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Conforme a Resolução CONAMA nº3, de 28/06/1990, considera-se:

“poluente atmosférico qualquer forma de matéria ou energia com intensidade e em quantidade, concentração, tempo ou característica em desacordo com os níveis estabelecidos, e que tornem ou possam tornar o ar impróprio, nocivo ou ofensivo à saúde, inconveniente ao bem-estar público, danoso aos materiais, à fauna e à flora ou prejudicial à segurança, ao uso e gozo da propriedade às atividades normais da comunidade”.

Com relação a sua origem, os poluentes podem ser classificados em poluentes primários, que são aqueles emitidos diretamente pelas fontes de emissão e poluentes secundários, que são aqueles formados na atmosfera através da reação química entre poluentes primários e/ou constituintes naturais na atmosfera, conforme Figura 3 (CETESB, 2004).

Fontes de emissão Æ Atmosfera Æ Receptores (poluentes) (diluição e/ou reações químicas)

Figura 3. Interações entre as fontes de poluição. Fonte: Adaptado de (CETESB, 2004).

A interação entre as fontes de poluição e a atmosfera, define o nível de qualidade do ar, que determina por sua vez o surgimento de efeitos adversos da poluição do ar sobre os receptores (seres humanos, animais, plantas, materiais), conforme Tabelas 11 e 12.

Tabela 11. Características e fontes dos principais poluentes na atmosfera

Poluente Características Fontes principais

Partículas totais em suspensão (PTS)

Material sólido ou líquido que ficam suspensos no ar, na forma de poeira, neblina, aerossol, fumaça, fuligem na faixa de tamanho < 100 micra.

Processos industriais, veículos (exaustão), poeira de rua, queima de biomassa. Fontes naturais: pólen, aerossol marinho e solo.

Partículas inaláveis (MP10) e fumaça

Partículas sólida ou líquida que ficam no ar, na forma de poeira, neblina, aerossol, fumaça, fuligem, na faixa de tamanho < 10 micra.

Processos de combustão (indústria e veículos automotores), aerossol secundário (formado na atmosfera). Dióxido de

enxofre (SO2)

Gás incolor, com forte odor, (queima de palitos de fósforo). Pode ser

transformado a SO3, que na presença de vapor de água, passa rapidamente a H2SO4 (precursor dos sulfatos).

Processos que utilizam queima de óleo combustível, refinaria de petróleo, veículos a diesel, polpa e papel.

Dióxido de nitrogênio (NO2)

Gás marrom avermelhado, odor forte e irritante. Pode formar ácido nítrico, (contribui para o aumento das partículas inaláveis na atmosfera) e compostos tóxicos.

Processos de combustão envolvendo veículos automotores, processos industriais, usinas térmicas que utilizam óleo ou gás, incinerações. Monóxido de

carbono (CO)

Gás incolor, inodoro e insípido. Combustão incompleta em veículos automotores.

Ozônio (O3) Gás incolor, inodoro nas concentrações ambientais e o principal componente da névoa fotoquímica.

É produzido fotoquimicamente pela radiação solar sobre os óxidos de nitrogênio e orgânicos voláteis. Adaptado de (Cetesb, 2004).

Tabela 12. Efeitos sobre a saúde e ambientais dos principais poluentes na atmosfera

Poluente Efeitos sobre a saúde Efeitos gerais ao meio ambiente Partículas totais

em suspensão (PTS)

Quanto menor for o tamanho da partícula, maior o efeito à saúde. Causam efeitos em pessoas com doença pulmonar, asma e bronquite.

Danos à vegetação, visibilidade e contaminação do solo.

Partículas

inaláveis (MP10) e fumaça

Aumento de atendimentos hospitalares e mortes prematuras.

Danos à vegetação, visibilidade e contaminação do solo.

Dióxido de enxofre (SO2)

Desconforto e doenças respiratórias, agravamento de doenças

respiratórias e cardiovasculares já existentes. Pessoas com asma, doenças crônicas de coração e pulmão são mais sensíveis ao SO2.

Pode levar à formação de chuva ácida, causar corrosão aos materiais e danos à vegetação: folhas e colheitas.

Dióxido de nitrogênio (NO2)

Aumento da sensibilidade à asma e à bronquite, abaixa a resistência às infecções respiratórias.

Pode levar à formação de chuva ácida, danos à vegetação e à colheita.

Monóxido de carbono (CO)

Altos níveis de CO estão associados a prejuízos de: estimar intervalos de tempo; no aprendizado, e trabalho visual.

Danos às colheitas, à vegetação natural, plantações agrícolas, plantas ornamentais.

Ozônio (O3) Irritação nos olhos e vias respiratórias, diminuição da capacidade pulmonar. Exposição a altas concentrações pode resultar em sensações de aperto no peito, tosse. Adaptado de (Cetesb, 2004).

Os parâmetros nacionais de qualidade do ar fixados na Resolução CONAMA nº 03 de 28/06/90 apresentados nas Tabelas 13 e 14, onde o objetivo do parâmetro secundário é criar uma política de prevenção da degradação da qualidade do ar, aplicado às áreas de preservação, não se aplica à áreas de desenvolvimento, onde se aplica os padrões primários, onde ainda requer que tal diferenciação sejam divididas em classe I, II e III, em todo território nacional, conforme o uso pretendido.

Quanto ao chumbo inorgânico, segundo Cetesb (2004), a referência adotada é o valor estabelecido pela “Agência Ambiental Americana” (USEPA), de 1,5 µg.m-3 – média trimestral móvel, com coleta em “Amostrador de Grande Volume”. Este valor deve ser respeitado em atmosfera onde haja processos industriais de manipulação do chumbo.

Tabela 13. Padrões nacionais de qualidade do ar (Resolução CONAMA nº 03 de 28/06/90) Poluente Tempo de Amostragem Padrão Primário (µg.m-3 ) Padrão Secundário (µg.m-3 ) Método de Medição Partículas totais em suspensão 24 horas1 MGA2 240 80 150 60 Amostrador de grandes volumes Partículas inaláveis 24 horas1 MAA3 150 50 150 50 Separação inercial/filtração Fumaça 24 horas1 MAA3 150 60 100 40 Refletância Dióxido de enxofre 24 horas1 MAA3 365 80 100 40 Pararosanilina Dióxido de nitrogênio 1 hora1 MAA3 320 100 190 100 quimiluminescência Monóxido de carbono 1 hora1 8 horas1 40.000 35ppm 10.000 9ppm 40.000 35ppm 10.000 9ppm Infravermelho não dispersivo

Ozônio 1 hora1 160 160 quimiluminescência

Observações:

1) não deve ser excedido mais que uma vez no ano; 2) média geométrica anual;

3) média aritmética anual.

Fonte: Adaptado de (Cetesb, 2004).

Tabela 14. Critérios para episódios agudos de poluição do ar (Resolução CONAMA nº 03 de 28/06/90)

Parâmetros Atenção Alerta Emergência

Partículas totais em suspensão (µg.m-3) – 24 horas 375 625 875 Partículas inaláveis (µg.m-3 ) – 24 horas 250 420 500 Fumaça (µg.m-3) – 24 horas 250 420 500 Dióxido de enxofre (µg.m-3 ) – 24 horas 800 1.600 2.100 SO2 x PTS (µg.m-3) .(µg.m-3) – 24 horas 65.000 261.000 393.000 Dióxido de nitrogênio (µg.m-3 ) – 1 hora 1.130 2.260 3.000 Monóxido de carbono (µg.m-3 ) – 8 horas 15 30 40 Ozônio (µg.m-3 ) – 1 hora 400* 800 1.000

(*) O nível de atenção é declarado pela CETESP com base na Legislação Estadual que é mais restritiva (200 µg.m-3). Fonte: Adaptado de (Cetesb, 2004).

4.10 Aspectos legais