BÖLÜM 4 : ALAN ARAŞTIRMASI
4.3. Türk Endüstriyel Mutfak Sektörünün Elmas Modeli İle Analizi
4.3.1. Girdi Koşulları
O Quadro 29 a seguir apresenta as dificuldades enfrentadas pelas pessoas durante a transição de carreira identificadas pela análise de conteúdo, assim como as suas respectivas frequências e presenças nas entrevistas.
Quadro 29 - Dificuldades da transição de carreira
E1 E2 E3 E4 E5 E6 E7 E8 E9
Abrir mão da segurança 1 1 2 2 1 1 6
Falta de compreensão da rede de
relacionamento atual 3 1 1 1 4
Sensação de vazio de identidade 2 1 1 3
Adaptação a uma nova cultura 2 1 1 3
Construção de novos relacionamentos 1 1 2
Tema Quantidade de Registros Qtde.
Como se verifica pelo Quadro 29, são diversas as dificuldades enfrentadas pelas pessoas em transições de carreira, sendo que alguns dos entrevistados declararam ter passado por várias delas simultaneamente e outros somente por uma ou duas. No entanto, abrir mão da
segurança foi a dificuldade citada pelo maior número de entrevistados. Seis dos nove
entrevistados consideram que dificuldade de abandonar a segurança de uma carreira bem estabelecida por outra ainda incerta e o medo de passar por dificuldades financeiras e da mudança fracassar são obstáculos relevantes para se fazer uma transição de carreira. O caso do entrevistado E3 mostra a relevância desse fator para o sucesso de uma transição de carreira. Apesar de sentir-se feliz e realizado no papel de professor e consultor, o entrevistado E3
decidiu voltar a trabalhar em uma grande empresa como gerente, pois ficou preocupado com a situação financeira da família depois de comprometer boa parte de sua reserva financeira na aquisição de um imóvel.
Outra dificuldade, citada por quatro dos entrevistados, foi a falta de compreensão da rede de
relacionamento atual sobre a mudança. Foi possível observar que a rede de relacionamento
atual do indivíduo – seus amigos, colegas e familiares – normalmente não aprovam e não estimulam a mudança de carreira. Em alguns casos as consequências dessa falta de aprovação podem ser críticas, como no caso do entrevistado E3, que declarou que um dos motivos para ter se divorciado de sua primeira esposa foi o fato dela não tê-lo apoiado quando decidiu fazer um mestrado. Schlossberg et al (2006) destacam a importância de se analisar as transições pelo seu “contexto”, ou seja, a partir do impacto que a mudança causa nas pessoas que estão envolvidas com ela e Ibarra (2004) declara que as pessoas mais próximas geralmente são aquelas que mais criam barreiras quando alguém procura se reinventar em uma nova carreira, uma vez que elas tendem a reforçar e preservar a identidade que a pessoa deseja abandonar.
Outra dificuldade da transição, identificada em três entrevistas, foi a sensação de um “vazio
de identidade”. Refere-se a uma sensação interna de confusão e sofrimento gerada pela
dificuldade do indivíduo de se definir no seu papel profissional. No caso da entrevistada E9, essa sensação a levou a um estado de depressão que a fez buscar apoio terapêutico. Segundo Bridges (2009), a “zona neutra” – a fase onde a pessoa já abandonou uma identidade antiga, mas ainda não formou a nova – é uma etapa da transição de carreira onde o sentido de identidade se enfraquece e que demanda do indivíduo um grande esforço de realinhamento psicológico sobre quem ele é.
A dificuldade em adaptar-se a uma nova cultura foi identificada em três entrevistas. Refere-se à dificuldade do indivíduo em adaptar-se a novas normas de relacionamento, linguagem, códigos de ética, grupos de referência e papel profissional. O entrevistado E1, por exemplo, citou a dificuldade que teve para adaptar-se às regras de comportamento de uma pequena empresa de consultoria depois de ter trabalhado treze anos em uma grande empresa multinacional. Segundo Louis (1980a), quanto maiores as diferenças objetivas entre as tarefas e outros comportamentos associados à posição do indivíduo em uma organização, maiores serão as dificuldades de adaptação subjetiva ao novo papel profissional. Isso se deve à dificuldade do indivíduo de antecipar as suas reações em uma nova situação de trabalho.
Outra dificuldade, citada por dois entrevistados, é de construir novos relacionamentos. Refere-se à dificuldade de construir e adaptar-se a uma nova rede de relacionamentos em um novo ambiente profissional, uma vez que a mudança de papel profissional exige o abandono de relações antigas e a construção de uma nova rede, composta por pessoas com as quais o indivíduo ainda não possui familiaridade. Ainda que difícil, a construção de uma nova rede de relacionamentos é fundamental para a transição de carreira, já que essas pessoas, além de oferecerem novas oportunidades, oferecem uma base relativamente segura para que o indivíduo experimente novas identidades, teste suas percepções e compartilhe interpretações, antes de estabelecer aquela que será sua identidade definitiva (LOUIS, 1980a; IBARRA, 2004).
O Quadro 30 a seguir traz os trechos das entrevistas (unidades de registro) relacionados a cada tema identificado nesta categoria.
Quadro 30 - Unidades de registro das dificuldades da transição de carreira
Tema Unidade de registro Entrevistado
Abrir mão da
segurança. “Você mesmo muitas vezes vai ter muita... insegurança. Medo de que... ‘P...! Que vou fazer aqui? Será que vou colocar minha família em risco?’ Ou ‘tô jogando isso fora por aquilo...’ Ou, ou... É assim! Não é fácil, não, cara! É um processo emocionalmente muito desgastante.”
E1
“Porque esse é o maior desafio. Tinha... um padrão de vida e esse padrão
de vida, saindo da corporação caiu.” E2
“então a despeito de eu ter curtido MUITO dar aula, e... e feito doutorado, com as consultorias e tal, pra usar uma expressão ‘técnica’, eu tava varrendo pra fora. Então a/ o meu barquinho tava fazendo água. Tava consumindo é... reserva financeira que eu tinha feito. O que me deixou muito cabrero. [...] e esse foi o motivador de eu voltar pro mercado de trabalho.”
“Fácil não foi! Assim, o que pesava era deixar um salário de, sei lá, vinte mil reais pra trás, né. Uma coisa assim. O que nunca é fácil, né?”
E3
“Então, foi um sofrimento pra eu tomar a decisão, por medo, né, assim ‘o que é que eu vou encontrar lá? Tô saindo sem a MÍNIMA noção do que eu quero fazer! Saí sem a MÍNIMA noção do que eu quero fazer.’. Né. É... ‘Será que eu consigo me manter sozinha nesse mundo fora?’. Então eu tinha uma série dessas dúvidas que... que na verdade adiaram a tomada de decisão.”
“Só que até psicologicamente é difícil você abrir mão de tudo, né. Quando você está/ você faz parte de um/ vai de uma elite dentro da organização”
E4
Principalmente financeira. Eu ainda, assim, ganho muito mal”
“Eu tinha todos estes medos. Medos em uma pessoa na minha idade que não tenho porto seguro, financeiro... O medo maior era financeiro. [...] porque eu tenho dois filhos pequenos, o mais velho hoje tem 10 e o mais novo tem 7. Meu grande medo era esse, era ‘eu vou conseguir dar uma educação de qualidade para esses caras? Eu vou conseguir dar, até bens, né, sem luxo, mas eu vou conseguir dar os bens necessário para esses caras, ou vão viver necessidade, vão passar por necessidade financeira?’.” E7 Falta de compreensão da rede de relacionamento atual.
“A maioria dos meus amigos eram executivos. Quando eu comecei os papos de dizer que eu não sei o que, a maioria das pessoas dizia: ‘Imagina! O que é isso? [E1]! Pelo amor de Deus! Você tá infeliz porque você tá na função A ou que você tá na área B...’.”
“Em casa também, né. Sempre aquela: ‘Pô! Como assim? Você quer sair?’.”
“É, as pessoas olhavam. Eu lembro da cara do meu presidente. Olhava pra mim assim como quem... não tinha a menor ideia como é que alguém poderia conceber tomar uma decisão dessa. É incompreensível!”
E1
“Ninguém em casa fala pra você ir fazer. Ninguém estimula. Porque
sabem que tem muitas variáveis que podem dar errado.” E2 “eu lembro do dia em que eu liguei pra ela, pra ex, hoje ex-esposa, na
época, atual, e falei ‘tô indo fazer a matrícula do mestrado, saiu a resposta’. Ela falou ‘por mim você não vai!’. Aí eu pensei, pensei, pensei... e fui! E fui... enfim. Não me arrependo dessa decisão, mas foi umas das decisões difíceis que eu tive que tomar na vida.”
E3
“Eu queria muito ter sido mandada embora. Não era pelo dinheiro, era para eu não ter que tomar essa decisão. Seria mais fácil falar para as pessoas, ‘Olha, eu fui mandada embora’. Né? Do que falar ‘eu larguei tudo’. Porque ninguém faz isso, ninguém faz, Esteban, não sei! Assim, ficou todo mundo bobo! Quando eu contei, meu pai, minha família toda: ‘O quê?! Como assim você pediu demissão? O que você vai fazer? Você tem outro emprego?’. Eu falei, ‘não!’. ‘O que é que você vai fazer?’. Eu falei, ‘Eu não sei!’. ‘Mas como assim você pediu demissão?’. Porque, assim, é inconcebível! Eu não sei como é que está hoje, mas naquela época, com as pessoas que eu conversei, era inconcebível, uma pessoa ir lá e falar, ‘eu vou largar tudo e vou ver o que eu vou fazer’. Não se faz isso!”
E9
Sensação de vazio
de identidade. “Não é fácil, não, cara! É um processo emocionalmente muito desgastante. [...] Eu acho que tudo, né? A parte financeira. A parte de identidade. A parte de como as pessoas te veem. A parte de como você se vê”
“Ao mesmo tempo, eu ainda não me sinto confortável na nova identidade.”
E1
“me senti um pouco perdida. [...] não era uma questão de ter falta do que fazer, não é isso. O meu tempo todo era muito preenchido com muita coisa doméstica, mas é um vazio assim, porque eu sempre/ eu não consigo, não me vejo sem ter alguma coisa, sem ter uma profissão, assim. Eu não consigo me imaginar.”
E6
“quando eu saí do [nome da empresa], ainda não sabia quem eu era. Eu
de uns três, quatro meses que eu estava sem fazer nada, entrei em depressão. Eu já não sabia/ eu nem sabia quem eu era, eu nem trabalhava, eu nem contribuía para produzir alguma coisa, como se eu não fosse um... Como se eu fosse um nada”
Adaptação a uma
nova cultura. Entrevistador: “como é que você se sentiu nesse... no começo?“ E1: “Ah! Um peixe fora d’água, total! Total. Total. Total.”
“Então, isso era diferente, os contextos organizacionais completamente diferentes. Não era uma indústria, aqui era uma consultoria, e eu saí de uma empresa que faturava alguns bilhões, uma multinacional de alguns bilhões... e aqui é uma consultoria, pequena, que fatura alguns milhões, de capital fechado, brasileira! Então assim... dentro do mundo de negócios, uma mudança muito grande. Então... é... é.. entender isso... entender como é o papel... o que que é esperado, como agir, como não agir, como... é... é... fechar o conhecimento... tudo isso foi um enorme aprendizado!”
E1
“no meu caso, né, nunca/ nunca... É... nunca tinha feito algo fora de organizações. Me formei e entrei em empresa. E foi uma atrás da outra, né. [...] Então eu não sabia o que que era estar fora, ou viver fora desse mundo”
E4
Entrevistador: “você se sentia confortável no papel de professora?” E5: “Olha, demorou um pouco. Demorou um pouco. E ainda hoje,
dependendo da aula, dependendo da classe, eu tenho um desconforto.” E5 Construção de
novos
relacionamentos.
“Existe todo um networking. Você constrói ao longo de tua carreira, na tua carreira, que agora você tem que construir um networking novo, né!
E... e... e isso é difícil porque exige toda uma adaptação” E1 “Foi a ÚNICA coisa que eu senti falta! Quando eu saí. ÚNICA! E não
senti mais falta de nada. Mas das pessoas, sim. Eu me sentia... no começo, perdida. Por estar sozinha, por trabalhar sozinha, né. Por não ter com quem falar, ou compartilhar algumas coisas, ideias”
E4