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3. ALIŞVERİŞ MERKEZLERİ

5.10. Tüketici ve Akgün Alışveriş Merkezi

5.10.8. Akgün Alışveriş Merkezinde Kendilerini Güvende Hissetme Durumları

A travessia para o Outro Mundo demarca a metade do conto e é um momento dos mais importantes no trajeto do herói, já que é quando parte para o reino longínquo. Ela pode ser empreendida de diversas maneiras: o herói transforma-se em animal e voa para longe, monta um animal mágico, é conduzido por um ser maravilhoso, utiliza botas mágicas, escala uma montanha ou árvore, sobe por uma escada, desce por uma corda...O fato é que todo tipo de travessia tem uma mesma origem: a viagem do morto para o além, seja a concepção da jornada do neófito nos rituais iniciático, dos xamãs em sua passagem ao mundo espiritual, dos mitos ou ritos funerários primitivos, ou de religiões mais desenvolvidas como a do Egito (PROPP, 2002, p. 241-57).

Embora o deslocamento do herói seja sempre rápido, com descrições escassas de seu itinerário, é a partir de sua chegada ao Outro Mundo (reino distante) que as aventuras por ele vividas tomam corpo. Ali se encontra o objeto de sua busca e o jovem deve enfrentar os mais diferentes obstáculos e perigos, sendo desafiado por reis e monstros, os quais tentam impedi- lo de cumprir seu objetivo. Normalmente é no Outro Mundo que o herói encontra sua

princesa. Agora, ele deve provar seu valor, superando uma por uma as dificuldades apresentadas, normalmente com a ajuda de seu auxiliar mágico.

3.5.2.1 Características do Outro Mundo no conto maravilhoso

Segundo Lüthi (1986, p. 4-10), os seres sobrenaturais, nas outras formas de contos populares, como as lendas e vidas de santos, costumam adentrar a realidade cotidiana a seu bel-prazer, já que viveriam próximos a ela, tendo livre passagem de uma dimensão à outra. Já no conto maravilhoso, tais seres originam-se de um local separado pelo espaço geográfico, que cumpre a função de outra dimensão, o que faz parte da característica unidimensional do conto. Normalmente, o herói deve empreender jornada ao reino distante (Outro Mundo) para encontrá-los. Mesmo quando o auxiliar mágico é entregue ao herói antes da travessia ao Outro Mundo, ele é estrangeiro ao habitat natural do herói.

Propp (2002, p. 343-64) descreve o trajeto ao Outro Mundo como separado do lar do herói por uma floresta densa e impenetrável, um rio de fogo, um abismo, um reino subterrâneo, sob a água, ou então, localiza-se no alto de uma montanha. Nos casos em que se encontra no subterrâneo ou sob a água, ele não tem a característica da escuridão, ou nada que lembre o mundo submarino, sua atmosfera é reluzente, com jardins, pradarias, ilhas e praias, igual ao mundo exterior.

O autor (Ibid.) demonstra que no conto maravilhoso o Outro Mundo guarda semelhanças bastante diretas com o Reino dos Mortos descritos por mitos de religiões mais desenvolvidas como a do Egito, Grécia Clássica, etc. Os antigos representavam a vida no Reino dos Mortos como um reflexo de suas vidas em sociedade, porém com muito mais abundância. Os povos mais primitivos acreditavam que ao morrer, teriam que passar novamente pelo rito de iniciação, e continuariam a caçar; entretanto, jamais perderiam uma caça, pois teriam grande poder sobre a natureza. Mais tarde, em sociedades agrícolas, mitos relativos à morte narravam a presença de jardins e árvores frutíferas, sendo o alimento obtido já pronto para consumo, sem a necessidade do trabalho, levando à crença na abundância eterna. Ainda hoje, isso está em acordo com as concepções de paraíso do cristianismo, quando ao espírito do morto é disponibilizada toda bem-aventurança como recompensa pelas provações sofridas em vida.

Nos contos, geralmente, é essa última versão que se apresenta. Além disso, existem palácios reluzentes, de mármore ou cristal, pedras preciosas, ouro e prata. Enquanto a cabana da floresta no conto tem sua origem na cabana onde ocorria o ritual de iniciação, o palácio

encontrado no Outro Mundo seria inspirado pelas casas masculinas em que viviam os iniciados depois da passagem pelo rito.

Os objetos encontrados nessa região também são de ouro, sendo a cor dourada a marca de tudo o que tem essa procedência, inclusive o cabelo dourado da princesa. A cor dourada não remete ao metal, mas ao fogo, ao sol, remetendo às concepções religiosas solares.

Sobre tais objetos mágicos, é interessante notar que na época que os homens subsistiam da caça, os mitos tratavam deles como sendo benéficos à sociedade ao serem trazidos de lá pelo herói. Tratava-se, por exemplo, do fogo, de flechas mágicas que jamais perdiam uma presa, etc. Com o advento da agricultura e a concepção da abundância eterna, os objetos advindos do Outro Mundo passaram a ter uma conotação negativa: nas narrativas, seu possuidor morreria se o mantivesse em seu poder. Isso ocorreu devido à percepção das classes produtivas de que objetos que proporcionavam abundância sem esforço, desvalorizando o trabalho e incentivando o ócio, não seriam adequados à sociedade. Portanto, nos contos, é comum que tais objetos deixem de ser mantidos pelo herói em seu retorno ao lar, sendo utilizados apenas enquanto necessários.

3.5.2.2 Tarefas difíceis e auxiliar mágico

Já estabelecemos a importância da aquisição do meio mágico para o herói do conto: ao ser bem-sucedido nas tarefas difíceis, o rapaz não apenas prova que possui coragem e virtudes, mas que também possui um auxiliar mágico, que possibilita a realização das tarefas, o que remete ao espírito ancestral da tribo que auxiliava o neófito no Reino dos Mortos.

Lembremos que o ancestral totêmico muitas vezes pertenceria ao clã da noiva do rapaz, sendo transmitido pela linhagem materna; assim, no conto, o fato de o herói possuir um meio mágico, significa que é digno de tornar-se membro da família da noiva, estando apto a assumir as responsabilidades que lhe serão inerentes enquanto marido e futuro rei (PROPP, 2002, p. 118-24; 365-71).

Normalmente as tarefas difíceis são impostas ao herói no início ou no meio do conto. No início do conto, são estabelecidas pelo rei que deseja casar sua filha, ou pela própria princesa que tem interesse em testar o valor do futuro marido. Quando isso ocorre no meio do conto, geralmente é durante a estada do herói no Outro Mundo, e as tarefas são-lhe imputadas por diferentes personagens, que, em troca, lhe dão o que deseja. Tanto no início como no meio do conto, se o herói falhar na prova difícil, a pena é a morte.

Quanto ao conteúdo de tais tarefas, a de busca, que é fixada ao herói no início do conto, promove sua viagem ao Outro Mundo: o fato de mostrar-se capaz de ir e retornar de lá é o que determina se é digno da mão da princesa e do trono do rei. Como prova de sua estada no reino distante, o herói deve trazer um objeto valioso (Id. ibid., p. 372-84).

Existem também as tarefas relacionadas com a construção de um palácio, um jardim ou uma ponte. A tarefa de construir um palácio relaciona-se à casa masculina das tribos, como uma reassimilação do motivo do palácio de ouro que normalmente existe no Outro Mundo. Aqui o herói representa o ancestral criador do cosmo (tribo) e tudo o que nele contém, inclusive as moradias; o mesmo pode ser dito sobre a ponte. Quanto à tarefa relacionada ao cultivo de um jardim, demonstra que o herói possui o poder de apressar as colheitas – inerente ao feiticeiro tribal do período agrícola e seu poder sobre a natureza, assegurando a subsistência da tribo. Há também a prova do banho, em que o herói deve permanecer em água fervente, que remete à prova do fogo (em que o herói era cozido), durante o rito iniciático. Há a prova do alimento, que testa a voracidade do herói, a exemplo do que ocorreu com Herácles na mitologia Clássica: uma das habilidades adquiridas quando se desce ao Hades e dele retorna é a capacidade de ingerir alimentos em uma quantidade absurda. Esse motivo pode ter duas possíveis origens: a natureza espiritual do morto, que lhe conferiria a ausência de limitações inerentes ao corpo humano; ou o fato de que na cultura primitiva, as refeições especiais compartilhadas entre todos criavam laços tribais: se um forasteiro fosse admitido em um banquete, ele estaria sob a proteção do clã (PROPP, Ibid., p. 384-92).

As competições são outro tipo de prova, as quais podem ter sido geradas a partir de disputas atléticas, outra forma de se averiguar o valor do noivo para obter a mão da jovem na tribo, o que indicaria não apenas o vigor físico do rapaz, mas também o auxílio do espírito ancestral que garantiria sua vitória. Existem também relatos de competições realizadas em ritos funerários, como jogos sobre túmulos, o que as conecta com a jornada do morto ao além. No conto, as competições envolvem velocidade: o vencedor é quem conseguir obter primeiro um determinado objeto desejado pela princesa, normalmente encontrado no Outro Mundo (Id. ibid., p. 393-6).

As provas de esconde-esconde são igualmente comuns nas narrativas. Elas remetem à habilidade de tornar-se invisível – um dos atributos do morto –, além da propriedade de ser “engolido” pelo animal totêmico e permanecer dentro dele recebendo instruções mágicas: ao se esconder, o herói permanece invisível aos olhos de quem o procura, mantendo-se em algum local secreto (Id. ibid., p. 396-98).

Há também a prova de reconhecimento do ser ou objeto procurado. Esse motivo se origina na crença de que no Reino dos Mortos todos os seres possuem a mesma feição: não é possível reconhecê-los pela aparência. Muitos contos impõem ao herói o reconhecimento da princesa entre doze mulheres iguais a ela, ou a escolha do cavalo mágico entre outros similares. Essa tarefa foi registrada entre práticas xamânicas e rituais de casamentos. Por exemplo, tanto na cordilheira dos Vosges franceses, como na Sardenha, havia a tradição de que o noivo deveria reconhecer a noiva entre inúmeras mulheres (Id. ibid., p. 399-401).

Por último, há a prova da noite de núpcias: o rapaz deve conseguir passar uma noite com a princesa, enquanto muitos outros pretendentes morreram ao tentar-lo. Ou então, a princesa é dada àquele que “adivinha” um sinal particular de seu corpo – uma forma sublimada do conto dizer que o jovem já havia conhecido intimamente a princesa. Aqui, embora o conto nem sempre seja claro sobre isso, o noivo só consegue deflorar a princesa porque conta com o auxílio do meio mágico. Isso refletiria o perigo inerente à defloração da mulher em concepções mitológicas – principalmente em sociedades matriarcais, ou descendentes delas – em que a mulher exerceria poderes mágicos sobre os homens, principalmente relativos às primeiras relações sexuais, com os quais poderiam até mesmo destruir seus amantes. Mais tarde, com o desenvolvimento das religiões, como na Grécia e Ásia Menor, esse poder tornou-se um atributo de certas deusas que tinham como característica matar seus amantes após a primeira noite juntos. Assim, nas culturas em que o defloramento era considerado perigoso aos homens, esse ato era parte de um ritual de passagem em que as meninas transformavam-se em mulheres, quando se relacionavam sexualmente com o feiticeiro da tribo, que utilizava uma máscara representando um espírito da floresta. Na verdade, havia sociedades em que o momento ritual simbolizava uma crença nem sempre observada à risca, pois era comum que as garotas já tivessem perdido a virgindade antes dele; entretanto, os bebês nascidos previamente ao ritual eram mortos – não eram considerados seres humanos por não terem sido gerados por um ancestral totêmico da tribo. Embora, historicamente, a defloração não tivesse conexão com o casamento, no conto, por transformações dos costumes sociais, passou a ser relativo à noite de núpcias do herói, ou seja, mesmo que o jovem ainda não fosse casado com a princesa, ao conseguir deitar-se com ela uma vez, a consequência seria a permissão de contrair matrimônio com ela. Entretanto, o primeiro a possuir a moça seria, implicitamente, o auxiliar mágico e não o noivo, para sua própria proteção (Id. ibid., p.401-08).