5.1.4.1 Detecção de CNV
A análise do protocolo de imagens nos 100 pacientes estudados identificou 88 pacientes com VRN, estando ausente em 12 casos. Já a exploração intra-operatória dos 100 pacientes distinguiu em 91 deles a presença de CNV, estando ausente em nove casos.
Dos 88 casos que tinham VRN na análise do protocolo de imagens, todos apresentaram CNV durante a exploração cirúrgica (Tabela 1), justificando a ausência de resultados falso-positivos. Dos 12 casos que não tinham VRN na análise do protocolo de imagens, somente em nove não foram evidenciadas CNV durante a exploração cirúrgica (Tabela 1), justificando a presença de três resultados falso-negativos.
A sensibilidade do presente protocolo de imagem foi de 96,7% (88/91) e a especificidade de 100% (9/9), tomando-se como referência os achados cirúrgicos. Consequentemente, o valor preditivo positivo foi de 1, dado que as CNV foram encontradas em todos os casos que tiveram VRN identificados na análise do protocolo de imagem, enquanto o valor preditivo negativo foi de 0,75, já que dos 12 casos, em que a análise do protocolo de imagem não identificou nenhum VRN, nove não tiveram CNV visualizadas durante a exploração cirúrgica.
5.1.4.2 Predição do Vaso Responsável pela Compressão
No que concerne aos achados cirúrgicos, a análise do protocolo de imagens identificou corretamente o vaso responsável pela compressão em 80 dos 91 casos que tiveram a compressão vascular visualizada durante a exploração cirúrgica (88%). O valor geral de CK foi de 0,826 (p<0,05; intervalo de confiança [IC] de 95%, 0,69-0,96) para estimar o vaso envolvido na CNV. O nível de concordância foi considerado Forte para a identificação da ACS (CK=0,924; p<0,05), ACAI (CK=0,946; p<0,05) e AB (CK=1; p<0,05). Neste estudo, não houve concordância significativa na estimação de compressões vasculares de origem venosa (p>0,05). O nível de concordância foi considerado Fraco para a identificação da VPS (CK=0,26; p>0,05) e da VPT (CK=0,574; p>0,05).
5.1.4.3 Predição da Localização da Compressão no Trajeto da Raiz
Ainda em relação aos achados cirúrgicos, a análise do protocolo de imagens identificou corretamente a localização da compressão em 78 dos 91 casos (85,7%). O valor geral de CK foi de 0,742 (p<0,05; IC de 95%, 0,58-0,90) para estimar a localização da compressão no trajeto da raiz trigeminal. O nível de concordância foi considerado Forte para determinar se a compressão estava situada na TREZ do nervo (CK=0,802; p<0,05). O nível de concordância foi considerado Moderado para determinar se a compressão estava situada no
segmento MC do nervo (CK=0,73; p<0,05) ou no segmento de JP do nervo (CK=0,66; p<0,05).
5.1.4.4 Predição da Direção da Compressão ao Longo da Circunferência da Raiz
Quanto aos achados cirúrgicos, a análise do protocolo de imagens identificou corretamente a direção da compressão em 77 dos 91 casos (84,6%). O valor geral de CK foi de 0,768 (p<0,05; IC de 95%, 0,61-0,93) para estimar a direção da compressão ao longo da circunferência da raiz. O nível de concordância foi considerado Moderado para determinar se a compressão estava situada na porção SM da raiz (CK=0,785; p<0,05), na porção SL da raiz (CK=0,751; p<0,05) e na porção INF da raiz (CK=0,758; p<0,05).
5.1.4.5 Predição do Grau de Intensidade da Compressão
Quanto aos achados cirúrgicos, a análise do protocolo de imagens identificou corretamente o grau de intensidade da compressão em 77 dos 91 casos (84,6%). O valor geral de CK foi de 0,79 (p<0,05; IC de 95%, 0,64-0,95) para estimar o grau de intensidade da compressão. O nível de concordância foi considerado Moderado para determinar se a compressão era de Grau I (CK=0,746; p<0,05) ou II (CK=0,767; p<0,05). O nível de concordância foi considerado Forte para determinar se a compressão era de Grau III (CK=0,86; p<0,05).
5.2 Protocolo II – Identificação e Caracterização das Compressões Neurovasculares de Pacientes com Neuralgia Trigeminal, Obtidas em Sequências de Ressonância Magnética em Alta Resolução (3,0 Teslas)
5.2.1 Dados Demográficos
O presente estudo incluiu 40 pacientes, sendo 25 mulheres e 15 homens, com idades variando de 22 a 79 anos de idade (média de 56 anos).
As características dos pacientes foram detalhadas na Tabela 2. Vinte e dois pacientes apresentavam dor no lado direito da face, enquanto 18 pacientes tinham dor no lado esquerdo da face. O território V1 foi afetado em 12 pacientes (30%), o território V2 em 30 (75%) e o território V3 em 23 (57,5%), tendo a maioria dos pacientes apresentado envolvimento de mais de uma divisão. O período de duração dos sintomas dolorosos anterior à cirurgia foi, em média, de 4,5 anos (variando de 6 meses a 14 anos). Três meses após a cirurgia, todos os pacientes foram reavaliados clinicamente pelo neurocirurgião sênior (M.S.). Trinta e três pacientes tiveram alívio completo da dor (curados), sem necessitar usar nenhuma medicação; cinco tiveram alívio parcial da dor (bem controlada com a medicação); e em dois pacientes a cirurgia foi considerada um insucesso.
5.2.2 Achados Cirúrgicos
Em dois de 40 pacientes (5%), nenhuma CNV foi encontrada, apesar da exploração completa e cuidadosa de todo o trajeto do nTRI, desde à TREZ até à entrada do cavum de Meckel. A ACS foi identificada como responsável pela compressão em 22 casos, a ACAI em quatro casos e a AB em um caso. Notaram-se compressões de origem venosa em 11 casos: a VPS em cinco casos e a VPT em seis casos.
As CNV foram localizadas ao nível da TREZ (isto é, numa região de 5 mm proximais do nervo em relação à ponte) em 27 casos, ao nível do segmento MC em cinco casos, e ao nível do segmento JP em seis casos. A
direção da compressão foi considerada a porção SM da raiz em 17 casos, a porção SL da raiz em 13 casos e a porção INF em oito casos.
Na presente série, encontramos compressões de Grau I (Figura 12D) em oito casos, Grau II (Figura 13D) em 14 casos e Grau III (Figura 14, D-G) em 16 casos.
5.2.3 Achados da Análise do Protocolo de Imagem
Em trinta e sete dos 40 pacientes estudados (92,5%), visualizaram-se VRN nas imagens, restando três dos 40 pacientes (7,5%) sem haver a identificação de nenhum VRN.
De acordo com o observador 1, o vaso considerado responsável pela compressão foi a ACS em 22 casos, a ACAI em quatro casos, a AB em um caso, a VPS em quatro casos e VPT em seis casos. Já de acordo com o observador 2, o vaso considerado responsável pela compressão foi a ACS em 20 casos, a ACAI em cinco casos, a AB em um caso, a VPS em cinco casos e a VPT em seis casos. O nível de concordância entre os observadores foi considerado Forte (CK=0,826; IC de 95%, 0,63-1,0).
Quanto à localização da compressão no trajeto da raiz, um VRN foi visualizado ao nível da TREZ em 25 casos, ao nível do segmento MC da raiz em sete casos e ao nível do segmento JP da raiz em cinco casos, de acordo com o observador 1. Um VRN foi visualizado ao nível da TREZ em 28 casos, ao nível do segmento MC da raiz em cinco casos e ao nível do segmento JP da raiz em quatro casos, de acordo com o observador 2. O nível de concordância entre os observadores foi considerado Moderado (CK= 0,717; IC de 95%, 0,47- 0,95).
O observador 1 considerou a direção da compressão ao longo da circunferência da raiz como sendo a porção SM do nervo em 16 casos, a porção INF do nervo em 14 casos e a porção SL do nervo em sete casos. Já o observador 2 considerou a direção da compressão ao longo da circunferência da raiz como sendo a porção SM do nervo em 15 casos, a porção INF do nervo em 14 casos e a porção SL do nervo em oito casos. Neste tema, o nível de
concordância entre os observadores foi considerado Forte (CK=0,957; IC de 95%, 0,72-1,0).
O observador 1 considerou o grau de intensidade da compressão como sendo de Grau I (Figura 12, A-C) em 10 casos, de Grau II (Figura 13, A-C) em 11 casos e de Grau III (Figura 14, A-C) em 16 casos. Já o observador 2 considerou a compressão como sendo de Grau I em 11 casos, de Grau II em 11 casos e de Grau III em 15 casos. Assim, o nível de concordância entre os observadores foi considerado Moderado (CK=0,794; IC de 95%, 0,57-1,0).
5.2.4 Comparação entre os Achados da Análise do Protocolo de Imagem