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Anlatıcı ve Bakış Açısı

3.1. Modernleşmenin Köy Hayatına Etkileri: “Geraklar” Eseri Örneği

3.2.5. Anlatıcı ve Bakış Açısı

Ao realizar nossa pesquisa de campo sobre os peixes e mariscos medicinais, tivemos como orientação os princípios de ética e de divulgação dos saberes populares apresentados pelo Museu Goeldi de Belém e da Universidade Federal do Pará.

Ambos os órgãos de pesquisa veem adotando, no município de Curuçá, o diálogo entre pesquisadores e moradores locais por meio da realização de oficinas, minicursos, confecção de cartilhas e outras iniciativas que busquem a formação do cidadão ecologicamente consciente, de modo que, eticamente, nossa pesquisa está comprometida com essa finalidade.

Em 2011, realizamos visitas aos pescadores entrevistados em 2010, a fim de levarmos o resultado de nossas pesquisas e informá-los sobre o que foi realizado até aquele momento.

Também, estamos comprometidos com entidades de ensino público local, para a publicação de cartilhas sobre a ictiofauna do município e a necessidade dos moradores de conhecê-la melhor para melhor preservá-la.

Dessa forma, apresentamos a seguir, um breve vocabulário sobre as espécies medicinais e como a população local as utiliza na cura e preservação de diferentes doenças:

Aratu: s.m; espécie de caranguejo encontrado nos manguezais de Curuçá, os catadores de caranguejo da região descrevem que, entre os meses de outubro a dezembro, esses caranguejos andam no mangal, ou seja, é período da safra desta espécie. Segundo Graça Santana (2009), esse caranguejo apresenta coloração geral cinza-escura, arborícola, vegetariano, muito ágil e bastante perseguido pelo homem, que o tem na conta de saboroso alimento; designação comum a espécies de caranguejos da espécie dos (Aratus pisoni), de carapaça quadrada e acinzentada, capaz de subir com habilidade nas árvores do mangue, onde se alimenta e se acasala. Segundo Navarro (2006), aratu (s.) é um nome de origem Tupi que designa as várias espécies de caranguejos vermelhos dos manguezais. É considerado como alimento medicinal pela população, a qual extrai um pó de sua carapaça, que, após moqueado, socado e coado, é misturado a uma colher de mel de

abelha e um pouco de canela em pó, é usado como emplasto para peito, quando alguém está com asma.

Turu: s.m – nome de uma larva que vive no tronco de árvores do manguezal e é consumida, de diferentes maneiras, pelos habitantes da região: crua, temperada com sal e limão, cozida com temperos em forma de sopa, frita e consumida com farinha, ou como tira-gosto (crua, temperada com sal e limão) para acompanhamento de bebidas alcoólicas (cachaça ou cerveja). Segundo Graça Santana (2009), o nome científico dessa espécie é Teredo SP; de acordo com essa autora, é rico em cálcio e ferro. É uma fonte segura de alimento, sendo considerado pela comunidade como alimento medicinal, conforme descrição dos pescadores; como remédio é usado sobre forma de emplasto, feito com a ponta branca do turu, que após socada é misturada a um pouco de canela em pó. Depois é colocado no peito para acabar com a fraqueza. Os pescadores queixam-se dessa espécie, pois, ela causa prejuízos perfurando o casco de embarcações, como cupins em madeira molhada.

Tucunaré: s.m – peixe de escamas, segundo descrição dos pescadores locais, vivem em regiões de água doce, lagos/lagoas e na boca e beira dos rios. Formam casais e se reproduzem em ambientes onde constroem ninhos e cuidam da prole. É um peixe muito importante comercialmente na região, assim como os da sua espécie (tucunaré-açu; tucunaré-paca; tucunaré- pinima; tucunaré-pitanga; tucunaré vermelho), que costuma ser consumido assado ou cozinho em ensopados, pois a população considera sua carne como sendo saborosa e boa para pessoas que estão se recuperando de doenças e fazendo dietas. Segundo Navarro (2006, p. 398), o nome “Tucunaré” é de origem Tupi, representado os peixes da família dos ciclídeos.

Sapequara: s.f - nome de peixe do qual é extraído o fel para ser colocado em cima da ferrada de peixes venenosos, como o peixe Miquim.

Maraquanim: s.m – nome de uma espécie de caranguejo, de tamanho pequeno, considerado como alimento medicinal pelos moradores da região que com ele fazem o seguinte remédio caseiro: Retiram-se as patas, cozinham-nas e tomam-nas como caldo; esta receita é indicada pelos moradores como remédio para coqueluche (guariba).

Imagem 5: Maraquanim Fonte: Souza, H. 2010.

Sarará: s.m - nome de crustáceo da região que, por conter cálcio, é usado em diversos pratos típicos (sopas, farofas e caldos) para fortalecer os ossos e o cérebro das pessoas enfermas.

Sururu: s.m: nome de um molusco, parecido com o sarnambi, usa-se a carne dessa espécie, que é mais dura e escura que a do sarnambi, para fazer pratos culinários da região, tal como a “sopa para tirar ressaca”; segundo descrição de alguns pescadores, essa sopa demora 24 horas no fogo, até que a carne da ostra amoleça e solte um caldo escuro, cujos pescadores afirmam ser afrodisíaco e restaurador da energia; além do caldo, a carne da ostra é usada na sopa, junto com temperos, pimenta e farinha de mandioca. Segundo Graça Santana (2009), o nome científico dessa espécie é Mytella charruana. Também é considerado como um alimento medicinal, os pescadores descrevem um remédio caseiro feito com essa espécie, cuja carne é torrada e socada. Este pó é misturado com mel e dissolvido em água, para ser tomada diariamente com chá; a comunidade costuma usar essa receita, também, como remédio contra hanseníase.

Pirapema: s.m – nome de peixe de água salgada, é bastante apreciado pela comunidade local que prefere consumi-lo fresco, é pescado na pesca artesanal, com redes de emalhar e currais. Segundo Graça Santana (2009), pertence à família dos (Megalops atlanticus), sendo considerado, pela população local, como alimento medicinal. De acordo com descrições de pescadores, tira-se a escama, torra-se , soca-se e coa-se e, depois, mistura-se com mel de abelha ou chá . Esta mistura é indicada pela comunidade para combater asma e outros problemas respiratórios.

Imagem 6: Pirapema

Fonte: E. S, I. V. Peixes e camarões do litoral bragantino. 2005, p. 73.

Chula: s.m – peixe encontrado nos igarapés, furos e na praia, em águas salobras ou quase doces, segundo descrição dos pescadores. Não há consumo local, é pescado na pesca artesanal, de arrasto camaroeiro, com tarrafas e rede de emalhar, mede, aproximadamente, de 12 a 30 cm, de cor parda e listas verticais escuras. TDSD. De acordo com Graça Santana (2009), pertence à família dos (Achirus achirus). É considerado pela comunidade local como um peixe curativo, pois, segundo pescadores, quando as crianças nascem “barrigudas”, pega-se este peixe e batem-se três vezes com ele na barriga da criança e depois solta-se este peixe, ainda vivo, no mar, os pescadores acreditam que esta prática faz a barriga da criança voltar ao normal.

Imagem 7: Chula

Fonte: E. S, I. V. Peixes e camarões do litoral bragantino. 2005, p 211.

Acari: s.m. – peixe de água doce, escamoso e pequeno que suporta águas ligeiramente salobras. É pescado em igarapés com rede de arrasto e puçá. Segundo descrição dos pescadores de Curuçá, é um peixe de pouco valor comercial por ser pequeno e de água doce. TDSE, segundo referencia de Graça Santana (2009) é o mesmo que Bodó da família dos Loricaridae. De acordo com Navarro (2010), o nome acari é de origem tupi uakar e siginifica sicupira-mirim. Os pescadores locais indicam a seguinte prática para o tratamento de doenças respiratórias: se pega o acari, cospe-se três vezes em sua boca, em seguida, se solta o peixe vivo de volta ao mar.

Imagem 8: Peixe acarí

Fonte: E. S, I. V. Peixes e camarões do litoral bragantino. 2005, p. 104.

Baiacu arara ou nanã: (s.m) – variação de baiacu, segundo os pescadores de Curuçá, habita ambientes costeiros e mais profundos que as outras espécies, são vorazes e atacam outros peixes e invertebrados com muita violência, pois apresentam dentes em forma de serra, não são consumidos pela população local porque sua carne apresenta propriedades venenosas; m.q. baiacu-xaréu. Segundo Graça Santana (2009), pertence à família dos Tetraodontidae. A comunidade local indica-o como remédio para o combate das verrugas; segundo receita local, esfrega-se o baiacu vivo em cima da verruga e depois solta-o no mar.

Imagem 9: Baiacu arara ou nanã

Fonte: E. S, I. V. Peixes e camarões do litoral bragantino. 2005, p. 217.

Benzer Belgeler