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Fizeram e fazem parte das discussões afloradas durante a implementação do PNA e atualmente com a possibilidade do Brasil se transformar no grande fornecedor mundial de etanol194, os impactos ambientais da produção intensiva de etanol de cana-de-açúcar e as consequências sobre a alimentação.

Embora a questão da poluição não fosse amplamente discutida nos anos de implementação do Proálcool - apesar da Conferência de Estocolmo ter sido realizada em 1972 -, em uma palestra em 1976 já se sinalizava a questão:

“Um outro objetivo é a luta contra a poluição. Este assunto pode parecer um pouco à margem da produção do álcool mas, cada vez mais, deve ser levado em consideração. Em muitos países, aliás, não dão mais autorização para a construção de fábricas ou usinas, se a questão da poluição não foi definitivamente resolvida. Nestes países, inclusive, é exigido um dossiê, provando que não haverá problemas de poluição. [...] Entretanto, gostaríamos de sublinhar que o problema de poluição para ser resolvido consiste primeiramente em evitar criar a poluição”.195

Mas falar sobre impactos implica usar um pressuposto adotado na Agenda 21196, o do desenvolvimento sustentável. A definição adotada em documento conjunto do BNDES, CGEE, FAO e CEPAL coloca que a base deste tipo de desenvolvimento se faz pela:

194 Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento no relatório “Balanço

Nacional da Cana-de-Açúcar e Agroenergia – 2007,” em 2005 o primeiro grande produtor de etanol era os Estados Unidos, com 16,14 bilhões de litros, seguido do Brasil com 16,00 bilhões de litros.

195 P. R. Gaussent, “Tecnologia de Fabricação do Álcool,” 320.

196 F. Feldman, em Apresentação para Agenda 21: Conferência das Nações Unidas sobre Meio

Ambiente e Desenvolvimento, 9-10: considera que as discussões em nível mundial foram fruto de inúmeros esforços entabulados em escala local, regional, nacional e internacional, em uma tentativa de reverter o quadro de deterioração ambiental. Por sua abrangência, a Agenda 21 mostrou a interdependência entre os países e a relação entre economia e meio ambiente premente de um desenvolvimento sustentável.

"condição em que a produção pode ser mantida indefinidamente sem degradar os estoques de capital, incluindo-se os estoques de capital natural, considerados os seus três pilares – ambiental, social e econômico”.197

A Agenda 21 foi formalizada em 1992, mas as discussões em nível mundial iniciaram-se em 1972, na Conferência de Estocolmo, face ao surgimento de casos críticos de degradação ambiental. 198

Em 1973, o Governo Brasileiro criou a Secretaria Especial de Meio Ambiente – SEMA199, vinculada ao Ministério do Interior.

No entanto, as ações mais decisivas em termos de impactos ambientais partiram da resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente - Conama, em 1986, que instituiu a obrigatoriedade de Estudos de Impacto Ambiental – EIA e pelo respectivo Relatório de Impacto Ambiental – RIMA.

Assim, a resolução obriga que todo o complexo e unidades agroindustriais, entre estes as destilarias de álcool, tenham o licenciamento de atividades modificadoras do meio ambiente aprovadas pelo órgão estadual competente e da SEMA, em caráter supletivo.200

Outro aspecto relacionado ao meio ambiente trata da poluição atmosférica e está relacionada aos setores de transporte, geração de energia e de processos industriais que usam intensivamente combustíveis fósseis.

Neste sentido, a agroindústria canavieira relaciona-se com os impactos na qualidade do ar de duas formas: por um lado, o uso do etanol em veículos automotores tem contribuído para a melhor qualidade do ar nos centros urbanos e, por outro lado, as queimadas de palha de cana no campo – usadas para facilitar a colheita - têm causado problemas com a dispersão de particulados, riscos com a fumaça201 e problemas com a fauna202.

197 BNDES, CGEE, FAO & CEPAL, Bioetanol de Cana-de-Açúcar, 19.

198 F.Feldman, apresentação para Agenda 21: Conferência das Nações Unidas sobre Meio

Ambiente e Desenvolvimento, 9.

199 Decreto nº 73.030, de 30 de outubro de 1973.

200 Resolução 01/86 de 23 de janeiro de 1986, art 2º., XII.

201 No Estado de São Paulo a lei n° 11.241, de 19 de setembro de 2002 dispõe sobre a

eliminação gradativa da queima da palha da cana-de-açúcar.

202 C. E. F. Vian; M. A. F. D. Moraes & D. B. Gonçalves,“Progresso Técnico,” 17 comentam que

Para I. C. Macedo, as vantagens advindas do etanol de cana-de-açúcar são relevantes para a preservação do meio ambiente, uma vez que:

“Os produtos energéticos da cana, etanol e bagaço têm contribuído largamente para redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE) no Brasil, através da substituição de combustíveis fósseis, ou seja, gasolina e óleo combustível. O uso do bagaço, além de fornecer energia (térmica e elétrica) para a produção de etanol, ocorre também na produção de açúcar (substituindo o combustível fóssil que seria usado na produção alternativa de açúcar de beterraba, ou de amido) e em outros setores industriais (como o processamento de laranja).

[...] A relação entre a energia renovável produzida (com o etanol) e a energia fóssil usada é de 8,9. A conseqüência é um extraordinário desempenho do setor, evitando emissões de GEE equivalentes a 13% das emissões de todo o setor de energia no Brasil (base 1994)”.203

Do ponto de vista do uso da água, fator essencial para a agricultura, os impactos da cultura de cana-de-açúcar no suprimento de água são pequenos, uma vez que, na maior parte do país se pratica a agricultura de sequeiro, aquelas em que as culturas são desenvolvidas dependendo exclusivamente da precipitação natural, sendo pequeno o uso de irrigação.

Esta prática é mais disseminada no Nordeste do Brasil e não se usa a irrigação no Estado de São Paulo.

Adicionalmente, há que se considerar uma redução “na captação de água para uso industrial, com re-utilização interna nos processos, e a prática de devolver a água para a lavoura, nos sistemas de fertirrigação”.204

aves e pequenos roedores. Por essa razão, um levantamento nas áreas de cana queimada vem sendo realizado pela Polícia Ambiental desde 2002, e além de identificar muitos animais mortos, tem encontrado muitos outros animais com queimaduras, moribundos ou abalados com o calor e com a fumaça, mesmo nas áreas de proteção ambiental, localizadas próximas aos canaviais”.

203 I. C. Macedo, org., A Energia da Cana-de-Açúcar, 30 e 101: Estudo quantitativo completo

encontra-se em Macedo, Leal & Silva, Balanço das emissões de gases do efeito estufa na produção e no uso do etanol no Brasil.

Os resíduos da cultura de cana-de-açúcar e das destilarias de álcool, principalmente o vinhoto, eram lançados indiscriminadamente no meio ambiente.205

A poluição com o vinhoto foi amplamente discutida no período de implementação do Proálcool, e, considerando-se a perspectiva de aumento de produção da cana-de-açúcar e do etanol, o Ministério do Interior proibiu o lançamento deste resíduo nos rios, bem como regulou as situações de exceção, a partir da safra 1979-80, mediante instrumentos legais de 1978 e 1980.206

Pesquisas realizadas posteriormente comprovaram que o efeito poluidor da vinhaça pode ser atenuado mediante sua aplicação, “na concentração por evaporação, na remoção de 50% da DBO207 por floculação, digestão anaeróbica e fermentação anaeróbica, considerados inviáveis em 1984”.208

Outra preocupação a nível ambiental se refere à legislação florestal e sua aplicação sobre as áreas de proteção ambiental, como instrumentos para a promoção da reposição da biodiversidade vegetal. Na cultura da cana-de- açúcar, em 2005, “na maioria dos casos, foi adotado o abandono do cultivo em áreas consideradas de preservação permanente para recuperação espontânea e natural”.209

Considera-se, no entanto, que a preocupação com Áreas de Proteção Permanente – APPs tem sido uma constante, uma vez que:

“O processo de recomposição da vegetação nas APPs tem ocorrido de forma heterogênea. De um lado temos algumas usinas e produtores que

205 Figueiredo, “O Carro a Álcool,” 35, descreveu em seu estudo que em 1934, através do

Decreto n° 23777, de 23 de janeiro de 1934, o Governo regulamentou as medidas a serem tomadas para reduzir os impactos negativos do vinhoto, decreto este que pelo seu Artigo 1°, estabelece “a obrigatoriedade do lançamento dos resíduos industriais das usinas açucareiras nos rios principais, longe das margens, em lugar fundo e correntoso”.

206 Criado pelo Ministério do Interior, pelo acolhimento de proposta do Secretário do Meio

Ambiente, as Portarias n° 323 de 29 de novembro de 1978 e n° 158 de 02 de novembro de 1980, respectivamente.

207 De acordo o website da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo - Cetesb, DBO

equivale a Demanda Bioquímica de Oxigênio e se refere à água. “É a quantidade de oxigênio necessária para oxidar a matéria orgânica por decomposição microbiana aeróbia para uma forma inorgânica estável”.

208 Figueiredo, “O Carro a Álcool,” 36.

já se mobilizaram para a criação de viveiros de espécies florestais, de forma autônoma ou em parcerias com órgãos públicos, e estão realizando o repovoamento de suas APPs. De outro lado temos usinas e produtores “adeptos” da tese da “regeneração natural”, que consiste, na grande maioria dos casos, no simples abandono da área para que esta se regenere naturalmente, o que também é permitido segundo algumas interpretações da Lei.”210

Quanto ao impacto da cultura de cana-de-açúcar na fauna, estudo da Embrapa211 avaliou as questões relativas a alimento, abrigo e reprodução, para

mamíferos, aves, répteis, anfíbios e invertebrados. Por uma classificação de 1 (nenhum impacto) a 5 (altíssimo impacto), observa-se impacto médio para répteis e os demais elementos da fauna foram classificados como nenhum ou baixo impacto.

Entre outros princípios da Declaração do Rio, consubstanciada na Agenda 21, foram recomendados cuidados no uso de produtos químicos, entre eles, os defensivos agrícolas. E, no cultivo da cana-de-açúcar, dados estatísticos têm demonstrado, que, comparativamente a outros cultivos de importância econômica, houve menor demanda de agroquímicos, “seja pela maior reciclagem dos nutrientes, seja pela ampla adoção de métodos biológicos de controle de pragas”.212

Segundo a ÚNICA,

“o uso de inseticidas na cana-de-açúcar no Brasil é baixo e o de fungicidas é praticamente nulo. As principais pragas da cana são combatidas através do controle biológico de pragas e com a seleção de variedades resistentes, em grandes programas de melhoramento genético”.213

210 Vian; Moraes & Gonçalves,“Progresso Técnico,” 11. 211 Embrapa, Agroecologia da Cana-de-Açúcar.

212 BNDES, CGEE, FAO & CEPAL. Bioetanol de Cana-de-Açúcar, 20. 213 Única, Sustentabilidade - Meio Ambiente.

O consumo de fertilizantes é baixo - aproximadamente 0,425 tonelada por hectare, de acordo com a Única - em função da utilização de resíduos industriais da produção do etanol e açúcar, como a vinhaça e a torta de filtro, como fertilizantes orgânicos. Outro fator que contribui para o baixo consumo de fertilizantes é o uso da palha da cana deixada sobre o solo após a colheita, principalmente nas áreas mecanizadas, o que otimiza a reciclagem de nutrientes e protegem o solo.214

Com relação à geração de emprego, estudo do BNDES/CGEE sobre dados de 2005 aponta que a agroindústria canavieira tem sido grande geradora de postos de trabalho, que “se distribuem de forma ampla em boa parte do território brasileiro e cobrem uma gama de competências e formações, mas, em sua maior parte, são empregos de baixa qualificação”.215

A maior parte dos trabalhadores tem contrato temporário, com níveis diferenciados para os períodos de safra e entressafra, e normalmente trabalham no plantio da cana, no trato cultural e na colheita. Estes ainda enfrentam situações adversas, principalmente pelo sistema de pagamento por volume de cana cortado216, além do emprego informal na agricultura – sem carteira assinada – “o que os deixa à margem do sistema previdenciário, sindical, de saúde e sem direito aos pagamentos legais por rescisão de contrato”.217

Para os cortadores de cana-de-açúcar as condições de trabalho ainda são bastante precárias. Muitas usinas e destilarias não possuem equipamentos

214 Ibid..

215 BNDES & CGEE, orgs. Bioetanol de Cana-de-Açúcar, 209: Os dados de geração de

emprego fornecidos estão em conformidade “com base na Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho e Emprego, e na Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (PNAD), realizada periodicamente pelo [Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística] IBGE, estima-se que em 2005 havia 982 mil trabalhadores diretamente e formalmente envolvidos com a produção sucroalcooleira [Moraes (2005)]. De acordo com um estudo baseado na Matriz Insumo-Produto da economia brasileira, em 1997, para cada emprego direto nesse setor, existem 1,43 emprego indireto e 2,75 empregos induzidos [Guilhoto (2001)], o que permite estimar para 2005 um total de 4,1 milhões de pessoas trabalhando de algum modo dependentes da atividade da agroindústria da cana, caso tenham se mantido essas relações.”

216 J. Graziano da Silva no artigo “Entre a Mão Visível do Estado e a Lógica Cega dos

Mercados”, 73, afirma: “Pode-se pensar um pedaço do futuro brasileiro em torno disso [agroenergia]. Mas não dá para ter esperanças nele se um bóia fria continuar recebendo um salário equivalente ao de 1969, com produtividade quatro vezes maior e, ao final, o prêmio da exclusão para o resto da vista.”

de proteção individual, que são improvisados pelos próprios trabalhadores; em geral, os cortadores de cana são transportados em caminhões de propriedade de agenciadores de mão-de-obra, conduzidos por motoristas inexperientes ou não habilitados;218 em usinas que queimam a cana antes de seu corte, o calor

é duplo – pela queimada e pelo sol, e, o trabalhador estará exposto à poeira e à fuligem da cana queimada; inexistem locais para guardar marmitas, fazer refeições e instalações sanitárias.

N. P. Alessi e V. L. Navarro, em estudo realizado sobre as condições de trabalho de cortadores de cana-de-açúcar na região de Ribeirão Preto – SP em 1997, descreveram em cores impressionantes os movimentos que o cortador de cana tem de fazer:

“Durante toda a jornada o trabalhador repetirá exaustivamente os mesmos gestos. Abraçar o feixe de cana, curvar-se, golpear com o podão a base dos colmos, levantar o feixe, girar e empilhar a cana nos montes. [...] Tais movimentos, conjugados com a exposição às inclemências meteorológicas e às inerentes a própria atividade, levam o trabalhador a diminuir seu limiar de atenção, aumentando a possibilidade de ocorrência de acidentes, seja com o próprio podão assim como por picadas de animais peçonhentos. E não são só os acidentes que determinam processos de morbidade e/ou mortalidade dos trabalhos rurais. Seu corpo, utilizado como parte das engrenagens da indústria sucroalcooleira, rapidamente se desgasta e sofre. São comuns as queixas de dores na coluna vertebral, principalmente lombar e torácica, assim como dores de cabeça”.219

Outra questão preocupante se relaciona com o trabalho infantil, cujos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - PNAD 2001 e 2004, mostraram a “participação de apenas 0,8% em 2004, em comparação com

218 A Constituição do Estado de São Paulo, em seu art. 190, por exemplo, prevê que o

transporte de "bóias-frias" deva ser feito em ônibus apropriados.

1993, em Pernambuco, quando 25% dos cortadores de cana tinham entre 7 e 17 anos de idade”.220

Do ponto de vista de mão-de-obra especializada, tem havido uma elevação dos requisitos de formação de pessoal pelas usinas brasileiras, em todas as suas áreas e nos diversos níveis de responsabilidade e consequente demanda por cursos de nível médio e superior voltados especificamente para a produção de cana e bioetanol.221

A concentração fundiária é alta na cultura agrocanavieira, embora existam milhares de fornecedores de cana e arrendatários. De fato, a produção de etanol se mostra mais competitiva em escalas industriais, o que marginaliza as pequenas destilarias e a agricultura familiar.

A heterogeneidade entre as regiões produtoras não foi amenizada pela modernização agrícola nem pelas políticas públicas no Brasil. Ela continuou se processando de forma desigual, em dois sentidos: “regionalmente, beneficiando os estados do centro-sul, particularmente São Paulo; e dentro de cada estado, atingindo preferencialmente os médios e grandes produtores e os produtos exportáveis e demandados pelas agroindústrias”.222

Há que se considerar o fato de que as diferenças, sejam elas regionais, sejam elas relativas à renda e ao emprego, seja na intensidade da introdução de novas técnicas ou tecnologias, se manifestaram desde o início da cultura no século XVI e continuam existindo, quer por motivos econômicos, sócio- culturais, políticos, de difusão das tecnologias e técnicas ou de contexto.

O apoio histórico estatal à cultura de cana-de-açúcar, mesmo durante o PNA, gerou a possibilidade de manutenção das dimensões de grande parte das propriedades rurais - em São Paulo e Pernambuco, especialmente - ao “reforçar e mesmo ampliar essa estrutura e essa concentração. [...] Em outros termos, predomina a propriedade industrial sob o controle do proprietário fundiário”.223

220 BNDES & CGEE, orgs. Bioetanol de cana-de-açúcar, 212. 221 Ibid., 213.

222 A. Kageyama. “Alguns Efeitos Sociais da Modernização em São Paulo,” 101.

223 Ramos, Agroindústria Canavieira, 181: O autor esclarece “Evidentemente, não se está

afirmando que a característica mais marcante da estrutura fundiária no Brasil – sua extrema concentração – se deva exclusivamente ao complexo canavieiro. Mas, não pode haver

Outro fator que contribuiu para essa heterogeneidade foi o crédito estatal subsidiado distribuído de forma desigual para a agropecuária brasileira, “seja em termos de regiões atingidas, de culturas beneficiadas, ou ainda de

produtores que tiveram acesso a ele”.224

O período de desregulamentação do setor sucroalcooleiro não alterou as diferenças, dividindo o setor pelas “características geográficas de suas empresas, as ligações políticas da sua base e segundo a força dos seus capitais”.225 Houve uma crescente participação do Centro-Sul na produção, em

detrimento do Nordeste, e mesmo entre os municípios paulistas, há uma diferenciação na produtividade.

Apesar do processo de desconcentração/descentralização técnica desde o início dos anos 1990, e também uma centralização/concentração de capitais, algumas unidades pequenas chegaram a obter um rendimento superior às unidades maiores, mesmo sem a adoção tão intensa de tecnologias poupadoras de mão-de-obra, como a mecanização da colheita e a automação industrial.226

Se por um lado, temos a compreensão de como se desenvolveu a produção do álcool no Brasil e sua utilização como combustível em veículos automotivos, temos a possibilidade de nos aproximarmos daquelas inovações que podem ter sido objeto ou não de patentes ou proteção de cultivares.

Por outro lado, a tentativa de reconhecimento das políticas públicas que apontavam para o setor de ciência e tecnologia – na ausência de políticas científicas e tecnológicas explícitas e efetivas – e dos diversos atores que participaram do processo de implementação e consolidação do PNA, possibilitam uma investigação adicional nas patentes e na proteção de cultivares.

dúvida quanto à sua acentuada contribuição no processo (histórico) que permitiu a sustentação e a ampliação dessa característica”.

224 Ibid., 188. Itálico do autor.

225 C. E. F. Vian & W. Belik, “Desafios para a Reestruturação,” 158. 226 Ibid., 166-179.

Belgede MARKA DEĞERLEME RAPORU (sayfa 3-6)

Benzer Belgeler