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Retomando a trajetória docente de Dermeval Saviani, vale lembrar que desde quando concluiu a graduação – 1966 – atuava como docente no Ensino Médio e no curso de Pedagogia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Concluído o doutorado em 1971, já em 1972, Dermeval Saviani começou a trabalhar na pós-graduação. Tal atividade foi iniciada em nível de mestrado, no Instituto Educacional Piracicabano, atual Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP), onde ministrou a disciplina “Problemas da Educação” (SAVIANI, 2002a).

Acerca do referido programa de pós-graduação da Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP), Bruno Pucci (2013), afirma:

Iniciado em agosto de 1972, em nível de mestrado, e em agosto de 1992, em nível de doutorado [...]. O PPGE/UNIMEP nasceu antes da UNIMEP. Foi ele um dos fatores básicos para que as Faculdades Integradas do Instituto Educacional Piracicabano dessem origem à Universidade Metodista de Piracicaba, em 1975 (p.1). Nestes idos do início da década de 1970, só existiam três programas de pós- graduação em Educação no Estado de São Paulo: o da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e o da Universidade de São Paulo (USP) – ambos fundados no ano de 1971. Tais programas eram organizados levando em consideração os Pareceres do Conselho Federal de Educação nº 977/65 e nº77/69, ambos tendo como relator Newton Sucupira, bem como os ditames da Lei 5.540/68, conhecida como a Lei da Reforma Universitária. Segundo Betania Leite Ramalho (2006), o primeiro curso de pós-graduação em educação do Brasil foi fundado em 1966 na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ).

Saviani (2000a) denomina este período do início da década de 1970, no que se refere à implantação dos programas de pós-graduação, como o “período heroico”, e pode-se afirmar que, os professores da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), sob a

liderança do professor Joel Martins, tiveram grande responsabilidade neste feito, entre os quais estava o jovem professor doutor Dermeval Saviani.

Chamo a esta fase de período heroico porque foi necessário criar as condições praticamente a partir do nada. Servindo-se de doutores formados no exterior ou pelo processo do doutorado direto previsto nos Estatutos e Regimentos das universidades, aos quais se agregaram mestres também formados no exterior e, em seguida, aqueles alunos titulados nos programas pioneiros de mestrado instalados no país, a pós- graduação foi sendo implantada suprindo-se a carência de infraestrutura com muito trabalho e criatividade como, por exemplo, na falta de bibliotecas adequadas, a aquisição de livros por parte dos docentes que os transportavam no porta-malas do próprio veículo para disponibilizá-los junto aos alunos nas instituições em que os programas começavam a funcionar (foi o que fiz quando participei da equipe que deu início ao programa de mestrado da Universidade Metodista de Piracicaba em 1972) (SAVIANI, 2000a, p. 5).

De acordo com Pucci (2013), a equipe responsável pela implantação do mestrado em educação da Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP) era composta por Dermeval Saviani, Antônio Joaquim Severino (que fora professor de Saviani na graduação em filosofia), Geraldo Tonaco e Newton Aquiles von Zuben (durante a fase do doutorado, Saviani cursou as disciplinas “Seminário sobre Martin Buber” e “Seminário sobre Emmanuel Mounier”, coordenadas pelo professor von Zuben). Vê-se aí a importante rede de sociabilidade existente na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), que liderada neste contexto pelo professor Joel Martins, assumia a responsabilidade de tão grande envergadura como implantação de um programa de pós-graduação, em um contexto histórico de controle e ação direta do Estado sobre a organização e o funcionamento da nascente pós- graduação. Saviani (2002a), se recorda de importantes detalhes deste momento vivido na UNIMEP e de que este momento coincide com o seu primeiro contato com a Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), no segundo semestre de 1972, quando estava sendo fundada, nesta instituição, a Faculdade de Educação, sob a liderança do Professor Dr. Marconi Freire Montezuma, que havia convidado Saviani e os outros professores envolvidos no Programa de Pós-Graduação da UNIMEP, para uma conversa.

Em função dos nossos horários daquele ano na PUC-SP, os professores Aquiles von Zuben e Geraldo Tonaco iam a Piracicaba às segundas e terças-feiras. O Prof. Severino e eu íamos às sextas e sábados. Assim, numa sexta-feira, Severino e eu interrompemos nossa viagem de São Paulo para Piracicaba, fazendo uma parada em Campinas para termos um encontro com o Prof. Montezuma. Ele, com um certo ar messiânico, nos expôs por um bom tempo as ideias em torno da nova faculdade que estava surgindo. Não chegou a fazer uma proposta formal, deixando em aberto o caminho para novas conversas e eventual colaboração. De nossa parte, também não avançamos nenhuma proposta concreta. Saímos daquela reunião, Severino e eu, nos perguntando sobre os rumos que tomariam aquela iniciativa. As ideias eram ainda um tanto nebulosas e não havia também clareza sobre as condições reais em que a faculdade iria se apoiar. Demos sequência ao nosso trabalho em Piracicaba, sendo

que a partir de 1973 passamos a nos deslocar os quatro professores no início da semana, indo às segundas-feiras pela manhã e retornando a São Paulo nas terças à tarde (SAVIANI, 2002a, p. 283-284).

Os primeiros alunos do programa de pós-graduação em educação da Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP) eram, na sua maioria professores de outras faculdades, como José Dias Sobrinho, Rosália Aragão e Maria Inês Fini, da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) (SAVIANI, 2002a). Pucci (2013), afirma que havia também professores da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUCCAMP), da Universidade de Ribeirão Preto (UNAERP) e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Saviani permaneceu na equipe do mestrado da UNIMEP entre os anos de 1972 e 1973, tendo sido o orientador da primeira dissertação defendida no Programa de Pós- Graduação da referida universidade, na área de concentração “Filosofia da Educação”61. Tal dissertação, cujo título era “Implicações Filosóficas da Tecnologia Educacional: uma experiência brasileira”, foi de Betty Antunes de Oliveira, defendida em 18 de novembro de 1974 – exatamente três anos após Saviani ter defendido sua tese de doutorado. Betty Oliveira integrou, posteriormente, junto com Saviani, a equipe responsável pela implantação do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Além do trabalho de Betty Oliveira, também figura entre as primeiras dissertações do programa de Mestrado em Educação da UNIMEP, sob a coordenação de Saviani, o trabalho de Ester Buffa, defendido em 1975, sob o título: “Crítica histórica das ideologias subjacentes ao conflito escola particular – escola pública”. Vê-se novamente a força da rede de sociabilidade e Saviani, ao mesmo tempo em que se mantinha na órbita da rede de sociabilidade do professor Joel Martins, começava a criar a sua própria.

Enquanto desenvolvia suas atividades na pós-graduação em educação da Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP), Saviani ampliava suas atividades na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) para além da graduação em Pedagogia, pois, desde o segundo semestre de 1972, também passou a dar aula no Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Educação da PUC-SP, nível de mestrado, ministrando a disciplina “Problemas da Educação”, que também ministrava no mestrado da UNIMEP. O mestrado em Filosofia da Educação da PUC-SP, começara a funcionar em caráter experimental em 1970 e em caráter efetivo em 1971, devido a um esforço coletivo de vários

61 A partir de 1992, o Programa de Pós-Graduação em Educação da UNIMEP passou a contar com o Doutorado.

Desde 1997, o Mestrado e Doutorado do PPGE UNIMEP, estão organizados em dois eixos temáticos: Teorias Educacionais e Processos Pedagógicos e Política e História da Educação.

docentes da referida instituição sob a coordenação geral do professor Joel Martins – no contexto já descrito em que as coordenações dos primeiros Programas de Estudos Pós- Graduados da PUC-SP, foram instaladas no porão do “Prédio Velho”. Acerca da disciplina “Problemas da Educação”, ministrada nos cursos de mestrado da UNIMEP e da PUC-SP, Saviani (1992), assim descreve seu desenvolvimento:

Organizei o plano da disciplina centrado em seis problemas selecionados de acordo com dois critérios (potencial existencial e alcance teórico) e trabalhados em três níveis: constatação, caracterização e tentativa de solução. O primeiro nível punha em evidência o potencial existencial, sendo desenvolvido a partir das experiências dos próprios alunos que procuravam constatar em sua prática a incidência do problema proposto. O segundo nível fazia intervir a exigência teórica, operando-se a caracterização do problema com o auxílio de textos, de modo a se atingir uma compreensão consistente e fundamentada do problema examinado. O terceiro nível trazia em seu bojo o problema seguinte. Assim, a tentativa de solução do problema nº1 colocava a exigência de se examinar o problema nº 2 que era, então, formulado, constatado, caracterizado e assim sucessivamente até o problema nº 6 que tinha caráter sintético, completando o programa da disciplina. Vê-se, portanto, que os seis problemas se articulavam dialeticamente entre si, constituindo uma totalidade orgânica (s/n).

Pela organização da disciplina “Problemas da Educação”, vê-se a utilização clara do materialismo histórico e do raciocínio que vai predominar na obra de Saviani – a análise da situação histórico-social, o aprofundamento teórico e o caráter sintético, o que já se fazia presente desde a disciplina “Filosofia da Educação”, que Saviani ministrava no terceiro ano de Pedagogia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), desde o fim da década de 1960. Essa forma de organização das disciplinas ministradas por Saviani, aponta para um compromisso com o enfrentamento dos problemas educacionais do seu tempo. De forma contundente Betty Oliveira (1994) explicita este movimento do pensamento de Saviani, que já se fazia presente desde o início de sua trajetória docente e que se consolidou ao longo dos anos:

Essa peculiaridade de sua obra, se traduz nesse pensar os problemas da educação, define também o como, o porquê e o para quê Saviani estuda e incorpora determinados autores e não outros. Não é, portanto, o estudo deste ou daquele autor que lhe move a dedicar-se a determinados temas educacionais, mas é o enfrentamento dos problemas da educação brasileira que tem dirigido sua ida aos autores, numa constante busca de aprofundamento da sua fundamentação teórica. Essa situação o preserva do risco dos modismos de um lado e do ecletismo de outro. Assim Saviani se apropria (no sentido utilizado por Marx) das categorias de diversos autores marxistas redimensionando-as de acordo com a análise que faz dos condicionantes que formam uma determinada situação histórico-social que gera a problemática que estuda, entendida esta enquanto um processo e produto da práxis social (p.108-109).

Desde a juventude, Saviani sempre exerceu com compromisso as atividades de ensino e pesquisa, tendo nos clássicos a sua principal referência – Marx é uma destas referências.

A partir de março de 1973, Saviani assume a docência na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) em tempo integral, mantendo, porém, as orientações na Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP). Neste ínterim do início da década de 1970, Saviani se afastou de suas aulas nos cursos normal e colegial, portanto, do seu cargo de professor da Educação Básica do Estado de São Paulo, pois, desde dezembro de 1970 a fevereiro de 1973, prestou serviços junto à Secretaria de Educação do Estado de São Paulo (SEE-SP), integrando a “Equipe Técnica do Livro e Material Didático”. Foi exatamente neste contexto que entrava em vigência a Lei 5.692/71 trazendo alterações para os ensinos de 1º e 2º graus em relação ao que fora estabelecido pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1961 (Lei 4.024/61). Enquanto integrava a “Equipe Técnica do Livro e Material Didático”, Saviani escreveu um texto intitulado “Subsídios para o equacionamento do problema do livro didático em face da Lei nº 5.692”. Este texto foi publicado na obra “Educação: do senso comum à consciência filosófica”, cuja primeira edição data de 1980.

No texto “Subsídios para o equacionamento do problema do livro didático em face da Lei nº 5.692”, Saviani expõe suas ideias acerca deste material em um tom que denota seu engajamento na linha da oposição, contrário, portanto, ao caráter estático de fim em si mesmo deste material, como se pretendia com as adequações feitas nos materiais didáticos naquele contexto do início da década de 1970. É possível estar em um grupo da situação e fazer a oposição? O que indica o referido texto de Saviani, era esse o papel que ele estava realizando na “Equipe Técnica do Livro e Material Didático” da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (SEE-SP). Na concepção de Saviani, o livro didático é um meio que instrumentaliza o professor e o aluno no processo de ensino e aprendizagem, mediando, inclusive o conhecimento científico em termos apropriados aos educandos de diferentes faixas etárias. Eis como ele conclui o texto já indicado:

[...] como usar meios velhos em função de objetivos novos? Em outros termos, trata- se de explorar as possíveis aberturas da lei no sentido de dotar as atividades de maior consistência, enriquecendo, através do livro didático, os conteúdos da aprendizagem. Com isto estaria, dialeticamente, contrariando a partir da própria lei a tendência geral nela contida, isto é, a tendência de uma rarefação da educação e a um empobrecimento dos conteúdos de aprendizagem. [...] Com efeito, o bom livro didático será, em suma, aquele que reconhecendo-se um dentre os diversos recursos que concorrem para o êxito do ensino, for capaz de reunir o maior número de estímulos que permitam a professores e alunos dinamizar o dia a dia do processo ensino-aprendizagem na direção do objetivo fundamental da educação: a promoção do homem (SAVIANI, 1981, p. 108).

Segundo Martha dos Reis (2012), por força da Lei 5.692/71, importantes alterações foram feitas em termos curriculares, em um contexto em que já estavam sancionadas as licenciaturas curtas – cursos de curta duração que passaram a ser ministrados, principalmente, na rede particular de Ensino Superior, formando professores sob o modelo que interessava ao Estado ditatorial daquele contexto, ou seja, desprovidos do elemento da crítica e passíveis a utilização dos métodos e cartilhas impostos à Educação Básica. Em termos curriculares especificamente, merece destaque a implantação das disciplinas “Organização Social e Política do Brasil” (OSPB), vinculada à disciplina “Educação Moral e Cívica”, bem como a substituição das disciplinas de História e Geografia por “Estudos Sociais” – detalhe: tal disciplina não poderia ser ministrada, no segmento hoje correspondente ao Ensino Fundamental II (6º ao 9º ano) por professores de História e Geografia, mas, sim por professores graduados, necessariamente, em “Estudos Sociais”- tal limitação foi extinta pela Resolução n.07/1979 do Conselho Federal de Educação. No Colegial (atual Ensino Médio), a disciplina “Estudos Sociais”, poderia desde o momento de sua implantação, ser ministrada por professores de História e Geografia.

As transformações na área de conhecimento das Ciências Humanas começam a ser impostas a partir de 1964 quando o Governo Federal, através do Ministério da Educação e Cultura e do Conselho Federal de Educação, sancionou uma série de decretos referentes ao componente curricular Organização Social e Política do Brasil (O.S.P.B.). Em l969, através do Decreto Lei 869, torna obrigatório o ensino de Educação Moral e Cívica em todos os níveis de escolaridade. Entre os principais objetivos da implantação dessa disciplina pode‐se destacar: “o culto à Pátria, aos seus símbolos, tradições e aos grandes vultos da sua história; o preparo do cidadão para o exercício das atividades cívicas com fundamento na moral, no patriotismo e na ação construtiva visando o bem comum” (DECRETO‐LEI 68.065, 14/01/1971, CFE) (REIS, 2012, p. 279).

Do exposto acima, fica pressuposto que à medida que os componentes curriculares passavam por uma reestruturação, os livros didáticos necessariamente passavam por reformulações. Não por acaso, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (SEE- SP), compôs a “Equipe Técnica do Livro e Material Didático”, da qual Saviani era membro, “[...] com a função de analisar e dar parecer sobre as obras publicadas relacionadas com o ensino de Filosofia nas escolas de nível médio” (SAVIANI, 15 de maio de 2009 – entrevista a Diana Gonçalves Vidal, In: VIDAL, 2011, p.37). Por que um educador, que se definia por uma postura crítica, se valendo dos fundamentos teórico-metodológicos do materialismo histórico integraria uma equipe formada para dar conta do que foi proposto pela Lei 5.692/71, tão representativa do contexto ditatorial?

Como é de costume, os governos ditatoriais tentam cooptar os intelectuais, sobretudo aqueles que ideologicamente representam ser seus opositores. Usando um termo gramsciano, trata-se de uma tentativa de aplicação do “transformismo” – algo que, segundo José Willington Germano (2000), foi evidente no meio universitário, tendo sido a Universidade de São Paulo (USP), um espaço onde esta prática foi muito comum no contexto ditatorial de nosso país. O que vem a ser o “transformismo”? “[...] a cooptação ou assimilação pelo bloco de poder das frações rivais das próprias classes dominantes ou até mesmo de setores das classes subalternas” (COUTINHO, 1988, p.114). O transformismo pode ocorrer sob dois modos:

Pelo “transformismo molecular”, elementos dos partidos democráticos de oposição, em especial os dirigentes, isto é, seus intelectuais, passam individualmente para o bloco conservador-moderado. Pelo “transformismo de grupos”, conjuntos inteiros da elite consciente e ativa das massas aderem ao bloco histórico dominante (SAVIANI, 2005d, p. 24).

De todo modo, o que um governo ditatorial pretende é trazer lideranças quer partidárias, quer ligadas aos movimentos sociais ou intelectuais para a sua órbita de controle. Mas, estaria Saviani se rendendo a essa lógica? Consideramos que não, e, seu texto, produzido em 1972 sobre o livro didático, exatamente quando integrava a equipe da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (SEE-SP), responsável por adequar os materiais da rede pública paulista aos ditames da Lei 5.692/71, fundamenta nosso argumento de que Saviani atuava na referida equipe como uma força de oposição e comprometido com a docência no sentido da transformação.

As atividades de Saviani na Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (SEE-SP) – entre 1970 e 1973 – coincidiram com o momento em que se ampliavam suas atribuições na pós-graduação em educação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), e entre as atividades por ele desenvolvidas na referida universidade neste momento, merece destaque o início do processo de orientação de dissertações e a organização da disciplina Problemas da Educação II a ser ministrada no mestrado em Filosofia da Educação. Tal disciplina, de caráter monográfico tinha o “[...] objetivo de abordar, de forma aprofundada, determinado problema que poderia variar conforme o semestre em que a disciplina era oferecida” (SAVIANI, 1992, s/n).

Em março de 1973 passei à condição de professor em tempo integral na PUC-SP, afastando-me sem vencimentos do cargo de professor efetivo do Estado, comissionado na Equipe Técnica do Livro e Material Didático da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (SAVIANI, 1992 s/n).

O tempo de dedicação integral de Saviani à Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), não duraria muito, pois, um novo desafio lhe fora proposto: implantar um Programa de Pós-Graduação em Educação na Universidade Federal de São Carlos. Tal proposta começou a ser aventada quando trabalhava na Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP).

Além dos professores da UNICAMP, um grupo ainda maior de professores da recém-fundada Universidade Federal de São Carlos também estava matriculado no mestrado do Instituto Educacional Piracicabano. Assim, acabei sendo assediado para atuar junto à UFSCAR. Dessa forma, enquanto o professor Aquiles, em 1974, se transferia para a UNICAMP, eu, a partir do segundo semestre de 1975, assumia um contrato em tempo integral na UFSCAR, onde acabei liderando a formulação de uma proposta inovadora de Pós-Graduação em convênio com a Fundação Carlos Chagas, assumindo a responsabilidade de implantar e coordenar o Programa (SAVIANI, 2002a, p. 284).

Saviani trabalhou na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) do segundo semestre de 1975 a março de 1978, tendo sido contratado como professor titular e, “[...] com autorização dessa universidade, continuou atuando um dia por semana na PUC-SP” (GATTI, 1994, p. 78). Saviani (2000a) afirma que suas funções, na implantação do Programa de Pós- Graduação em Educação da UFSCar, foram muito além dos trâmites burocráticos e das disciplinas que ministrou, pois, chegou a desenhar e encomendar “[...] a produção das mesinhas que seriam utilizadas pelos alunos nas aulas e seminários de pesquisa” (p.5). Em entrevista a Diana Vidal, Saviani afirma que a criação do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFSCar, está entre suas lembranças mais significativas, juntamente com a ocupação do prédio da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), com o episódio do Colégio Sion em 22 de outubro de 1967 e com o texto que redigiu para finalizar a

Benzer Belgeler