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2. KURAMSAL ÇERÇEVE: TÜKETİMİN EVRİMİ ve TÜKETİM

2.2. George Simmel; Para Felsefesi

O objetivo deste tópico é descrever e compreender como estão organizados os CERs e as escolas de Ensino Fundamental pesquisados, analisando como as docentes utilizam esse espaço dentro de sua prática pedagógica, debatendo sobre as continuidades e descontinuidades existentes nesse momento de transição.

Em relação às instituições de Educação Infantil pesquisadas, pode-se constatar que ambas apresentam muitas semelhanças em relação à sua estrutura, uma vez que fazem parte da rede municipal de ensino da mesma cidade. Contudo, a forma como esses ambientes são utilizados e percebidos pelos sujeitos que compõem tais contextos é diferenciada.

Segundo Almeida (2009, p. 104), é primordial atentar para as organizações dos tempos e espaços dentro das instituições educacionais, uma vez que essas “refletem a maneira de compreender a infância. Desse modo, o espaço pode ser avaliado por meio de seus usos”.

As instituições de Educação Infantil do município pesquisado são compostas por uma diversidade de ambientes. Em ambos os contextos pesquisados as instituições possuíam:

x Sala estruturada: composta por mesas com quatro lugares, lousa, armários e diversos materiais com objetivo pedagógico;

x Sala de multimeios: sala sem mesas e cadeiras, composta por televisão, aparelho de DVD, vídeo-cassete, aparelho de som e várias estantes ao redor da sala com brinquedos;

x Sala de recurso: com algumas mesinhas de quatro lugares, muitas estantes com brinquedos, “puffs”, almofadas e uma lousa.

As instituições ainda dispunham de berçários, tanque de areia com brinquedos, tanque de areia com parquinho, refeitório, cozinha, pátio coberto (CER – Contexto A), quiosque (CER – Contexto B), casinha de boneca, sala de direção, depósito de materiais, banheiros infantis, banheiros de funcionários, sala de recreação (somente CER do Contexto A) e um solário.

Em termos de organização para a entrada e saída das crianças, ambos os CERs possuíam dois portões de entrada/saída, sendo que um deles era destinado às crianças do berçário e outro às demais crianças.

Os refeitórios eram bastante amplos, com mesas e cadeiras apropriadas para as refeições das crianças, sendo de tamanhos diferenciados. As cadeiras que ficam ao fundo eram bem pequenas para atender às crianças de até 03 anos e as mesas da frente eram maiores para atender às crianças de 03 anos e meio a 05 anos e meio. As cadeiras eram todas coloridas, assim como os lixos que ficavam em volta. Na lateral direita, havia um bebedouro e um banheiro para os meninos e outro para as meninas.

Os CERs possuíam tanques de areia, parques com balanço, gaiola, gira- gira e escorregador. Em ambos os CERs, havia casinha de boneca, sendo de plástico no CER1 e de alvenaria no CER2. Todas as instituições possuíam ampla área livre com árvores, as quais ficavam protegidas por canteiros redondos de cimento. Havia um bebedouro na área livre destinado à higienização das crianças após brincarem.

Os ambientes dos CERs como um todo se destacavam por serem muito coloridos e apresentarem uma diversidade de salas e ambientes.

No que tange às escolas de Ensino Fundamental, pode-se afirmar que não há muitas divergências em relação aos espaços das duas escolas pesquisadas, apesar de uma delas ser da rede estadual e outra da rede municipal.

As escolas dispunham de salas de aulas, refeitório, prédio administrativo (com salas de direção, dos professores e secretarias), banheiros femininos e masculinos, quadra coberta e área livre. Salienta-se que na EMEF havia salas destinadas especificamente para a brinquedoteca, biblioteca, informática e vídeo, enquanto na EEEF2 havia uma sala multifuncional (com livros, computador, televisão e DVD), apresentando assim, uma menor variedade de ambientes.

Em relação à dinâmica e organização dos espaços, as instituições de Educação Infantil da rede municipal pesquisadas adotavam o sistema de rodízio dos ambientes, assim sendo, as professoras deveriam respeitar o tempo e o espaço que lhes eram previamente estipulados. Cada turma tinha seus dias e horários para utilizar as salas, o refeitório e os espaços livres. A

organização do rodízio era feita por meio de um cronograma, o qual era publicado para todos no CER, uma vez que ficava afixado no mural de entrada.

O espaço, o rodízio já é feito no início do ano, de acordo com a faixa etária. Por exemplo, a minha que é quinta etapa eu tenho que passar pela sala todos os dias, mas de segunda, quarta e sexta o tempo é maior, de terça e quinta o tempo é menor, então todos os outros espaços são, estão na minha rotina em algum dia da semana. Sala de aula é todos os dias, só que aí, por exemplo, de segunda-feira eu tenho sala de aula e depois da merenda eu tenho a casinha de boneca. Na terça eu passo na sala estruturada um tempo bem menor, e... na quarta eu tenho areia, na quinta tenho multimeios, então o espaço já está no nosso rodízio e a gente tem que seguir esse rodízio, não a ferro e fogo, assim, se eu aquele dia eu planejo uma atividade e vou desenvolver lá fora, nada impede de eu sair do meu espaço e desde que eu não atrapalhe ninguém que tá lá, né! Ana Júlia (P2) – 5ª etapa – Contexto A)

A ideia é que todas as crianças possam usufruir de todos os ambientes da instituição.

Apesar de serem duas instituições diferentes, a organização dos rodízios seguia uma mesma padronização, variando somente os dias de utilização de cada espaço, como pode ser visualizado nos Quadros 17 e 18.

Quadro 17 – Rodízio da quarta etapa.

Horário Segunda-feira Terça-feira Quarta-feira Quinta-feira Sexta-feira 7h30 – 8h Entrada e Café

da manhã Entrada e Café da manhã

Entrada e Café

da manhã Entrada e Café da manhã

Entrada e Café da manhã

8h – 10h Sala

Estruturada Sala de recursos Quiosque Sala de Multimeios Sala Estruturada

10h – 10h20 Lanche Lanche Lanche Lanche Lanche 10h20 –

11h20 Areia Área livre Sala Estruturada Sala de Recursos Areia

11h20 –

Quadro 18 – Rodízio da quinta etapa

Vale destacar que as turmas de quinta etapa detinham um maior tempo nas salas estruturadas. A justificativa para essa “prioridade” era a idade das crianças que, por serem mais velhas, seriam encaminhadas para o Ensino Fundamental no ano subsequente.

A prioridade de sala estruturada sempre foi pra nós, de quinta etapa, que vamos para a escola ano que vem. Uma, um tempo maior pra gente, pra que possa fazer esse trabalho mais... e depois é área livre, depois da merenda é mais área livre [...]“todos os dias eu tenho área livre, não fujo disso. Não tem como eu ficar na sala o período todo, tem outras turmas e eu preciso dividir a sala. Acho interessante se tivesse uma sala só pra gente, as crianças iriam produzir muito mais, mas eles não querem isso, eles querem brincar. Então tem os dois lados da moeda, tem dias que eles não querem ficar na sala de aula, querem ficar mais livres, mais soltos. Mas todos os dias eu tenho área externa, tenho que ir pra fora. (Beatriz – 5ª etapa – Contexto A)

Pode-se dizer que o rodízio constitui-se em uma estratégia adotada que possibilita que as crianças tenham a oportunidade de experienciar todos os espaços da instituição, vivenciando diversas situações. Pelo discurso da professora Beatriz (P4), se não houvesse a obrigatoriedade das mudanças de sala, em algumas (ou muitas) vezes, o horário da brincadeira seria substituído pela atividade de alfabetização dentro da sala de aula.

A adoção de uma rotina é extremamente positiva para o desenvolvimento das crianças. Como afirmam Moreno e Paschoal (2009), organizar as atividades, os tempos e espaços significam prever atividades que envolverão a jornada diária das crianças, sendo necessário considerar as

Horário Segunda-feira Terça-feira Quarta-feira Quinta-feira Sexta-feira 7h30 – 8h Entrada e Café

da manhã Entrada e Café da manhã

Entrada e Café

da manhã Entrada e Café da manhã Entrada e Café da manhã

8h – 10h Quiosque Sala de

Multimeios Sala estruturada Área Livre Recursos

10h –

10h20 Lanche Lanche Lanche Lanche Lanche 10h20 –

11h20 Sala de Recursos Sala Estruturada Areia Sala de Multimeios Areia

11h20 –

necessidades biológicas, psicológicas, sociais e históricas das mesmas. Assim, a organização do rodízio e a utilização de todos os ambientes atendem esses pressupostos..

A rotina do rodízio era uma prática comum nos CERs, sendo assim, as crianças apresentavam uma clara compreensão dessa organização do tempo e dos espaços das instituições:

Nois toma leite e, brincam... depois faz trabalho e assisti e dá hora, dá hora que nois vai come comida...depois a gente vai na areia, depois nos vai fazer trabainho! (Éder (C10) – 5ª etapa – Contexto B)

Mariana: Ah, nós chega, senta, depois nois vai tomá leite... depois do leite a nois vai cantá o hino nacional, depois do hino a gente vai pra salinha, depois da salinha vai lavá a mão pra comê.

Criança: Depois come nois vai brincá...

Mariana: Ai depois da comida nois vai brincá e vai embora. (Mariana (C3) – 4ª etapa – Contexto A)

A dinâmica e a organização dos espaços das instituições de Ensino Fundamental apresentavam-se de forma diferenciada do que as adotadas pelos CERs. Nas duas escolas não havia rodízio ou trocas de salas para a realização das atividades, cada turma tinha uma sala específica, na qual realizava suas atividades diárias, excetuando-se as aulas de Educação Física que, em sua maioria, ocorriam nas quadras, pátios ou áreas livres das escolas.

A rotina do Ensino Fundamental também era bastante definida, tal qual a proposta para a Educação Infantil, apesar de não ocorrer uma variação de suas atividades.

Há muita similaridade nas rotinas das duas escolas pesquisadas, inclusive na quantidade de tempo destinado às aulas relacionadas à alfabetização e à matemática.

Quadro 19 – Modelo de horário das aulas dos 1os. anos do Ensino Fundamental Escola Estadual

Quadro 20 – Modelo de horário das aulas dos 2os. anos do Ensino Fundamental – Escola Estadual

Quadro 21 – Modelo de horário das aulas dos 1os. anos do Ensino Fundamental – Escola Municipal

16 Destaca-se que o termo Português/Alfabetização engloba as aulas que trabalhavam os conteúdos de

Ciências, História e Geografia, mas que sempre tinham como finalidade trabalhar a alfabetização das crianças.

Horário Segunda-feira Terça-feira Quarta-feira Quinta-feira Sexta-feira 7h –

7h50 Português (Alfabetização) Artes Português (Alfabetização) Português (Alfabetização) Matemática

7h50 –

8h40 Educação Física Português (Alfabetização) Educação Física Português (Alfabetização) Matemática

8h40 –

9h30 Português (Alfabetização) Português (Alfabetização) Matemática Artes Português (Alfabetização)

9h30 –

9h50 Recreio Recreio Recreio Recreio Recreio 9h50 –

10h40 Português (Alfabetização) Português (Alfabetização) Matemática Matemática Português (Alfabetização)

10h40 –

11h30 Matemática Português (Alfabetização) Português (Alfabetização) Matemática Português (Alfabetização)

Horário Segunda-feira Terça-feira Quarta-feira Quinta-feira Sexta-feira 7h –

7h50 Português (Alfabetização16) Português (Alfabetização) Português (Alfabetização) Matemática Artes

7h50 –

8h40 Português (Alfabetização) Português (Alfabetização) Português (Alfabetização) Português (Alfabetização) Português (Alfabetização)

8h40 –

9h30 Português (Alfabetização) Português (Alfabetização) Educação física Matemática Português (Alfabetização)

9h30 –

9h50 Recreio Recreio Recreio Recreio Recreio 9h50 –

10h40 Artes Português (Alfabetização) Matemática Educação física Matemática

10h40 –

11h30 Matemática Português (Alfabetização) Matemática Português (Alfabetização) Matemática

Horário Segunda-feira Terça - feira Quarta-feira Quinta-feira Sexta-feira 7h – 8h Brinquedoteca Português

(Alfabetização) Português (Alfabetização) Português (Alfabetização) Português (Alfabetização)

8h – 9h Matemática Português

(Alfabetização) Artes (sem professor) Português (Alfabetização) Português (Alfabetização)

9h –

9h20 Recreio Recreio Recreio Recreio Recreio 9h20 –

10h20 Português (Alfabetização) Educação Física Português (Alfabetização) Educação Física Português (Alfabetização)

10h20 –

11h20 Português (Alfabetização) Matemática Português (Alfabetização) Matemática Matemática

11h20 –

A demarcação da rotina no Ensino Fundamental é citada por todos os sujeitos pesquisados, salientando-a como imprescindível para a organização e o andamento das atividades.

Aqui temos horários pra tudo, com sinal pra marcar o tempo. Entrada, pras aulas, para recreio... só pra aula de Educação Física que não tem sinal, tudo bem marcado e organizado.” (Professora Augusta (P7) – 1ºB – Contexto A)

Pesquisadora: Me fala uma coisa, o que vocês fazem aqui da hora que vocês chegam até a hora de ir embora?

Adriana: Primeiro a gente estuda, daí a gente brinca no recreio...

Neymar: Não, no recreio primeiro a gente come, depois a gente brinca e depois volta pra sala estudar...

(Adriana (C9) e Neymar (C12) – quinta etapa/ 2ºA e B – Contexto B)

A rotina é bem controlada, eles têm aula, recreio e depois voltam a estudar, num é isso? Fica bastante tempo na sala de aula, né?

(Helen (R5) – quinta etapa/ 1ºA – Contexto A)

É perceptível, portanto, a pouca exploração dos ambientes que é possibilitada para os alunos no Ensino Fundamental, restringindo-os à permanência por muitas horas no ambiente de sua sala de aula. As crianças somente saíam das salas no momento do recreio e nas aulas de Educação Física em companhia dos docentes. Caso o professor necessitasse faltar algum dia, as crianças permaneciam dentro da sala, tendo aula de Matemática ou Português.

Há pouca exploração por parte das crianças dos ambientes que compõem a escola de Ensino Fundamental, apesar de Moreno e Paschoal (2009, p. 45) indicarem que as escolas que vão atender às crianças que advêm da Educação Infantil devem possibilitar que as mesmas “usufruam de forma adequada o espaço externo (área verde, parque infantil) e o espaço interno (sala de atividades, refeitório, banheiro, biblioteca, sala de vídeo entre outros)”.

Em relação à avaliação dos responsáveis quanto aos ambientes dos CERs, estes são considerados muito amplos e adequados, no entanto, as mães que compõem o Contexto B da Educação Infantil mostram-se descontentes com a proposta de não haver sala específica para cada turma devido ao rodízio, dizem que quando chove as docentes pedem para que as

mães não levem as crianças para a escola, pois não há espaço para acomodar todos no espaço coberto do CER.

Eu acho assim, o ruim ali era só quando chove porque não pode mandar as crianças, porque diz as professoras que não tem espaço pras crianças ficar, todo mundo. Então, quando tá chovendo, eles pedem pra não levar, porque eles dividem quando não chove, uns sai, outros ficam na sala.

(Taís (R8) – 4ª etapa – Contexto B)

Dia de chuva não pode levar ninguém eles já avisam, dia de chuva não traga ninguém porque não tem onde por. Quer dizer, isso eu acho errado... A mãe, que dizer... que nem seu filho não é integral, mas você trabalha um dia sim e outro não, você é obrigada a levar. Aí a tia fala, “Não traz porque não tem onde ficar!” Eu acho errado isso, na creche tem espaço suficiente pra fazer mais sala... (Marina (R11) – 5ª etapa – Contexto B)

A mãe que trabalha... trabalha em dia de chuva também. Fica meio que assim, na impressão que não tem espaço, mas parece que elas não querem ficar ali com aquelas crianças aglomeradas.

(Natália (R12) – 5ª etapa – Contexto B)

As responsáveis indicam que seria interessante a construção de mais salas, uma vez que há espaço livre no CER. Afirmam que não acham correto obrigarem as crianças a faltarem pelo motivo da chuva.

Elisa (R10), mãe de um aluno que estava na quinta etapa em 2009, indica ainda que devido às poucas salas, as crianças permanecem por muito tempo em situações de brincadeira, sendo que se houvesse salas para todos, poderiam aprender conteúdos de leitura e escrita por mais tempo.

Acho que tinha que ter mais salas, porque eles, quer dizer acho, não sei... acho que o último ano deles eles ficam mais na sala de aula do que pra fora.... mas parece que um ano anterior eles tavam querendo aumentar as salas, porque precisava. Pra eles ficarem mais tempo pra aprender, não ficar só brincando. (Elisa (R10) – mãe de Éder (C10) – 5ª etapa – Contexto B)

No que se refere às escolas de Ensino Fundamental, as responsáveis salientam que não conhecem detalhadamente os ambientes, mas consideram que sejam espaçosos. Já as docentes indicam que, apesar das escolas

possuírem amplos espaços, os mesmos são pouco adaptados para atender à faixa etária das crianças que adentram ao Ensino Fundamental.

A coisa que é ruim aqui são as carteiras... eles não alcançam o pé no chão. Se eles sentarem direito não alcançam o pé no chão. A gente falava “senta direito’ ai eles não alcançavam, então não podia nem exigir muito, que a cadeira é muito alta. A...a... a Tabata, você vê o tamanho dela? Pequenininha. (Berenice (P10) – 2ºB – Contexto B)

Não dá pra variar muito... como você vai levar uma criança pro tanque de areia se nem areia tem? Num tem balanço? Falaram que viria e não veio. Não tem nada. Você vai soltar as crianças correr lá fora?

(Betânia (P8) – 1ºA – Contexto B)

As indicações das docentes estão relacionadas à adaptação dos ambientes para atender às crianças menores e à aquisição de brinquedos e áreas específicas (equipadas) para que os alunos pudessem brincar. Salienta- se que tais solicitações advêm das docentes do Contexto B (escola estadual), no qual não ocorreu nenhum tipo de adaptação para a entrada das crianças de 06 anos.

Essa necessidade de adaptação já fora indicada nas orientações do MEC (2006, p. 06) que afirmam que “os espaços educativos, os materiais didáticos, o mobiliário e os equipamentos precisam ser repensados para atender às crianças com essa nova faixa etária no Ensino Fundamental”, salientando que não somente às crianças que adentram essa nova modalidade de ensino, mas a todas que já estavam nela.

As crianças, quando questionadas sobre os espaços dos CERs e das escolas do Ensino Fundamental, indicaram a necessidade de ter um aumento na quantidade de brinquedos e uma pintura nova nas instituições do Contexto B (CER e escola).

Aninha: Queria que colocasse brinquedo em outra sala. Pesquisadora: Qual sala?

Aninha: A que tem mesinha e a gente faz trabalhinho. (Aninha (C2) – 4ª etapa – Contexto A)

Pesquisadora: Vocês queriam que alguma coisa aqui na escola fosse diferente? Que mudasse alguma coisa?

Pesquisadora: O que você queria Renata? Que fosse diferente?

(silêncio)

Renata: A pintura, aqui tá muito feio. (Renata (C7) – 4ª etapa – Contexto B)

Pesquisadora: E vocês queriam que a escola fosse diferente? Adriana: Eu queria.

Pesquisadora: O que vocês queriam?

Adriana: Eu queria que a escola fosse... eu queria... que o lixo fosse reformado, que a escola fosse toda reformada e arrumada.

Matheus: Eu queria que... que tivesse um monte de brinquedo, bicicleta.

(Adriana (C9) e Matheus (C11) – 2ºA – Contexto B)

No decorrer do acompanhamento dos contextos em 2009 na Educação Infantil e em 2010 no Ensino Fundamental, foi possível observar as seguintes atividades desenvolvidas nas instituições: 1) rotina; 2) Leitura, escrita e matemática; 3) Brincadeiras; 4) Atividades gráficas; 5) Histórias infantis; 6) Vídeos; 7) Músicas e cantigas; e 8) Episódicas.

As formas dessas atividades se desenvolverem, assim como sua organização espacial, vão ser diferenciadas em cada um dos níveis de ensino (Educação Infantil e Ensino Fundamental), dependendo da natureza da atividade e das decisões da docente.

As atividades de leitura, escrita e matemática, que consistem situações de caráter intencional com o objetivo de ensino de conceitos e conteúdos, eram realizadas em diversos espaços nas instituições de Educação Infantil, sendo o local mais comum a sala estruturada e, algumas vezes, as salas de recurso.

Destaca-se, contudo, que a sala de recursos tinha como finalidade o trabalho com atividades diversificadas, em grupos separados, por exemplo: enquanto um grupo realizava pintura e colagem na mesa, outro fazia leitura sentado no chão, e outro brincava com quebra-cabeças.

Tal sala não possui mesas e cadeiras suficientes para a turma toda, uma vez que o objetivo não é que todas as crianças realizem as atividades nas mesas, no entanto, as docentes, antes de iniciarem os trabalhos, vão até a sala estruturada e, se houver mesas e cadeiras sobrando, trazem para a sala de recursos.

Assim, a sala de recursos apresenta um propósito diferenciado do que realmente ocorre no cotidiano da instituição. As professoras possuem a

consciência que estão utilizando a sala de forma inadequada e justificam-se afirmando que são muitas crianças para auxiliarem em atividades diversificadas e ainda possuem pouco tempo em sala estruturada para trabalhar as atividades de leitura e escrita, o que as forçam a utilizar essa estratégia.

A professora vai até a outra sala e busca mais uma carteira e me diz “Você sabe que eu não posso fazer isso, aqui é sala de recurso, então tenho que trabalhar com cantos... canto da leitura, canto da pintura. Então as crianças nunca podem estar fazendo a mesma atividade. Mas isso quando é uma turma pequena, grande assim eu não consigo dar atenção suficiente e a atividade perde o objetivo e vira uma grande bagunça, então... eu pego as mesinhas de lá mesmo” Então pede para que as crianças se sentem nas mesinhas

(Diário de Campo – Outubro/2009 – Profa. Ana Júlia (P2) – Contexto A)

Aqui não pode trazer mesa de outra sala, a gente tem que trabalhar com grupos em diferentes atividades. Agora me diz, como eu consigo dar conta de auxiliar 25 crianças sendo que cada uma está fazendo uma coisa diferente? E pra trabalhar a leitura e a escrita? Não dá!

(Diário de Campo – Novembro/2009 - Profa. Bárbara (P3) – Contexto B)

A prática de utilizar a sala de recurso como se fosse uma sala estruturada mostra-se como uma estratégia comum em ambos os CERs analisados, sendo observada em todas as quatro salas participantes da pesquisa.

Uma diferença possível de ser observada entre os CERs é a utilização da sala de multimeios para as atividades de leitura, escrita e matemática. As docentes do Contexto A algumas vezes utilizavam os momentos que tinham a sala de multimeios disponibilizada para sua turma para trabalhar conceitos oralmente com as crianças. Na semana do Dia da árvore, em setembro, ambas