DURMA KOŞULU SAĞLANINCAYA KADAR DEVAM ET BAŞLA
2.8. GENETİK ALGORİTMANIN PERFORMANSINI ETKİLEYEN FAKTÖRLER
Quando estava assistindo a peça Manga Mangueira eu me senti alegre, muito alegre. Vocês estão de parabéns! Que Deus continue iluminando seu teatro. (Gabriela, 10 anos, 2012. E.M. Tenente Manuel Magalhães Penido)
Como construir um espetáculo em que parte de nossas inquietudes estivessem presentes? Como não cair numa prática teatral comum, já que grande parte dos espetáculos infantis, por descuido ou por equívoco, dá extremo valor à “moral da história” ou aos ensinamentos condicionados a visões unidirecionais? Como construir algo que revele – ou pelo menos passe perto disso – a arte de fazer teatro, bem como seus elementos subjetivos e estéticos?
Durante o processo de construção do espetáculo, essas perguntas permearam nossos pensamentos numa tentativa de evitar clichês ou banalizações do tema escolhido: o meio ambiente. Falar de assuntos ambientais sem se deixar levar pelo didatismo, por visões corriqueiras sobre poluição, reciclagem e desmatamento, foi uma tarefa extremamente difícil e árdua. Nesse processo, a equipe buscou inspirar-se no conto de Shel Silverstein, A árvore generosa, e a partir daí, começou a construção de um trabalho que pudesse ser apresentado dentro de teatros ou na rua. A direção foi de Chico Pelúcio e Kenia Dias, sendo convidados os
atores Hugo Araújo (substituído por Fabiano Lana, em 2011), Dayane Lacerda e Camila Morena, que também criou os figurinos (em 2012, ela foi substituída pela atriz Júlia Branco).
A atriz Dayane Lacerda relata que durante os quatro meses de processo, foram experimentadas diversas possibilidades de se contar essa história. O mote para a criação era a destruição de uma árvore por um menino que veio da cidade. Segundo a atriz, o diretor Chico Pelúcio, com a riqueza de uma bagagem extremamente prática, conduziu o processo pensando no universo do teatro de rua, uma vez que “o espetáculo seria construído com o objetivo de se apresentar em praças, teatros, pátios de escolas, etc. [Ele] (...) regava seus desejos com nossas vontades e propostas, os nossos desejos eram regados pela liberdade, trabalho e admiração pelo diretor17”. A equipe, escolhida por Chico Pelúcio, também estimulava os atores: Kenia Dias,
convidada para dividir a direção e trabalhar na construção dos corpos das personagens; o músico Geovane Sassá, que coordenou a criação das divertidas músicas do espetáculo por meio de oficinas nas quais “poetizava nossas cabeças com ritmos e melodias18”; e o ator Eduardo
Moreira, do Grupo Galpão, que contribuiu nas oficinas de dramaturgia.
Juntos chegamos à história de uma menina e de um macaco, moradores de uma árvore, e de um menino da cidade que passa a destruí-la aos poucos, primeiramente porque precisa de dinheiro, pois os “bicos” que faz na cidade como flanelinha são insuficientes para sua subsistência; e posteriormente, porque quer mais dinheiro e vê na árvore uma grande oportunidade, já que sua madeira lhe renderia uma fortuna. No fim, tudo o que sobra é um tronco e três personagens envelhecidos com o tempo, mas com a esperança de que a árvore possa frutificar novamente. Eles juntam o lixo com a ajuda da plateia, experimentam timidamente brincar com carrinhos e aviões reciclados e, por fim, concluem que cuidando da natureza, a árvore voltará a crescer e a dar frutos. Novos frutos para novas (e outras) pessoas, por que a vida é assim.
Arriscaríamos dizer que alguns clichês estão ali – como a reciclagem, a poluição, o desmatamento – e que, ao final do espetáculo, os caminhos indicados pelos personagens beiram o didático, apontando para as crianças uma solução ao tentar resolver o problema do lixo e do desmatamento. Mas, paralelamente a isso, lá está o teatro. Ele não se perdeu no tema ou ficou em segundo plano. Enquanto falam da natureza, os atores também utilizam o jogo cênico, e o tempo inteiro os elementos teatrais aparecem e se revelam como solução para as cenas.
Para começar, os atores se vestem com os figurinos de suas personagens durante a cena, delimitando com isso o momento em que a brincadeira e o jogo com o teatro se iniciam. O
17 Relato produzido por Dayane Lacerda, em janeiro de 2013. 18 Idem.
público, que foi recebido pelos atores, sabe quem é o macaco, a menina e o menino. Já os conheceram, são pessoas como eles que em determinado momento, passam a fazer teatro. O prólogo é todo cantado, a música está presente na cena e na narrativa. O cenário oferece vários recursos para os atores, uma estrutura para o macaco se pendurar, um balanço e uma árvore que se desmonta inteira e logo pode ser reconstruída. A luz, de forma simples e objetiva, joga junto com o tempo, o dia iluminado e a noite escura, e sua passagem não linear. O texto não subestima a inteligência das crianças, bem como, a atuação. Júlia Branco, que entrou para o espetáculo em 2012, nunca tinha apresentado um espetáculo para crianças. Ela revela que isso a fez repensar suas concepções sobre o teatro:
Até como exercício para a atriz também é outra coisa. Começar a entender qual é o tempo de cada cena, o tempo da criança, o tempo de percepção de uma ação pra outra. Eu lembro que antes eu tinha uma coisa de não dividir tanto com a plateia, que é uma tendência que a gente tem as vezes no teatro um pouco mais cabeção. É muito especial a forma como eles saem, a forma como o espetáculo nos transforma também enquanto atores, artistas e enquanto cidadãos19.
Para a atriz, a troca que se estabelece entre o elenco e a plateia é muito especial, e também a transformação que o espetáculo pode causar naquela escola, naquelas crianças e naqueles professores. O ator Fabiano Lana faz um relato sobre o prazer propiciado pelo espetáculo e a importância deste em sua vida profissional e também sobre a relação ator/ plateia: "As relações dos atores com os alunos me fizeram ver como é importante a forma de acolhimento e o contato direto, tornando a relação palco-plateia menos distante20”.
Desde o início fica clara a tentativa de se mostrar o jogo cênico no espetáculo, seja na brincadeira com a passagem do tempo, seja no fato de uma menina (atriz) fazer o personagem de um menino. Jogo, aliás, muito comentado nos relatos dos professores, que disseram que alguns alunos, depois de assistirem ao espetáculo, se permitiram inverter os papéis, do masculino para o feminino ou vice-versa. Dessa maneira, o espetáculo permite um momento interdisciplinar riquíssimo, em que não só o teatro está em evidência, mas também a construção de uma visão de gênero, possibilitada com a experiência da ida ao teatro, sem o uso do didatismo.
Além da brincadeira com a temática de gênero, outros temas acabam emergindo, como a violência exercida pelo pai do menino, o trabalho infantil, a ganância, a necessidade da propriedade, a nossa capacidade de adaptação perante as transformações do mundo, entre outros. Enfim, acreditamos que o objetivo inicial de valorizar o fazer teatral foi cumprido, sem excluir os temas que aparecem de forma secundária. De resto, fica o ensinamento para as
19 Entrevista concedida pela atriz Júlia Branco, em janeiro de 2013. 20 Relato produzido pelo ator Fabiano Lana, em fevereiro de 2013.
próximas experiências. Em meio a intensas transformações, o espetáculo Manga Mangueira meu pé de brincadeira, indiferente a qualquer reflexão teórica, agrada e diverte crianças e adultos onde quer que seja apresentado.