressões nele existentes como da identidade nele vigente, que podem ser interdependentes.

Neste sentido, faz-se relevante também o estudo de aspectos específicos de cada campo organizacional, pois as organizações podem ser afetadas por demandas de dois diferentes ambientes, o institucional e o local, os quais oferecem características particulares. O primeiro tem efeitos amplos sobre as organizações e pode oferecer múltiplas lógicas institucionais. Já o segundo é relativamente específico e limitado a organizações-alvo, com características próprias (AUGUSTO, 2006). Selznick (1957) percebe que as organizações geram ou reproduzem instituições, como resultado da sua reflexão do único modo no qual elas preenchem suas necessidades. Para tanto, elas podem adotar, criar e operar determinadas instituições em resposta às necessidades específicas de uma dada sociedade. Assim, as

organizações fornecem a seus membros um conjunto de valores, regras, lógicas e normas que definem os aspectos particulares da sua vida organizacional.

Dessa forma, as ações sociais e ambientais das empresas podem também conter características próprias do campo organizacional do qual a organização faz parte, ressaltando suas características particulares. Essa ideia é reforçada por Perrow (1986, pág. 167), ao entender a “institucionalização como um processo de crescimento orgânico, onde a organização se adapta tanto às disputas de grupos internos ao campo (identidade do campo) quanto a valores legítimos em uma dada sociedade (instituições)”.

A identidade do campo é resultado, por conseguinte, da padronização das interações entre atores, que acabam por construir regras constitutivas que delineiam as categorias, fronteiras e tipificações que constituem a identidade do próprio campo (SCOTT, 2001). Nesta perspectiva, torna-se também importante analisar as demandas e expectativas do ambiente localizado, uma vez que as organizações tendem a trazer elementos dos seus campos para dentro delas e institucionalizá-los.

É necessário, portanto, perceber que as respostas organizacionais, sociais e ambientais dependem da natureza e do contexto em que as pressões são exercidas, da forma como os atores interpretam essas pressões e da pressão que mais interfere, atinge ou ameaça sua permanência (OLIVER, 1991). Dessa forma, as crenças organizacionais (refletindo a identidade do campo) guiarão (reafirmando ou rejeitando) as respostas dadas às demandas do ambiente institucional que se pretende institucionalizar. A institucionalização como processo será tratada com mais detalhes na seção seguinte.

Benzer Belgeler