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12 Luiz Gastão de Castro Lima in LIMA, Luiz Gastão de Castro. Comunicação Visual e

Metodologia para o ensino do desenho. Tese de doutorado. FAU-USP. São Paulo, 1973. Associado à Teoria da Informação, o termo entropia aparece nesta frase de Gastão, cheio de significados.

determinado processo, visando um objetivo definido.

Tomando a Escola como um sistema complexo, mas flexível a novas metodologias, Gastão constrói uma abordagem que direciona o ensino para sua finalidade dentro do sistema maior: as Escolas de Engenharia. A tese é uma síntese do trabalho que o arquiteto vinha realizando até então, junto às experiências acumuladas em vinte anos de vida docente.13 Dizia ele: “esse trabalho foi

elaborado sobre nossa experiência didática, a partir da maturação forçada a que nos submetemos. “

Gastão questionava o método usual de ensino de desenho nas escolas técnicas, que caminhavam para exercícios de representação de objetos. Não descartava a representação em si, mas buscava demonstrar que esta deveria ser entendida dentro do processo criativo não como um fim, mas como meio. Entendia ter o curso, uma função formativa e defendia intransigentemente que se estruturassem fundamentos gerais e consistentes. Dizia ele:

Entendemos que o curso de engenharia tem aspectos de meta-lingagem científico-tecnológica, devendo dar formação suficiente ao profissional para habilitá-lo a enfrentar qualquer problema que surja na sua área de opção.

O doutorado se desenvolvia em paralelo à aplicação dessa nova metodologia nos cursos de Engenharia e esta servia de base empírica para as teorias defendidas na pesquisa. Gastão trabalhava

13 A tese é defendida em setembro de 1973. Fizeram parte da banca julgadora, o Prof. Doutor

José Maria da Silva Neves, Lafael Petroni, Paulus Pompéia, Lúcio Grinover e Hélio Duarte (orientador). Tendo os dois primeiros lhe concedido as maiores notas. A tese foi publicada em edição restrita na FAUUSP.

com os alunos com exercícios ligados ao desenho arquitetônico e a esquemas topográficos, estes últimos a fim de aferir capacidade de visualização espacial ligada aos cursos de Engenharia Civil, Engenharia Mecânica e Engenharia Elétrica.

A valorização crescente das disciplinas de desenho na escola de Engenharia de São Carlos indica que houve aceitação, pelo menos parcial, das idéias ventiladas a partir de 1968, e que foi desencadeado um processo de reformulação do ensino desta disciplina. Esta idéia está em ebulição e cremos possível ir implantando progressivamente os princípios aqui expostos. 14

A criação do SAP e o Mestrado em Industrialização da Construção Aqui no Brasil, partiu da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP em 1962 a primeira reformulação do ensino de Arquitetura, com a introdução do desenho industrial e comunicação visual como matérias curriculares, valendo-se da experiência dos grupos de Ulm.

Esta reformulação vem de ser extremamente aprimorada com a instalação do Curso de pós- graduação de Industrialização das Construções em 1971, na Escola de Engenharia de São Carlos, da USP. Como esta escola possui a infra-estrutura necessária, as condições que tem, de bem desenvolver o ferramental teórico-prático adequado, são as mais favoráveis. 15

14 Luiz Gastão de Castro Lima em LIMA, Luiz Gastão de Castro. Comunicação Visual e

Metodologia para o ensino do desenho. Tese de doutorado. FAU-USP. São Paulo, 1973

15 Luiz Gastão de Castro Lima em “Plano de Trabalho do Arquiteto Luiz Gastão de Castro Lima,

que exercerá as funções de professor colaborador na Escola de Engenharia da Universidade de São Paulo, em regime de turno completo.” Documento integrante do Processo de

O último ano da década de 60 foi marcante na história da USP. Em 1969 é aprovado o Estatuto da Universidade, em parte como conseqüência dos debates realizados no Fórum Universitário que teve lugar um ano antes. A partir do novo Estatuto é criado o SAP - Departamento de Arquitetura e Planejamento da Escola de Engenharia de São Carlos. A princípio, partindo da idéia de criar um campus de Arte, Ciências e Tecnologia, materializou-se como um desdobramento do departamento de Estruturas e Arquitetura, já existente. Num primeiro instante, oferecia apenas Mestrado e caminhava numa linha que muito interessava a Luiz Gastão.

“Até 73 eu mantinha um cordão umbilical ainda fortemente ligado à FAU. Em 72 eu transferi meu cargo para a Escola de Engenharia, departamento de arquitetura, porque em 71 se iniciava um curso de pós-graduação na área de arquitetura, com uma ótica voltada para uma problemática que me interessava muito, que era a dos problemas da construção e da tecnologia na arquitetura.”16

Na época, grande parte dos cursos de arquitetura eram voltados ao planejamento, a exemplo da Universidade de Brasília, de Pernambuco, da Federal do Rio Grande do Sul e também o curso da FAU, que só se inclinaria a outras áreas futuramente.

Paulo de Camargo e Almeida, criador do Departamento, justifica o nome ao fato de se enquadrar o planejamento em um patamar mais abrangente que o urbanismo. Essa estruturação com base no planejamento era justificável. A escassez de profissionais pós-graduados na área

de arquitetura levou muitos cursos a se estruturarem de forma interdisciplinar, onde seria possível compor um corpo docente com doutores em áreas diversas da arquitetura, como a sociologia, geografia, história e economia.

Apesar do nome, o Departamento de Arquitetura e Planejamento da Escola de Engenharia de São Carlos, previa o direcionamento das pesquisas no ramo da Industrialização das Construções do Planejamento, concebidos como temas indissociáveis desde o Seminário de Habitação e Reforma Urbana ocorrido em 1963.17

Gastão se lembra das dificuldades em estruturar os trabalhos iniciais, o que acabou por criar a necessidade de uma articulação entre o SAP e os departamentos de Engenharia Civil e Mecânica.

“Para que um curso de pós-graduação funcione é necessário que exista um número mínimo de docentes graduados, de doutor para cima, doutor adjunto, livre docente, titular. Não existe doutor no Brasil em arquitetura. Os únicos que existem são os da FAU, trinta e poucos.

O nosso curso é só voltado para a tecnologia, então tem lutado com muitas dificuldades, principalmente pelo fato de existirem poucos profissionais titulados em arquitetura ou engenharia.” 18

Com o corpo docente articulado e valendo-se de seus contatos no meio acadêmico, Gastão convida professores de outras instituições a participar do programa de pós-graduação da EESC,

Benzer Belgeler