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1. BİLGİ VE VARLIK BAHİSLERİ

1.3. Yaratılış

A capital paraibana, conforme os demais centros urbanos brasileiros, traz as marcas que evidenciam as contradições que chamam as autoridades ao desafio de elucidá-las. As características mencionadas anteriormente e que bem traduzem os rumos da capital sobrevivem em meio a um cotidiano marcado pelos índices de violência crescente e de desigualdades sociais, em que a miséria se contrapõe às potencialidades que geram riquezas para a cidade, características presentes nas capitais do Brasil. A incidência de pobreza em João Pessoa, por exemplo, segundo dados do ano de 2003, chega a 52,98% (IBGE, 2009), denotando o aspecto contraditório que não pode ser ocultado, o qual faz parte da realidade local.

Nesse sentido, ainda cabe trazer à luz um dos aspectos desse contraste, o qual faz parte da investigação aqui apresentada. A descrição sobre a formação da cidade de João Pessoa revela que a sua constituição foi permeada pelas marcas do desenvolvimento e desigualdades, evidentes em todo o processo de formação social brasileiro. E mais especificamente, o modo como eram tratados aqueles que não dispunham de condições econômicas para sobreviver torna evidente o caráter da exclusão social latente na cidade. O afastamento dos pobres da participação da vida social da população e até mesmo da possibilidade de constituírem habitações nas principais áreas da cidade são fatos concretos dessa realidade.

É possível inferir também que a cidade de João Pessoa carrega em seus traços urbanos a presença de pessoas que estão ainda aquém das perspectivas em relação às classes sociais até aqui apresentadas. Trata-se de pessoas que não possuem condições financeiras de participar da dinâmica de consumo, mas que também não têm condições de habitar nos bairros populares ou até mesmo nas favelas; estão em todas as partes da cidade, desde o seu centro comercial, onde têm contato com parte da população em geral, até as praias urbanas, onde são vistas pelas classes abastadas. Os moradores de rua adultos da cidade de João Pessoa encontram acessos aos espaços da cidade, composta em seus diversos bairros; porém não encontram acesso a uma política local que contemple a satisfação de suas necessidades.

Em relação a essa situação, até o momento da elaboração deste trabalho, foi criado em 2007 um abrigo para adultos, por iniciativa da Prefeitura, mas que, no ano referente à Pesquisa (2010), não foi localizado no endereço informado no site da Prefeitura.

De acordo com o que foi descrito até aqui, os moradores de rua são pouco caracterizados historicamente como parte da formação da população. Mas não há como esconder essa realidade, a qual existe tanto no passado como no presente da capital paraibana. Conforme dados da pesquisa nacional, chega a ser de 205 a quantidade média de pessoas adultas que moram nas ruas da capital (MDS, 2008). Os adultos que moram na rua, observados durante a pesquisa realizada pelo Ministério do Desenvolvimento Social e combate à Fome, buscam de alguma forma ter meios de sobrevivência na cidade, seja exercendo alguma atividade, seja através da mendicância. Em relação à presença dos moradores de rua em João Pessoa, os locais observados, durante a pesquisa, que possuíam maior concentração de moradores de rua, tratava-se

das áreas comerciais do centro e de suas praças, durante a noite; pelo período diurno, ao que se entende, essa concentração se desfaz, e muitas vezes não é perceptível a presença desse público em tais espaços. Dessa forma, o centro da cidade, aqui retratado como local onde atualmente não reside a maioria da população da cidade, mas apenas o utiliza para a aquisição de serviços, é onde, mais especificamente à noite, “abrigam-se” os moradores de rua da capital.

Acerca da execução de políticas sociais voltadas ao atendimento à população de rua na cidade de João Pessoa, o que se verifica é que as ações governamentais são voltadas mais diretamente para as crianças e adolescentes da cidade, com programas realizados pela Prefeitura da cidade, de abordagem de rua e manutenção de abrigos e casas de Passagem, em consonância com a consecução de direitos garantidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. Também há campanhas em locais de grande circulação, como a rodoviária, de incentivo à não-doação de dinheiro para crianças e adolescentes que pedem esmolas. Em relação à população de rua adulta, conforme já mencionado na Metodologia desse estudo, não houve acesso a maiores informações quanto à existência de Programas voltados para esse segmento na cidade. O que se percebe, ao andar pelas ruas (durante o período das observações, como parte da pesquisa) é a existência de alguma iniciativa de cunho particular /filantrópico que atende emergencialmente as necessidades de moradores de rua, como, por exemplo, a presença de uma pessoa que distribui sopa no fim da tarde, diariamente, aos moradores de rua que estão em dos pontos do centro da cidade. Outra iniciativa se dá através de entidades religiosas e filantrópicas que diariamente saem à noite para distribuir comida e objetos para acomodação dos moradores de rua nos locais em que eles se instalam para dormir, nos diversos pontos da cidade.

No mais, a realidade da moradia de rua em João Pessoa-PB não demonstra ser um tema preocupante na pauta de discussões do conjunto da problemática da cidade, mesmo com o aumento de pessoas atuando nos semáforos, nos canteiros da capital, e especialmente à noite, quando o movimento da cidade diminui, e dessa forma se destaca a presença de moradores de rua ocupando os diversos espaços públicos da cidade. Presenciam-se também cenas cotidianas de violência aos moradores de rua nas páginas dos principais jornais, como o assassinato, no mês de janeiro de 2011, de um morador de rua durante a noite, enquanto dormia embaixo de uma árvore localizada em dos pontos do centro da cidade.

O que se pode refletir diante desse quadro é que são inúmeros os desafios para se reconhecer e atuar no sentido de minimizar as péssimas condições de vida da população de rua da cidade de João Pessoa (apesar de já existirem programas assistenciais voltados para as crianças e adolescentes que também vivem nas ruas7). De fato, isso demonstra o quadro social negativo do país, no que se refere à busca pela igualdade de condições entre seus cidadãos. Sem um apoio efetivo, resta aos moradores de rua da cidade de João Pessoa-PB a luta pela sobrevivência, frequentando os principais locais da cidade e apropriando-se dos espaços que essa capital em crescimento populacional e econômico oferece, para obterem alguma renda e abrigo, em meio ao acelerado ritmo de construções prediais e circulação de pessoas, adaptando-se a esse modo de vida que foi imposto como última – e única – alternativa.

O capítulo seguinte trata da descrição de alguns depoimentos ouvidos durante o período de execução da pesquisa realizada em pontos do Centro da cidade (Praça da Independência, Praça 1817, proximidades do Mercado Central), em que foram escolhidos três dos dez relatos ouvidos, trazidos aqui como forma de ilustrar a realidade observada. Neles se percebe a dinâmica que indica tanto a trajetória de vida que culminou com a chegada às ruas quanto as estratégias de adaptação e sobrevivência nesses locais, que caracterizam a apropriação feita pelos moradores de rua nos espaços públicos da capital paraibana.

7 Programa de abordagem de crianças e adolescentes em situação de rua, desenvolvido pela Secretaria de

Desenvolvimento Social (SEDES) da Prefeitura de João Pessoa. A proposta se utiliza basicamente da linguagem artística para facilitar a aproximação. Depois da abordagem, é feito o encaminhamento, seja para um retorno à comunidade, seja para uma das unidades de acolhimento.

4 CAPÍTULO 4 - O PERCURSO PARA A REALIZAÇÃO DE UMA