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“Geraklar” Adlı Eserin Çevirisi

Os peixes são considerados como tabus alimentares pela comunidade local por diferentes motivos: alguns estão relacionados a antigas superstições que são transmitidas de geração em geração, outros por apresentarem teor tóxico em sua carne, escamas ou outros órgãos internos. A seguir, organizamos um vocabulário com os peixes mais citados pelos moradores como impróprios para consumo, e por isso, não são comercializados no município.

Amuré: s. m - peixe coletado manualmente é encontrado na parte mais interna do estuário e nos furos de igarapés, em águas salobras rasas, geralmente, com lama ou areia, não é muito apreciado pelos habitantes da região que por apresentar a carne dura e gordurosa, por isso usam-no como isca. TDSE. Segundo referencias bibliográficas de DHLP e DMMLP, é peixe da família Eleotridae, de corpo cilíndrico, cabeça achatada, com boca grande e obliqua, olhos pequenos e altos, apresenta nadadeira dorsal e escamas uniformes, peixe de cor marrom com nadadeiras claras.

Imagem 12: Amuré

Arogô: s.m - peixe de água doce, pouco apreciado pelos habitantes locais, segundo descrição, é um peixe de pele com a carne remosa (gordurosa) não recomendado para mulheres grávidas e pessoas com ferimentos. Segundo referencias de Navarro (2006, 53), Aragô é um vocábulo de origem Tupi que deriva do termo aragûasu, isto é, chefe indígena.

Arraia: s.f - espécie de peixe pouco apreciado pelos habitantes de Curuçá, que não o recomendam para gestantes e pessoas com ferimentos por se tratar de uma espécie com a carne remosa (gordurosa). TDSE. Segundo referencias de DMMLP e DHLP, é uma denominação vulgar de peixes elasmobrânquios, da ordem dos Batóideos, que apresentam corpo achatado, nadadeiras peitorais bastante expandidas, cauda alongada e fendas branquiais situadas ventralmente; possuem na cauda agudo esporão, com o qual produzem dolorosos ferimentos aos seus perseguidores São animais marinhos em sua grande maioria, mas não são poucas as espécies que se adaptaram à água doce. Várias espécies recebem nomes populares sem o designativo de arraia m.q: jamanta, ticonha, jabebiretê, marcela, treme-treme, viola, guitarra, borboleta ou simplesmente raia.

Arraia-baté: s.f - arraia encontrada em águas rasas (menos que 40 m de profundidade), em águas lodosas como mangues, segundo os pescadores de Curuçá, esta arraia alimenta-se de peixes, caranguejos e camarões. TND. m.q: arraia-manteiga.

Imagem 13: arraia-baté

Fonte: E. S, I. V. Peixes e camarões do litoral bragantino. 2005, p. 47.

Arraia-bicuda: s. f - segundo os pescadores de Curuçá, normalmente, essa espécie de arraia é encontrada nas águas salobras e lodosas do manguezal em profundidades de até 25 m, os moradores da região afirmam que a carne das arraias não deve ser congelada, nem armazenada, por isso, evitam seu consumo, também por acreditarem que esta espécie de peixe apresenta alto teor tóxico. TND. m.q. arraia-morcego.

Imagem 14: arraia-bicuda

Fonte: E. S, I. V. Peixes e camarões do litoral bragantino. 2005, p. 44.

Arraia-jereba: s. f - espécie de arraia de rosto ligeiramente projetado, nadadeiras pélvicas com dorso arredondado, apresenta uma calda com pequenos espinhos ao longo do dorso, de cor acinzentada ou parda, lado ventral de cor clara. Segundo os pescadores de Curuçá, a carne desta arraia não é boa para consumo após armazenamento. TND. m.q: arraia-branca.

Imagem 15: arraia-jereba

Baiacu ou mamaiacu: s.m – peixe encontrado tanto em águas salobras como em águas doces; não é consumido pelos habitantes da região e apresenta pouca importância para o mercado pesqueiro. Recentemente, começou a ser comercializado para os atravessadores de Belém como peixe ornamental. Também é conhecido na região como mamaiacu. TDSE – Segundo referências de DMMLP e DHLP:

“baiacu é um nome comum a vários peixes marinhos das famílias Diodontídeos

e Triodontídeos. Podem inflar-se até atingir uma forma globular e flutuar na água com a barriga para cima. Alguns espécimes são altamente venenosos por possuírem nas vísceras e na pele forte irritante gastrintestinal. m.q. cabeça-chata (Carcharhinus leucas). O vocábulo baiacu é usado para indivíduo muito gordo, de baixa estatura. ETIM tupi mbaya'ku nome de diversos peixes”.

Imagem 16: Baiacu

Fonte: E. S, I. V. Peixes e camarões do litoral bragantino. 2005, p. 216.

Baiacu de espinho: s.m – peixe não consumido pela população local. Recentemente, tem sido comercializado como peixe ornamental. Segundo descrição de alguns pescadores, chega a medir até 25 cm, habita em áreas lodosas como mangues, apresenta o corpo coberto de espinhos, com manchas escuras. É descrito como peixe venenoso pelos habitantes locais. TND. m.q. baiacu-de- lixa, baiacu nanã.

Imagem 17: Baiacu de espinho

Fonte: E. S, I. V. Peixes e camarões do litoral bragantino. 2005, p. 220.

Baiacu-pinima: s.m - Segundo alguns pescadores, esta espécie de baiacu habita em águas rasas, em zonas de águas salobras sobre fundos arenosos e lodosos, em igarapés e manguezais. Chega a medir 30 cm e apresenta o corpo alongado e o dorso com linhas brancas, geometricamente, distribuído sobre pele pardo-esverdeada; é uma espécie altamente tóxica e não consumida pelos habitantes locais. TND. m.q. baiacu-pintadinho.

Imagem 18: Baiacu-pinima

Coró: s.m – ver peixe-pedra. TDSD.

Jundiá: s.m – peixe de água doce, corpo coberto por pele cinza, não é consumido na região devido a uma crendice segundo a qual o peixe se transformaria em sapo; é pescado, ocasionalmente na pesca de curral e em rede de emalhar. Segundo referência de Espírito Santo e Isaac (2005, p. 98), pertence à família Pimelodidae, m.q. piabá. TND.

Imagem 19: Jundiá

Miquim ou Niquim: s.m – nome de peixe de água salobre, habita regiões lodosas, de corpo alongado, é um peixe de pequena extensão, chegando a medir, no máximo, até 45 cm, é conhecido, também, como peixe-sapo. Segundo descrição de pescadores, essa espécie de peixe, apesar de pequena, apresenta boca enorme, quase vertical, com projeções carnosas nos lábios. Segundo Isaac e Santo (2005) pertence à família dos Uranoscopidae, nos olhos desse peixe, se alojam órgãos elétricos, derivados de músculos oculares e de um par de espinhos inoculares de venenos acima da base das nadadeiras. De cor variável entre marrom e cinza, apresenta numerosas manchas brancas. TND.

Imagem 20: Miquim ou Niquim

Fonte: E. S, I. V. Peixes e camarões do litoral bragantino. 2005, p. 192.

Peixe-pedra: s.m – É considerado um peixe venenoso pela comunidade local. Segundo descrição dos pescadores, mede entre trinta e sessenta centímetros. Apresenta cor marrom-esverdeada, que confere ao peixe-pedra a capacidade de se camuflar entre as pedras em recifes tropicais, transformando-o num alvo fácil de ser pisado, acidentalmente, por muitos pescadores, que citam muitas situações de acidentes envolvendo essa espécie, pois na região dorsal desse peixe, há espinhos que liberam uma toxina venenosa cuja penetração na pele causa dor intensa. Segundo relatos de pescadores experientes na comunidade, dependendo da profundidade da penetração no

ferimento, pode ocorrer choque, paralisia e morte, se não for tratada nas primeiras horas. M. q. coró, caícanha. Segundo Isaac e Santo (2005), pertence á família dos Haemulidae.

Imagem 21: Peixe-pedra

Fonte: E. S, I. V. Peixes e camarões do litoral bragantino. 2005, p. 164.

Piraíba: s.m – peixe encontrado em lugares profundos, poços ou remansos, saídas de corredeiras e confluência de grandes rios. Consideramos como tabu alimentar por ser um peixe pouco procurado pelos pescadores locais, pois, muitos acreditam que sua carne faz mal e transmite doenças, visto que as vísceras e músculos do corpo desse peixe costumam ficar repletos de parasitas. Segundo descrição dos pescadores locais, tem um corpo roliço e mais alongado, com cabeça grande e a boca ampla, tendo o maxilar ligeiramente maior que a mandíbula. Segundo Isaac e Santo (2005, p. 94), os barbilhões maxilares são longos, possui nadadeira caudal e sua coloração é, em geral, cinza escuro, levemente azulado no dorso e branca no ventre. Pode chegar a atingir mais de 2,8 metros e pesar até 200 quilos de peso. Os peixes dessa espécie com até 60 quilos são conhecidos como filhote, pertencem à família dos Pimelodidae.

Imagem 22: Piraíba

Fonte: E. S, I. V. Peixes e camarões do litoral bragantino. 2005, p. 94.

Timucu ou peixe-agulha: s.m – nome de peixe com ferrão na parte frontal. Durante as entrevistas esta espécie de peixe foi descrita como perigosa por conta de seu ferrão, sendo que ocorreram diversos acidentes com pescadores em contato com a nadadeira em forma de ferrão deste peixe. A seguir, um trecho de uma entrevista em que um dos pescadores descreve esta espécie de peixe:

P: Eu fui pescar camarão e um peixe chamado timucu, tu nunca viste? Pesquisadora – Ainda não.

P: É um peixe que tem um bicão ele, esse peixe me furou e quase que eu morro.

É, fiquei um tempão sem pescar e fiquei até surdo desse lado, sabe? (o pescador aponta o ouvido esquerdo), desse lado eu não escuto nada não.

Pesquisadora – Nossa! O senhor ficou surdo? Ele é um peixe de ferrão?

P: É, um bico grande que ele tem. Olha, isso eu nunca esqueço não. O timucu é

um peixe antigo da região aqui.

Pesquisadora – Mais o senhor ainda continua pescando? P: Continuo, sim.

Tacariuna: s.m – nome de peixe remoso, com espécie de ferrão na parte frontal, nome de origem tupi-guarani cujo prefixo “taka” significa: estaca, vara, e o sufixo “uma” significa negro. A etimologia da palavra segue a descrição feita pelos pescadores de Curuçá, que julgam este peixe

como perigoso para quem está enfermo. Vejamos o trecho de uma entrevista em que um dos pescadores descreve esta espécie.

P: São os peixes remosos, mas aqui o único peixe remoso dá no igarapé, nesse

igarapé daqui, é o tacariuna.

Pesquisadora: Tacariuna?

P: O povo fala que o peixe de pele, de esporão, ele sempre é remoso, mas pra

mim tanto faz, eu acho que não existe isso aí não.

Pesquisadora: Esse que o senhor falou o nome (tacariuna), esse o senhor não

trabalha?

P: Esse eu não pego porque ele é mais de igarapé, é difícil pegar no curral.

Benzer Belgeler