GEREÇ VE YÖNTEM
5. Gensini Skorunun Belirlenmesi:
O enquadramento “Relações entre Congresso e Judiciário” traz cinco editoriais. O primeiro é “Uma proposta de estarrecer”, de 29 de abril de 2012, no qual é criticado o projeto de emenda constitucional autorizando o “Congresso a "sustar os atos normativos dos outros Poderes que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites da delegação legislativa"”. O jornal vê a PEC como uma ameaça à laicidade do Estado.
Poderia parecer, portanto, que a proposta pretende apenas afirmar a plenitude de uma prerrogativa legítima do Congresso, adequada ao princípio republicano do equilíbrio entre os Três Poderes, uma das bases do regime democrático. Antes
fosse.
O alvo do projeto apresentado em fevereiro do ano passado pelo deputado Nazareno Fonteles, do PT piauiense, é o Supremo Tribunal Federal (STF), ao qual compete se pronunciar sobre a constitucionalidade das leis e a eventual infringência dos direitos constitucionais da pessoa (O Estado de S. Paulo, 29 abr. 2012, p. A3).
Além disso, a ideia seria também de resguardar os interesses dos parlamentares, já que a emenda permitiria “(...) bloquear a vigência de normas que o estamento político possa considerar contrárias ao seus interesses, a exemplo de determinadas regras do jogo eleitoral” (idem, ibidem).
A proposta volta à pauta no texto seguinte que adota o enquadramento, de 1° de maio de 2013, intitulado de “A crise arrefece”. O Estado de S. Paulo (1° mai. 2013, p. A3) analisa o conflito estabelecido entre Legislativo e Judiciário pela PEC e pela concessão de liminar favorecendo a criação de novos partidos dada por Gilmar Mendes.
As questões de fundo - algumas de natureza estrutural, outras políticas - que não raro põem em rota de colisão o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF) continuam do mesmo tamanho, mas a crise que exacerbou para além do aceitável o contencioso entre eles entrou em acentuado processo de arrefecimento. De parte a parte, os profissionais entraram em cena para remover da sala os bodes que empesteavam o ambiente desde a tentativa do PT, truculenta e, afinal, amadora, de se vingar da Corte Suprema pelas penas impostas aos companheiros mensaleiros.
A resposta de Gilmar Mendes gerou reações do Presidente do Senado, Renan Calheiros, levando a um conflito entre os dois, que seria pacificado posteriormente. No entanto, o periódico afirma que o ex-Presidente da Câmara dos Deputados, André Vargas, estaria atuando em direção contrária, “com deliberado senso de inoportunidade”. No entanto, aposta na solidez do Estado para impedir que a iniciativa siga em frente.
A intenção de despejar gasolina na fogueira poderá fazer algum barulho, mas tende a ficar nisso. A crise mostrou que os principais atores políticos nacionais - da presidente e do vice aos condutores das duas Casas do Congresso, sem esquecer o influente ex-titular do Senado José Sarney - não estão nem um pouco interessados em embarcar na aventura de um confronto com a mais alta instância judicial do País, ainda que protestem contra o que seria o seu "ativismo" em matéria legislativa. Isso porque, na hora H, o estado de direito consolidado entre nós não lhes permite ter sequer a tentação de pagar para ver até onde chegam os seus limites (idem, ibidem).
O editorial “A nova fase do embate”, de 9 de maio de 2013, continua a discussão iniciada no texto analisado acima. O editorial começa tratando do encontro entre Gilmar Mendes, Renan Calheiros e Henrique Eduardo Alves para resolução dos conflitos entre o Legislativo e o Judiciário. O Estado de S. Paulo dá razão ao Presidente do Senado quando ele afirmou que não pode concordar, jamais, com a interrupção do processo legislativo, mas argumenta que existem
casos extremos nos quais isto pode acontecer. O jornal menciona os interesses do governo e da base aliada no projeto impedindo que os novos partidos se favoreçam da regra de que os interessados em se filiar a novos partidos levavam consigo o tempo de televisão e a verba do Fundo Partidário. “Mobilizada, a base governista aprovou o casuísmo a toque de caixa na Câmara e se preparava para fazer o mesmo no Senado, quando Gilmar Mendes acolheu o pedido de liminar, parando tudo” (O Estado de S. Paulo, 9 mai. 2013, p. A3).
Anteriormente, já tinha sido aprovado o projeto permitindo ao Congresso derrubar as decisões do STF. Para o periódico, tanto a PEC quanto a liminar de Gilmar foram sucessivas retaliações. “Parece fora de dúvida que o PT quis se vingar das condenações do mensalão - e que o ministro Mendes respondeu com a liminar que contrariou os interesses do governo petista” (idem, ibidem).
O editorial “A recusa do Supremo”, de 15 de junho de 2013, continua o debate sobre a liminar concedida por Gilmar Mendes. O jornal se mostra favorável a derrubada e ao projeto em pauta, mas vê oportunismo por parte do governo ao defender a proposta.
A proposta serve à presidente Dilma Rousseff: as suas chances de reeleição no primeiro turno de 2014 variam na razão inversa do número de adversários com expressão nas urnas. Eis por que a base governista no Congresso queria aprovar o texto a toque de caixa, degradando uma ideia defensável - se fosse para vigorar depois da sucessão - em puro casuísmo (O Estado de S. Paulo, 15 jun. 2013, p. A3).
O Estado de S. Paulo adverte que o papel do STF “(...) é julgar se as leis são compatíveis com a Constituição. Não lhe cabe intrometer-se no processo legislativo” (idem, ibidem), apresentando uma posição compatível com a defesa da separação de poderes. Considera, porém, que a questão é mais complexa, pois a corte teria sido incoerente ao permitir a mudança de parlamentares para o PSD sem perda de tempo de televisão ou de recursos. A publicação avalia, ao final, que “(...) um sistema de partidos forte é condição para uma democracia forte. O vaivém dos políticos é um estorvo a isso” (idem, ibidem).
Por fim, o último editorial com elementos do frame ora analisado é “O Poder ausente”, de 17 de junho de 2013, tratando da rejeição das novas regras de distribuição do FPE pelos deputados, o que o periódico considera “mais uma mostra da pouca conta que têm pela instituição a que pertencem” (O Estado de S. Paulo, 17 jun. 2013, p. A3). OESP afirma que a decisão deveria ter sido tomada em 1991 e, devido a indefinição, o STF será chamado a resolver questões envolvendo o Congresso.
Trata-se de uma questão que os congressistas deveriam ter resolvido até o fim do ano de 1991, mas, por comodismo ou por incapacidade de decidir sobre questões polêmicas envolvendo interesses dos Estados, continua sem solução. Depois de vários de seus dirigentes e líderes partidários terem criticado
duramente decisões do Poder Judiciário que, a seu ver, interferiam em questões privativas do Legislativo, neste caso é o próprio Congresso que, por não tomar a tempo decisões de sua exclusiva competência, poderá se ver obrigado a pedir socorro ao Supremo Tribunal Federal (STF), para evitar o caos financeiro nos Estados (idem, ibidem).
O jornal afirma que o Supremo já tinha sido chamado a intervir na questão e deu um ano e meio de prazo para o Congresso decidir. Depois, o prazo foi aumentado por mais um tempo, mas não adiantou.
Embora um grupo de senadores ainda tente aprovar às pressas um novo projeto, é pouco provável que, em seguida, também a Câmara o faça antes de se esgotar o prazo concedido pelo STF. "O que lamento é o Legislativo não ter cumprido o seu papel e não ter tomado uma decisão", disse o presidente da Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), após concluída a votação, a toque de caixa (idem, ibidem).
O Estado de S. Paulo considera “lamentável” a postura de líderes dos principais partidos da base, “que não conseguiram convencer seus liderados a aprovar as novas regras, como era intenção do governo” (idem, ibidem). A indefinição das regras impediria o repasse de recursos do governo federal para os estados. O periódico resume a questão citando o líder do PT, deputado José Guimarães. “"A Casa fica o tempo todo falando de judicialização e se 'autojudicializa' ao deixar decisões como essa para o Supremo"” (idem, ibidem).
Os editoriais examinados acima trazem uma preocupação com as regras da democracia brasileira, bem como com a sua estabilidade. O periódico defende o respeito às atribuições de cada Poder, além de criticar, novamente, a falta de decisão do Congresso sobre alguns temas, fazendo com que as decisões passem a ser tomadas pelo STF.
Na seção seguinte, são esmiuçados os editoriais que trazem elementos do frame “Escândalos políticos”.