2.5. EPİDEMİYOLOJİ
2.6.2. Generalize Lenfadenopati
Existe, a priori, um desejo de significação na tentativa de apreendermos melhor o sentido das palavras, para uma percepção mais autêntica daquilo que queremos discorrer. Importa, quiçá, segmentar a questão. Principiemos, então, pela palavra
expressão.
Conforme o Dicionário Enciclopédico Lello Universal (1979: 950), o vocábulo
expressão provém do latim expressione e tem como significado “acto de espremer, de
extrair o suco” É também uma forma de “exprimir, através de uma frase, de uma
palavra, de um som. É ainda, manifestação de sentimentos: dor, alegria, tristeza, carácter, sentimentos íntimos”. Lafon (1969) no seu Vocabulaire de Psychopedagogie, descreve expressão como: “o que manifesta estritamente o sentimento, a paixão, o
pensamento.” (Sousa, op. cit.: 19).
Tornando o seu sentido mais amplo, Sousa refere que expressão poderá mesmo traduzir a própria vida, visto que toda a acção humana pode ser considerada como uma expressão. Continua, num sentido mais restrito, referindo Read (1958), que identifica dois tipos de expressão que passam pela satisfação de um instinto e pela exteriorização de emoções.
Outros dicionários ainda, como o Grande Dicionário Enciclopédico Verbo (1997) e a Grande Enciclopédia Delta Larousse (1972) comungam desta forma de definir expressão, acrescentando a Grande Enciclopédia os epítetos personificação e
encarnação ao denominador comum ilustrativo.
Encontram-se todos de acordo quanto à riqueza que constitui a expressão humana e podemos, destarte, auferir que expressão é a exteriorização de sentimentos, exteriorização de toda uma vida interior, uma formulação das sensações, tornando-se
também numa actividade compensadora de problemas. Sendo uma linguagem dos sentimentos, será desnecessário tentar compreendê-la através da razão.
Adianta, ainda, Sousa e com base em considerações retiradas de Guyton (1974), Stern (1985) e Damásio (2000) a nível das emoções e sentimentos, que:
“- A expressão será a descarga de energias que se localizam nas regiões do bolbo, do sistema límbico e do córtex.
- Não será muito errado considerar a existência de uma expressão pulsional, outra emocional e outra sentimental, pois que é constatável a sua diferencialidade comportamental, demonstrável as suas diferentes localizações no sistema nervoso central e verificável a sua evolução antropológica.
- A sobrecarga destas tensões é prejudicial para o equilíbrio da personalidade, pelo que, em educação pela arte, se coloca a expressão como principal objectivo imediato.
- As actividades que mais facilitam estas expressões são as artísticas: música, drama, dança, plástica, verbal e escrita.”(op. cit.: 23).
Qualquer método usado, movimento, música, drama, pintura, palavra ou escrita, a expressão não é efectuada para um público, não é um espectáculo para ser visto ou ouvido pelos outros, mas “um modo individual de escape das tensões acumuladas” (ibid). Esta ideia da expressão ser uma força psicológica interna, inconsciente, tinha já sido referida por Piaget (1990), força essa que produz a energia necessária ao funcionamento da cognição. Expressão será, portanto a exteriorização da personalidade e concretiza-se através do jogo simbólico compensando alguns desejos da criança, no fundo, a satisfação de necessidades subjectivas. A expressão é então muito pessoal, tem valor somente enquanto decorre a sua acção e para quem a executa. A criança ao exprimir-se não conhece o sucesso ou a derrota, expressa-se pelo prazer que isso lhe dá e pela necessidade que tem de o fazer.
Para Sousa (2005), a expressão natural não tem qualquer ideia preconcebida, é por isso que, quase no seu estado natural, apenas se encontra nas crianças de tenra idade que ainda não se encontram condicionadas por ensinamentos difundidos, como autênticos e inalteráveis.
Quando condicionada pela imitação, pela influência do meio, a criança começa a restringir a sua expressão, não se tornando natural e, desta forma, ficando inibida, reprimindo-se, contrariando-se a expressão. E isto deve ser evitado, a todo o custo, de
modo a fazer permanecer, por mais tempo, a expressão da criança no seu sentido mais genuíno.
A concatenação de definições que aqui se apresentam, a partir de referências várias em concórdia, converte-se numa melopeia de pensamentos enobrecendo a beleza da expressão no seu conceito mais puro revelado mais intensamente por Sousa (op. cit.), aludindo outros autores de referência, pela conexão que mantém com a área numa vertente mais psicopedagógica.
No que concerne à palavra drama, o Dicionário Lello Universal (1979: 781) revela a sua derivação do latim com a mesma palavra, descrevendo-a como “acção
teatral. Peça de teatro de um género entre a tragédia e a comédia”, ou ambas. Refere ainda como sendo uma “narrativa que representa com intensidade acontecimentos
comoventes”. O Dicionário Le Robert Méthodique (1982: 431), refere-se, mais pormenorizadamente a drama como sendo: «(…) genre dramatique comportant des
pièces dont l’action, généralement tragique, s’acompagne d’éléments realistes, familiers, comiques». Acabam por ser vivências do dia a dia teatralizadas com intensidade, com uma grande envolvência emocional, quer trágica, quer cómica.
A expressão dramática, no seu sentido etimológico, remete-nos para uma exteriorização pela acção. Enquanto actividade artística, trata-se de uma forma de expressão/comunicação pela acção fictícia. Tendo como elementos fundamentais o corpo, a voz, o espaço e os objectos integra normalmente outras formas de expressão para recriar e tornar presentes pela imitação acções e situações passadas ou imaginariamente futuras. Trata-se de um trabalho de transposição em que, num tempo e num espaço diferentes do tempo e do espaço reais, os protagonistas mobilizam as suas energias, as suas representações, os seus afectos reais, em proveito de uma situação fictícia.
Através da expressão/comunicação entrelaçam-se e conjugam-se a apreensão do real, o desenvolvimento e a afirmação da personalidade, o desenvolvimento da imaginação e da criatividade, e promove-se a cooperação e o sentido estético.
Concordamos com a visão de Barret (1989) quando pretende elaborar um quadro teórico e funcional, geral e estável, para servir de base às mais diversas explorações. Propõe-nos uma definição global da expressão dramática como sendo “uma pedagogia
deste modo, dada à sua capacidade de poder transferir-se para as outras artes, com os devidos ajustes específicos, e ainda, extrapolar-se à pedagogia em geral, ou seja, não somente a todas as disciplinas e a todos os níveis, mas ainda naquilo que lhe é comum: a situação pedagógica. Num segundo sentido, a autora referida lembra a sua “dupla
natureza: disciplina e método (sujeito e objecto, fim e meio, produto e processo, etc.)” (ibid.).
Dada a sua natureza ambivalente, a que Barret achava preferível reivindicar como sendo única, tanto mais preciosa por ser útil, é reconhecida como disciplina a ensinar numa escola e é utilizada como facilitadora de aprendizagens de conceitos do programa, desenvolvendo, simultaneamente, outras aptidões pertencentes aos objectivos próprios da expressão dramática.
Referenciada como processo pedagógico, a expressão dramática é colocada no campo da pedagogia, mais ousadamente na linha da pedagogia activa, não se impunha e ainda hoje não se impõe na corrente maioritária do mundo da educação, mas, dela faz parte integrante.
Processo é um conceito mais complexo porque diz respeito a um conjunto de fenómenos, tornando-se mais ou menos complexo, dependendo da forma como se desenvolve e se organiza na sua duração, no tempo e no espaço. A sua complexidade vem também do facto de ser criado como activo.
A questão da expressão dramática como processo pedagógico partiu da observação da sua natureza, que, nas suas estruturas, nos seus conteúdos, “se relaciona
mais ou menos a um processo pedagógico”. A autora apresenta-nos, então, por analogia, a situação pedagógica num conceito, o mais abrangente possível, para designar o contexto comum aos docentes e aos discentes: “este espaço-tempo a viver, a
partilhar, a habitar em conjunto para uma acção recíproca que acabará na transformação das duas personalidades em presença”. Assim, e de acordo com Barret, a Expressão Dramática como processo pedagógico, pode ser uma acção particularizada do pedagogo que a selecciona para intervir na situação pedagógica que lhe diz respeito, com o objectivo geral de “transformar as personalidades em presença”.
A equivalência entre a expressão dramática e a pedagogia ordena-se na base dos seus fundamentos relacionando-os com o conteúdo e com o método. Os vínculos assentam num tipo de conteúdo geral, reconhecido em pedagogia com acentuação no sujeito que aprende, na sua experiência e na sua diferença.
Este conjunto de designações beneficia ainda do reforço do lúdico que caracteriza as intervenções da expressão dramática, oferecendo, assim “uma pedagogia
do prazer, uma pedagogia positiva”, não pela aquisição de conhecimentos, mas, pelo bem estar que conduz toda a situação de aprendizagem em que se patenteia. Assim, pode-se dizer que a expressão dramática funciona como um “processo pedagógico vivo
e agradável que se personaliza e se diversifica em função dos pedagogos e dos alunos e cujas variáveis são as mesmas que as da situação pedagógica.” (op. cit.: 5-7).
A referida autora presenteia-nos ainda com uma menção do Nouveau Grand
Robert que compreende um reconhecimento oficial da expressão dramática como “meios de desenvolvimento ou de enriquecimento da expressão pelo teatro e por
extensão, pela actividade (drama) lúdica num processo de aprendizagem colectiva.” (op. cit.: 15).
Nestas questões incessantes de definição, enuncia alguns conceitos que podem servir à expressão dramática em termos de significação, são eles: a acção, o aqui e agora, o colectivo, a criatividade, a globalidade, o lúdico, o móvel, a neutralidade, a polissemia, o processo, a situação, a subjectividade, a vivência. Não constituindo componentes e fundamentos da disciplina de expressão dramática, são considerados e utilizados, são conceitos que a experiência revelou e que acabam por ser apropriados por outros autores como extremamente significativos.
À laia de conclusão achamos por bem referenciar a grande definição de Barret adoptada também como exemplo pelo dicionário Le Grand Robert, a saber:
“Como a sua etimologia indica, a expressão dramática é uma pedagogia da acção. Considerando o homem a um tempo, sujeito e objecto da sua própria pesquisa, ela responde aos dois pólos mais importantes da sua existência: a expressão de si e a comunicação com o outro. Neste sentido ela põe a vivência como valor primordial da condição humana. Pedagogia viva e móvel, ela ocupa, na escola, um lugar específico, substituindo o saber e o saber fazer pelo saber ser. Assim, o aluno aprende-se e faz, com os outros, a aprendizagem da vida.” (op. cit.: 14).
Esta definição, densa de significação, expressa bem o valor intrínseco da expressão dramática e toda a vivência e interiorizações que pode causar. Mas, consideramos pertinente referir o espaço do adulto neste cenário. A criança precisa da ajuda do adulto, precisa de um ambiente onde não lhe falte oportunidades e encorajamento conscientemente ofertados pelo adulto. Esta é a opinião de Slade (1978)
da qual partilhamos, quando diz que não se trata de interferir mas sim de erigir a confiança através da amizade e formar a atmosfera apropriada, envolta em consideração e empatia. E nesse drama, afirma, notam-se duas qualidades importantes – absorção e sinceridade.
Todas estas considerações levam-nos a uma reflexão mais profunda da expressão dramática e da sua situação pedagógica, como referência fundamental para a educação e da urgência que devemos ter na sua permanente aplicabilidade, saciando as predilecções existentes para uma mudança interior, quer dos agentes educativos (através da formação), quer daqueles que sofrem a sua acção numa iniciação para a vida, as crianças.