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GENEL DEĞERLENDİRME

De acordo com o modelo criado por Barnes, os atores são o primeiro elemento das redes sociais, cuja função é modelar a maneira pela qual os vínculos (ou laços) e os fluxos de

informação operam nas estruturas sociais. No entanto, Recuero (2008, p. 25) explica que quando se trabalha com redes sociais no ciberespaço, os atores são constituídos de modo diferenciado:

Por causa do distanciamento entre os envolvidos na interação social, a principal característica da comunicação mediada por computador é que os atores não são imediatamente discerníveis. Assim, neste caso, trabalha-se com representações dos atores sociais, ou com construções identitárias do ciberespaço. Um ator pode ser representado por um weblog, por um fotolog, por um twitter ou mesmo por um perfil no Orkut. (Ibidem, grifo da autora).

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A “criação” seguida da “validação” da identidade no ciberespaço é essencial para que o vínculo com o outro seja estabelecido. Para Recuero, a “individualização dessa expressão, de alguém „que fala‟ através desse espaço, é que permite que as redes sociais sejam expressas na Internet” (ibid., p. 27).

Sobre o processo articulatório da civilização atual, Trivinho (2010) define a visibilidade mediática como vetor fundamental que responde pelo modus operandi pelo qual esta civilização, de base capitalista, se reproduz no campo histórico, a partir da Segunda Guerra Mundial. O imperativo da visibilidade leva o sujeito à busca permanente do olhar do outro para si através da exposição pessoal. Ou, nas palavras do autor,

Esse imperativo mediático – mais propriamente, a adesão a ele – leva geralmente o

sujeito ao flerte permanente com o centro do cenário das atuações conjuntas; fá-lo, pois, cedo ou tarde, (a querer) atrair para si o foco prioritário da vez (temporário, intermitente ou duradouro), ou melhor, a (a aspirar) aproximar-se do foco mediático (das redes de massa e/ou do cyberspace), para prevalecer como eixo da percepção ou atenção por parte de alguma audiência. Em outras palavras, a assunção do

imperativo da presença espectral conduz o sujeito a “torcer” a circulação do

simbólico e do imaginário mediáticos correntes, a (tentar) entretecê-los nessa aspiração projetiva no reino reciclável das abstrações espectrais, para fazê-los passar necessariamente pela encenação do si-próprio e dos pertences e interesses consortes. (TRIVINHO, 2009, p. 4, grifos do autor).

A respeito do tema em questão, Rosen acrescenta:

Em websites de redes sociais como MySpace e Facebook, nossos modernos autorretratos apresentam fundo musical, fotografias cuidadosamente manipuladas, torrentes de meditações e listas dos nossos amigos e passatempos preferidos. Eles são interativos, convidando os observadores não meramente a olhar, mas também responder ao retrato da vida online. Nós o criamos para encontrar amizades, amor e essa ambígua coisa moderna chamada conexão. Como pintores constantemente retocando seu trabalho, alteramos, atualizamos e reprogramamos nossos autorretratos; mas como objetos digitais eles são muito mais efêmeros do que óleo

sobre tela. [...] é o eterno desejo humano de atenção que emerge como o tema dominante dessas vastas galerias virtuais. (2007, p.15).

No que se relaciona ao desejo de ser reconhecido, Sergio Amadeu (2014)aborda a questão das “tecnologias de modulação, economia da intrusão e relações de poder” no Seminário "Tecnologia e Poder". De acordo com o pesquisador, um dos grandes problemas na expansão das redes sociais é a dificuldade em ser percebido. Isto é, a Internet derrubou as fronteiras da fala, mas trouxe, em contrapartida, o desafio de ser ouvido, de ser reconhecido como sujeito, em sua individualidade, o que contribui para um contexto dramático, de realidade fragmentada, cuja principal marca é o reducionismo dos valores humanos essenciais e uma forte crise nos laços sociais.

Nesse contexto, constata-se que as redes sociais emergem no ciberespaço fundamentalmente por conta do seu caráter pessoal de expressão – ou seja, de apresentação –, por intermédio do qual seus atores estabelecem vínculos (laços) com o outro. Há, portanto, um processo permanente de construção e validação da identidade dos atores nas redes sociais uma vez que, como não há comunicação face a face, os indivíduos são reconhecidos por suas palavras, posts, atualizações em geral. Essas atualizações, por sua vez, são responsáveis por legitimar o conteúdo no grupo social e estabelecer a interação social.

A interação no ciberespaço também pode ser compreendida como uma forma de conectar pares de atores e de demonstrar que tipo de relação esses atores possuem. Ela pode ser diretamente relacionada aos laços sociais [...]. Outro fator característico da interação mediada por computadores é sua capacidade de migração. As interações sociais entre atores sociais, podem, assim, espalhar-se entre as diversas plataformas de comunicação, como, em uma rede de blogs e mesmo entre ferramentas, como entre Orkut e blogs. (RECUERO, 2008, p. 34-36)

De acordo com Wasserman e Faust (1994, p.7), a relação é considerada a unidade mínima de análise de uma rede social, que é formada por um conjunto de interações sociais. A ideia de vínculo ou laço refere-se à conexão entre os atores envolvidos nas interações, sendo, portanto, resultado da sedimentação das relações estabelecidas entre atores. Ou, nas palavras de Recuero, “laços são formas mais institucionalizadas de conexão entre atores, constituídos

no tempo e através da interação social” (2008, p. 38). Tais laços podem ser fortes ou fracos, de acordo com o grau de intimidade (presença ou ausência de confiança mútua), intensidade emocional, persistência no tempo, fluxo de informação (conteúdo das mensagens trocadas) etc. Outro ponto a se considerar é a reciprocidade: nem todos os laços a possuem, o que significa que, por exemplo, é possível que o ator A considere B seu melhor amigo (laço forte), mas que B, em retorno, não se importe da mesma forma com A. Entretanto,

As atuais redes sociais online são uma acumulação de vínculos majoritariamente fracos – ninguém que liste milhares de “amigos” no MySpace pensa nessas pessoas da mesma forma que pensa em seus parentes distantes, por exemplo. Certamente não é coincidência, então, que as atividades que os sites de redes sociais promovem são justamente aquelas que os vínculos fracos fomentam, como rumores, boatos, mexericos, busca de pessoas e a trilha dos efêmeros movimentos da cultura popular [no sentido da cultura de massa] e das modas passageiras. (ROSEN, 2007, p. 20).

Bauman dialoga com Rosen no que tange a fragilidade dos vínculos das relações formadas a partir das redes interativas e declara:

Diferentemente de “relações”, “parentescos”, “parcerias” e noções similares – que ressaltam o engajamento mútuo ao mesmo tempo em que silenciosamente excluem ou omitem o seu oposto, a falta de compromisso –, uma “rede” serve de matriz tanto para conectar quanto para desconectar; não é possível imaginá-la sem as duas possibilidades. Na rede, elas são escolhas igualmente legítimas, gozam do mesmo status e têm importância idêntica. Não faz sentido perguntar qual dessas atividades complementares constitui “sua essência”! A palavra “rede” sugere momentos nos quais “se está em contato” intercalados por períodos de movimentação a esmo. Nela as conexões são estabelecidas e cortadas por escolha. A hipótese de um relacionamento “indesejável, mas impossível de romper” é o que torna “relacionar- se” a coisa mais traiçoeira que se possa imaginar. Mas uma “conexão indesejável” é um paradoxo. As conexões podem ser rompidas, e o são, muito antes que se comece a detestá-las. (BAUMAN, 2004, p.12).

Sendo assim, as redes sociais no ciberespaço caracterizam-se, fundamentalmente, por relações esparsas, que não se traduzem em proximidade e intimidade23, cujas conexões podem ser facilmente rompidas. No que tange aos elementos de constituição das redes sociais, para

além dos atores e dos vínculos ou laços, está o capital social. Com pano de fundo profundamente marxista, o conceito de capital social desenvolvido por Bourdieu (1983) refere-se a um valor constituído a partir das interações entre os atores sociais:

23 Vale ressaltar que, apesar do consenso entre os pesquisadores da área sobre a predominância de laços fracos

nas redes sociais, relacionamentos verdadeiramente intensos e íntimos (laços fortes), não somente são possíveis, como existem no ciberespaço.

O capital social é o agregado dos recursos atuais e potenciais, os quais estão conectados com a posse de uma rede durável, de relações de conhecimento e reconhecimento mais ou menos institucionalizadas, ou em outras palavras, à

associação a um grupo – o qual prove cada um dos membros com o suporte do

capital coletivo. (p. 248-249).

Dando continuidade ao pensamento do autor, Bourdieu explica que há três grandes tipos de capital que permeiam os campos sociais: (1) o capital econômico; (2) o capital cultural; e (3) o capital social, e, em meio aos três há o capital simbólico, capaz de legitimar a posse de cada um dos demais como recurso. O conceito de capital social teria, portanto, dois componentes: um recurso (determinado pelas relações de pertencimento do sujeito a determinado grupo social) e o conhecimento/reconhecimento mútuo dos participantes deste grupo. Sendo assim, o conhecimento/reconhecimento mútuo seria o fator responsável pela transformação do capital social em simbólico (BOURDIEU, 1983, p. 10-12).

Além disso, vale ressaltar que o conceito de capital social para Bordieu não está nos indivíduos per se, mas nas relações sociais estabelecidas entre eles. No entanto, assim como as outras formas de capital, o capital social é tratado como recurso individual, passível de ser utilizado e instrumentalizado por aquele que o detém. Ou seja, embora se origine a partir de uma rede relacionamentos, é um atributo individual que permite o acesso a recursos diferenciados não apenas de natureza econômica, mas também aqueles referentes a status social (capital simbólico) e bens culturais (capital cultural). Portanto, o capital social pode ser percebido pelos indivíduos a partir da interação social e, igualmente, através da sua integração às estruturas sociais. Trata-se de um recurso essencial para a conquista de interesses individuais. Para compreender como se processam as profundas mudanças experimentadas em todos os aspectos da vida social decorrentes das novas tecnologias da informação, é indispensável entender como ocorrem não apenas as conexões entre os atores na Internet, mas apreender o conteúdo dessas conexões. Se compreender a existência de valores nessas conexões sociais é fundamental para compreender as redes sociais, a busca por padrões é essencial para

mapear as ritualidades compatíveis com o contexto do ciberespaço. Sendo assim, o capital social opera como elemento-chave para o estudo dos padrões de conexão entre os atores sociais no ciberespaço, que dão origem às ritualidades nas redes sociais24.

Benzer Belgeler