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Genel İdare ve Diğer Departmanlarının Bütçelerinin Belirlenmesi

2.3 Otel İşletmelerinde Giderlerin Departmanlar Düzeyinde Bütçelenmesi

2.3.5 Genel İdare ve Diğer Departmanlarının Bütçelerinin Belirlenmesi

O aspecto que parece demandar mais atenção é a inadequação da legislação brasileira, a reclamar premente reforma. De fato, há inúmeras propostas já discutidas e em discussão, das quais se podem extrair iniciativas interessantes. Em primeiro lugar, a definição legal do ilícito necessita de modificações. Por essa razão, os arts. 231 e 231-A devem ser reformulados, de modo que se aproximem da previsão apresentada pelo Protocolo de Palermo (FERNANDES, 2009). Esses dispositivos devidamente modificados deveriam corroborar o entendimento de que a configuração do tráfico não se dá apenas em casos em que o intuito exploratório está restrito a atividades de cunho sexual.

Na verdade, uma redação ideal contemplaria os três elementos analisados no primeiro capítulo deste trabalho: o deslocamento geográfico, o emprego de meios que impossibilitam ou comprometem a livre manifestação da vontade da vítima, bem como o intuito exploratório, ressaltando-se que a enumeração de formas de exploração deve ser meramente explicativa. Um bom parâmetro a ser adotado para a aferição do intuito exploratório é o aviltamento à dignidade humana, que, conforme se aduziu em momento apropriado neste estudo, também se manifesta no trabalho.

Enfatiza-se que, aqui, o tráfico de pessoas é concebido como crime formal, consumando-se com o deslocamento geográfico a partir do recurso aos meios de comprometimento da manifestação da vontade com fins exploratórios, não sendo necessária a efetiva exploração da vítima (BARROS, 2010; JESUS, 2010; MIRABETE; FABBRINI, 2010a; 2010b; PRADO, 2008). Aliás, caso a exploração se torne concreta, entende-se que deve incidir, no mínimo, uma causa de aumento da pena, sem prejuízo da condenação por outros delitos que também tenham sido cometidos.

Ainda em matéria de reforma legislativa, considera-se relevante tornar mais severa a punição. Sendo assim, concorda-se neste trabalho com propostas de inclusão do tráfico de seres humanos no rol dos crimes hediondos, bem como a aplicação de penalidades de cunho econômico, sempre de modo proporcional aos resultados lesivos gerados, bem como à situação econômica do criminoso, de modo a imprimir caráter inibitório à pena, desestimulando a reincidência no crime.

Ainda no campo das responsabilidades, entende-se significativo o apelo à noção de responsabilidade social, criando outros mecanismos semelhantes à “lista suja” e ao Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo. Além disso, medidas de restrição ao acesso ao crédito por empregadores flagrados explorando indivíduos traficados ou a proibição de se fazerem contratos com empresas identificadas na mesma prática também hão de alimentar o espírito de responsabilidade social.

No entanto, para além do apelo social, confere-se aqui especial relevância

à previsão normativa da responsabilização em cadeia158. Sendo assim, seria

possível atribuir responsabilidades de cunho civil, penal e trabalhista também aos tomadores de serviços ou compradores de bens produzidos mediante exploração de indivíduos traficados, desde que seja razoável exigir deles que mantenham vigilância e controle sobre os mecanismos pelos quais se processa a produção da qual se beneficiam. Acredita-se ser esta uma relevante medida de combate ao tráfico, uma vez que as empresas agirão com mais cautela e responsabilidade, já que eventuais economias decorrentes da contratação de intermediários exploradores da mão-de-obra poderão ser convertidas em prejuízos decorrentes de sua responsabilidade pessoal, seja mediante a aplicação de penalidades, seja pela imputação das despesas referentes à regularização trabalhista dos indivíduos explorados.

As mencionadas penalidades de ordem econômica, bem como eventuais bens e valores apreendidos dos criminosos, devem ser aplicadas em programas e ações voltados para o combate ao tráfico e, principalmente, à atenção às vítimas. Isso porque o tráfico é causa e consequência de violações a direitos humanos, isto é, possui como condição de existência e de reprodução elementos de ordem social que imprimem às potenciais vítimas circunstâncias de vulnerabilidade. Caso essas circunstâncias não sejam superadas, os traficantes contarão com elementos fecundos para a reprodução do mercado humano.

Entende-se, a propósito, que mais importante que reprimir o crime é atuar sobre as suas origens, de forma a evitar a sua ocorrência. Fala-se, assim, em medidas de prevenção, que, no caso do delito em pauta, além de tomar a forma

158 Trata-se da aplicação da teoria do domínio do fato na conformidade que lhe foi dada pelo

de campanhas informativas e adoção de aparatos de fiscalização e diagnóstico, materializa-se em medidas de inserção social e combate à pobreza.

São relevantes também outras medidas já propostas, como a concessão de visto de permanência às vítimas de tráfico, de modo a não compeli-las a retornar a um contexto de precariedade que, eventualmente, tenha estimulado o seu ingresso no tráfico, e a impossibilidade de aplicação de penalidades aos indivíduos traficados, que são, antes de tudo, vítimas e não criminosos. Ademais, sua proteção integral, bem como a de seus familiares, deve ser assegurada independentemente de sua colaboração com as autoridades policiais e judiciais.

Tendo em vista o escopo deste trabalho, detecta-se ainda a necessidade de previsão e implementação de tutelas laborais em favor de vítimas libertas do tráfico, para além do simples pagamento dos valores devidos pela relação travada e da confecção de documentos como carteiras de trabalho. Assim é que são interessantes propostas como a de previsão da libertação das vítimas como hipótese para concessão de seguro-desemprego a ser pago por intervalo temporal compatível com sua reinserção no mercado de trabalho e não restrito a três meses.

Para além das modificações legislativas, certas medidas de cunho organizacional devem ser adotadas. Entre elas, destaca-se a implantação de núcleos de enfrentamento em todos os estados, ação esta que, decerto, contribuirá para a concretização de medidas de repressão, prevenção e proteção às vítimas. Conforme abordado, há hoje núcleos nos estados do Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo e também no Distrito Federal. Assim, essa organização ainda está ausente em quase metade dos estados brasileiros (11 ainda não possuem Núcleos de Enfretamento ao Tráfico): Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Santa Catarina, Sergipe e Tocantins. A existência de núcleos na totalidade dos estados auxiliará a implementação regionalizada dos objetivos e das medidas previstas na PNETP, bem como nos planos de enfrentamento.

Também é necessária a implantação de mais Postos Avançados de Atendimento, os quais, conforme se ressaltou, são implantados a critério dos estados e municípios, nos principais pontos de entrada e saída de pessoas. Há,

hoje, postos avançados nos estados do Amazonas, Ceará, Pará, Rio de Janeiro e São Paulo. Em cada um desses estados há um posto, salvo no Amazonas, onde há sete postos nas cidades de Itacoatiara, Manaus (dois postos), Humaitá, Manacapuru, Parintins e Coari. Sendo assim, em pouquíssimos estados estão implantados postos (apenas cinco estados), motivo pelo qual ainda são insuficientes os serviços de recepção a brasileiros não admitidos ou deportados nos pontos de entrada, prestando informações sobre documentação e procedimentos necessários para as viagens, bem como esclarecendo acerca dos direitos e deveres dos brasileiros no exterior e dos estrangeiros no Brasil. Ora, há muitos outros estados e municípios brasileiros nos quais há significativo fluxo de pessoas e, assim, de potenciais vítimas de tráfico. O oferecimento desse tipo de serviço de forma mais ampla auxiliaria, sem dúvida, na detecção de casos de tráfico de pessoas.

Por fim, entende-se que todas as novas medidas a serem adotadas deverão ser empreendidas em um contexto de cooperação internacional entre os diversos países e interna entre os órgãos e atores sociais envolvidos no diagnóstico e no enfrentamento ao tráfico. Salienta-se que o viés de integração já vem sendo identificado como prioridade, seja no Protocolo de Palermo, em documentos multilaterais e bilaterais, bem como na política e nos planos de enfrentamento ao tráfico de pessoas. Trata-se apenas de aprofundar medidas e objetivos já estabelecidos.

5 A RELEVÂNCIA DO CONTEXTO SOCIAL: ANÁLISE CRÍTICA DA

ABORDAGEM CONTEMPORÂNEA AO TRÁFICO DE SERES

HUMANOS

O viés adotado neste estudo baseia-se na percepção do tráfico de seres humanos como manifestação da lógica de oferta e demanda nos moldes capitalistas. Conforme já aludido outras vezes, o tráfico de pessoas nada mais é que um mecanismo de aviltamento à dignidade humana, equiparando os indivíduos traficados a mercadorias colocadas à venda no mercado.

Necessário é compreender que os componentes de oferta e de demanda se relacionam intrinsecamente com as relações sociais vigentes nos espaços nos quais se concretiza o tráfico, seja como local de origem ou de destino. As pessoas são captadas pelos traficantes à força ou por meio de promessas sedutoras, principalmente em virtude de condições de vulnerabilidade social em que se encontram. Não é por acaso que os fluxos se dão majoritariamente de regiões menos abastadas e mais severamente afetas por mazelas sociais para regiões mais desenvolvidas. Contudo, não seria correto afirmar que os problemas sociais nos países de origem seriam os fatores integralmente responsáveis pela existência do tráfico.

A verdade é que os países de destino absorvem essas pessoas traficadas, evidenciando que há, paralelamente à oferta, demanda por elas. O intuito do tráfico é visivelmente a geração de lucro não só para os traficantes que captam, deslocam as vítimas e, por vezes, vendem-nas, mas também para os

exploradores que as submetem a relações laborais abusivas159. A ideia de utilizar

a mão-de-obra traficada é justamente promover economia e produzir ganhos, na medida em que essas vítimas são sempre mal remuneradas ou até mesmo não chegam a perceber qualquer remuneração.

As pesquisas revelam que o Brasil, que outrora era caracterizado apenas como país de origem para o tráfico humano, funciona hoje tanto como local de procedência como de destino para o tráfico. Essa constatação faz emergir a

159 Rememore-se apenas que o tráfico não se restringe à finalidade de exploração do labor

humano, Mas, ainda que se reconheça tal circunstância, este trabalho destina-se a abordar as manifestações do tráfico vinculadas a essa faceta.

importância de se promover uma investigação acerca das condições sociais existentes no Brasil contemporâneo, que sustentam a configuração desse contexto. É essa a razão que estimulou a elaboração deste capítulo, que se dedicará a perquirir a configuração social brasileira para que as constatações nele obtidas possam auxiliar na compreensão do tráfico de seres humanos no Brasil atual.