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ETKİLERİ

AB BANKACILIK SEKTÖRÜNDE REKABET POLİTİKASI3.2.

3.2.2. Gerhard Züchner Kararı ve 1980 Sonrası Dönem

representatividade de mulheres na produção do conhecimento pode ser explorado com as análises das obras Untitled (You thrive on mistaken identity) e Untitled (we

construct the chorus of missing persons).

3.3.2 Artifícios de irrepresentabilidade: “mulher” como ausência, anonimato e negativa

A obra Untitled (You thrive on mistaken identity) é composta por uma fotografia cujo recorte revela a cabeça e parte do torso da figura que, por ser fotografada através de uma peça de “vidro fantasia” que possui padrões redondos, aparece nebulosamente como um vulto desfocado. Sob essa figura é justaposto o texto “you thrive on mistaken identity” (você prospera com a identidade equivocada), sendo que o trecho “you thrive on” encontra-se alinhado na extremidade superior esquerda da imagem e “identity”, escrita também em preto sobre uma tarja branca, é disposta na extremidade inferior esquerda. Já a palavra “mistaken” é sobreposta à fotografia (mais precisamente posicionada sob os olhos da figura representada, numa posição mais central que as demais) e levemente inclinada no sentido diagonal. Essa palavra ganha destaque na composição, pois está escrita em tipografia branca sobre uma tarja negra, possui uma dimensão maior que as outras e não está disposta nas margens da imagem.

Figura 9. Untitled (You thrive on mistaken identity), fotografia, 152.4 x 101.6 cm, 1981,

Barbara Kruger

Nessa obra o anonimato da figura é realçado e redobrado: além de tratar-se de uma imagem apropriada dos mass media (o que, conforme previamente mencionado, impossibilita a identificação da pessoa retratada), a fotografia sugere pouco mais que um perfil. Devido ao embaçamento da imagem, a mulher representada só pode ser percebida através da diferenciação dos tons de cinza dispostos nos padrões arredondados do vidro, de forma que os elementos do rosto aparecem borrados e têm seus contornos e detalhes parcialmente comprometidos. Essa representação, ao mesmo tempo em que evoca “mulher”, não confere uma apreensão completa da figura, a qual oscila entre a sensação de presença e ausência.

Nessa obra, “mulher” é reconhecida através de poucos signos que sutilmente a inserem nas convenções que agenciam a inteligibilidade de gênero. Pode-se dizer que esse processo se dá com a associação de determinadas proporções e tipos físicos aos biotipos designados aos gêneros: é possível identificar artifícios representativos que suavizam a linha do maxilar, alongam o pescoço e encurtam o comprimento das clavículas, produzindo uma angulação

tipicamente vinculada à suposta “anatomia feminina”. Ademais a figura aparenta possuir cabelos compridos que estão presos num arranjo capilar comumente associado à feminilidade.

Diferentemente de outras obras, aqui “mulheridade” não se manifesta na pose da figura (que geralmente expressa vulnerabilidade, fragilidade e docilidade), nota-se que além do arranjo capilar tampouco é representado algum elemento estético ostensiva e estereotipicamente vinculado à feminilidade (como, por exemplo, unhas pintadas, maquiagem, adereços como colares e brincos etc) ou anunciado qualquer papel social atribuído às mulheres. Nesse sentido é evidenciado que são proporcionadas muito poucas informações acerca da figura representada, o que, somado ao fato de que sua expressão facial em parte se esvai devido ao embaçamento da imagem e é também suprimida com a ocultação dos olhos, permite perceber essa figura como sinônimo de ausência, uma figura que anuncia a identidade de gênero, mas não denota subjetividade.

Resumidamente, pode-se dizer que essa imagem dificulta uma apreensão completa, estável e segura da figura, possibilitando o acesso (reconhecimento) ao gênero, mas interrompendo uma assimilação afirmativa de um sujeito: trata-se de uma evocação de “mulher” vinculada à irrepresentabilidade, ocultação, ausência e incompletude.

Com características muito semelhantes, a obra Unitled (We construct the

chorus of missing persons) também é composta por uma fotografia apropriada, na

qual se vê uma figura que possui grande parte do rosto escondida. Na imagem a cabeça e uma pequena porção da parte superior do torso aparecem veladas pelos cabelos lisos que encobrem e dificultam a assimilação de seus traços faciais. Na fotografia os olhos, o nariz, o queixo, a testa, o pescoço e parte da silhueta do rosto da figura são simultaneamente revelados e ocultos pela textura dos grossos fios capilares (que têm aparência espessa, dura e seca), os quais são arranjados de forma a permitir o reconhecimento desses traços e elementos faciais. Nessa imagem gênero é suprido principalmente pelo comprimento do cabelo, pela exposição de uma pequena porção da sobrancelha que aparenta ser estilizada em conformidade com algumas convenções estéticas vinculadas à feminilidade e pelo

formato de um de seus olhos, que aparenta haver sido delineado por um contorno negro que ressalta o comprimento dos cílios.

Figura 10. Untitled (We construct the chorus of missing persons), impressão

prateada sobre gelatina, 121.9 x 213.3 cm, 1983, Barbara Kruger

Justaposto a essa imagem lê-se o texto “we construct the chorus of missing

persons” (nós construímos o coro das pessoas desaparecidas) escrito com tipografia negra e inserido em três faixas brancas com bordas negras. A informação escrita é dividida em três partes, sendo que duas tarjas estão inseridas nos extremos superior e inferior da imagem e a outra, que ocupa a porção central- superior, está localizada sobre a boca da mulher fotografada e divide a figura em duas partes desiguais. A tarja central está situada entre duas finas faixas vermelhas adicionais que, para fins compositivos associados ao equilíbrio visual da composição, dividem a imagem em três partes que possuem as mesmas proporções.

Na fração superior da imagem, por estarem velados por mechas mais finas de cabelo, destacam-se os olhos da figura representada, que aparentam fitar diretamente o público de forma fixa e confrontadora, conforme sugerido pela sutil

elevação de uma de suas sobrancelhas. Na metade inferior vê-se parte de seu queixo, seu pescoço e o busto igualmente rígidos, estáticos e velados. Essa composição sustenta uma sensação difusa de hostilidade que permeia a figura: seu olhar parece delatar e condenar uma espécie de conivência do espectador com o estado de omissão e ocultação na qual ela se encontra e especialmente no tocante de seu silenciamento, referenciado com a supressão de sua boca pela justaposição da tarja e do texto, o qual paradoxalmente inclui a palavra “coro”.

Conforme sugerido, nessas duas obras a representação nebulosa e velada resulta na construção de uma figura enigmática, se não incompleta, que não expressa afirmativamente um sujeito reconhecível. Entretanto, indica-se que essa espécie de ausência, cuja intensidade excede o anonimato, é transposta ao patamar crítico, tornando-se um elemento retórico da imagem: é possível associar as sensações difusas de vazio, ausência, ocultação ou inexistência (advindas da forma como “mulher” é anunciada na imagem e no texto) ao apagamento ou à exclusão das mulheres na historiografia.

Nesse sentido, indica-se que na obra Unitled (We construct the chorus of

missing persons) a alusão a pessoas desaparecidas, combinada à representação

de uma mulher cujos traços não são reconhecíveis, parece referenciar a questão da representatividade da categoria e aludir ao desaparecimento ou perda dos registros das contribuições (por exemplo, para o campo da literatura, artes visuais, história, ciência etc.) e conquistas de mulheres.39

Nessa chave, a menção de que alguém se aproveita ou prospera com a “identidade equivocada” (You thrive on mistaken identity) alude ao fato de que artistas, poetisas, escritoras e musicistas assumiam (e ainda assumem) recorrentemente pseudônimos masculinos com a finalidade de terem seus trabalhos legitimados em contextos artísticos que tradicionalmente desvalorizam ou desqualificam a produção de mulheres. Assim sendo, essa obra critica o fato de que o mérito das conquistas e produções culturais e políticas foi em grande

39 Cabe ressaltar que esse mesmo texto também aparece justaposto a outra imagem produzida

pela artista, na qual se vê uma pessoa que aparentemente transcreve a informação advinda de um livro a um caderno. Nessa obra (também intitulada Untitled), pouco mais que a mão, o livro e a roupa da figura são facilmente reconhecíveis, uma vez que todos esses elementos aparecem encobertos por estampas de padrão listrado. O senso de anonimato criado por essa imagem faz alusão, na opinião de Masako Kamimura (1987), ao desaparecimento da psique e da identidade feminina.

parte atribuído ao gênero masculino. Aqui o anonimato redobrado da figura pode ser associado à famosa citação de Virginia Wolf (1928, p. 62): “De fato, eu me arriscaria a supor que Anônimo .... foi muitas vezes uma mulher.”.

Nota-se que nessas obras Kruger, explorando as possibilidades de se evocar a identidade de gênero associada a uma espécie de negação da subjetividade, equilibra representação e ausência ao relacionar a formação da noção de “sujeito” com a produção de conhecimento e com o mérito advindo dessa prática, que confere presença.

Até então se sugeriu que, em suas obras, Kruger explora e explicita alguns recursos representativos capazes de dissociar sujeito de figura nas representações de mulheres, dificultando a assimilação de “sujeitos do feminismo” e visando a interrupção de alguns processos de identificação do público com a imagem. Estima-se que alguns recursos que conferem correspondência entre as/os espectadoras/es e a figura representada são descontinuados e deslocados ao plano da linguagem escrita, o que, conforme será apresentado, se configura como uma transposição da identificação, a qual passa a ser canalizada pelos pronomes pessoais que permitem à obra abrigar sujeitos múltiplos.