O direito fundamental à razoável duração do processo43 foi inserido expressamente em nosso texto constitucional pela Emenda nº 45/04, ainda que, antes disso, a Convenção Americana sobre Direitos Humanos (integrada em nosso ordenamento em 1992, pelo Decreto nº 678), enunciasse tal garantia judicial44, que, nos termos do artigo 5º, § 2º, da Constituição da República Federativa do Brasil, já tinha caráter de direito fundamental, havendo, entretanto, discussões quanto à aplicabilidade ao processo civil.
Nelson Nery Junior indica que uma interpretação restritiva do dispositivo da convenção acima mencionada conduz à conclusão de que a
42 Cf. DINAMARCO, A instrumentalidade do processo. Ob. Cit., p. 377.
43 O tema da razoável duração do processo foi brevemente abordado pela autora em artigo
recentemente publicado: MANO, Lilian Rodrigues. Razoável duração do processo e julgamento
imediato da causa madura pelos tribunais. In Revista Forense. Volume 419. Rio de Janeiro:
Forense, 2014, p. 451-464.
44
“Artigo 8º - Garantias judiciais.
1. Toda pessoa terá o direito de ser ouvida, com as devidas garantias e dentro de um prazo razoável, por um juiz ou Tribunal competente, independente e imparcial, estabelecido anteriormente por lei, na apuração de qualquer acusação penal formulada contra ela, ou na determinação de seus direitos e obrigações de caráter civil, trabalhista, fiscal ou de qualquer outra natureza”.
garantia seria inerente ao processo penal, assegurando a célere oitiva de quem é preso. O autor, no entanto, assenta que os direitos humanos devem ter interpretação ampliativa, sendo que tal método, aliado à interpretação sistemática, enseja o entendimento pela incidência da garantia não só na esfera penal.45
Entende-se, contudo, que a previsão expressa sequer seria necessária, haja vista que a razoável duração do processo pode ser extraída do conteúdo já atribuído ao acesso à justiça, que assegura a quem tem sua demanda submetida ao crivo do Judiciário uma tutela adequada, e, portanto, tempestiva, como explicitado linhas acima.
Paulo Hoffman, ainda antes da inserção do inciso LXXVIII no art. 5º da Constituição Federal, a entende desnecessária, compreendendo que a garantia já podia ser extraída de nosso sistema então vigente, ressaltando, ainda, que a previsão expressa nada afetaria efetivamente a duração do processo, reputando a modificação, portanto, vazia.46
Por tudo quanto já se disse aqui, não há como negar que a razoável duração do processo está envolvida na correta interpretação do alcance que hoje deve ser dado à garantia de acesso à justiça, insculpida no art. 5º, XXXV, CRFB.47 Parece, pois, que o referido dispositivo constitucional, então, tem o
45 NERY JUNIOR, Nelson. Princípios do processo na Constituição Federal. 11ª ed. São Paulo:
Editora Revista dos Tribunais, 2013, p.327.
46 HOFFMAN, Paulo. O direito à razoável duração do processo civil. Dissertação (Mestrado) -
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP). Orientadora: Prof. Dr. Teresa Arruda Alvim Wambier, 2004, p. 73-74.
47 Luiz Guilherme Marinoni, Sérgio Cruz Arenhart e Daniel Mitidiero reconhecem que a adequada
compreensão do art. 5º, XXXV, CRFB já impunha a conclusão pela necessidade de razoável duração do processo, a fim de que o tempo nele dispendido fosse suportado igualitariamente pelas partes. A inserção do inciso LXXVIII no mesmo artigo apenas deixou tal conteúdo extreme de dúvidas, não havendo como se ignorar o dever do legislador de instituir técnicas voltadas ao atendimento de tal garantia, bem como do juiz bem compreendê-la e aplicá-la (2015, p. 268). Também Arruda Alvim (2012, p. 134) e Nelson Nery Junior (2013, p. 326) assentam que a razoável duração do processo é desdobramento do art. 5º, XXXV, CRFB, enfatizando a garantia.
condão de reforçar garantia já existente, exaltando sua importância e externando o alcance de seu conteúdo.
Donaldo Armelin bem destaca que a morosidade na prestação da tutela jurisdicional implica repercussão negativa na sua efetividade, ressaltando, portanto, a imprescindibilidade de que se adotem medidas direcionadas à sua atenuação, em sendo impossível a sua total erradicação.48
Nelson Nery Junior e Rosa Maria de Andrade Nery lecionam que a garantia ora tratada abarca o direito do cidadão de obter a satisfação do direito reclamado em juízo em tempo razoável, de maneira que somente estará atendido o preceito se toda a atividade processual, incluída a satisfativa, estiver concluída em prazo razoável.49
A razoabilidade da duração do processo, contudo, não pode ser compreendida como mera celeridade. Aliás, ressaltando tal equívoco, Nelson Nery Junior leciona que:
A busca da celeridade e razoável duração do processo não pode ser feita a esmo, de qualquer jeito, a qualquer preço, desrespeitando outros valores constitucionais e processuais caros e indispensáveis ao estado democrático de direito. [...] O que se deve buscar não é uma “justiça fulminante”, mas apenas uma “duração razoável do processo”, respeitados os demais valores constitucionais.50
Quanto ao conceito específico da garantia aqui tratada, há que ressaltar a vagueza do termo “razoável”, que inviabiliza, portanto, que seja estabelecido de forma estanque e abstrata, dissociada do contexto fático.
48 ARMELIN, Donaldo. Tutela Jurisdicional Diferenciada. Revista de Processo, São Paulo, nº
65, p. 45, ano 17, 1992.
49 NERY JUNIOR, Nelson; NERY, Rosa Maria de Andrade. Comentários ao Código de Processo Civil. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2015, p.198.
50 NERY JUNIOR, Nelson. Princípios do Processo na Constituição Federal. 11ª ed. São Paulo:
Luiz Guilherme Marinoni, Sérgio Cruz Arenhart e Daniel Mitidiero relacionam o termo razoável à ideia de proporcionalidade, ou seja, a problemática consistiria em saber se o tempo de duração do processo foi proporcional em relação ao direito material a ser tutelado. Afasta-se, assim, qualquer ilação no sentido de que a garantia implica que o processo deva ser necessariamente célere.51
Marinoni, inclusive, entende não haver dificuldade na determinação do significado de prazo razoável, sendo verificado quando a tutela jurisdicional é prestada logo após os fatos que lhe dizem respeito estarem esclarecidos, ou seja, quando a demanda estiver madura para julgamento.52
A configuração da razoabilidade da duração do processo, então, deve ser aferida de acordo com aspectos vislumbrados no caso concreto, sendo que Antonio Carlos de Araújo Cintra, Ada Pellegrini Grinover e Cândido Rangel Dinamarco indicam critérios para tanto, sendo eles, a complexidade do assunto, o comportamento dos litigantes e a atuação do órgão jurisdicional.53
Pode-se assentar, pois, que o tempo de duração do processo é razoável quando se limita ao estritamente necessário para que a tutela jurisdicional seja prestada, é claro, com observância das demais garantias processuais ao jurisdicionado, mas sem comprometimento da efetividade do processo, sem dilações indevidas54, ou, conforme lição acima, sem que o tempo dispendido seja desproporcional em relação às questões submetidas ao crivo do judiciário.
51 MARINONI, ARENHART, MITIDIERO, 2015, ob. Cit., p. 264.
52 MARINONI, Luiz Guilherme. Antecipação da tutela. 11ª ed. São Paulo: Editora Revista dos
Tribunais, 2009, p.283.
53 In Teoria Geral do Processo. 28ª ed. São Paulo: Malheiros Editores, 2012, p.96.
54 Tal foi a conclusão que apresentamos, brevemente, na obra acima mencionada (Razoável duração do processo e julgamento imediato da causa madura pelos tribunais. Ob. cit., p.
O Novo Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015) dispõe, em seu art. 4º, sobre o direito à razoável duração do processo (embora não fosse necessário fazê-lo), com o claro intuito de apenas ressaltar a importância da observância à Constituição, nos seguintes termos:
Art. 4º. As partes têm o direito de obter em prazo razoável a solução integral do mérito, incluindo a atividade satisfativa.
A redação do dispositivo legal foi feliz ao explicitar a abrangência da garantia, que envolve, também, a efetivação do direito que constituiu objeto do processo.
Diante da exigência constitucional, é patente que a legislação infraconstitucional deve ser interpretada em conformidade com ela, e, além disso, que são importantes as reformas tendentes a efetivá-la, desde que não sejam feitas de modo a aviltar indevidamente outros valores constitucionais de igual relevância. Não se pode olvidar, contudo, que não basta a mudança da legislação, sendo necessário que os problemas estruturais e de mentalidade que impedem a estreita observância à razoável duração do processo, e, portanto, à efetividade do acesso à justiça, sejam também superados.55
É evidente, portanto, que a duração razoável do processo é imprescindível para que ele possa ser efetivo, o que guarda correlação com a admissibilidade do julgamento antecipado parcial do mérito, que visa a assegurar que não haja demora excessiva e desnecessária na prolação de decisão apta a formar coisa julgada, sem que sejam ilegitimamente violados outros valores, como será tratado adiante.
2 O JULGAMENTO IMEDIATO DA PARCELA MADURA DO
MÉRITO NO SISTEMA ANTERIOR AO CPC/2015
56O primeiro capítulo buscou estabelecer o paradigma que deverá servir de amparo ao estudo do julgamento parcial do mérito, referido neste segundo.
Partindo desse arcabouço constitucional, é insofismável que a leitura da legislação ordinária deve ser feita de modo a que o sistema processual seja capaz de aproximar-se, tanto quanto possível, da oferta ao cidadão de uma tutela efetiva, adequada, tempestiva.
Eis, então, no conteúdo da garantia do acesso à justiça, o suporte constitucional do posicionamento que se quer externar, que repele, mesmo considerado o sistema processual civil de 1973, a imprescindibilidade de que o mérito seja julgado integralmente em um só momento.
Fato é que, antes do advento do Código de Processo Civil de 2.015, mesmo que com dissonâncias a respeito de se tratar de sentença ou decisão interlocutória, já havia manifestações doutrinárias no sentido da admissão dos julgamentos antecipados parciais de mérito, entendidos, em tal visão, como compatíveis com o sistema vigente.
56 Brevíssimos apontamentos relacionados à temática, inclusive aventando as inovações trazidas
pelo Novo Código de Processo Civil, já foram trazidos pela autora no artigo A problemática das sentenças parciais e o Novo Código de Processo Civil, ao qual remetemos o leitor, ressaltando-se que, contudo, não se estabeleceu ali conclusão acerca da configuração de sentença ou decisão interlocutória na vigência do CPC/73, embora indicadas an passant as celeumas envolvidas e o que foi trazido pelo Novo CPC (in ALVIM, Teresa Arruda et al. O Novo Código de Processo Civil
Brasileiro – Sistematização, Parte Geral, Parte Especial e Procedimentos. São Paulo:
Aliás, entende-se que sequer é adequada a utilização do adjetivo antecipado para qualificar tal tipo de julgamento, que, em verdade, ocorre no exato momento em que deveria ocorrer57, ou seja, quando aquela parcela do mérito encontra-se madura para tanto, sendo que entendimento contrário aviltaria a razoável duração do processo, e, por conseguinte, o acesso à justiça.
Conforme sustenta Luiz Guilherme Marinoni:
[...] um pedido – ou sua parcela – pode se tornar maduro para julgamento antes do outro – ou da outra parcela – e, assim, que o processo que não possui uma técnica capaz de viabilizar tutela imediata ao direito que se tornou incontroverso no seu curso não atende ao direito fundamental à razoável duração do processo. 58
Mesmo na vigência do Código de Processo Civil de 1.973, já eram trazidas pela doutrina hipóteses de julgamento antecipado parcial do mérito que poderiam ser extraídas da legislação.59
Neste ponto, convém indicar observação trazida por Fábio Milman, em artigo publicado em 2007, sobre ser permitido vislumbrar a prolação de mais de uma sentença, cada uma a determinado tempo, num mesmo processo de
57 Vale aqui a mesma crítica que é feita ao uso do adjetivo antecipado para tratar do julgamento
previsto no art. 330 do CPC/73. Observe-se, por todos: “Há procedentes críticas quanto ao emprego da expressão ‘julgamento antecipado da lide’ nas hipóteses dos incs. I e II do art. 330, já que em tais casos não há na verdade julgamento antecipado algum, na medida em que, por uma razão ou por outra, se não há necessidade de instrução probatória, o momento processual a que se referem os incs. I e II do art. 330 é, por assim dizer, o momento adequado para o juiz proferir sentença.” (ALVIM, Arruda; ASSIS, Araken; ALVIM, Eduardo Arruda. Comentários ao Código de
Processo Civil. 3ª ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2014, p. 646).
58 MARINONI, Luiz Guilherme. Antecipação da Tutela. 11ª ed. São Paulo: Editora Revista dos
Tribunais, 2009, p.283.
59 Hipóteses de sentenças parciais são trazidas por Luciano Vianna Araújo e Sidney Pereira de
Souza Junior, nas dissertações de mestrado indicadas em nossa bibliografia, envolvendo os casos de cumulação objetiva (com a possibilidade de julgamento antecipado nos termos do art. 273, § 6º, do CPC, fundado na ausência de controvérsia acerca de um pedido ou parcela dele, ou mesmo quando parte do mérito, ainda que houvesse sido controvertida, estivesse em condições de imediato julgamento, embora outra não), a cumulação subjetiva, a liquidação de sentença etc.
conhecimento, o que era tratado por Ovídio Araújo Baptista da Silva como sentença parcial e por Walter Vechiato Júnior como sentença intermediária. 60
Quanto ao que aqui interessa, haja vista que temos como objeto específico de estudo a hipótese em que parcela do mérito se encontra madura para julgamento, devem ser salientados os casos de cumulação e de pedidos cindíveis.61
O artigo 356 do Novo Código de Processo Civil (que será abordado no presente estudo com mais vagar oportunamente) traz, exatamente, hipóteses de julgamento imediato da parcela madura do mérito, reconhecendo, então, a possibilidade de cisão dele quando um ou mais pedidos ou parcela deles mostrar- se incontroverso ou estiver em condições de imediato julgamento (ou seja, quando não houver necessidade de dilação probatória, abrangendo, pois, todas as situações em que aqui sustentamos que poderia ocorrer, mesmo no sistema anterior a tal diploma).
Fica evidente que, em verdade, o que se prestigia com o julgamento imediato da parcela já madura do mérito é a razoável duração do processo, e, com isso, que a garantia do acesso à justiça seja observada em sua inteireza, não
60 MILMAN, Fábio. O novo conceito legal de sentença e suas repercussões recursais: primeiras experiências com a apelação por instrumento. In Revista de Processo. Ano 32. N.
150. Ago/2007, p.163.
61 Em artigo integrante de obra coletiva recentemente publicada, Orlando Augusto Carnevali
(Resolução parcial e progressiva de mérito – fracionamento em busca da brevidade e
efetividade) in MACÊDO, Lucas Buril de; PEIXOTO, Ravi; FREIRE, Alexandre. Novo CPC –
doutrina selecionada, Vol. 2: processo de conhecimento e disposições finais e transitórias.
Coord. Geral: Fredie Didier Jr. Salvador: JusPodivm, 2015, p. 322-324) assenta que, sob o ponto de vista objetivo, a cisão do julgamento é possível quando houver autonomia e independência dos pedidos, apontando as hipóteses de cumulação objetiva própria simples (caso em que a cisão pode ocorrer para julgamento de procedência ou improcedência), cumulação objetiva própria sucessiva (caso em que se pretende o acolhimento de todos os pedidos, mas a apreciação do segundo depende da procedência do primeiro), cumulação objetiva imprópria alternativa (em que qualquer dos pedidos pode ser acolhido, não havendo hierarquia entre eles, pelo que se um for julgado procedente, todo o processo é resolvido, razão pela qual é possível a cisão, havendo continuidade do processo, se o julgamento de um dos pedidos for de improcedência) e cumulação objetiva imprópria eventual ou subsidiária (em que o julgador somente pode passar ao exame de um pedido quando o anterior houver sido rejeitado, pois há ordem de preferência entre eles, de maneira que, também aqui, pode haver cisão do julgamento se o pedido preferencial for rejeitado e se mostrar necessário o prosseguimento do feito para exame dos subsequentes).
se podendo olvidar, por exemplo, que, em caso de cumulação de pedidos que não guardem entre si relação de interdependência, tem-se de fato várias ações cumuladas, que, portanto, poderiam ter sido propostas de forma autônoma, não sendo admissível que o jurisdicionado que optou por envolvê-las num único processo (favorecendo, com isso, a economia processual) seja prejudicado, tendo que aguardar até que todas estejam solucionadas para receber uma só sentença.
Entende-se, pois, que, mesmo antes de o Código de Processo Civil de 2.015 dispor expressamente sobre a matéria, nada havia que impedisse o julgamento parcial do mérito em nosso sistema, sendo que as razões para o afastamento dos óbices comumente apontados para subsidiar entendimento contrário serão explicitadas ao longo do trabalho.
Neste ponto, convém ressaltar a existência, no direito comparado, de ordenamentos que faziam previsão expressa do julgamento parcial do mérito.
Liebman traz o exemplo do sistema processual civil italiano, apontando as notas distintivas entre as chamadas sentenças definitivas e não- definitivas:
A sentença pode ser definitiva ou não-definitiva.
É definitiva a sentença que define o juízo (art. 279, 2ª parte), ou seja, a que conclui o processo, exaure-o, ao menos naquela instância; ela terá por objeto ou o mérito, quando o decidir totalmente, ou uma questão preliminar, quando a decidir negando a constituição regular do processo ou a existência da ação e, portanto, a admissibilidade do julgamento do mérito (sentença absolutória do processo). A sentença definitiva é, por isso, a sentença final do procedimento de primeiro grau (e, depois, da apelação, etc.), ou ao menos daquela sua fase que se desenvolveu perante determinado órgão jurisdicional.
Não-definitiva é a sentença que não põe fim ao processo, de modo que este deverá continuar depois de sua prolação (cfr. art.279, 2ª parte, nº 4); através dela, o juiz decide uma parte da matéria controvertida, que pode dizer respeito tanto ao mérito quanto às questões preliminares.62
62
LIEBMAN, Enrico Tullio. Manual de direito processual civil, 1. Tradução e notas de Cândido R. Dinamarco. Rio de Janeiro: Forense, 1984, p. 242-243.
Também merece menção a previsão do julgamento antecipado de parcela do mérito no direito alemão, como mostra José Alexandre Manzano Oliani:
O direito processual civil alemão utiliza a expressão sentença definitiva para designar a decisão final da causa, isto é, a decisão que deve ser proferida após o processo ter percorrido todo o iter procedimental e estar preparado para julgamento. O Código de Processo Civil alemão regula também as figuras da sentencia parcial (§301); sentencia reservativa (§302); sentencia interlocutória (§303); sentencia interlocutória sobre el fondo (§304) e a sentencia com reserva de responsabilidad limitada de derecho sucessório e jurídico-marítima (§§ 305 e 305 a). A sentença parcial alemã, conforme dispõe o § 301 da ZPO, deve ser proferida quando o processo tiver objeto composto, ou seja, quando houver “varias pretensiones reclamadas em uma demanda”, e uma delas ou parte de uma delas estiver pronta para julgamento. Também nos casos em que há “interposición de contrademanda”, e somente “la demanda o la contrademanda” estiver pronta para julgamento, deverá ser proferida sentença parcial. As sentenças interlocutórias são prolatadas para resolver “un juicio incidental” (ZPO, § 303).63
Andou bem o Novo Código de Processo Civil ao prever de forma explícita tal possibilidade, evitando-se a deletéria falta de segurança jurídica que pairava na vigência do Código de 1.973 relativamente à temática, apesar de aqui se entender que não havia no sistema qualquer óbice que se pudesse sustentar para afastar a admissão do julgamento antecipado parcial do mérito.