TÜRK MEDENİ KANUNU
B. GERİ VERME BORCU
A novela é uma ficção, um modelo, um exemplo ou uma série de metáforas sobre alguns aspectos da vida cotidiana. (ALMEIDA, 2003).
As telenovelas que levam a assinatura de Manoel Carlos são facilmente identificadas pelo público. O autor mantém, sempre, em suas obras suas principais características: histórias ambientadas no Rio de Janeiro, no Leblon; conflitos familiares; questões sociais, como a Síndrome de Down e o alcoolismo; e o cotidiano e as situações corriqueiras como elementos chaves; e a eterna busca pelo amor, pelo companheiro ou companheira ideal motivando a conduta de todas as personagens. As protagonistas são sempre personagens femininas, são mulheres fortes, humanas, que lutam pela felicidade. São as Helenas: “É nome de mulher que erra, cai, tropeça, cai, mas sempre se ergue e segue adiante.” (Manoel Carlos in Memória da Globo, 2008: 107). Para ele, essas personagens não devem ser perfeitas, sem defeitos, pelo contrário, são personagens humanizadas que vivem conflitos semelhantes aos vividos pelos telespectadores. Aproximando assim, os telespectadores das personagens. Além disso, podemos perceber que a visão de mundo maniqueísta presente na maioria das telenovelas, é de certa forma suavizada nas novelas do autor. As vilãs e os vilões possuem características boas e más. “Nenhum ser humano é 100% mau. As pessoas têm maldade ou são más, mas com rasgos de
generosidade, bondade e compreensão.” (Manoel Carlos in Memória da Globo, 2008: 89).
Apesar do destaque dado às questões sociais, o amor é o tema central das histórias. Ao longo das narrativas, vários casais se conhecem, se apaixonam, se separam e lutam para que, no fim, eles possam ficar juntos. Todos os núcleos de suas tramas, sejam eles principais ou secundários, são movidos pela busca incessante do amor.
Assim creio que, semelhante a Janete Clair, Manoel Carlos se utiliza do realismo emocional para dar o “tom de suas obras”. No entanto, este realismo emocional não pode existir, na atualidade, desvinculado das questões do cotidiano. Como lembra Andrade (2003), “Esta capacidade de exacerbar emoções decorre, em parte, do fato de que a telenovela é uma dramatização e representação da vida cotidiana com todos os seus problemas, conflitos, resoluções e comportamentos.”
Nesse sentido, o autor cria suas tramas sempre aproximando ficção de realidade. É comum, observarmos em suas novelas, diálogos e situações que remetem a algum evento ou acontecimento do “mundo real”. Como por exemplo, em Por Amor (1997), na cena em a personagem Lídia, dona de um salão de beleza, conversa com seus empregados sobre a reforma da previdência social, ou sobre a questão segurança no Rio de Janeiro. Além disso, não podemos esquecer das campanhas sociais presentes nas telenovelas do autor e que ao longo dos anos tornaram-se uma marca de suas tramas. Como, por exemplo, em História de Amor (1995) onde o autor abordou, pela primeira vez em suas tramas, o merchandising social, trazendo à tona uma personagem com câncer de mama.
Procuro pegar um dado real e confrontá-lo com a fantasia, ficcionando essa realidade para que a história não seja apresentada de maneira tão crua. Meu trabalho, portanto, está entre o romântico e o realista. Digamos que eu faço ou tento fazer um realismo poético. (Manoel Carlos in Memória da Globo, 2008: 103).
Nas telenovelas de Manoel Carlos, tudo serve de inspiração para o autor compor suas tramas, desde uma situação do dia a dia até alguma notícia de
jornal que conte uma história interessante. São tramas acompanhadas diariamente pela população e que escapam da televisão e invadem outros meios como a internet, programas de rádio, televisão e de auditório, além de jornais e revistas. Durante o desenrolar da história, outras mídias se alimentam de questão levantadas nas tramas e também dão ingredientes para o desenvolver da narrativa, fazendo com que ficção e realidade caminhem juntas.
As obras de Manoel Carlos podem ser divididas em duas fases: as novelas exibidas às 18h (Maria Maria e a Sucessora, ambas de 1978;
Felicidade de 1991 e História de Amor de 1995), e as novelas exibidas no
horário nobre, às 20h: Por Amor (1997), Laços de Família (2000), Mulheres
Apaixonadas (2003), Páginas da Vida (2006) e Viver a Vida (2009). Para o
nosso estudo só utilizaremos as novelas exibidas às 20h, pois são as que possuem uma maior e mais diversificada audiência. Além de um maior destaque na mídia em geral.
Por Amor
Exibida em 1997, no horário das 20h, Por Amor marcou a entrada Manoel Carlos no horário nobre da Rede Globo. A trama principal girava em torno da história do amor incondicional de uma mãe por sua filha. Helena e sua filha Maria Eduarda engravidam e dão a luz no mesmo dia, Eduarda tem complicações no parto e perde o útero, em seguida, o seu bebê morre. Helena decide trocar o seu filho vivo pelo filho morto de Eduarda. A troca dos bebês só vai ser descoberta no final da novela. A trama de Manoel Carlos apresentou, ainda, o drama dos alcoólicos através do personagem Orestes, que passa a trama lutando contra o vício.
Além disso, a novela apresentou as marcas de autoria do autor: situações corriqueiras, trama ambientada nos bairros cariocas do Leblon e da Barra da Tijuca, universo visto sob o olhar feminino, diálogos simples misturando ficção e realidade; destaque às questões sociais como o alcoolismo e o desrespeito aos trabalhadores da terceira idade. A trama possuía, ainda, um núcleo que estava ambientado em Niterói – RJ.
Através de inúmeros casais, Manoel Carlos mostrou que o amor vence qualquer barreira. Ciúmes, diferenças sociais e culturais, obstáculos do acaso
ou provocados pelos vilões nada disso impediu que os casais se encontrassem e vivessem plenamente suas histórias de amor.
Laços de Família
Uma notícia publicada em um jornal sobre uma mãe que engravidou para salvar a filha que tinha leucemia foi o mote inicial para Manoel Carlos escrever sua segunda novela do horário nobre: Laços de Família. A trama ambientada, mais uma vez no Leblon, contou a história de Helena que se apaixona por Edu, um rapaz 20 anos mais jovem, mas abre mão desse amor em nome da filha, Camila. Mais uma vez, a Helena de Manoel Carlos se mostra como uma mãe que possui um amor incondicional pelos filhos, sendo capaz de abrir mão da própria felicidade. Além de desistir de seu amor, Helena vai engravidar de Pedro, pai de Camila, para tentar salvar a filha que está com doente.
A história da luta de Camila para se curar da leucemia rendeu à TV Globo o prêmio Global Leadrship Award de 2001, o mais importante prêmio de responsabilidade social do mundo. Além disso, o número de doadores de medula óssea no Brasil, aumento depois que a trama passou a veicular o drama das pessoas que sofrem com o câncer31.
Apesar do grande destaque dado à questão da leucemia, da aproximação de ficção e realidade, essa trama de Manoel Carlos trouxe, acima de tudo, histórias de amor. Vários casais se encontraram e reencontraram ao longo da história. Com doses de romance folhetinesco, a história de amor da prostituta Capitu e do filho mais velho de Helena, Fred, caiu nas graças do público. A estudante se prostituía para sustentar os pais e o filho. No decorrer da novela, ela é perseguida e chantageada e pelo ex-namorado pai de seu filho e por um cliente. No final da trama, Capitu deixa de ser prostituta, se casa, engravida e vai viver feliz para sempre ao lado de Fred, seu amor de adolescência. Além desse casal, Camila e Edu, depois de travarem uma luta contra a leucemia, vão viver felizes para sempre. Helena também vai ter o seu final feliz ao lado de Miguel, seu grande amigo e companheiro.
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Segundo o Instituto Nacional de Câncer, o número de doadores cadastrados de medula óssea saltou de 10 por mês para 149 durante o período de exibição da novela. (MAIOR, 2006)
Laços de Família foi exibida às 20h, em 2000.
Mulheres Apaixonadas
Como o próprio nome da novela diz, a trama de Manoel Carlos vai apresentar diversas histórias de amor sob a ótica feminina. Mulheres
Apaixonadas, exibida pela Rede Globo em 2003, às 20h, mais uma vez, fez
uma crônica da realidade e trouxe as relações amorosas como centro desta narrativa. Dessa vez, a personagem Helena está dividida entre o seu casamento com o músico Téo e o desejo de viver uma nova paixão. Esse desejo torna-se incontrolável quando ela reencontra sua antiga paixão, o neurocirurgião César. A partir daí, Manoel Carlos vai mostrar os conflitos vividos por ela até a escolha final, quando ela escolhe César e casa-se com ele. Heloísa, irmã de Helena, vive um tumultuado casamento com Sérgio. Crises de ciúmes e supostas traições levam Heloísa a atacar o marido com uma faca. A personagem passou a freqüentar o grupo de apoio Mulheres que Amam Demais (MADA).
Histórias de amor não faltaram em Mulheres Apaixonadas: padre que abandona a batina para viver um grande amor, mulher mais velha que se apaixona por um jovem, amor entre duas mulheres, traições. A trama estava recheada de ingredientes para prender o telespectador na frente da telinha. Além disso, para aproximar ainda mais ficção e realidade, a abertura da novela mostrava fotografias de pessoas reais em situações corriqueiras. As fotos eram enviadas pelos telespectadores e eram postas na abertura da trama.
A trama mostrou também o drama de uma mulher que era espancada pelo marido. A professora de educação física Raquel sofria agressões físicas e psicológicas constantemente nas mãos do marido Marcos. Essa trama serviu para levantar a questão do combate à violência contra as mulheres Além dessa questão social, o desrespeito aos idosos também teve destaque na trama. O autor contou também a luta de Hilda, irmã mais velha de Helena, contra o câncer de mama.
Páginas da Vida
Escrita por Manoel Carlos e exibida às 20 horas, Páginas da Vida (2006) fez parte do cotidiano dos brasileiros por quase de dez meses. Nessa narrativa, as personagens que compõem a trama mais uma vez, são moradores do Leblon, bairro carioca, de classe média e classe média alta e as situações que eles vivem poderiam ser, segundo o conceito aristotélico32, vividas por
“qualquer pessoa”.
Páginas da Vida trouxe um novo elemento que não estava presentes em
outras obras do autor. A cada final de capítulo, aparecia um depoimento de uma pessoa da “vida real” que descrevia uma situação que marcou a sua vida, seja essa situação alegre, triste ou inesperada e que tenha tido semelhança com algum tema que estava sendo abordado pela telenovela. Com isso, o autor aproxima realidade e ficção, legitimando uma situação vivida por um personagem e mostrando que aquela situação é vivida, também, fora das telas da televisão, obedecendo e expondo claramente o princípio da possibilidade. Nesta óptica, são esses sentimentos despertados nos telespectadores, ou seja, o engajamento emocional, que irão aproximá-los da narrativa ficcional, que farão com que um personagem ou outro cai nas graças do público.
A trama de Páginas da Vida girava em torno do dia a dia dos personagens de diferentes classes sociais e idades e tinha como eixo principal a discussão sobre a síndrome de Down. Helena é uma médica que socorre às pressas a jovem Nanda, grávida de gêmeos, após ela ser atropelada. Nanda dá a luz a um casal de gêmeos, a menina é portadora da síndrome de Down e, por conta disso é entregue à adoção pela avó após a morte de Nanda. Nanda havia sido abandonada pelo pai das crianças que só fica sabendo do nascimento delas cinco anos depois.
Além de dar destaque à discussão da inclusão de pessoas portadoras da síndrome de Down, Páginas da Vida contou a história de diversos casais que enfrentaram as dificuldades impostas pela vida e viveram felizes para sempre. Ao longo da trama, acompanhamos casamentos desfeitos e refeitos,
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Aqui, a telenovela constrói uma grande liberdade imaginária na qual o princípio democrático está presente. Todos podem passar por qualquer tipo de situação, independente da classe social, da origem, da religião, da etnia, da geração e do gênero.
novos encontros, paixões avassaladoras, amor entre primos, a emoção do primeiro amor. Enfim, todos os ingredientes para se construir variadas tramas que tenham como temática principal o amor e suas diferentes formas de ser vivido.
Viver a Vida
O mais recente trabalho de Manoel Carlos marcou a estréia de uma Helena diferente: negra e jovem. Helena é uma modelo que se envolve com o sedutor Marcos, ex-marido de Thereza e pai de Luciana, Isabel e Mia. Helena e Marcos se casam e vivem um casamento cheio de conflitos e traições por parte dele. O acaso coloca Helena e Luciana, filha mais velha de Marcos e também modelo, em uma viagem de trabalho para Petra. Após uma discussão com Helena, Luciana sofre um grave acidente e fica tetraplégica. A partir daí, Manoel Carlos coloca em discussão a questão da inclusão de pessoas com deficiência física. Luciana, depois de sofrer para se adaptar a sua nova situação, vai reencontrar a felicidade ao lado do médico Miguel, irmão gêmeo de seu ex-namorado Jorge. Além dessa discussão social, Manoel Carlos insere o drama da personagem Renata que sofre de um tipo de bulimia, a
drunkorexia, quando a pessoa substitui comida por bebida alcoólica.
A trama de Viver a Vida é recheada de doses de realismo, típica das telenovelas que levam à assinatura de Manoel Carlos. A história se passa, mais uma vez, no Leblon. As personagens são colocadas, diariamente, em situações rotineiras que qualquer um de nós poderia viver: são flagradas andando no calçadão, indo à praia, fazendo compras, conversando sobre a vida. É nesse cenário de realismo que as histórias de amor ocorrem.
Com o desenrolar da trama, as histórias de amor vão acontecendo sempre pinceladas pelo cotidiano que o autor cria. A protagonista Helena luta para manter seu casamento com Marcos, apesar das diferenças que existem entre eles. Mas, as traições do marido levam Helena a se separar. A viagem das modelos para Petra vai servir como um marco na história. Além do acidente que muda a condição de vida de Luciana, Helena conhece o fotógrafo Bruno com quem mais tarde vai viver uma história de amor com direito a
casamentos e filhos. Podemos ainda citar o amor como uma força capaz de superar todas as barreiras sociais. Sandrinha, irmã de Helena vai se envolver com Bene, um rapaz morador da favela. Com esse casal, Manoel Carlos demonstra que o amor superar qualquer barreira. Além disso, um elemento comum na construção das histórias de amor e que também esteve presente na trama em questão foi o triângulo amoroso. Através dos personagens Gustavo, Betina e Malu, o autor levantou a questão da fidelidade conjugal. Os casais que foram se formando ao longo da trama vão se casar nos capítulos finais. Todos encontram sua alma gêmea e vão viver felizes para sempre.