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Atlas Ambiental inspira Ecologia nas Escolas Municipais Uma abordagem local. Essa foi a ideia da professora Cleonice Silva, da Escola Municipal Judith Macedo de Araújo, ao criar o projeto “Construindo conceitos e valor a partir do Atlas

Ambiental de Porto Alegre”. No caso da escola, que está situada no Morro da Cruz, na zona leste de Porto Alegre, foi feito um detalhado estudo do relevo e da vegetação da área. “Porto Alegre é estudada dentro da imensa paisagem natural do planeta Terra; ressaltamos a fauna e a flora exclusivas da cidade, valorizando o bioma local, para que o aluno aprenda a valorizar o espaço onde vive e, a partir disso, ser um agente multiplicador”, explica Cleonice. (Adriana Agüero, JORNAL JÁ, 2012)

O Atlas transforma nossa visão. Um passeio pelos potenciais do território. Aliás, tão bonito! (Comentário, Educadora Ambiental, Profile do Atlas Ambiental no Facebook, 2013)

5.1 Os materiais em seu (com)texto  

Não tenho dúvida da potência dos materiais pedagógicos enquanto dispositivos para a educação e a educação ambiental. Mas também, muito menos da força da materialidade dos materiais. Aliás, como já escrevi, partilho veemente a ideia do papel das suas agências e vida enquanto coprodutores de conhecimento e aprendizagens.

Durante minha trajetória em campo, nas pequenas redes de educação ambiental, seus protagonismos foram ficando cada vez mais evidentes, na medida em que deslocava a atenção sobre seus papéis na arquitetura institucional das práticas, bem como nos processos educativos levados a cabo pelas educadoras ambientais. Tornava- se claro que as instituições, as pessoas e(em) suas organizações se animam e só poderiam ser melhor compreendidas em sua plenitude cada vez que considerava o papel de outros não humanos nessa conversação.

Estes outros, no contexto escolar, podem ser dos mais variados tipos, por exemplo: em sala de aula, mesas, cadeiras, cartazes, mapas, projetores, para não falar do microuniverso capaz de habitar um estojo. No refeitório da escola, os alimentos, ou ainda, no pátio da escola, os brinquedos, as hortas. Para além de certa obviedade que este exemplo possa acionar, debruça-se sobre aí a ideia de que estas coisas não podem ser analisadas em seu todo. O que cabe é a tarefa de propor perguntas e pontos de vista específicos, no nosso caso, entendendo que estas importam para pensar a educação e a aprendizagem em tempos de sustentabilidade.

Mas é preciso destacar, ainda, que neste universo escolar há materiais com uma característica peculiar e de extrema importância para a educação. São aqueles que além de serem a própria materialidade daquilo que os produz, narram e produzem, sobretudo, conhecimentos. Seus conteúdos na forma de texto os configuram como uma “coisa textual” (LAW e HETHERINGTON, 2003; FENWICK e EDWARDS, 2010) as quais podem descrever informações sistematizadas desde os mais variados tipos de racionalidade. Podem, ainda, narrar aquelas fora do estatuto da “ciência”, ainda que na notação da escrita ocidental. São eles: livros textos, manuais, livretos, e assim por diante. Estas coisas participam da vida da escola, dialogando com os conhecimentos, com o currículo escolar e com a própria materialidade da escola e dos lugares.

Há outro mais que humano deste tipo material que percorre o universo das redes. Restrinjo-me aqui ao caso emblemático do ATLAS presente no contexto das práticas de educação ambiental da REDE.

Durante o período em que acompanhei as atividades do grupo e das educadoras ambientais nas escolas, por muitas vezes, o encontrava em cenas emblemáticas: espalhado, aberto e sendo pesquisado nas mesas por crianças e jovens atentamente. Ou ainda, sendo carregado para cima e para baixo pelas educadoras ambientais na escola ou nos encontros de formação. Não se trata de dizer com isso que todas as práticas de educação ambiental que presenciei eram realizadas com ele, mas ao menos no caso da REDE, se o ATLAS não estivesse presente fisicamente, havia boa

       

chance de ele ser citado por alguém. Fosse pelos trabalhos concretos que ele animou ou para falar sobre as práticas e temáticas pedagógicas que ele possibilita.

Para além de exercer um potencial agregador do ponto de vista institucional – capaz de descrever parte dos emaranhados de pessoas, coisas e instituições – e atuar como um livro texto para educação, ele fala sobre algo muito especial e caro à REDE: o lugar95.

5.2 Trajetória (em parte) do atlas  

O ATLAS pode ser visto desde a perspectiva de seus encontros com múltiplas trajetórias e linhas. Cada uma delas poderia ser contada desde a perspectiva das diferentes pessoas, coisas e instituições. Dentre este universo de possibilidades, destacamos uma das versões possíveis de sua produção na relação com a educação ambiental, desenvolvida no contexto das escolas municipais de Porto Alegre e na REDE: aquela que se imbrica na narrativa de seu idealizador.

A publicação foi coordenada por Rualdo Menegat (1998), com participação de Maria Luiza Porto, Clovis Carlos Carraro e Luís Alberto Dávila Fernandes (coordenadores adjuntos). Envolvendo uma grande equipe de professores da UFRGS, a partir da parceria estabelecida entre a universidade e a prefeitura Municipal de Porto Alegre e o Instituo Nacional de Pesquisas Espaciais. Está organizado em três partes: o sistema natural, construído e gestão ambiental, sendo um material de rica elaboração teórica e gráfica. A obra possui três edições: 1998, 1999 e 200696(Figuras 8 e 9).

 

95 Embora lugar seja o principal conceito usado na maioria das práticas que acompanhei, é preciso

mencionar que também escutava de forma intercambiável paisagem e território.

96 A primeira edição lançada (1998) apresenta capa dura, papel couché, impressão a laser, formato 33 x

Benzer Belgeler