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A função de seleção é de fundamental importância nos contextos da Biblioteconomia e também nos demais espaços da área de informação visto que é por meio dela que é realizada uma "filtragem" de documentos, em seus mais variados formatos, garantindo assim, a qualidade e a eficácia no desenvolvimento de coleções. Cabe destacar que com o avanço das tecnologias de informação e comunicação essa filtragem vai além dos livros e periódicos, considerando que outras possibilidades se tornam viáveis para a realização do referido trabalho.

De acordo com Figueiredo (1982), Gabriel Naudé, em 1627, foi o responsável por condensar a informação até então esparsa e indefinida sobre o campo, e de ter discutido os princípios de seleção de livros. Diante desse cenário, Figueiredo (1982) afirma que a atividade de selecionar livros nasceu numa época de mudanças onde a própria natureza da Biblioteconomia estava em processo de formalização. Para a autora,

Seleção de livros tem sido considerada como uma das atividades básicas do bibliotecário, uma arte tão profundamente específica deste profissional, que nenhum bibliotecário poderia sentir-se realizado se não estivesse, de alguma maneira, praticando esta ‘arte’ (FIGUEIREDO, 1982, p. 2).

No atual contexto em que estamos inseridos,

os objetivos das atividades documentais são selecionar, na massa de informações veiculadas, os elementos de conhecimento, fornecendo a qualquer pessoa as informações de que ela necessita, no momento que as solicita, e ainda conservar estas informações atualizadas, sem alterá-las (GUINCHAT; MENOU, 1994, p. 19).

Para Vergueiro (1995), essa dimensão é um momento de decisão, ou seja, é neste momento que o bibliotecário e/ou outro profissional da área decide quais são e que materiais serão de grande utilidade para o público ao qual é destinado o acervo e/ou materiais de caráter tecnológico. Isto porque, este processo quando bem executado irá garantir que a qualidade e o tamanho da coleção estejam em concordância com as necessidades informacionais dos usuários. Para Haines (citado por FIGUEREIDO, 1982, p. 14), a descrição da atividade de seleção é:

a habilidade de comparar diferentes livros sobre um assunto, pesar o mérito das demandas opostas, julgar o valor de livros individuais e, na aplicação de princípios, estabelecer métodos de utilização de verbas para livros, da melhor maneira possível (HAINES, 1950 citado por FIGUEREIDO, 1982, p. 14). É, portanto, uma atividade meramente intelectual que precisa ser executada por um profissional competente no assunto, em co-participação estreita com os usuários. Esta postura é reforçada por Miranda (2007, p.2), "o fornecimento de informação é a principal função social dos serviços de informação".

Em outras palavras, a seleção é um dos esteios, um dos pilares de qualquer sistema de recuperação da informação, sendo uma função fundamental à própria concepção desses sistemas. Pode-se inferir que se não houver uma seleção na construção de um determinado conjunto de documentos, então não se pode falar de sistema de informação ou de recuperação da informação, já que uma de suas funções principais não foi provida.

O processo de seleção é caracterizado por ser o módulo gerenciador do processo de aquisição de materiais bibliográficos, por doação, permuta e compra. Alguns requisitos relacionados ao processo de seleção e aquisição são imprescindíveis: a) controle de todo o processo de aquisição; b) controle de lista de sugestão, seleção, aquisição, reclamações e recebimento; c) controle de assinatura de periódicos: início, vencimento, renovação e datas previstas para recebimento dos fascículos; controle de recebimento de fascículos de periódicos e seriados; d) identificação de dados do processo de aquisição (número de processo, número de empenho, preço, número da nota fiscal ou fatura, outros); e) identificação da modalidade de aquisição (doação, compra, permuta, depósito legal).

Segundo Côrte et al. (1999), como requisitos desejáveis ao processo de seleção e aquisição, estão: a) controle de datas de recebimento do material adquirido; b) controle contábil e financeiro dos recursos orçamentários para aquisição de material bibliográfico;c) controle de fornecedores por compra, doação e permuta; emissão de cartas de cobrança, reclamações e agradecimento de doações; d) elaboração de lista de duplicatas; e) elaboração de lista de desideratas6; f) estatística mensal e

acumulada de documentos recebidos; g) cadastro de entidades com as quais mantém intercâmbio de publicações; h) controle da situação (status) do documento bibliográfico (encomendado, aguardando autorização, aguardando nota fiscal, encaminhado para pagamento e outros); i) identificação do usuário que sugeriu o título para aquisição (CÔRTE et al., 1999, p.242).

Um fator a ser levado em consideração nessa categoria é o “critério de seleção”. Contudo, antes de ser iniciado o processo propriamente dito de seleção, o bibliotecário deve considerar: as áreas satisfatórias e falhas da coleção já existente; demanda com relação ao assunto e/ou tipo de material; conhecimento do acervo de bibliotecas vizinhas e a possibilidade de acesso a elas através do empréstimo bibliotecário (CARVALHO, 1980, p. 202). Nessa perspectiva, evidenciam-se aqui alguns critérios de seleção que merecem ser pontuados:

 Adequação do material às ementas e ao projeto pedagógico dos

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cursos;

 Autoridade do autor e/ou editor;  Demanda;

 Acessibilidade da língua;

 Atualidade técnico-científica dos conteúdos;

 Conveniência do formato e a compatibilização com equipamentos existentes;

 Valor efêmero ou permanente;  Condições físicas do material;

 Número de usuários potenciais que poderão utilizar o material;  Idioma acessível;

 Custo justificado;

 Aparecimento do título em bibliografias e índices;

 Qualidade técnica, qualidade visual e auditiva de materiais especiais entre outros.

Tendo como base os referenciais teóricos analisados e os critérios de seleção acima mencionados, buscou-se identificar e descrever no quadro “Atividade técnica de seleção da informação”, ver Apêndice B, as categorias dessa função e suas concepções, consideradas como aquelas que estão inseridas no processo de desenvolvimento do acervo que o bibliotecário necessita para realizar a técnica de seleção e que poderão contribuir para o estudo das dimensões e ações informacionais no contexto das equipes de produção na Educação a Distância (EAD).

Traduzindo as categorias da função técnica de seleção da informação e suas concepções, apontadas no quadro do Apêndice B, com base nas análises teóricas dos autores citados, foi possível identificar as categorias que se correlacionam, agrupá-las em eixos principais de centralidade e finalmente propor o quadro síntese para a atividade de seleção (ver Apêndice F). Prosseguindo, apresenta-se, no subtópico abaixo, a função de organização da informação.

Benzer Belgeler